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quarta-feira, fevereiro 28, 2007

E as costas??


Desde quarta passada que todas as aulas passaram a ser doreccionadas na preparação da peça. Novos quadros são acrescentados e sequências adicionadas, num trabalho rendilhado que avança a bom passo, mas com fim incerto. Não vai ser uma peça narrativa, isso é certo, mas se o objecto final vai ser interessante ou não, ainda estou para descobrir. Temos tempo, mais 3 meses de ensaios dissiparão as dúvidas que existirem. Percebo o que o Bruno quer fazer, não tenho a certeza se a concretização será a melhor...
Neste momento estou a sentir as reprecursões da aula de segunda... Sem aquecer saltei, lutei, rastejei pelo chão... agora as costas matam-me... Hoje tenho que ter mais cuidado...

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Peça!


O trabalho na peça de fim de ano começou ontem. O Bruno tinha esquematizado uma série de exercícicos sensoriais e conforme os realizávamos ele ia escolhendo pessoas. A seguir, com o trabalho desses exercicios (e algum outro em certos casos), montou pequenos quadros com os alunos, ao som de música. Não necessáriamente quadros narrativos, ou cenas, mas quadros emotivos, estéticos, bases de trabalho, numa peça que se quer multidisciplinar. A melhor comparação que arranjo é com o último trabalho do Meridional, mosaicos de gente e não histórias - pondo obviamente de lado todo o mérito técnico e artístico da peça Por Detrás dos Montes, com a qual o nosso pequeno bando amador não pode nem deve nunca ser comparado.
Ainda não tenho a certeza do rumo final que tudo isto vai tomar, até porque com as faltas cíclicas de alguns colegas é complicado perceber quem fica e quem sai, mas ontem foi dado o primeiro passo, a ver vamos como corre.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Na tua cara


"A lua banhava as pedras soltas da calçada com uma luz azul fria. Nada mexia nas sombras da rua, nos recantos escondidos onde alma alguma se aventurava. A ruína crescia como um punho fechado em torno do pico escarpado de uma montanha perdida numa cordilheira distante. Apenas o som do vento se aventurava a rumar àquelas paragens, fazendo um concerto surdo ao qual se sobrepunha o leve rumorejar das folhas secas. Em baixo da enorme escadaria que contornava aquilo que foi em tempos um imponente castelo, uma sombra contorceu-se. Uma mão espalmada como uma estrela de cinco pontas ficou visível ao luar. Catarina levantou-se a custo. O corpo coberto de chagas, as roupas esfarrapadas, o cabelo revolto, restos de sangue seco espalhados pela cara como se de uma pintura tribal se tratasse. Pé ante pé ela foi subindo, o rosto num esgar, um misto de dor e raiva, numa mão tinha presa uma adaga, e Catarina agarrava-se a ela como se disso dependesse a sua vida. Não parava, nem pelo cansaço, nem pela dor, nem pela luz que lhe destapava as sombras, sabia estar sozinha, sabia o que tinha que fazer. No topo daquele lugar maldito estava uma mesa de mármore, um imponente altar que se mantinha orgulhoso no meio dos escombros. Deitado nele, perdido no seu sono, um homem com uma armadura gasta e uma capa rasgada pelo tempo e pela espada, repousava. Apesar do aspecto cansado, das roupas gastas, adivinhava-se nele uma nobreza, um certo ar etéreo, uma beleza fascinante que sobrevivia ao tempo e à fadiga. Era um homem duro, mas ainda assim angelical. Catarina aproximou-se e parou por um momento a observá-lo. Num movimento brusco e com o rosto inexpressivo cortou-lhe a garganta. Ele abriu os olhos com a dor e olhou-a incrédulo, como se visse alguém para alem da tumba. Catarina fitou-o quieta enquanto ele morria. Deixou cair a adaga e com o último suspiro do moribundo afastou-se olhando o mundo à sua volta. Até onde a vista alcançava estendiam-se picos escarpados de montanhas, um sem fim de cinzento sem vida, de rocha aguçada e perpétuos abismos. Catarina caiu no chão desamparada, como se o peso de uma vida se abatesse de súbito sobre ela. Agarrando os joelhos chorou convulsivamente. A sua vingança estava consumada, aquele homem estava morto, aquele homem que a abandonou aos bichos, que a deixou inanimada, cortada, ferida, que a tentou destruir, aquele homem não existia mais. E com ele desaparecia o único amor da sua vida, a quem dedicara mais que corpo, mais que alma, esperança e futuro. A única coisa que lhe restava era aquele abismo escarpado, aquele mundo de pedra vazia e nada mais."

Há duas semanas tivemos um exercício em que, no final da aula, ao som de música, tinhamos que olhar para os colegas, escolher um e a partir dele criar um personagem. Fechar os olhos, e desenhar uma pequena narrativa com esse personagem (e não com o colega). Ontem foi feito o trabalho sobre essa historia. Uma cópia entregue ao Bruno (quiçá se não servirão de base para a peça final) e depois trabalho sensorial. Recriação física do espaço e do personagem, para culminar numa improvisação, guiada pelo Bruno, em que tivemos que integrar outros colegas no nosso espaço, no nosso mundo, sem nunca o impormos, interagir, adaptar, reagir, contracenar no fundo, sem sermos autistas, sem nos virarmos para nós próprios, e estando sempre atentos ao outro, sem nunca perdermos o nosso próprio personagem...

Sem dúvida que prefiro as aulas de quarta feira, apesar de, pelo tamanho da turma, nunca se conseguir fazer um exercicio muito longo, para dar tempo a todos.
Pausa nas aulas para o Carnaval e daqui a sete dias há mais...

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Ao fim de duas semanas!

Duas semanas depois voltei a ter uma aula decente no chapitô, com as voltas e reviravoltas, surpresas e outros carnavais em fevereiro nem uma mão cheia de aulas temos. Mas vou um regresso, e pelo menos esta semana as coisas parecem bem encaminhadas. Trabalho sensorial, encontrar um espaço imaginado onde nos sentissemos bem (porque raio me veio uma biblioteca por cima de um teatro com varanda para o jardim?) e muito trabalho sobre música, fox trot, charleston. Mais corpo, mais movimento (afinal às segundas é aula física), vestir roupa ao som de música, sem naturalismo, sem realismo, só com a criação e movimento plástico dos corpos, mas sempre com o trabalho sensorial (peço, formas, tecidos).
Acabou com o mesmo trabalho de há duas semanas para se escrever o texto. Serviu para quem tinha faltado.
Tudo normal, excepto o facto de aparecer um novo aluno... outro novo aluno, passados cinco meses de trabalho. O tamanho da turma não ajuda (somos quase trinta), o tempo decorrido devia desanconselha-lo, mas a mensalidade fala mais alta, mais uns trocos e mais uma pessoa que aterra ali no meio... Não faz muito sentido...

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Pena...

Na última quarta feira o último exercício da aula de teatro foi fixar o olhar num colega e, ao som de música, colocá-lo num espaço, para depois o transformar num personagem e imaginar uma história. Ficámos de a escrever para ontem trabalharmos sobre ela. Segunda-feira não pude ir à aula (caso raro) e portanto ontem fui com ânimo redobrado. O Bruno atrasou-se e pediu a uma colega para começar o relaxamento inical. Passado meia hora já estavamos todos mais que relaxados e ele sem aparecer. A Patricia (a tal colega) tentou que começássemos um exercício sensorial baseado na história, enquanto esperávamos. Alguns fizemos, outros não, mas sem perturbar. Às 20h30 soubemos que o Bruno não vinha... o resto do tempo passou entre conversas, despedidas e pouco mais. Afinal de contas não houve aula... Para mim faz a semana inteira... É incrivel como fico com comichões quando isto acontece, a falta que me faz este trabalho é impressionante. Bem, segunda começa-se de novo. Fica só a referência para a Patricia, que sem preparação, nem aviso, conseguiu durante quase hora e meia manter a turma a funcionar, a fazer qualquer coisa de minimamente util e sem se dispersar. Não é fácil, principalmente para uma aluna, obrigado pelo esforço.

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Improviso

Quando este blog foi criado chamava-se Sopros D'Improviso, o Improviso saiu do Sopros, mas não da minha vida. Ontem na aula de teatro foi um dos temas centrais. O relaxamento inicial foi invulgarmente longo, durando mais de vinte minutos. A seguir trabalho sensorial físico, um barco, ondas, sensação no corpo de tempestade, não a representação de tempestade, mas a sensação de tempestade, interior, nas pernas, no tronco, no corpo, na cabeça, no enjoo.

A seguir, e durante a maior parte da aula, improviso. O Bruno escolheu quatro alunos. Deu instruções a cada um deles sem que mais ninguem ouvisse quais eram. Deu-lhes um objectivo a cumprir nessa improvisação. Em seguida foram entrando um por um outros alunos, cada um com o seu objectivo específico. A confusão instalou-se com resultados mais ou menos cómicos. O exercício repetiu-se três vezes com três grupos de alunos diferentes. O que parecia ser uma balbúrdia informe serviu para nos ensinar três coisas:


  1. é fácil perdermos noção dos colegas, temos que estar atentos a quem nos rodeia, sem isso não existe contracenação apenas monólogo;
  2. é fácil perdermos o nosso objectivo como personagem, isso é o mais importante, sabermos quem somos em cena e porque é que ali estamos, manter o foco;
  3. em comédia não vale a pena sublinhar o óbvio, o humor existe se nos mantivermos atentos aquilo que estamos a fazer, o resto é ruído e excesso que perturba o aquilo que queremos transmitir.

No fim em círculo, tivemos que olhar uns para os outros até nos fixarmos numa pessoa, mesmo que ela não estivesse a olhar para nós. Em seguida, ao som de uma música, imaginar um local, uma situação e uma cena. Colocar essa pessoa como personagem nessa cena e construir uma pequena história, de olhos fechados, durante o relaxamento final. Essa história escrita vai ser usada quarta-feira que vem. Estou curioso quanto ao resultado.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Brilhante!


Ontem o Bruno regressou às aulas, que é como quem diz, ontem voltámos a ter aulas de teatro. Antes de mais um anúncio, no início de Junho (ainda não tenho data certa), vou subir a palco pela primeira vez com a peça anual do curso. A ver vamos como sai.
A aula começou com um aquecimento ao som de música, o Bruno quer analisar a nossa resposta física ao estímulo musical, não propriamente dança, mas a plasticidade do corpo ao som da música, seguindo-a ou libertando-se do ritmo imposto. O som foi portanto, e como de costume, uma constante. Trabalho com o sol, sensorial, físico, instalar uma sensação de bem-estar, perceber como o sol se manifesta no corpo, o molda e altera. Em seguida colocar no espaço alguém que tenhamos desiludido, trabalhar com ela, e por fim transferir essa pessoa para um colega, trabalhar com ele como se fosse outro.
Intervalo...
Aqui a aula ganha uma outra dimensão. Um poema (olhos, boca, sangue...)que serve de mote (sangue que mata...) ao exercício seguinte (lua...), texto, música, expressão física profunda e um limite, uma barreira invisível transposta, o corpo, o nosso corpo, o corpo dos outros, o libertar de sensações e pulsões que não são tratadas no dia-a-dia, calor, erotismo, morte, sem medos, uma explosão de emoções, sozinhos, com outros, por momentos não éramos nós, por momentos não estávamos ali, homem, mulher, animal, a linha tornou-se ténue, do apocalíptico ao etéreo, passámos por diversos estados, mas sempre, sempre em contacto com algo... primário e sempre a desafiar os limites.
Foi um romper importante, cheguei eléctrico a casa, ainda contagiado por toda aquele energia, foi uma das melhores aulas que alguma vez tive...

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Casting

Quarta-feira passada acabou o workshop com Sofia Gonçalves, que substituiu o Schiappa durante duas semanas, e que visava preparar-nos para um casting. O culminar foi uma simulação de um casting verdadeiro, onde o texto apresentado foi escolha nossa. Por falta de tempo e até de conhecimento, voltei a usar um texto da peça Sax que já tinha utilizado no workshop que fiz com o Thiago Justino.
Tinha faltado à aula de segunda, não por escolha mas porque não me despachei a horas do trabalho, e portanto tive que preparar o texto completamente sozinho. Esta aula não tinha consequências, o casting era apenas uma simulação e caso fosse um fracasso absoluto as aulas continuariam na segunda-feira, como se nada acontecesse. Não havia motivo portanto para estar nervoso, mas a verdade é que estava. Li o texto, decorei-o, trabalhei o meu personagem, fiz o trabalho sensorial, preparei-me, escolhi o guarda-roupa, fui rua a cima a murmurar o meu texto "in character", cheguei lá tenso, mas rapidamente voltei ao que sempre fui, brincalhão, descontraído. Quando chegou a minha vez entrei, disse o nome e idade, sorri de frente e de perfil, mostrei as mãos, acabei de me vestir e comecei... Correu bem. Correu muito bem. Ficou tudo gravado. O meu problema é não ter termos de comparação. Eu sinto que correu bem mas... será que correu? Sem ter passado no palco, televisão ou cinema não tenho como comparar. Estou ansioso para ver o filme e saber se afinal sempre tenho ou não jeito para isto...

sexta-feira, janeiro 12, 2007


A segunda aula de casting acabou por ser a primeira depois do desperdício de segunda-feira. Aquecimento inicial sem o relaxamento a que estamos habituados (isso viria mais tarde), mas professores diferentes têm, como é óbvio, técnicas diferentes. Em seguida massagem, juntámo-nos a pares e gastámos o nosso tempo a explorar o corpo do outro. Seja em que situação for, massagens é sempre algo que aprovo, gosto de as fazer e ainda mais de as receber, o que, para alem do propósito de relaxamento e desinibição em relação ao corpo alheio, me dá sempre imenso gozo. Em seguida trabalho sobre o texto escolhido. A Sofia queria dar dicas individuais, mas cometeu quanto a mim dois erros, primeiro foi esquecer-se que somos para cima de 20 alunos o que torna ineficaz querer ler os textos de todos e falar com todos, se gastar 5 minutos com cada um está uma hora e quarenta só a ler e dar dicas. O segundo foi querer dar imagens suas, se o trabalho do Método é utilizar experiências pessoais, as experiências alheias são obviamente inutilizáveis. Não tanto que falasse da sua vida, mas do seu universo. Dizer a um colega para pensar num quadro que lhe diga muito é pressupor que ele tem na pintura um universo próximo, quando pode não ser verdade (e não era), para ele pode funcionar o cinema, a música, o teatro ou outra coisa qualquer. Quanto a mim já tinha um universo sensorial escolhido para este trabalho, um local e uma pessoa por onde explorar. A questão é que escolhi um texto que fala de um tema que me é próximo. A utilização da pessoa que escolhi como referência para este trabalho teve consequências inesperadas, tendo a Sofia que intervir duas vezes para que eu conseguisse acalmar e regressar a um estado de menor tensão. O primeiro passo que é o da libertação das emoções começa a ser dado. É preciso agora controlá-las.
Próxima segunda outro capítulo...

terça-feira, janeiro 09, 2007

Regresso


Ao fim de duas semanas voltei ao Chapitô. O Bruno está a ensaiar a peça Frozen que vai estrear no D. Maria a 17 de Janeiro e portanto estas primeiras duas semanas ficaram a cargo da Sofia Gonçalves. Em quatro sessões vamos fazer um pequeno workshop sobre casting e ontem foi a primeira aula.

Começámos com o pé errado.

Em primeiro lugar gastamos uma aula em apresentações. Percebo que a professora não nos conhece, mas queimar uma aula em quatro é notoriamente exagerado. Principalmente quando a última aula vai ser a simulação do casting, portanto de 4 sobram 2 aulas para treinar.

Em segundo lugar é daquelas pessoas que criam em mim uma antipatia natural, o sorriso falso e o riso forçado sempre me deixaram com comichões.

Depois não esquecer que uma atitude agressiva (mas desimulada) não é a abordagem mais apropriada. Ela pode achar que O Método é brilhante, mas o facto de alguem ter objecções a alguns pontos não merece as respostas rispidas e duras que teve.

Alguns comentários foram completamente despropositados, como dizer numa aula que tem dois terços de alunos de primeiro ano que é "absolutamente contra a castração a que os alunos de terceiro ano são forçados por terem uma turma tão inexperiente!". A senhora sente-se revoltada com a castração, mas é a única, nunca vi nenhum aluno de terceiro ano queixar-se - muito pelo contrário - nem o Bruno (professor desta aula) considera este um passo errado, para além de atacar sem propósito os alunos de primeiro ano que estão lá apenas para aprender.

Por último a forma como lidou com o Fábio, aluno com mongolismo da turma, foi arrepiante. Pura e simplesmente ignorou-o quando ele quis intervir pela terceira vez. Eu sei que ele se repete, que ele pode ser inconveniente, mas não se vira costas a ninguem enquanto esta fala, muito menos a alguem assim...

Mas pode ser só embirração minha, como diz um colega meu: não negues à partida uma ciência que desconheces.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Improviso


Depois de uma aula de segunda feira completamente virada para o lado físico, onde acabámos a música Deliciae Mae, quarta-feira estava marcada para ser memorável. Última aula deste ano, era onde iriamos improvisar sobre A Ilha dos Mortos de Strindberg.

Relaxamento inicial muito profundo, trabalho físico de memória sensorial sobre um espaço que nos fizesse paralelo com a Ilha dos Mortos e depois utilização de um objecto, pessoa, situação pessoal para ter a sensação geral e específica da cena que iamos representar. Foi mais de meia hora só de preparação para o improviso, e que se revelou fundamental para o mesmo - acreditem, quando alguns actores pedem para não serem incomodados antes de entrar em cena e precisam de alguns minutos de silêncio não é por serem prima-donas, é por ser um factor fundamental do seu trabalho. A aula inteira foi assistir os improvisos de cada um, duas horas de representação pura, preparação, interiorização, e interacção.

É incrivel o nível de esquecimento que se consegue atingir, fechar completamente que estamos numa sala, a rebolar pelo chão, com gente a assistir, e deixar que as emoções fluam, intensas, imensas, a criar naquele momento actores com uma performance genuina e verdadeira. Isso sente-se, isso sentiu-se ontem, e foi memorável.

terça-feira, dezembro 12, 2006

Pequeno apontamento Chapitô - aula de segunda feira virada para o físico, trabalho de elasticidade, força, coordenação, ritmo e enfâse para o treino da voz. Regresso à música Deliciae Mae. (like anyone cares... lol)

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Transferência

"Se em palco tiverem que ter uma cena íntima com uma pessoa que mal conhecem, ou uma cena de ódio com um actor de quem gostam têm que fazer uma transferência." - ou seja para ter uma representação forte, verídica, é preciso imaginar alguém no corpo daquela pessoa, alguém que se coadune melhor à cena descrita de forma a sermos mais espontâneos, mais honestos. Ontem foi esse o ponto de ordem dos trabalhos, o início mais concreto da contracenação, com trabalho físico, toque, cheiro e não só imaginação. Foi uma experiência incrível, ver alguém à minha frente completamente de rastos, com uma entrega plena, total, de uma franqueza e honestidade extrema, que se abriu à sua dor sem reservas, deixando-me apenas a fútil tarefa de a tentar, inabilmente consolar. Não sei que efeito tiveram aqueles minutos nos outros, mas foi uma experiência única.
Voltámos no fim da aula a Strindberg e, mais uma vez, não li mais que duas frases. Tenho tido azar na distribuição dos papeis...

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Pequeno apontamento Chapitô - Aula de segunda com forte incidência na memória sensorial. Trabalho com as palavras ruptura e fraqueza. Regresso à musica Deliciae Mae.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Com o feriado os filmes e as saidas esqueci-me de falar da última aula do Chapitô. Já tendo passado quase uma semana resta-me apenas sublinhar, para manter um relato regular, que de toda a aula destaca-se o início do trabalho com a Ilha dos Mortos do Strindberg...
Hoje há mais.

quarta-feira, novembro 29, 2006

Mais um passo...

Escrever sobre as aulas de teatro num blog parece um exercício inútil. O interesse que tais relatos possam ter para quem não está presente é diminuto. No entanto, estes textos são para mim de uma importância fulcral no cimentar dos conhecimentos adquiridos e no reviver de experiências, num processo que se baseia exactamente na repetição como forma de aprendizagem. Por outro lado talvez exista alguém por aí com interesse em aulas de teatro, uma curiosidade que pode ver por aqui satisfeita e, quiçá, talvez iniciar a sua própria formação teatral.
Segunda-feira foi aula física, exercícios iniciais de alongamento e flexibilidade seguidos, comme d’habitude por um passeio pela sala onde tínhamos que encurtar ou alargar espaço entre os vários alunos. Em seguida fizemos um jogo de perseguição, escolhíamos alguém na sala que tínhamos que perseguir, sem no entanto sermos notados e utilizando sempre a visão periférica. O jogo do gato e do rato continuou até nos agruparmos em pares e olharmos um para o outro. Conhecermos o rosto, os contornos e nuances, descobrirmos qual dos olhos é o mais brilhante e aí desfocarmos a visão. Essa imagem desfocada, distorcida depois de gravada na mente tinha que ser “reproduzida” no corpo. O que é que sentimos ao olhar para ela, quem vimos, o que vimos, como? Tudo isso tinha que ser reproduzido depois fisicamente, no gesto, no corpo, no andar.
Voltamos ao texto, a uma música em Latim que estamos a aprender desde a última aula. Desta vez o que interessava não era tanto a música mas o texto traduzido, o seu significado. Uma vez mais com a memória emotiva a trabalhar, lembrarmo-nos de alguém que a quem tenhamos desiludido e lemos o texto a essa pessoa, alguém que nos desiludiu e, por fim, alguém com quem tenha acontecido ambas as coisas. O que torna as coisas interessantes é que o texto fala de alguém que se despede de alguém morto com palavras como “As minhas lágrimas lavarão o teu corpo uma última vez”, ou seja, à primeira vista desilusão não seria o sentimento dominante. É isso que pode dar uma interpretação densa, a complexidade de sentimentos demonstrada.
Para relaxar a aula acabou com canto e dança, partes integrantes da formação de um actor.
Mais um passo…

terça-feira, novembro 21, 2006

A reeducação do corpo

Se o trabalho sensorial individual está a chegar ao fim este ano, novas portas se abrem no Chapitô. Ontem, depois de um aquecimento inicial intenso (já típico das aulas de segunda feira) trabalhámos com a expressão fisica da palavras, tinhamos que criar uma estátua grotesca que reflectisse a nossa interpretação de três palavras que, à vez, fomos ouvindo - dor, amor e fim.
Trabalhámos sobre o ritmo, num passo ternário moviamo-nos pela sala, com diferentes velocidades, emoções ou acções a desempenhar, sem nunca descurar o foco, o contacto visual com as outras pessoas na sala. O trabalho físico foi mais intenso, mas esta segunda marcou o início do trabalho sobre a respiração e sobre o som, sobre a voz. Ambas as coisas estão óbviamente interligadas e, como são algo que fazemos diáriamente de forma errada (respiramos pelo peito e não sabemos utilizar a plenitude das nossas capacidades vocais) revestem-se de uma dificuldade acrescida porque antes de se apreender a forma correcta de fazer as coisas é preciso eliminar hábitos adquiridos ao longo de uma vida.

quinta-feira, novembro 16, 2006


Estamos a chegar à fase final do trabalho individual sensorial e avançamos a passos largos para começar o trabalho com parceiro. Ontem na aula de teatro tivemos uma relaxação mais profunda que o habitual e, após trabalho com um espelho imaginário, voltámos às personagens da Commedia Del Arte, trabalhando sobre a roupa (que teriamos que imaginar, visualizar, mais que isso, sentir o toque, o peso, a textura e a forma como isso nos influencia a pose, o andar, o caracter).
Em seguida, trabalhando sobre os personagens da peça O Urso, recorremos ao improviso. Saiu-me desastrosamente. Banal, timido, descoordenado, tropecei completamente neste exercicio. Voltámos depois ao trabalho sensorial, memória e recriação, invenção de um roubo e uma fuga que teria que ser mostrado frente ao resto da turma.
Contracenação... agora o grau de dificuldade começa a aumentar...

terça-feira, novembro 14, 2006

Another World

Sempre que começo uma aula no Chapitô sinto que entro para um outro mundo, um mundo mais livre, onde as regras são diferentes e onde os juizos de valor são practicamente inexistentes.
Na aula de ontem, após o relaxamento inicial, fizemos diversos exercicios com posições fetais, posições de sono e movimento constante entre as varias. Andámos pela sala com um andar inventado por nós, fizemos rodopios, gestos, saltos e quedas, num encadeamento constante entre os vários elementos a 8, 4, 2 e finalmente a 1 tempo, num frenesim tal que perdiamos a noção do que estávamos a fazer. O objectivo não era obviamente a execução de cada passo milimétricamente, mas a busca de uma emoção, uma imagem, uma desenvoltura fisica que faz parte das aulas de segunda feira - antes disto tinhamos já evitado choques uns com os outros enquanto avançávamos pela sala cada vez mais rápido, bem como feito uma parafernália de movimentos, cambalhotas e exercicios quer de pé, quer no chão.
Regressámos à Commedia del Arte, escolhemos um personagem e encarnámo-lo fazendo sobressair o seu lado sensual, mais que isso, a sua libido.
Cada passo que damos, mesmo que seja em falso, é um passo em direcção a uma maior libertação, expressividade e auto-conhecimento.
O Chapitô tem sido cada vez mais um refugio onde estico as asas à imaginação...

quinta-feira, novembro 09, 2006

Respirar outra vez...

Como o regresso à tona de àgua. Ao fim de duas semanas respirei golfadas de ar fresco, saboreei cada momento, cada sorriso, cada exercico da aula de teatro. Não que a aula fosse particularmente extraordinária, começou atrasada, com muita gente e, após um relaxamento inicial, fizemos um trabalho de reconstrução de uma pessoa que nos fosse próxima. A seguir, com base nas palavras coragem e cobardia, relembrar e trabalhar (terminando com um gesto específico e um som) situações da nossa própria vida que essas palavras trouxessem à memória.
Acabou com a partilha (que demorou muito tempo) das experiências revisitadas.
Perdi em duas aulas trabalho sobre texto e sobre a Comedia Del Arte.
Mas voltei e soube... bem.