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terça-feira, junho 27, 2006

Há seres...

Há seres que se escondem nas pregas escuras do ciber-espaço que, sentindo-se autênticos cavaleiros, defensores consagrados da moral vigente, mui altos protectores dos valores universais que, normalmente anónimos (o que contrasta com o ar de damas ou cavalheiros da mais pura estirpe), se dignam a saltitar de blog em blog espalhando ao vento comentários e críticas como se tivessem do seu lado a luz divina.

Mas de onde é que saem estas criaturas?

quinta-feira, junho 22, 2006

"mas qu'os há os há!"

Lisboa, nove da manhã na Baixa. Junto a uma banca de jornais um homem diz convicto: "... que o Crime tem lá um bruxo e há três semanas o bruxo no Crime disse que a Selecção passava aos oitavos e não passava de lá. Portanto lá está, que há quem diga que não acredite em bruxos, mas qu'os há os há!"

E contra factos não há argumentos!

quinta-feira, maio 18, 2006

Nos pormenores dos gestos

Pânico descubro que a carne picada que precisa de uma hora para estar pronta e que é a base do macarrão no forno, estava estragada. Erro meu, que a deixei quatro dias no frigorifico, bem sei que carne picada se estraga facilmente, mas enfim...
Corri ao Mercado da Figueira, para me reabastecer ainda a tempo de não jantar à meia noite. À minha frente na fila do talho estava um homem, cerca de 30 anos, com compleição indiana. "O que é que queres?" - disse-lhe em tom de gozo o talhante - "Frango sem pele? Porquê, tens medo de sujares as mãos? Não tens facas em casa?" - A enorme faca de trinchar caía sobre o frango despedaçando-o, arrancando a pele com visivel destreza - "Anda cá que eu mostro-te como se faz! Anda cá que levas uma talhada nas mãos que aprendes logo! Na tua terra tiram a pele ao frango?" - e dirigindo-se para uma velha que ali se encontrava à espera - "Era da maneira que aprendia! Eles tambem não fazem nada! Na terra deles não lhes tiram a pele." - Entregou-lhe o frango e o homem saiu. Dirigiu-se a mim: "Então o que deseja? Carne picada? Uma ou duas vezes? O senhor é que manda!"

Não é no facto de não te impedirem o acesso aos mesmos transportes públicos, ou aos mesmos restaurantes, impedirem-te de votar, ou criminalizarem a escravatura, nem de preverem que tens os mesmo direitos pela lei, mas é no dia-a-dia, todos os dias, a cada momento, em cada esquina, dizem-te, mostram-te, nos gestos, nas palavras, nos olhares, nas pequenas atenções, ali sabes - tu és diferente! E nunca te deixam esquecer isso...

I also believe in a better way - sing it Ben...

segunda-feira, maio 15, 2006

É a porra do princípio!

Há aquelas coisinhas pequenas, que na verdade não nos influenciam em nada o curso do dia, mas que, sem motivo aparente, nos deixam profundamente irritado. Uma das coisas são as pessoas que, independentemente da direcção que pretendem tomar, carregam am ambos os botões de chamada do elevador, fazendo com que este pare desnecessáriamente.
Outro é que, quando o botão de chamada já está carregado alguem, depois de olhar para mim, lá vá e pressione segunda vez o dito. Pior ainda é, tendo olhando bem para mim e vendo que já lá estava há algum tempo (não sou pequenino é dificil que não me notem!), entre em primeiro lugar no elevador, sem mais nem porquê. E enquanto que a história de carregar segunda vez no botão ainda pode ser imbirrância minha, o facto de se meter como um senhor crescido à minha frente, irrita-me solenemente. Não pela ordem de entrada, que o elevador tem tamanho para toda a gente e chegamos ao mesmo tempo, mas é a porra do princípio!

quinta-feira, maio 04, 2006

Pormenores 2

O Metro... essa fonte inesgotável de personagens peculiares... e há alguns que nos apanham completamente de surpresa. Por exemplo ainda não consigo perceber o que fazia um homem adulto na estação do Marquês num canto virado contra a parede a falar ao telemovel mas tão perto, tão perto, que se esticasse a língua tocava no azulejo...

Pormenores

Ontem, a caminho de casa para almoçar, fiz aquele que é agora o meu trajecto regular, percorrendo a rua Augusta até à Rua do Comércio ao velhinho quarto andar... Por mim passavam as tradicionais personagens que compõem a magia da zona antiga da cidade, dos rapazes dos questionários às peixeiras, dos turistas aos artistas de rua... No meio dos cheiros e sons da Baixa sobressaiu um já conhecido pequeno orgão de sopro tocado a medo por um cego de Lisboa... Já velho, gordo não do excesso de comida mas da falta de vida, roto nos cotovelos de um banco desdobrável onde repousa... As notas, fora de ritmo e de tempo, eram de uma velha canção de estudantes... "A mulher gorda a mim não me convém..." Parei por um momento... não pude deixar de notar na ironia de um pobre homem daqueles estar a tocar justamente aquela música...

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Amor à Pátria

Era de noite, a Avenida da República não tinha muita gente e eu andava calmamente entre tuneis e serpentinas que as obras do metro originam. Ao descer às tripas da cidade, ainda antes de parar no sinal que o obriga, tive que travar por causa de uma pequena casca de noz, um carro eléctrico que circulava na faixa da esquerda. Pisca para a direita e lá vai um desrespeito ao código da estrada. Chegado ao sinal o dito chega ao meu lado e pára um pouco mais à frente. Volto à esquerda para ultrapassar mas o homem recusa-se a sair do seu caminho, caminho esse, percebi pouco depois, traçado pelo Senhor. Pisca para a direita, segunda ofensa ao código, e enquanto o ultrapassava olhei para dentro do carro. Barba por fazer, ar gasto de alguns anos de vida, mais provavelmente os que aparenta do que aqueles que realmente viveu. Pequena bandeira nacional no tejadilho do carro, boné da selecção, bandeiras nas janelas e um cachecol verde e vermelho no tabelier. Para completar o quadro uma pequena Virgem Maria de plástico guardava serenamente toda a cena.
Confesso nunca ter visto tamanha devoção e tamanho patriotismo, com o clássico toque de adoração cristã.
Perdi-o na bruma da noite por onde certamente espalhou um pouco da sua magia e dos tradicionais valores portugueses. Uma pergunta me resta, será que gosta de fado? No meu imaginário infantil espero que sim, para poder dormir descansado com a certeza que o mundo não está perdido...

quarta-feira, janeiro 25, 2006

"Se ganhar o Euromilhões compro uma gaja destas (aponta para a televisão)"
"Mas qual é o gozo? Ela não gosta de ti..."
"Eu tambem não gosto dela é só foder e deitar fora! E se ganhar dou-te dois milhões a ti mas tens que arranjar uma amante, não me venhas com essas paneleirices de que só gostas da tua mulher!"

É casado, licenciado, tem mais de 30 anos e um filho...

Irrita-me

Há coisas que me irritam. Há coisas nas pessoas que me irritam. Há defeitos de carácter que me irritam, há alguns específicos que me irritam particularmente. Não suporto as pessoas em quem não se pode confiar, as pessoas que mentem por sistema, que mudam de palavra, que dizem uma coisa e fazem outra, que não admitem os erros, com quem não se pode argumentar.
E quando essas pessoas têm posições de poder sobre nós, irrita-me ainda mais...

terça-feira, janeiro 17, 2006

28 horas depois

28 horas depois o homem suspeito - adoro estes preciosismos jornalisticos - de ter baleado um guarda na localidade de Para Lá do Sol Posto entregou-se às autoridades. 28 horas e a Sic Noticias tinha imagens em directo "de alguma distância porque não se consegue penetrar o cordão de segurança" como explicava o jornalista live on the scene. E lá se viam uns tipos muito ao longe, sem se conseguir perceber patavina de coisa nenhuma. Um jornalista com tomates conseguia imagens de perto, um jornalista com sorte até tinha imagens de dentro da casa como o Dustin Hoffman no quase desconhecido Mad City... um jornalista verdadeiramente dedicado matava um GNR só para ter em directo e exclusivo a história na primeira pessoa, não sem antes montar na sua casa um estudio decente, com gerador próprio, lista de convidados, água potável e comida para uma semana. Lá se fazia o reality-show, mas com muita reality e imenso show. Era ver as audiências a rebentar com a estação do exclusivo, e em vez de 28 horas tinhamos pelo menos 28 dias -faz-me lembrar o 28 Dias Depois, o filme apocaliptico do Danny Boyle, que nunca mais fez nada de jeito desde o Trainspotting - e uma saga para ser continuada...

O melhor é não dar ideias... porque da forma que as coisas andam...

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Post rápido que tenho a Ecofilmes e a Columbia para tratar...

Diálogo entre um casal coquete dos seus trinta e poucos que ouvi enquanto esperava um elevador num hotel no Chiado:
- Sabes que a (não me lembro dos nomes portanto vou inventar) Mariana e o Lourenço alugaram aqui um quarto no hotel para conversar, mas só para conversar percebes?
- Ah sim?
- Pois, mas não vieram quando se lembraram que isso era nas vésperas do seu casamento, ficava mal...
- Claro...


?????????????? (e não é que devo viver noutro planeta mesmo...)

terça-feira, novembro 22, 2005

Se há uma coisa que me irrita são os gajos que se põem a divagar sobre coisa nenhuma sabe-se lá bem porquê!

segunda-feira, novembro 21, 2005

Natal Decor 2005

Já há algumas semanas que ando a ver as iluminações de Natal a crescer por Lisboa. Ainda mal o Verão tinha acabado, o calor ainda apertava e já começava a ver os primeiros sinais. Na verdade o tempo mudou depressa, a chuva e o frio instalaram-se e agora o espirito natalício parece mais adequado. Passeando pela Baixa e pelo Chiado, vagueando como sempre pela minha cidade, descubro que resolveram continuar com a invasão azul do ano passado, mas desta vez alargada a toda a zona histórica. Se bem que em 2004 não desgostei completamente da Rua Augusta, este ano vejo que todo o centro está decorado com luzes tipo mata-moscas de café, absolutamente pirosas, com um ar frágil, amador e que destroem a beleza natural do sítio. As decorações de chão lixam a circulação de peões e até o próprio estacionamento automóvel. Há zonas onde uma cadeira de rodas ou carrinho de bébé não passam por causa do raio das luzes. Parecem ter sido projectadas por um cego, sem a minima noção de gosto, de design ou estética, que vive na Merdaleja e copia (mal) o que se fez em anos anteriores. Valha-nos a Avenida da Liberdade (vá lá) com a ideia das bolas nas árvores que faz um efeito curioso.Este ano resolveram fazer a maior árvore de Natal da Europa (ou pelo menos a anunciada maior), visto que a do ano passado era apenas a segunda (se não me engano) e não podemos ficar atrás de ninguem. Resolveram plantar o mamarracho, cheio de fitas e bolinhas, com uma estrela que parece a cruz de cristo em plena Praça da Figueira.O ano passado tinha sido em Belém, em frente aos Jerónimos, mas este ano acharam melhor colocar num sítio que tem muita circulação, mau escoamento de veículos, obras na rua e pessoas a viver à porta. Se a Baixa já é um caos de dia, resolveram garantir que se mantem um caos à noite - não vamos nós quebrar a tradição. E para os infelizes que têm casa na zona, espera-os três quartos de hora parados no trânsito para descer do Saldanha até à Baixa À UMA DA MANHÃ! Bem podiam ter deixado o monstro em Belem que sempre há mais sítio para estacionar e não me chagavam a cabeça. E o ano que nunca mais acaba...

quarta-feira, novembro 16, 2005

O Markl às vezes acerta!

O texto a que este faz referência está postado em baixo, se quiserem leiam primeiro o da Pimpinha e assim sabem melhor com o que é que o Nuno Markl goza. Faz parte do programa Há Vida em Markl da Antena3 de ontem. Enjoy...



DE GUTENBERG A PIMPINHA

Johannes Gensfleisch Zur Laden Zum Gutenberg. Nascido em 1398. Presume-se que tenha falecido a 3 de Fevereiro de 1468. Um operário metalúrgico e inventor alemão, a quem se deve, na década de 1440, a invenção da imprensa. O poder da criação de Gutenberg seria demonstrado em 1455, ano em que o inventor editaria a famosa Bíblia em dois volumes.
Sim, a Bíblia de Gutenberg tornou-se num marco notável na História das palavras impressas. Até ao passado fim-de-semana.
No passado fim-de-semana, o semanário português O INDEPENDENTE publicou, discretamente, no seu suplemento VIDA, uma coluna de opinião da autoria de Catarina Jardim. Quem é Catarina Jardim? Nada mais, nada menos do que a popular Pimpinha Jardim. Que fica desde já a ganhar a Gutenberg neste ponto – Gutenberg não tinha nenhum nome de mimo. Ele era capaz de gostar de ter um nome de mimo – não deve ser fácil ser Johannes Gensfleisch Zur Laden Zum Gutenberg – mas creio que ainda não era muito comum, na Alemanha do século XV, atribuirem-se nomes de mimo. Muita sorte se alguma das namoradas lhe chamou alguma vez JOGU, o único diminutivo aceitável de Johannes Gutenberg. E mesmo assim não é muito aceitável, porque soa demasiado próximo a iogurte, e isso é uma indústria completamente diferente daquela na qual Gutenberg se movia.
Voltemos então a Catarina Jardim e à sua coluna no jornal. O título do artigo é TODOS A BORDO, e trata-se – como o nome indica – de um relato detalhado sobre um cruzeiro a África que a jovem fez.
Ela diz, no início “O cruzeiro a África foi uma loucura, pode mesmo dizer-se que foi o cruzeiro das festas – como alguns dos convidados chamavam ao navio em que Luís Evaristo nos presenteou com MAIS UM BeOne on Board”. Gosto da maneira como ela fala, sem explicações nem perdas de tempo, de pessoas e iniciativas sobre as quais boa parte dos leitores não faz a mínima ideia quem sejam ou no que consistem. Nada contra – isto faz com que qualquer leitor se sinta cúmplice e rapidamente imerso no universo Pimpinha. Adiante.
Ficamos a saber que ela esteve em Tânger, e que a experiência foi, possivelmente a mais marcante da vida desta jovem. Passo a ler o que ela escreve:
“Tânger é bastante feia, muito suja e as pessoas têm um aspecto assustador.”
Nunca fui a Tânger, mas já fui a sítios parecidos e subscrevo inteiramente as palavras de Pimpinha. Malditas pessoas pobres, que só estragam o nosso planeta com a sua sujidade e o seu ar assustador! É preciso ser-se mesmo ruim para se escolher ser pobre, quando se pode ser tão limpo e bonito. Quando se pode ser, em suma, rico.
Eu penso que a Pimpinha acertou em cheio na raiz de todos os problemas mundiais da pobreza. Andam entidades a partir a cabeça em todo o mundo a pensar nisto, andou a Princesa Diana a gastar tantas solas de sapatos caros a visitar hospitais, capaz de apanhar uma doença, quando nós temos a Pimpinha com a solução. Se calhar basta lavar estas pessoas, e talvez – acompanhem-me neste raciocínio; Pimpinha vai ficar orgulhosa de mim – se calhar basta lavar estas pessoas, e em vez de gastar rios de dinheiro a mandar comida para África, porque não os Médicos Sem Fronteiras passarem a andar munidos de botox. Botox! Reparem: não é fazer cirurgias plásticas a toda esta gente feia que vive nestes países, porque isso seria demais. Mas, que diabo – botox? Vão-me dizer que não é possível ir de vez em quando a estes sítios e dar botox a estas pobres almas? Como o mundo ficaria mais bonito.
Adiante. Pimpinha desabafa, dizendo, sobre as pessoas de Marrocos, “apesar de já ter viajado muito, nunca tinha visto uma cultura assim – e sendo eu loura, não me senti nada segura ou confortável na cidade”. Talvez. Mas vamos supor que trocavam Pimpinha por, vamos supor, 10 mil camelos. Era um bom negócio para o Independente. Dos 10 mil, escolhia, vamos lá, 2 para passar a escrever a coluna – o que poderia trazer melhorias significativas de qualidade – e ainda ficava com 9 mil 998. O que, tendo em conta que Portugal está a ficar um deserto, pode vir a revelar-se um investimento de futuro.
Pimpinha prossegue: “Já em segurança, animou-me a festa marroquina, com toda a gente trajada a rigor”.
Suponho que, para a Pimpinha Jardim, “uma festa marroquina com toda a gente trajada a rigor”, tenha sido assim tipo uma festa de Halloween, tendo em conta que os marroquinos são – como a colunista diz umas linhas acima – gente feia como nunca se viu.
Adiante. Ela diz: “A seguir ao jantar, mais um festão que voltou a acabar de madrugada”. Calma – esclareçam-me só neste aspecto, para eu não me perder. Portanto, houve uma festa, não é? E a seguir, outra festa. OK. Uma pessoa corre o risco de se perder nestes cruzeiros, com toda esta variedade de coisas que acontecem.
Diz Pimpinha: “Desta vez não deu mesmo para dormir já que fomos expulsos dos camarotes às 9 da manhã, para só conseguirmos sair do navio lá para as 14 horas. Tudo porque um marroquino se infiltrara no barco e passara uma noite em grande, uma quebra inadmissível na segurança”.
Ora bom. Ora bom, ora bom, ora bom, ora bom.
Portanto, aqui a questão é: viagens a Marrocos e festas com pessoas vestidas de marroquinos, tudo bem. Agora, se pudessem NÃO ESTAR LÁ os marroquinos, isso é que era jeitoso. Malditos marroquinos, sempre com a mania de estarem em Marrocos. E como é que acontece esta quebra de segurança? Eu compreendo o drama de Pimpinha. É que o facto da segurança deixar entrar um estafermo marroquino vestido de marroquino, numa festa com gente bonita vestida de marroquina, isso só vem provar que, se calhar, os amigos da Pimpinha não são assim tão mais bonitos do que essa gente feia de Marrocos. E isso é coisa para deixar uma pessoa deprimida. Temos nós a nossa visão do mundo tão certinha e de repente aparece um marroquino e uma brecha na segurança… Enfim – nada que uma ida às compras não resolva, ao chegar a Lisboa, certo, Pimpinha?
Adiante. Diz Pimpinha: “Já cá fora esperava-nos um grupo de policias com cães, para se certificarem de que ninguém vinha carregado de mercadorias ilegais – e não sei como é que, depois de tantos avisos da organização, ainda houve quem fosse apanhado com droga na mala!”
DROGA? NUMA FESTA DO JET SET PORTUGUÊS? NÃO! COMO? NÃO. Recuso-me a acreditar. Deve ter sido confusão, Pimpinha. Era oregãos. Era especiarias.
Pimpinha Jardim declara: “Mas o saldo foi bastante positivo. Aliás, devia haver mais gente a arriscar fazer eventos como estes”.
Gosto desta Pimpinha interventiva. Sim senhor, diga tudo o que tem a dizer. Faça estremecer o mundo. E com assuntos que valham a pena. Aliás, era capaz de ser uma boa ideia escrever um e-mail ao Bob Geldof a tentar fazê-lo ver que essa história de organizar concertos para combater a pobreza em África… Para quê? Geldof devia começar era a organizar concertos para chamar a atenção do mundo para a falta de cruzeiros com festas. Isso é que era. Mania das prioridades trocadas. Que maçada.
Mesmo no final, a colunista remata dizendo: “Devia haver mais gente a arriscar fazer eventos como estes – já estamos todos fartos dos lançamentos, “cocktails” e festas em terra”.Aprecio aqui duas coisas: a utilização do “já estamos todos”, como se Pimpinha voltasse a acolher o leitor no seu regaço como que dizendo: “Sim, tu és dos meus e também estás farto de lançamentos, ‘cocktails’ e festas em terra. Excepto se fores marroquino, leitor. Se for esse o caso, por favor, exclui-te deste ‘todos’ ou então vai tomar banho antes, e logo se vê”.
Depois, é refrescante saber que Pimpinha está farta de lançamentos, ‘cocktails’ e festas. Eu julgava que nos últimos dias a tinha visto em cerca de 250 revistas em lançamentos, ‘cocktails’ e festas, mas devia ser outra pessoa. Só pode ser. Confusões minhas.
Em suma: finalmente, há outra vez uma razão para ler O INDEPENDENTE todas as semanas. Tardou, mas não falhou. Pimpinha Jardim é a melhor aquisição que um jornal já fez em toda a História da Imprensa mundial.

Pimpinha Jardim


Transcrevo aqui o texto da mais recente colunista d' O Independente... sem comentários!


Todos a bordo!

O cruzeiro a África foi uma locura. Pode mesmo dizer-se que foi o cruzeiro das festas – como alguns dos convidados chamavam ao navio em que Luís Evaristo nos presenteou com mais um BeOne on Board. Sexta-feira, embarque às 17h00, seguido dos devidos preparativos para o jantar de gala a bordo – mais tarde, já com as roupas trocadas, o festão decorreu em duas discotecas e quase ninguém dormiu, tal era a vontade de não perder pitada. Sábado chegámos a Tânger por volta das 14h00, desembarcámo-nos e dirigimo-nos à Medina e ao mercado, com a ajuda de um guia – que tentou levar-nos a todo o lado menos aonde queríamos. O que quer que eu tente descrever não é nada comparado com a realidade. Tânger é bastante feia, muito suja e as pessoas têm um aspecto assustador. Por várias vezes tentaram aldrabar-nos, chegando a limites inauditos como o de nos pedirem três mil euros por uma garrafa de água! Apesar de já ter viajado muito, nunca tinha visto uma cultura assim – e sendo eu loira não me senti nada segura ou confortável com a cidade... Resumindo, acabei por não comprar quase nada e voltei ao barco mais cedo do que era suposto. Já em segurança, animou-me a festa marroquina, com toda a gente trajada a rigor. A seguir ao jantar, mais um festão que voltou a acabar de madrugada – e desta vez não deu mesmo para dormir já que fomos “expulsos” dos camarotes às 9h00, para só conseguirmos sair do navio lá para as 14h00. Tudo porque um marroquino se infiltrara no barco e passara uma noite em grande – uma quebra inadmissível na segurança. Já cá fora, esperava-nos um grupo de policias, com cães, para se certificarem de que ninguém vinha carregado de mercadorias ilegais – e não sei como é que, depois de tantos avisos da organização, ainda houve quem fosse apanhado com droga na mala!De volta a casa, a única coisa que queria mesmo era a minha cama, onde caí redonda e só acordei na segunda para ir para as aulas. Mas o saldo foi bastante positivo. Aliás, devia haver mais gente a arriscar fazer eventos como estes – já estamos todos fartos dos lançamentos, “cocktails” e festas em terra!"

sexta-feira, novembro 11, 2005

Isto tá mesmo mal pá!!!!!

O mundo está mal e cada vez pior. Por este andar nem sei onde vamos parar. E a culpa é dos americanos, aqueles gajos são fodidos, atacar o Iraque e tudo. Depois claro, de cada vez que vou atestar o carro aquilo custa-me os olhos da cara. É a gasolina sempre a subir e os preços e tudo pá! (Olha serve-me aí uma imperial). Que esta merda é toda igual.
Os politicos tás a ver, os gajos não querem é melhorar isto, eles estão lá é para se encher, são uns gatunos, uns aldrabões (se quer recibo tenho que lhe pôr mais 21% de IVA). Quanto a mim era simples: baixava-se a despesa pública, aumentava-se os salários para o pessoal ter dinheiro e a produtividade tambem. Pronto, tava o país encaminhado.
Que a questão aqui é a educação, são todos uns analfabetos pá (lêr agora? Não obrigado. Mas vê lá as horas que daqui a nada começa a 1ª Companhia), uns analfabetos digo-te eu.
Antigamente é que era, no tempo do Salazar não havia esta insegurança. (A PIDE? Porra pá a PIDE não era assim tão má! Tambem safa bastava um gajo andar na linha e as coisas corriam bem!).
São os pretos, tás a ver, os pretos. Não é por mal mas aquilo está-lhes no sangue, por isso é que África está como está. (Colónias? Isso foi há muito tempo! Exploração? Desculpas pá! Eles querem é armas para se matarem uns aos outros, são pretos tás a ver...) Quando nós lá estavamos era tudo melhor. É assim mesmo, a malta tem uma cabeça diferente percebes, basta olhares para o Saramago e para o Mantorras (quanto é que terá ficado o Benfica?). Os brancos são mais inteligentes mais civilizados percebes? (Tou mesmo fodido com isto, será que ganhou? Oh lá! Gaja boa hum... Ganda cu! Bem que te espetava toda!) Se eu amo a minha mulher? Claro! A familia em primeiro lugar. Com eles, os pretos, é diferentes, daí a SIDA e essa cena toda! Até parece que são paneleiros!
Essa é outra. Homem que é homem não faz dessas merdas (a não ser uma vez na tropa, mas isso foi há muito tempo e eu ainda era puto tás a ver?). Não percebo aquilo dos panascas. Eu sei que é dificil aturar as mulheres, mas porra não é motivo para tanto! Cá para mim fazem isso é porque nunca comeram uma gaja boa! (Boa boa só uma vez mais foi a pagantes).
E as gajas com a cena do aborto? Já enjoa pá! Se não os querem não os façam! Deviam era limpar-vos o sebo a vocês todas! (Eu cá digo sempre: mulher morta não aborta) Que vai contra a Biblia percebes? (Em que passagem? Sei lá meu! Achas que eu leio aquela coisa? Eu nem vou à Igreja!)
Mas pronto tás a ver, o que era preciso era mudar as coisas (Votar? Para quê pá? Com um dia tão bonito? Faz lá diferença. Assim como assim são todos iguais). Mas o pessoal não se mexe, são uns mortos (olha serve-me outra imperial e traz-me aí uns tremoços).
Paz no mundo é que a gente precisava. Limpava-se o sebo aos árabes todos e tava feito (eu sei lá da Palestina nem sei onde isso fica! As quê? Petroliferas? Isso são tretas pá, era limpar o sebo a todos). Mas pronto... este país é assim mesmo o que é que um gajo há-de fazer, um tipo anda como pode. Mas se fosse eu a mandar mudava esta merda toda (O quê? Candidatar-me? Entrar para a politica? ONG? Que é essa merda? Tás maluco ou quê? Tenho mais que fazer, agora deixa-me em paz e muda isso para a Sport Tv...)

quarta-feira, outubro 05, 2005

Repugnante!


Ontem tinha uma noite planeada de filmagens, mas acabou por ser uma bem diferente... de copos! No Bairro vários foram os pontos de passagem, os degraus de descanso e as pessoas encontradas. A conversa corria, nem sempre com nexo, mas constantemente divertida, digamos que o nivel de álcool nem permitiria outra coisa. Passagem pela cachupa (está aberta apesar de rumores em contrário que me chegaram aos ouvidos), conversa metida com outros elementos da noite, algum riso e até uma pequena dissertação à beira da estátua do Pessoa sobre o tema hetero/homossexualidade com uma rapariga de Peniche, nitidamente com uns copos a mais, os pés mais sujos que já vi e a frase exlclamativa "Ai meu Deus nunca tinha estado tão perto de um!!". Sinceramente só estando lá para ver, mas deu para mais uma ou duas gargalhadas. Destino seguinte: Oparte. Nunca lá estive, mas ouvi dizer bem, e havia lá mais pessoas para encontrar. Eram 5h30 da manhã e os 10€ de entrada foram o suficiente para nos fazer mudar de ideias. O dinheiro escasseia e a noite já tinha sido cara! De regresso ao carro passámos pelo Buddha Bar e pensámos em tentar entrar (mais uma estreia) caso não pedissem consumo mínimo. Nesse momento um puto, que não tinha mais de 17 anos, magrinho e com um ar franzino, saía acompanhado da namorada. Levava o copo distraidamente na mão e quando lhe chamaram a atenção para o facto voltou para trás para o pousar. Nesse momento um dos gorilas do sítio, uma besta que devia ser presa por uma trela começou a provocar o rapaz, a insultá-lo. E o miudo, ainda sem experiência nenhuma e a boca solta respondeu "Mas já devolvi, também não precisas de te armar em parvo!" Foi o pretexto que o animal queria, começou a espancar o puto sem apelo nem agravo enquanto o agarrava pela camisa. Eu e os dois amigos com quem estava ainda dissémos "Tenha lá calma, deixe lá o miudo, pronto já chega!", mas nada fizémos. Um monstro destes, capaz de atacar sem nexo nem barreiras alguem com metade do seu peso e um décimo da sua força, mete-me nojo! É absolutamente repugnante e deviam-lhe largar os cães em cima sem apelo nem agravo. O Buddha Bar passou a ser um sítio onde me recuso a pôr os pés depois de ter assistido áquilo. E o mais grave é que é a norma na noite de Lisboa. Cavalos impotentes que descarregam as suas frustrações em pessoas que não têm culpa das bestas quadradas que foram cuspidas neste mundo.
O que me repugna é também a inacção de quem assitiu a tudo, ou seja a nossa inacção. Não me mexi, não levantei um braço para ajudar o rapaz. Posso racionalizar o que quiser. Dizer que o tipo me desfazia, que não conhecia o miudo de lado nenhum, que se nós os três avançássemos os outros cinco gorilas que ali estavam e se riam da situação nos mandavam para o hospital. Posso justificar o que quiser. A verdade é que não nos mexemos e estávamos a meio metro daquilo. E a nossa cobardia é indesculpável...

sábado, setembro 10, 2005

Perdidos na vida...


Por vezes há personagens que se atravessam à nossa frente e nos captam a atenção. Ontem antes de entrar para a cinemateca fui tomar um café ao pé do S. Jorge. Estava em pé devido à pressa. Cambaleante, entrou um homem que se pôs ao meu lado. Tresandava a vinho e lixo. Pediu uma bica em chávena escaldada e tinha um livro de bolso na mão que pousou em cima do balcão. Estranhei que um tipico bêbado de Lisboa andasse com um livro atrás. Espreitei para o título era a Biblia Sagrada. Nem sequer tinha visto uma biblia sem ser com uma encadernação dura. O homem balbuciou qualquer coisa imperceptivel. O empregado com um excesso de zelo lamentável disse-lhe com maus modos enquanto pousava a bica à sua frente: "O senhor entrou sozinho e fica sozinho! Não se dirige aos clientes!" " Mas o que foi que eu disse?" - perguntou atónito o homem. Por trás do balcão chegou um outro empregado que perguntou o que se passava e olhando para a chávena interrogou o colega para quem era. Este respondeu que era para o velho. Sem saber muito bem porquê o bêbado respondeu baixinho "Mas se quiser leve lá o café...". Ouvindo isto o empregado mais velho tirou a chávena da frente e disse "Então pronto não bebe e acabou-se!" O mais novo aproveitou a dica e gritando pôs o homem na rua. Quando saí apressado passei pelo homem. Estava parado à porta do café. Tinha um saco numa mão. Uma biblia de bolso na outra. Estava sozinho a tresandar a vinho e lixo. Olhava para o chão, quieto, com o olhar perdido. Procurava a salvação, mas não a encontrou...
Quando vou para o emprego passo sempre por um homem que deve ter cerca de 60 anos. Vive ali ao pé do Campo Pequeno decerto. Todos os dias tem roupa lavada, a cara limpa e as unhas cortadas. Costuma vestir uns calções pelo joelho, boné de pala, polo por dentro das calças e suspensórios. Umas sandálias e meias brancas. Pelo aspecto asseado não está sozinho na vida. Tem um olhar vago. Deambula por aquelas ruas sem sentido, sem destino. Olha para a cara das pessoas que passam com uma expressão longínqua. Fica a olhar para os teus olhos por momentos esperançado, depois baixa a cabeça triste e continua o seu caminho até aos próximo olhar que se cruze no seu. Creio que procura quem o reconheça.
Às vezes há personagens que passam por nós perdidos na vida...

domingo, agosto 28, 2005

Multidão


Uma das coisas que me excita a curiosidade é o animal humano. A individualidade de cada um, os seus gostos, gestos, hábitos, medos e paixões. O facto de cada pessoa ser absolutamente única, cada rosto, cada corpo, com o seu proprio cheiro, o seu proprio gosto. Como tal tudo o que tem a ver com a pessoa individual me interessa.
Ontem acabei por ver um filme no Ávila (Safe) que, apesar de falhado, tinha o mérito de olhar para o dia a dia de alguem, os seus hábitos, crises e dores.
Após uma agradável conversa no Tertúlia no bairro, acabei a noite a observar pessoas... Passatempo curioso (vá doentio) mas não menos interessante... Quem é aquela gente que deambula de madrugada nas ruas da cidade? De onde vêm, para onde vão e o que é que as motiva? E já agora exercitar um pouco a imaginação e construir uma vida para os personagens mais bizaros (que abundam) na zona...