sexta-feira, setembro 02, 2005

Holocausto Canibal


Hoje na vinda para o emprego resolvi dar um descanso aos CD's e ouvir um pouco das noticias da manhã, coisa que já não fazia há algumas semanas.Nova Orleães foi atacada por um furacão há poucos dias. Para alem do drama humano e estragos materiais que tal acontecimento acarreta, descobrimos agora que a cidade se transformou numa lojinha de horrores. Os planos de evacuação eram practicamente inexistentes, milhares de pessoas ficaram para trás, houve quem fugisse direito ao centro da tempestade, outros que procuraram refúgio no estádio da cidade que alberga agora cerca de 60 mil pessoas. A questão é que o referido estádio não tem comida, nem água, nem condições sanitárias mínimas. As pessoas não foram revistadas à entrada e temos portanto niveis de insegurança brutais com confrontos armados gravíssimos num recinto fechado. Nas ruas a situação não é melhor. Pilhagens e roubos constantes, pessoas presas nas suas casas, um numero de mortes crescente, hospitais com centenas de doentes que procuram evacuação imediata, mas sem ter quem os acuda. Os meios são escassos e o Mayor já disse às pessoas que pudessem para fugir, vejam bem... a pé! Os gangs armados tomaram conta da cidade. Jornalistas fogem do local com medo pela própria vida, assaltos homicidios e violações tornaram-se numa norma. Declarações oficiais foram feitas a dizer que andar na rua é por a vida em jogo e pedindo principalmente às mulheres para não sairem de casa! Policias incapazes de controlar a situação deixaram de se apresentar ao serviço ou barricaram-se nos telhados das esquadras!! Cerca de 300 soldados vindos do Iraque (onde parece não haver esta barbárie!) vieram para tentar repor a ordem com autorização para atirar a matar! Enquanto isto George W. Bush goza a sua quinta semana de férias! Não estamos aqui a falar da Somália ou de um qualquer pais de terceiro mundo, mas sim da maior super-potência mundial, auto-proclamada defensora do mundo livre! É esta a democracia que estão a levar ao Iraque e Afeganistão? Esta versão ocidental do Holocausto?


Um estudo de dois cientistas ingleses vem dizer que descobriram a origem da BSE (doença das vacas loucas), que até agora se mantinha uma incógnita. Ao que parece a doença foi transmitida através de rações de origem animal provenientes da India. O horripilante da história é que estas rações eram compostas em parte por restos humanos que sobravam de rituais Hindus. Os corpos são queimados e os pedaços que sobravam flutuando no rio Gangees eram utilizados por uma empresa para fazer rações. Isto não é ficção cientifica, nem as hipóteses apresentadas por dois loucos, mas sim um estudo credivel. Eram esses componentes humanos que já vinham doentes que infectaram as rações, em seguida as vacas e por fim de novo os seres humanos no resto de globo! Uma espécie de canibalismo pós-ritual com intermediário!
Desliguei o rádio... pus de novo uma musica a tocar e tentei por uma vez sonhar que não vivo neste mundo...

quinta-feira, setembro 01, 2005

Yoga


Comecei há cerca de um mês aulas de Yoga. De início foi apenas por experiência, uma amiga minha ia dar duas aulas de substituição no ginásio onde ando há pouco tempo e resolvi experimentar. Senti-me completamente deslocado, verdade seja dita existem várias razões para eu não voltar lá. Sou completamente desconjuntado, não tenho o minimo de flexibilidade e equilibrio, existem lá pessoas capazes de posições corporais que só tinha visto no Exorcista e sou o único homem da turma, raras vezes acompanhado por mais um ou dois. Mas, por incrivel que pareça, adorei as aulas. E comecei a adorar desde o momento em que, a meio da primeira, descobri que o Yoga é algo profundamente pessoal, não se trata de quem chega mais longe ou faz melhor, não há nenhum tipo de comparação a ser feita ou competição a realizar. É uma questão de equilibrio fisico e psiquico, de auto-descoberta e desafio interior. Melhora a nossa postura, elasticidade, mas acima de tudo (pelo menos para mim), traz uma paz, uma calma e relaxamento bem importantes hoje em dia...

terça-feira, agosto 30, 2005

Que se fodam!!!!


Que se fodam os intolerantes! Os racistas ignorantes, imbecis reprodutores de uma ideia retrógrada de superioridade fisica!
Que se fodam os homofóbicos! Que sejam sodomizados até à eternidade, quem se julgam para julgar seja quem for? Impotentes merdosos, cuja grande dúvida é se não serão traídos pelo seu próprio corpo!
Que se fodam os misógenos! Que acham a mulher um ser inferior para ser apenas apreciado como um bife de vaca ou uma montra de um stand de automóveis! Que olham para o sexo como masturbação colectiva e para a companheira de uma vida como criada substituivel e ocasional meretriz!
Que se fodam os fanáticos religiosos! Criados em nome de Deus, dos mais belos principios e ideais, que são o pus que fermenta por debaixo de todo o lodo! Que perpetuam os mais horrificos crimes, que matam e deixam morrer! Que transformam o divino numa estátua de gesso para se vender num santuário qualquer e dar lucro a quem nem sequer acredita!
Que se fodam os corruptos! Trazem debaixo de si a responsabilidade de cuidar de nós, de tratar dos outros e vendem a alma em troco de um colar de pérolas!
Que se fodam os adeptos ferrenhos! Não vêm mais nada à sua frente que não seja uma bola e uma baliza, que insultam pela cor da camisola, que se transformou apenas numa segunda pele - pseudo racistas de merda!
Que se fodam os arrogantes de boas familias! Parasitas do mundo que julgam poder domar o universo no seu dedo mindinho apenas porque têm mais três apelidos que toda a gente!
Que se fodam os ignorantes! Que nunca pegaram num livro, nunca choraram num filme, nunca viram uma peça de teatro e se orgulham disso! Vermes que insultam quem sente e votam nas bestas que sempre nos governaram!
Que se fodam os neo-nazis! Cabeças rapadas que acumulam em si tudo o que há de repelente no reino animal! Que sejam todos arrastados para um campo de concentração por hordas ululantes!
Que se fodam os pseudo-intelectuais! Que se acham melhores que o resto de nós apenas porque conhecem os diversos nomes que formam uma biblioteca que eles nunca leram!
Que se fodam os modelos! Avaliam uma pessoa apenas pela sua cara, o seu corpo escultural e as suas mamas de silicone! Acordem cabrões tudo isso morre aos quarenta!
Que se foda o jet-set! Famosos por serem famosos! Capazes de vender a mãe por uma capa de revista!
Que se foda toda a gente que espezinha, que humilha, que julga, que condena, que destroi a vida de outros sem sequer olhar para trás!
Que se fodam os intolerantes... todos os intolerantes...
Que se fodam estes todos... principalmente aqueles que me estendem a mão e julgam que me rio das mesmas piadas e faço parte do seu grupo!
Vinte cinco anos a meter as mãos no lixo... Que se fodam!

Para além de nós...


Estava uma noite agradável, limpa, um pouco fresca, mas nada que uma camisola não resolvesse. A praia estava apenas a três passos e o mar, apesar de invisivel dado a hora, sentia-se, digo antes, pressentia-se num embalar reconfortante. O sitio era novo, para mim pelo menos, e é sempre agradável conhecer locais calmos para ir.
Apanhei uma amiga minha em Lisboa entre férias. Uma pequena paragem no caminho de Amesterdão para a Turquia (a inveja que lhe sinto consegue-se quase cheirar). No meio de conversas e fotografias o tempo descorria tranquilo e os temas em discussão passavam deambulantes de cidades, para gentes, hábitos, costumes e a vida em geral. Há sem dúvida pessoas assim, com quem se consegue falar de tudo um pouco, e damos por nós até a fazer confidências que outras pessoas só nos ouviram após muitos anos de confiança.
Era previsivel que numa noite como ontem se acabasse a falar de temas maiores que nós mesmos. O mundo, Deus, a Vida e tudo o que nos liga. O lado mítico e místico do que nos rodeia, religião e Igreja, Bem e Mal, sentimentos e sinais.
Até que a realidade me bate à porta e me lembra que hoje é terça feira, dia de trabalho, e que as horas de sono já iam ser parcas.
Pela primeira vez há algum tempo tive pena que a noite e a conversa fossem tão abruptamente acabadas.
É bom ter noites e reencontrar amigos assim.

segunda-feira, agosto 29, 2005

Recordar


Às vezes sinto necessidade de recordar, relembrar-me de sensações e emoções que senti, sitios onde estive, pessoas que vi. Revejo velhos filmes de sempre e folheio livros antigos parando por vezes, com um sorriso, numa passagem familiar. Mas, apesar de ser uma pessoa do cinema, aquilo que melhor me põe em contacto com outros momentos é a música. Os sons têm uma forma de se colar à memória em conjunto com pessoas e vidas, trasportando-nos instantâneamente para um ponto no tempo. Desta vez foi Dave Matthews Band. Nunca fui grande fã, mas gostei bastante do album Everiday, que me faz lembrar de um Verão há uns anos atrás. Já agora, aqui fica uma letra para partilhar convosco.

When The World Ends

Oh when the world ends Collect your things You’re coming with me
When the world ends You tuckle up yourself with me
Watch it as the stars disappear to nothing
The day the world is over We’ll be lying in bed

I’m gonna rock you like a baby when the cities fall
We will rise as the building’s crumble Midst the burning we’ll be churning
Love will be our wings Passion rises from the ashes
When the world ends

When the world ends You’re gonna come with me
We’re gonna be crazy like a river bends
We’re gonna float through the criss cross of the mountains
Watch them fade to nothin When the world ends
You know that’s what’s happenin now I’m gonna be there with you somehow

I’, gonna tie you up like a baby in the carriage car
Your legs don’t work cause you want me so
You just lie spread to the wall
Love you got is surely all the love I would ever need
I’m gonna take you by my side and love you tall till the world ends

But don’t you worry about a thing No
Cause I got you here with me
Don’t you worry about a
Just you and me Floating through the empty empty
Just you and me
Oh graces Oh grace

Oh when the world ends We’ll be burning one
AhWhen the world ends We’ll be sweet makin love
Oh you know when the world ends I’m gonna take you aside and say
Let’s watch it fade away fade away
The worlds done Ours just begun Ours just begun

We’re gonna dive into the emptiness
We be swimming I’m gonna walk you through the pathless roads
I’m gonna take you to the top of the mountain that’s no longer there
I’m gonna take you to bed and love you I swear like the end is here
I’m gonna take you up to I’m gonna take you down on you
I’m gonna hold you like an angel
I’m gonna love you I’m gonna love you When the world ends
I’m gonna hold you When the world is over We’ll just be beg...

domingo, agosto 28, 2005

Multidão


Uma das coisas que me excita a curiosidade é o animal humano. A individualidade de cada um, os seus gostos, gestos, hábitos, medos e paixões. O facto de cada pessoa ser absolutamente única, cada rosto, cada corpo, com o seu proprio cheiro, o seu proprio gosto. Como tal tudo o que tem a ver com a pessoa individual me interessa.
Ontem acabei por ver um filme no Ávila (Safe) que, apesar de falhado, tinha o mérito de olhar para o dia a dia de alguem, os seus hábitos, crises e dores.
Após uma agradável conversa no Tertúlia no bairro, acabei a noite a observar pessoas... Passatempo curioso (vá doentio) mas não menos interessante... Quem é aquela gente que deambula de madrugada nas ruas da cidade? De onde vêm, para onde vão e o que é que as motiva? E já agora exercitar um pouco a imaginação e construir uma vida para os personagens mais bizaros (que abundam) na zona...

sábado, agosto 27, 2005

Another music

Ontem vi uma adaptação (muito livre) da Odisseia,escrita por dramaturgos de 12 paises diferentes e com actores de cada um dos paises (incluindo Portugal). O Bando é a companhia que representa o nosso pequeno pais, e que hospeda a peça durante a sua breve estada em terras lusas, antes de continuar a digressão pela europa. É quase sempre tudo falado em inglês, mas por vezes cada um dos actores fala a sua lingua original, numa Babel poucas vezes confusa, recorrentemente divertida e sempre imprevista. Se estão em Lisboa vão até Palmela hoje ou amanhã, porque senão...
A seguir à peça fui ao já inevitável Bairro. Noite divertida em que, graças à pequena embriaguez, acho que não me calei por um segundo.
Mas pelo menos tive tempo para ouvir amigos meus a darem-me conselhos sobre música. É que estou numa fase de morte acústica, sem saber qual o próximo album que vou comprar, nem que novidades devo ouvir. Já agora, ontem ouvi excertos de Joanna Newsom... parece muito interessante.
Quem tiver sugestões, por favor, deixem-nas em baixo. Gracias.

sexta-feira, agosto 26, 2005

Regresso


É sexta feira, feira da ladra abre hoje às cinco da madrugada...
Quer dizer... isso devia ser é terça feira, feira da ladra mas pronto... que se lixe... Hoje é sexta e portanto que se lixe!!! Hoje é o começo do regresso!
Primeiro foi o regresso da àgua lá a casa (banho...hum...). Regresso ao teatro hoje à noite, com uma peça co-produzida por 11 paises entre os quais Portugal, com actores de cada país. Regresso ao Bairro a seguir à peça. Regressa hoje uma amiga minha em férias, que marca o regresso do pessoal todo ao longo desta e da próxima semana! E, ao que parece, o regresso do tempo mais ameno (que para praia ok, mas trabalhar com 35º não é pêra doce).
Ao regresso de tudo o que nos marca! Um brinde ao reencontro!

quinta-feira, agosto 25, 2005

Falta de água...


Hoje acordei um pouco atrasado para o emprego. Fui sonolento á casa de banho, abri a torneira e... nada! Normalmente é o duche que me acorda, no entanto a falta de água acorda-me ainda melhor. Fui verificar o contador - nenhum problema - liguei para a câmara de Oeiras e esperei. "Bom dia... sim senhor só um momento que vou passar..." - musiquinha irritante... acho sinceramente que eles escolhem as músicas mais parolas e aborrecidas só para nos fartarmos e desligarmos o raio do telefone. Alguns minutos depois atende-me uma voz metálica "Bom dia..." - e eu respondo - "Bom dia minha senhora eu vivo em Algés na Aveni..." - "E não tem água certo?" - A forma brusca da interrupção atordoou-me por uns momentos - "... não, não te..." - "É uma fuga grande, vai demorar no mínimo toda a manhã. Obrigado!" - "Bom dia obrigado." respondo desligando o telefone, como se tivesse sido atropelado por um elefante. E aquela frase que pairava sobre mim como uma ave de mau agoiro "... no mínimo toda a manhã..."
ARGH!! O pânico instala-se! Não há água! Pensei ligar para o trabalho, mas não creio que falta de duche seja justificação para uma ausência.
Felizmente os meus pais (gente prevenida de inúmeras quebras no abastecimento) tem os garrafões sempre à mão do precioso liquido. Lavei os dentes, passei a cara por água e fui-me vestir. Por esta altura lembrei-me do Gato Fedorento (nome apropriado hein?) - "Gordurosa, parecia que deixava rasto, a pele reluzia, parecia que tinha gosma!"
Assim me sentia eu... um monte ambulante de gosma reluzente a deixar um rasto de gordura por onde passasse (como é que os franceses aguentam?)
E cá estou, a rezar para que à hora de almoço já possa tomar um banho e começar o dia de novo... (a falta que as coisas que tomamos como certas nos fazem!)

quarta-feira, agosto 24, 2005

Isto é que é uma mania!


Ontem tive com um casal amigo meu, namoram já há algum tempo e vivem juntos há sete meses. Estando eu no estado em que estou o tema da conversa resvalou para... casa (óbvio). Gastos com a casa, custos da casa, hábitos em casa, dinheiro, escolhas e decoração.
Há poucos meses fui ao casamento de uma ex-colega minha de liceu que namorava com o marido desde os quinze anos e moravam juntos há mais de dois.
A minha primeira namorada a sério casou fez este verão um ano.
A minha melhor amiga arranjou um namoro estável, comprou casa e, espera-se, em breve deve mudar-se para lá.
A minha primeira colega de emprego está grávida.
Um actual colega meu vai ser pai o mais tardar daqui a uma semana.
Encontrei os meus tios no outro dia que me fizeram a pergunta da praxe : Então quando é que te casas? (isto apesar de eu nem sequer namorar no momento)
A minha avó ainda há pouco tempo me falou nos bisnetos e se algum dia os iria ver.
Mas o que é que se passa com o mundo? Está tudo a virar adulto, a envelhecer, assentar, criar raizes e responsabilidades? Já é mania!!! Fazem o favor de parar um pouco... é que neste momento já se contam pelos dedos das mãos o número de pessoas que conheço que ainda estão a estudar.
Felizes os solteiros, os descomprometidos, os doidos irresponsáveis, os sonhadores, os distraidos, aluados, atrasados divertidos. Felizes os que dormem até tarde, não pagam contas, não pensam no dia de amanhã. Felizes os que olham o nascer do sol só porque sim, felizes os que vêm um filme e choram, os que ouvem uma música dez vezes de seguida, os que acabam de lêr um bom livro e começam logo outro, os que representam e os que se apaixonam... mesmo que tenham 50 anos!

terça-feira, agosto 23, 2005

O meu melhor atributo (hope not)


Ontem tomei um café com uma amiga de faculdade, daquelas que estando muitas vezes ou poucas juntos, uma pessoa sente sempre que há ali uma afinidade, um à vontade, uma forma descontraida de ver a vida, enfim... é uma porreiraça! Ela e o namorado compraram casa há pouco tempo e estão naquela fase da decoração e paixão pelo sitio. Ontem fui-lhe mostrar a minha que, apesar de ainda estar em obras, já dá sinais de se tornar um sitio bem acolhedor (está LINDA pronto, é o meu bébé o que é que se há-de fazer?). Ela adorou o sitio (claro!!!) e fartou-se de elogiar a casita (quantas vezes é que já usei o termo "sitio" neste post?). Essa reacção tem sido recorrente, o pessoal que lá tem ido tem gostado bastante, mais agora ainda que as obras estão a avançar. Para aqueles que nunca lá foram fiquem a saber que a casa é velha, pequena, o prédio precisa de recuperação, não tem elevador e quando o vizinho de cima espirra o barulho é tão alto que sinto que ele está deitado ao meu lado (pronto, assim as expectativas não são demasiado elevadas!).
Há uns dias no gozo disse que a casa era o meu melhor atributo neste momento, as pessoas que estavam comigo olharam para mim e após uma pausa disseram "Bom... isso só vendo, mas se calhar..."
Honestamente espero que não... Quer dizer eu gosto muito daquilo mas... safa...

segunda-feira, agosto 22, 2005

Sessão Dupla


Nisto de andar a revisitar novos e velhos amigos tenho andado a negligenciar um companheiro de longas tardes e gratificantes noites. Falo do cinema... Sim é verdade, nos últimos dois meses pouca atenção tenho dado a esta minha paixão de infância. Sendo assim, e para ele não me ganhar rancor, resolvi presentear-me com uma sessão dupla no meu já conhecido Monumental. Escolhi o primeiro filme da noite "De Tanto Bater o Meu Coração Parou", remake do filme "Fingers" dos anos 70, com Harvey Keitel. Na verdade nunca vi o original, mas independentemente disso (porque defendo que cada filme deve valer por si mesmo, seja qual for a sua fonte de inspiração), é uma história cheia de "nuances", de raiva e paixão, num tom intimo e pessoal de alguem dilacerado entre dois mundos, entre o dinheiro e a musica, a familia e a arte. Não sendo genial merece a pena ser visto.
O segundo filme foi escolhido em função do horário (!), precisava comer qualquer coisa e portanto escolhi o único filme que me dava tempo de "jantar". Acabei por ir ver "A Chave", um thriller do mesmo argumentista da versão americana do "The Ring" e do realizador de "K Pax". Na verdade ia preparado para uma desilusão e perguntei-me se não iria estragar esta sessão dupla com uma escolha tão pouco acertada. Felizmente foi uma agradável surpresa. John Hurt e Gena Rowlands estiveram ao seu nivel normal de mestria, Kate Hudson e Peter Sarsgaard não comprometeram. O filme não é tanto um filme de terror, mas um filme de suspense bem construido, tenso, que não cede à tentação do facilitismo, do gore e com um final inesperado. Reconfortado e tendo feito as pazes com este meu velho amigo, voltei para casa com a promessa de não voltar a deixar passar tanto tempo sem outra visita.

domingo, agosto 21, 2005

Primeiro dia...


E assim foi, era inevitável, a migração massiva de pessoas para fora da nossa bela capital teria que me dar uma (forçada) noite relaxante em casa. Acabei por ver o jogo do Benfica (ugh!) e resolvi deitar-me cedo. Fui para o quarto decidido a escrever um pouco, cena e meia depois parei. Distrai-me com uma pequena conversa no messenger, duas ou três chamadas de pessoas a marcar um cafezinho (para todos os dias menos ontem..pois...), uma musica que já não ouvia há algum tempo... e pronto, lá se foi a concentração! Realmente estava a precisar de um(a) parceiro(a) de escrita. Alguem motivado e disponivel para me manter atento. Digamos que esse é o meu principal problema, não tenho nenhuma auto-disciplina e acabo por avançar com passsos demasiados pequenos... Mas pronto... desde que avance já não é tão mau assim.
Agora tenho que me despachar porque se passar a tarde de hoje em casa dou em maluco!

sábado, agosto 20, 2005

Crash (não é o filme)


Hoje voltei a dormir pouco. Não foi apenas a hora tardia a que me deitei, mas principalmente porque acordei muito cedo - a minha mãe teve um pequeno acidente de automóvel. Nada de grave, felizmente, um pouco de chapa (pouca) e uma explicação do sucedido (pela parte do outro condutor) que desafiava as leis da Fisica Newtoniana! Sinceramente sou de Económicas de formação académica e (se quiserem) talvez letras de formação familiar, portanto acredito que a Fisica Quântica consiga explicar isto da forma que o homem expõe... mas não me parece...
Já passei por dois ou três acidentes de viação, tive culpa de um, e descobri que estas pequenas situações são capazes de alterar completamente uma pessoa (para além dos problemas financeiros e moras burocráticas). Perante a tensão criada conheço quem tenho congelado, empanicado, ficado agressivo, nervoso ou histérico. Quando na verdade nada de realmente grave se passou. Já me gritaram,insultaram, quase agrediram... E as pessoas mentem! Mas mentem com os dentes todos que têm, por vezes com situações indefensáveis e argumentos inacreditáveis.
Com situações destas, a chatice do trânsito, o que pago pelo parque, a manutenção do bicho, revisões, imprevistos, inspecções e o preço da gasolina que não pára de subir, estou morto por largar o carro, mudar de casa e poder mexer-me de metro para onde quiser... (Safa!)

sexta-feira, agosto 19, 2005

Pequenos gestos...


Conheço uma amiga minha desde a 1ª classe, apesar de não mantermos um contacto regular, esporádicamente lá nos vamos vendo.Ontem foi dessas noites onde fomos tomar um café mais uma vez à minha zona favorita da cidade, à "minha cidade". Infelizmente trabalho e não pude ficar até tarde, nem acompanhá-las ( a ela e a uma amiga emigrada na Alemanha) a uma noite de copos e cantorias ( no meu caso a parte das cantorias nunca seria bom sinal!). No entanto deu para trocarmos duas de conversa, com a promessa que para a semana nos iriamos juntar por mais algum tempo. O curioso acerca desta minha amiga é que descobri (há cerca de dez anos) que quando andámos juntos na primária não fui, digamos assim, o colega mais simpático que podia ser. A imagem que ela tinha de mim era bastante má durante quase uma década, apesar de eu não guardar memória das histórias que ela conta, e se passaram nos longinquos tempos de infância. Águas passadas felizmente...
Fez-me no entanto pensar... quantas vezes não passamos nós pela vida e pelas pessoas que nos rodeiam com gestos e atitudes impensados? Quantas vezes não teremos magoado alguem sem sequer nos darmos conta? Aquilo que fazemos e dizemos a outros deve ser cuidado , ter em atenção que à nossa frente está uma pessoa que vive e respira, pensa e sente... e que um pequeno grão de areia nosso pode, em certas circunstâncias, magoar quiçá irremediavelmente outro alguem.
Isto parece a rubrica "Vale a Pena Pensar Nisto" da rádio pública, ou um panfleto de um grupo de jovens cristãos (cruzes credo!)... Mas sinceramente às vezes, só às vezes, não custa pensar um pouco antes de abrir a boca...