Eternamente à espera...

Comecei a pensar. Se combinasse um café com uma amiga e ela não aparecesse, qual seria o tempo máximo que esperaria? Acho que 41 minutos! Explico a lógica:
Dez da noite. O ânimo está elevado, vai ser o ínicio de um copo que se prevê agradável.
Dez e cinco. Chega o café, o copo de água o vinho do Porto e os aperitivos.
Dez e cinco e três segundos. O vinho é devolvido por vir com gelo.
Dez e dez. O café está acabado e os amendoins um pouco salgados.
Dez e doze. Olha-se pela primeira vez para o relógio.
Dez e quinze. Acaba o copo de água. Os amendoins estão realmente muito salgados.
Dez e dezoito. Reparo numa mulher bastante volumosa que olha para mim com olhar lascivo.
Dez e vinte. O empregado, velho conhecido, pergunta divertido: “Então e a companhia?” Encolho os ombros.
Dez e vinte e um. Olha-se de novo para o relógio.
Dez e vinte e três. Uma música pirosa começa a arranhar os nervos.
Dez e vinte e cinco. O olhar da mulher começa a incomodar-me. Evito olhar de volta não vá ela pensar que estou interessado.
Dez e vinte e seis. Olho para o télemovel. Não há mensagens.
Dez e vinte e sete. Começo a mexer-me no sofá. As costas doem-me.
Dez e vinte oito. Os três empregados baixam o tom de voz. Paranoico acho que estão a falar sobre mim.
Dez e vinte oito e trinta segundos. Olho de novo para o relógio. Mas que se passa.
Dez e vinte e nove. Engasgo-me com um amendoim. Podiam dar-me outro copo de água?
Dez e trinta. Começam os suores frios.
Dez e trinta e um. Creio que a mulher está a tentar dar-me um olhar fatal! ARGH!!
Dez e trinta e dois. Deixo de saber onde pôr as mãos, os braços, o corpo. Começo a mexer-me para encontrar uma posição confortável... impossivel!
Dez e trinta e três. Entra uma rapariga. O coração dispara (não me deixaram pendurado!) – mas afinal não era ela...
Dez e trinta e quatro – O melhor é fazer pose gay para ver se a mulher deixa de olhar para mim.
Dez e trinta e seis – O empregado sorriu-me. Deixei a pose gay em dois segundos.
Dez e trinta e sete – A mulher está nitidamente confusa com os meus sinais mistos.
Dez e trinta e oito – Ganho a certeza que os empregados se estão a rir baixinho de mim!
Dez e trinta e nove – Desisto. Nem telefonema, nem mensagem, nem companhia. Peço a conta.
Dez e quarenta – Sem tirar os olhos do chão pago e dirijo-me para a saida.
Dez e quarenta e trinta segundos – Olho à porta do bar em volta. Quase juro que vejo um vulto a esconder-se na esquina quando saí.
Dez e quarenta e um – Vexado vou para o carro e vou para casa a assobiar uma música para disfarçar.
Safa... eternamente à espera...

















