segunda-feira, setembro 19, 2005

Esta noite...


Passei a noite no velório do avô de uma amiga...
É incrivel a importância dos pequenos gestos, a força que um abraço pode ter, a impotência que sentimos perante a vida...
E pouco mais resta que não... o silêncio.

sábado, setembro 17, 2005

Amizades... as velhas e as novas.


Ontem no início de uma bela noite, uma amiga minha virou-se para mim e com um tom de admiração disse "Miguel, estamos a ficar intimos!". A exclamação, seguida de risos, não era destituida de senso. Na verdade estamos a ficar bons amigos. Nada de estranho neste capítulo, tenho um grupo restrito mas importante de bons amigos, a questão é que apenas nos conhecemos há poucas semanas. Mas não parece importar, criámos uma empatia e estamos a cimentar uma relação que desconfio se tornará duradoura.
Ontem conheci outra pessoa. E, mistério inexplicável, ficámos à conversa até altas horas na madrugada. Outra pessoa com quem, sem saber porquê, tenho uma facilidade inusitada de conversação, um à vontade se calhar incomum. Tenho tido sem dúvida sorte nas pessoas que a vida tem posto à minha volta.
A questão que se levanta é porquê? Porque carga de água há pessoas com quem se criam laços rápidamente e outras com quem não se faz ligação? Não tem a ver com passado ou percurso de vida,conheço pessoas que vêm do mesmo sitio que eu, trabalham na mesma área, vieram da mesma faculdade ou com quem partilho até amigos em comum e mesmo assim não passam de conhecimentos de ocasião. Interesses idênticos talvez? Também não. Não é por alguém gostar de cinema, de teatro ou seja do que for, que se cria amizade. Não é por tendência politica ou inclinação religiosa, tenho grandes amigos que não partilham as minhas escolhas nesse ponto.
O que é então? O que é que liga duas pessoas? E até que ponto é que essa ligação faz uma amizade,ou seja, o que é mais importante, o que se sente ou a história passada? É que realmente há pessoas que no dia em que as conheci senti que as conhecia há anos...

sexta-feira, setembro 16, 2005

Eternamente à espera...


Comecei a pensar. Se combinasse um café com uma amiga e ela não aparecesse, qual seria o tempo máximo que esperaria? Acho que 41 minutos! Explico a lógica:

Dez da noite. O ânimo está elevado, vai ser o ínicio de um copo que se prevê agradável.
Dez e cinco. Chega o café, o copo de água o vinho do Porto e os aperitivos.
Dez e cinco e três segundos. O vinho é devolvido por vir com gelo.
Dez e dez. O café está acabado e os amendoins um pouco salgados.
Dez e doze. Olha-se pela primeira vez para o relógio.
Dez e quinze. Acaba o copo de água. Os amendoins estão realmente muito salgados.
Dez e dezoito. Reparo numa mulher bastante volumosa que olha para mim com olhar lascivo.
Dez e vinte. O empregado, velho conhecido, pergunta divertido: “Então e a companhia?” Encolho os ombros.
Dez e vinte e um. Olha-se de novo para o relógio.
Dez e vinte e três. Uma música pirosa começa a arranhar os nervos.
Dez e vinte e cinco. O olhar da mulher começa a incomodar-me. Evito olhar de volta não vá ela pensar que estou interessado.
Dez e vinte e seis. Olho para o télemovel. Não há mensagens.
Dez e vinte e sete. Começo a mexer-me no sofá. As costas doem-me.
Dez e vinte oito. Os três empregados baixam o tom de voz. Paranoico acho que estão a falar sobre mim.
Dez e vinte oito e trinta segundos. Olho de novo para o relógio. Mas que se passa.
Dez e vinte e nove. Engasgo-me com um amendoim. Podiam dar-me outro copo de água?
Dez e trinta. Começam os suores frios.
Dez e trinta e um. Creio que a mulher está a tentar dar-me um olhar fatal! ARGH!!
Dez e trinta e dois. Deixo de saber onde pôr as mãos, os braços, o corpo. Começo a mexer-me para encontrar uma posição confortável... impossivel!
Dez e trinta e três. Entra uma rapariga. O coração dispara (não me deixaram pendurado!) – mas afinal não era ela...
Dez e trinta e quatro – O melhor é fazer pose gay para ver se a mulher deixa de olhar para mim.
Dez e trinta e seis – O empregado sorriu-me. Deixei a pose gay em dois segundos.
Dez e trinta e sete – A mulher está nitidamente confusa com os meus sinais mistos.
Dez e trinta e oito – Ganho a certeza que os empregados se estão a rir baixinho de mim!
Dez e trinta e nove – Desisto. Nem telefonema, nem mensagem, nem companhia. Peço a conta.
Dez e quarenta – Sem tirar os olhos do chão pago e dirijo-me para a saida.
Dez e quarenta e trinta segundos – Olho à porta do bar em volta. Quase juro que vejo um vulto a esconder-se na esquina quando saí.
Dez e quarenta e um – Vexado vou para o carro e vou para casa a assobiar uma música para disfarçar.

Safa... eternamente à espera...

quinta-feira, setembro 15, 2005

Cinema em casa


Eu sei, eu sei, dá mesmo mau aspecto fazer este post. Parece que estou aqui a fazer publicidade mas foi um post prometido a um amigo. Então vamos lá:
Os Canais Lusomundo são quatro: Premium, Gallery, Happy, Action. O Premium só tem inéditos em televisão, filmes que nunca passaram em canal nenhum português, tenham feito cinema, video ou estreia absoluta no nosso país. O Action é um canal de acção, suspense, terror, enfim, emoções mais fortes, que é como quem diz, murro, pontapé e estalada. O Happy é um canal que tem como base a comédia (que pode ser comédia para adultos), mas também passa filmes para a familia, desenhos animados, filmes de aventura e romance. O Gallery tem tudo o resto (e na minha opinião é de longe o melhor canal) porque tem todos os grandes clássicos, os dramas, cinema do mundo e alternativo.
Cada canal passa 9 filmes diferentes todos os dias, excepto o Premium que passa 8. As horas que sobram (madrugadas e manhãs) são preenchidas com as rebatidas desses mesmos filmes. Cada filme está em média no canal 10 meses e passa 10 vezes ao longo da sua vida (mais rebatidas). Estreiam 20 a 30 filmes por mês, por canal, o que dá cerca de 100 filmes novos todos os meses (no mínimo 2 estreias por dia entre os 4 canais), e um acervo total de cerca de 1000 filmes em dado momento. Existem acordos com todas as majors americanas e a maioria dos distribuidores independentes portugueses, o que dá acesso a mais de 95% dos filmes que fazem cinema e um lote enorme de hipóteses de películas de todo o mundo. Esta situação é practicamente inédita em qualquer parte do planeta, nem HBO nem Sky Movies ou qualquer outra grande canal de cinema pago tem acesso a uma gama tão alargada.
Os formatos originais são sempre respeitados, bem como as durações dos filmes (com rarissimas excepções). Existe também uma preocupação acrescida com a qualidade técnica dos masters e preferência pelo 16x9, que nem sempre está disponivel.
Em termos de programação, para além dos imensos inéditos, existem mensalmente múltiplos festivais e sessões especiais dedicados a actores, realizadores, géneros, datas (programação especial de Halloween por exemplo em Outubro) ou até formas de filmagem e produção (Technicolor será um exemplo). Tudo isto com uma equipa de programação de primeira linha! (eheheh)
Quanto ao preço temos pelos 4 canais 15€ por mês, dá 15 cêntimos por cada estreia; 1,5 cêntimos por cada filme em exibição no canal. Um filme no cinema custa 5€ por pessoa por filme. Um aluguer custa 3,5€ por filme. E quer num caso quer no outro estão limitados às novidades (no video filmes com mais de dez anos é raro encontrar), enquanto que nos Canais Lusomundo existem filmes desde o início da história do cinema até ao ano passado.
Bom... creio ter ficado o esclarecimento dado. Qualquer dúvida é só perguntar...

quarta-feira, setembro 14, 2005

Direito ao insulto


Não sou jurista nem advogado, nunca tirei nenhum curso de Direito, nem estudei leis. Portanto aquilo que vou aqui dizer não é baseado em nenhum pressuposto legal, mas sim na minha opinião pessoal.
Direito ao insulto. Sou a favor do direito legal ao insulto. Mas antes de continuar vamos definir insulto: substantivo masculino - acto ou palavra ofensiva; injúria; afronta; ofensa; agravo; ultraje.
Quantas vezes não ouvi já que tal pessoa pôs um processo em tribunal por se sentir ofendida, injuriada, ou afrontada pelas declarações de outrém? E como se define a injúria ou a afronta? Pelo dicionário não chegamos lá, a definição de injúria é afronta e vice-versa. Como chegar então a um patamar legal de concórdia? O que é que é passivel de ofender alguém? Porque a partir do momento em que começamos a criar definições sobre o que é insultuoso ou não, estamos a um passo da censura. Não pode ser o critério pessoal de cada um, visto que esse é um padrão muito variável. Não se sentirá um político insultado com artigos de opinião que o criticam? Ou qualquer figura pública com sketches de comédia. Católicos com os anúncios das Amoreiras, judeus com a Paixão de Cristo, os benfiquistas com as piadas à prestação da equipa de futebol. Eu, quando voto num tipo que me mente descaradamente. Revolucionários de Abril se lhes disserem que têm tendências de direita. Onde demarcar o limite? No palavrão? Nem aí, visto que frequentemente em certos locais, ou entre amigos o palavrão é usado de forma frequente. De notar que não estou a falar de calúnia ou difamação, que consiste em acusar alguém de algo que não fez. Caso completamente diferente, que está definido e precisa ser provado. O insulto é algo diferente, não acusa ninguém de nada, apenas agride.
Visto ser praticamente impossivel encontrar um padrão que permita de uma forma consistente definir o insulto (graus e intencidades de insulto incluidas), defendo que este é uma parte integral, digo antes, uma parte fundamental da liberdade de expressão de que todos usufruimos. Porque quando se permite que alguem proíba algo de ser dito entramos no caminho para o controlo do Estado, ou de um certo grupo de individuos sobre a opinião e liberdade de todos.
E não quero que qualquer filho da puta me controle o que eu posso ou não dizer!

terça-feira, setembro 13, 2005

Odores


Na volta do almoço, no meio de um calor incomodativo que hoje se abateu sobre Lisboa, passei por uma senhora que cheirava distintamente a insecticida. Não creio que fosse por defeito profissional, ou por ter estado a desinfestar a casa, mas porque comprou um perfume que cheira a Raid Casa e Plantas. O pior é que se borrifou abundantemente com a mistela produzindo um odor intragável. Não consegui disfarçar uma careta de desgosto, que espero ninguem ter reparado. Na verdade o que é que passa pela cabeça de uma pessoa para por aquilo no corpo? Qual é a ideia? Mais valia o cheirinho a sabão azul e pronto, assunto arrumado. É como as senhoras que tomam banho em essência de flores, perfumes muito doces e enjoativos, adocicados até não puder mais. Ao entrar no eleveador podemos afirmar com certeza que a vizinha do quarto andar chegou a casa há pelo menos dez minutos. São capazes de destruir uma ida ao cinema, só pela agressão às nossas pobres narinas.
Ou os pseudo-executivos de fatinho encharcados em Old Spice marado, realmente convencidos que aquilo dá cheiro a homem! Argh! Sabãozinho azul e desodorizante neutro que é para jogar pelo seguro!
Sempre fui muito consciente dos cheiros, a primeira impressão que tenho de alguem é muito condicionada pelo odor. Na verdade pode-se dizer muito sobre a vida de alguem, até mesmo da personalidade apenas com o nosso nariz. E sempre me fez muita confusão o desleixo a que algumas pessoa se deixam levar. Mas mal por mal, às vezes prefiro o cheiro a suor, esse aroma invasivo que se evapora de muito corpinho transpirado, do que as mistelas que se põem para o disfarçar.
Raid Casa e Plantas... espero que ao menos não seja mordida por mosquitos!

segunda-feira, setembro 12, 2005

Comidas...


Tenho a mania que não cozinho mal. Aliás sempre que vou passar férias sem ser com os papás acabo por ter a tarefa de cozinheiro. Com raras exepções sempre fiz coisas comestiveis e ainda ninguem foi parar ao hospital... por enquanto!
No outro dia resolvi grelhar umas coxas de frango em casa. Temperei-as e cozinhei-as. Como não sou completamente atado pu-las em lume brando. Aquilo não são bifes, demoram muito tempo, e não queria deixar queimar. Fiz uns cortes na carne (dica de uma amiga) e fui dando a devida atenção ao processo.
A carne estava tenra, no ponto, a pele estaladiça e bem grelhada. Mas não sabia a nada! Zero! O tempêro tinha sido uma desgraça. Foi então que me bateu, eu até tenho jeito mas há coisas básicas que não sei fazer! Seguir uma receita não constitui problema, mas o dia a dia não pode ser feito de receitas e comida de congelador. E com a casa practicamente pronta, este torna-se num problema grave.
Pedi então auxilio à maior entidade neste dominio. A sumidade máxima. A minha mãe! E a partir de hoje vou ter lições prácticas de comida básica. Vou começar com carne picada para lasanha, bolonhesa e outros prácticos pratos. Já aprendi tortelinis. Todas as semanas um prato diferente. É uma questão básica de sobrevivência. Pelos menos mão penso que tenho (quem já comeu o que cozinho que diga de sua justiça), agora falta o saber fazer. Depois convido-vos para lá irem experimentar.

domingo, setembro 11, 2005

Piratas!


"Ontem vi um filme muito bom. Saquei da Internet!"
Aí está em força, a pirataria espalha-se como um virus por todos os meios audiovisuais e transforma-se numa praga impune practicada por milhões de pessoas no mundo inteiro.
Começou pela música. Cd's inteiros ripados online, com sites vários e programas como e Emule a servir de base de propagação a esta práctica. Agora, com o desenvolvimento da Internet de alta velocidade, os piratas viram-se para filmes e jogos que, até há pouco tempo, eram practicamente inacessiveis, devido ao tempo ilimitado que demoravam a descarregar. O meio musical ainda tenta responder disponibilizando as musicas para download legal a preços convidativos, mas os maiores clientes são... os piratas.
O problema é a perfeita impunidade com que todos os agentes envolvidos se movem no meio. As prisões não se efectuam e as próprias pessoas que descarregam filmes e músicas ilegamente não sentem estar a fazer nada de errado. Cada um de vocês contribui de forma activa para o enfraquecimento da industria do entertenimento e audivisual. Cada artista, cada autor, a única coisa que tem como sustento de vida são os direitos sobre a sua obra, direitos esses que lhe são roubados como quem rouba uma mala de uma loja. Para além do próprio artista existem milhares de pessoas cujo trabalho gira em torno da obra cultural, programação, publicidade, exibição, divulgação, gravação, design gráfico, marketing, e toda uma imensa estrutura de apoio desde os estudios à mais modesta secretária. Todas estas pessoas têm o seu futuro em risco graças à pirataria. Quer queiramos, quer não vivemos numa sociedade capitalista. Se o investimento em certo sector não produz os lucros desejados, existem outros sitios onde aplicar o dinheiro. Ao piratiar está-se a queimar os lucros das empresas que possibilitam a existência destes produtos (no caso do cinema então sem essas empresas é impossivel fazer o filme). Sem esses lucros as companhias desinvestem e o aparecimento de mais musica e melhores filmes, de novos artistas e criadores é atrasada ou em alguns casos completamente bloqueada.
No entanto toda a gente copia, faz dowload, grava e distribui com a maior das impunidades, fazendo gala em "sacar" tantos filmes ou músicas da net...
São criminosos, sem outra palavra, que põem em causa a subsistência da própria arte que admiram. E até se convencerem disso nada nunca há-de mudar...

sábado, setembro 10, 2005

Perdidos na vida...


Por vezes há personagens que se atravessam à nossa frente e nos captam a atenção. Ontem antes de entrar para a cinemateca fui tomar um café ao pé do S. Jorge. Estava em pé devido à pressa. Cambaleante, entrou um homem que se pôs ao meu lado. Tresandava a vinho e lixo. Pediu uma bica em chávena escaldada e tinha um livro de bolso na mão que pousou em cima do balcão. Estranhei que um tipico bêbado de Lisboa andasse com um livro atrás. Espreitei para o título era a Biblia Sagrada. Nem sequer tinha visto uma biblia sem ser com uma encadernação dura. O homem balbuciou qualquer coisa imperceptivel. O empregado com um excesso de zelo lamentável disse-lhe com maus modos enquanto pousava a bica à sua frente: "O senhor entrou sozinho e fica sozinho! Não se dirige aos clientes!" " Mas o que foi que eu disse?" - perguntou atónito o homem. Por trás do balcão chegou um outro empregado que perguntou o que se passava e olhando para a chávena interrogou o colega para quem era. Este respondeu que era para o velho. Sem saber muito bem porquê o bêbado respondeu baixinho "Mas se quiser leve lá o café...". Ouvindo isto o empregado mais velho tirou a chávena da frente e disse "Então pronto não bebe e acabou-se!" O mais novo aproveitou a dica e gritando pôs o homem na rua. Quando saí apressado passei pelo homem. Estava parado à porta do café. Tinha um saco numa mão. Uma biblia de bolso na outra. Estava sozinho a tresandar a vinho e lixo. Olhava para o chão, quieto, com o olhar perdido. Procurava a salvação, mas não a encontrou...
Quando vou para o emprego passo sempre por um homem que deve ter cerca de 60 anos. Vive ali ao pé do Campo Pequeno decerto. Todos os dias tem roupa lavada, a cara limpa e as unhas cortadas. Costuma vestir uns calções pelo joelho, boné de pala, polo por dentro das calças e suspensórios. Umas sandálias e meias brancas. Pelo aspecto asseado não está sozinho na vida. Tem um olhar vago. Deambula por aquelas ruas sem sentido, sem destino. Olha para a cara das pessoas que passam com uma expressão longínqua. Fica a olhar para os teus olhos por momentos esperançado, depois baixa a cabeça triste e continua o seu caminho até aos próximo olhar que se cruze no seu. Creio que procura quem o reconheça.
Às vezes há personagens que passam por nós perdidos na vida...

sexta-feira, setembro 09, 2005

Um mês de sopros...


Faz hoje um mês que nasceu o Sopros D'Improviso. Sem propósito imediato, nem estrutura definida lancei para o ciber-espaço mais um dos milhões de blogs anónimos que por aqui habitam. Não lhe dei muita importância, apenas mais uma página vazia onde escrever. No entanto, dia após dia, foi crescendo lentamente ganhando forma. Por isso acho que hoje merece uma menção pelo seu primeiro mês de vida.
Num outro blog li "Blogs are for arrogants". "Let's face it: Blogs are for the arrogant. They're here because there is a gross demand for the need to express your opinion. Now, there's nothing inherently wrong with that, it's just that nobody gives a fuck what you think. Hopefully, nobody gives a fuck what *I* think." O rapaz estava nitidamente irritado com a vida, mas não deixava de ter alguma razão. É uma necessidade bruta de nos expressarmos, mesmo que não exista nada de importante para dizer. E no entanto dizia uma amiga minha "Escrever é uma forma de pensar duas vezes no assunto." Ao escrever sobre a minha vida é uma forma de repensar aquilo que me acontece. Mas escrever para quem? Porque não num caderno diário em casa, como um resquicio de "uma adolescência retardada", como já foi aqui dito?
Porque a folha de papel é um acto auto-centrado, enquanto que o blog tenta chegar a outros. Mais, o blog é um espaço interactivo de partilha, onde não só escrevo mas recebo de volta, sob a forma dos comentários que são aqui afixados. Como tal, queria agradecer a todos os que participaram no nascimento deste espaço. Sem o contributo de todos os que lêm e principalmente dos que escrevem para aqui, isto não seria mais que um caderno vazio sem nenhum interesse. São vocês que dão a vida e a alma a este sitio. Queria portanto que deixassem os vossos comentários e sugestões, não só a este post mas ao blog, a este inico de projecto. O que gostaram ou não gostaram, sugestões, criticas e ideias. São todos bem-vindos, desde os velhos amigos, a aqueles que aqui aterram pela primeira vez.
Um pequeno texto de uma das mais bonitas musicas escritas nesta lingua de Camões, que acho que se adequa. A interpretação é obviamente... livre.
"De como aqui chegar...
Não vale a pena
já que a moral da história é tão pequena...
Que nunca, por vingança eu vos daria,
no ventre das canções sabedoria.
Ser solidário assim
para além da vida.
Por dentro da distância percorrida,
fazer de cada perda uma raiz.
E improvavelmente... ser feliz..."

Obrigado a todos. Vemo-nos por aí...

quinta-feira, setembro 08, 2005

Plan 9 From Outer Space


Amanhã à noite vou à cinemateca ver um filme inserido num ciclo de zombies chamado "Plan 9 From Outer Space". Ao contrário do que seria de esperar não vou ver a fita com esperança de ter medo ou sequer ver um bom filme. É exactamente o oposto, espero talvez rir-me um pouco e encontrar das piores coisas que se fizeram na sétima arte. É que Ed Wood é considerado o pior realizador de todos os tempos e este é o expoente máximo da sua obra.
Wood era um apaixonado pelo cinema e um ingénuo, acreditando realmente que estava a concretizar peças para a posteridade. Curiosamente tinha razão pelos motivos errados. O seu trabalho é até hoje visionado, editado, publicado e revisto. Foi inclusivé inspiração para uma pelicula perturbada do genial Tim Burton.
A questão que se levanta é como? Como é possivel alguem que falha de tal maneira naquilo que faz, ser várias décadas depois referenciado numa cinemateca? Talvez porque a mediocridade nunca prospera apenas nos lembramos daqueles que se excederam, neste caso um excesso profundamente negativo. Não é todos os dias que alguem é considerado o PIOR do mundo em qualquer coisa.
Ou será pela ingenuidade, pela dedicação? Na verdade Ed Wood não queria ser o pior, ele almejava ser o melhor. Não é um Cebola Mole do cinema, não é uma sátira. É alguem que se empenhou, dedicou uma vida. E esse tipo de paixão normalmente é recordada...

quarta-feira, setembro 07, 2005

Quando a cabeça não tem juizo...


Não há maneira de aprender... Não há mesmo!
Ontem tinha planeado uma noite sossegada. Sair a horas decentes do emprego, jantar com calma e ir para Setubal ter com uns amigos ver uma peça d' O Bando que estava em cena no Inatel (quem leia este blog com regularidade pensa que eu sou um fã incondicional desta companhia, o que é verdade mas tem sido coincidência a repetição em tão pouco tempo).
Sair do emprego a horas... mentira! Fui a correr para casa onde fiz qualquer coisa para jantar (?) que estava demasiado salgada. Sem perder tempo pus-me a caminho da ponte. Felizmente cheguei a horas (graças tambem a uma amiga minha que sabe dar indicações como ninguem).
A peça, curta, era divertida e bem escrita, com uma máquina de cena engenhosa, tal como é apanágio da casa.
Voltei para Lisboa e como a noite não ia avançada liguei-me por um momento à net. Erro fatal!
Conversa puxa conversa, deitei-me já passava das três!
Hoje acordei (?) atrasado, olheiras até aos joelhos, barba por fazer e algum mau humor que começa agora a dissipar-se.
E sono... muito sono... Porque carga de água é que insisto em fazer coisas que depois me vou arrepender? Porque é que o ser humano insiste em repetir experiências que dão mau resultado vezes sem conta?
Bom... pelo menos ontem valeu a companhia, a discussão e uma musica... E isso já conta para alguma coisa...

terça-feira, setembro 06, 2005

Elogio da muher


Propus-me fazer um elogio à mulher... mas desde o inicio que me deparei com as minhas próprias limitações. Como fazer este elogio tantas vezes formulado, mas raras vezes repetido?
Por onde começar? Pelo traço harmonioso das curvas do seu corpo? Pela sensualidade inerente ao seu gesto, à sua forma, que brota viva indiferente à idade, altura ou sequer peso? Ao doce perfume do seu aroma? Ao ondular inebriante dos seus cabelos, a quase etérea beleza do seu rosto, que assume tantas formas como uma nuvem e retém a eterna perfeição de uma gota de água? Não... não conseguiria em palavras descrever a beleza por trás de todas as mulheres...
E mais reduzi-las a um corpo seria como reduzir poesia a tinta numa página.
Falar então do seu modo, do seu jeito? Bem sei, como seria eu capaz, quando cada pessoa é singular e distinta? Mas por detrás de cada mulher existe uma forma mais suave, um modo mais terno, uma cultura mais atenta ao promenor de quem vive dos pequenos sopros que a rodeia. De quem pressente os gestos, os tempos, os toques, como sendo o nucleo de uma vida. E reduzir a mulher a um ser mais sensivel seria justo?
Inteligência? Eterna disputa, mas será erro meu quando afirmo que sinto nas mulheres uma capacidade de abstracção superior, um raciocinio mais alargado e profundo? Talvez seja daquelas que conheço...
Amizade, companheirismo? O eterno ombro amigo, a mente aberta para ouvir, o à vontade de chorar sem julgamentos, o contacto mais profundo com os sentimentos? Será aí que reside o verdadeiro elogio? Ou na folia, boa disposição, complexidade de temas e brincadeiras? Não... uma vez mais peco por incapacidade...
A força? Sim talvez seja isso... A mulher é por natureza forte, não me refiro à força bruta da besta de carga, mas sim à verdadeira resistência fisica e emocional, a não cedência à dor e a energia insuspeita que consegue sempre desenterrar nos momentos em que nós apenas cedemos ao desespero. Os caminhos incontáveis capaz de percorrer por quem ama, a ligação aos filhos e familia, o bastião (muitas vezes desprezado) que norteia quem os rodeia. E, no entanto, parece-me tão pouco...
Devo render-me às evidências, não possuo espirito nem arte que me permita o verdadeiro elogio da mulher, não de uma mulher, mas de todas, na sua complexa amplitude de qualidades e defeitos que até hoje não cessa de me surpreender.
E como tal devo conter-me e não o escrever...

segunda-feira, setembro 05, 2005

Desculpa


Há mesmo daquelas pessoas... Nunca as vimos antes, não tivemos o minimo de contacto, de repente começamos a falar e existe ali uma ligação qualquer de intimidade. Parece que nos conhecemos há anos, que somos velhos amigos a relembrar tempos outrora passados e histórias vividas em comunhão. Daquelas pessoas que nos fazem falta. E às vezes, sem grande saber nem porquê cometemos o disparate de os magoar...
O único problema é que entre velhos amigos existe uma vida, um passado, uma relação que ajuda a perdoar. E entre novas amizades só existe a vontade...

O poder das estrelas...


Vai começar a ser construido para o Verão de 2007 em França, um reactor experimental de fusão nuclear. Este processo de criação de energia (que usa o processo oposto às actuais centrais de cisão nuclear) está ainda numa fase muito inicial de desenvolvimento. O projecto que demorará meio século a estar pronto e custará várias centenas de milhões de euros, procura criar uma fonte limpa e practicamente inesgotável de energia, utilizando exactamente os mesmos meios que as estrelas usam. Os testes feitos até agora em fusão nuclear gastaram mais energia do que aquela que produziram, mas provam que é possivel utilizar este método. Talvez não no nosso tempo de vida, mas provavelmente os nossos filhos poderão viver num mundo em que a dependência do petróleo deixe por completo de existir.
Se pensarmos então que dinossauros como Soares ou Cavaco se recusam pura e simplesmente a morrer, podemos ter a certeza que as reservas de petróleo (para além de se gastarem a um ritmo demasiado elevado) não terão nenhum tipo de renovação.
Jovem... enquanto a fusão nuclear não for uma realidade, junta-te a nós nesta luta pelas reservas petrolíferas, deixa os dinossauros morrer! Pelo bem da Humanidade...