quarta-feira, novembro 16, 2005

Pimpinha Jardim


Transcrevo aqui o texto da mais recente colunista d' O Independente... sem comentários!


Todos a bordo!

O cruzeiro a África foi uma locura. Pode mesmo dizer-se que foi o cruzeiro das festas – como alguns dos convidados chamavam ao navio em que Luís Evaristo nos presenteou com mais um BeOne on Board. Sexta-feira, embarque às 17h00, seguido dos devidos preparativos para o jantar de gala a bordo – mais tarde, já com as roupas trocadas, o festão decorreu em duas discotecas e quase ninguém dormiu, tal era a vontade de não perder pitada. Sábado chegámos a Tânger por volta das 14h00, desembarcámo-nos e dirigimo-nos à Medina e ao mercado, com a ajuda de um guia – que tentou levar-nos a todo o lado menos aonde queríamos. O que quer que eu tente descrever não é nada comparado com a realidade. Tânger é bastante feia, muito suja e as pessoas têm um aspecto assustador. Por várias vezes tentaram aldrabar-nos, chegando a limites inauditos como o de nos pedirem três mil euros por uma garrafa de água! Apesar de já ter viajado muito, nunca tinha visto uma cultura assim – e sendo eu loira não me senti nada segura ou confortável com a cidade... Resumindo, acabei por não comprar quase nada e voltei ao barco mais cedo do que era suposto. Já em segurança, animou-me a festa marroquina, com toda a gente trajada a rigor. A seguir ao jantar, mais um festão que voltou a acabar de madrugada – e desta vez não deu mesmo para dormir já que fomos “expulsos” dos camarotes às 9h00, para só conseguirmos sair do navio lá para as 14h00. Tudo porque um marroquino se infiltrara no barco e passara uma noite em grande – uma quebra inadmissível na segurança. Já cá fora, esperava-nos um grupo de policias, com cães, para se certificarem de que ninguém vinha carregado de mercadorias ilegais – e não sei como é que, depois de tantos avisos da organização, ainda houve quem fosse apanhado com droga na mala!De volta a casa, a única coisa que queria mesmo era a minha cama, onde caí redonda e só acordei na segunda para ir para as aulas. Mas o saldo foi bastante positivo. Aliás, devia haver mais gente a arriscar fazer eventos como estes – já estamos todos fartos dos lançamentos, “cocktails” e festas em terra!"


"When I was born, I was black. When I grow up, I'm black. When I'm ill, When I die, I'm black. But you - When you're born, you're pink. When you grow up, you're white. When you're ill, you're green. When you go out in the sun, you go red. When you're cold, you go blue. When you die, you're purple. And you have the nerve to call me Colored?"

Malcom X

"AND THE SIGN SAID LONG HAIRED FREEKY PEOPLE NEED NOT REPLY!"

terça-feira, novembro 15, 2005

Está mal colado, desalinhado, com um ar frágil de quem se pode desfazer nas nossas mãos, como um ramo de flores secas que se deve tratar com cuidado. É pequeno, dez centimetros por dez, mas estas coisas, tal como as pessoas, não se medem aos palmos. Chegou atrasado, parto dificil, materia instável. Demorou a fazer e denota o carinho de quem se preocupa e (pasme-se) verdadeiramente me conhece. Aquele (quero acreditar) sou eu. E se não for é pelo menos a pessoa que sonhei ser. Anda agora comigo, tenho-o no bolso e não o quero largar, mas sei que lhe tenho que arranjar um lugar seguro, um pequeno canto onde descanse, correndo o risco de o destruir de vez.
Tenho cem palavras, são minhas, foram-me dadas por quem mas roubou a todas. Preciso de mais, cem não me chegam, não me consigo conter!
Tenho cem palavras e quando me vi naquele pequeno ponto de ternura só vinha uma à memória: Obrigado...

segunda-feira, novembro 14, 2005

Uma história de amor - The Constant Gardener


Após o enorme sucesso de Cidade de Deus, Fernando Meirelles volta à realização com “O Fiel Jardineiro”, baseado na obra de John Le Carré. Desta vez não tem meninos de rua, tem vedetas internacionais, desta vez não tem um argumento seu, foi contratado para um projecto, desta vez não tem uma pequena produção, está ao leme de um filme de topo americano. Tudo diferente e nada mudou. O talento deste “jovem” realizador (segunda longa metragem apesar dos seus quarenta anos) volta a confirmar-se. As paisagens de África são filmadas com uma beleza incomum, vibrante, quente, viva, nem sempre óbvia, em contraste constante com o tom cinzento e pesado da Europa e nunca caindo no cliché das grandes planicies e do por-do-sol. Aliás este é um filme de pessoas e não de temas, não está lá a imagem romântica de África mas as imagens cruas das paisagens (com um trabalho primoroso de fotografia com o ar de quem só saiu para a rua com uma DV e filmou o que lá estava), não precisa do choque fácil para retratar a pobreza e a miséria, não precisa de puxar à lágrima para nos tocar. É, acima de tudo, um filme sobre pessoas, muito mais do que um filme sobre qualquer conspiração internacional, a indústria farmacêutica ou a desgraça do nosso continente vizinho. É um filme sobre o amor de um casal, a vida e a luta de quem se entrega, e as consequências dos actos. Por isso nos tocamos, por isso sentimos, apesar de, supostamente, estarmos perante um thriller, uma temática de conspiração. E por isso nos envolvemos e nos deixamos apaixonar por estes Don Quixotes na sua luta inglória que pode, mesmo assim, ter alguma consequência.

domingo, novembro 13, 2005

Direito ao mainstream...


Ah pois é! Eu tambem gosto de algumas coisitas do mainstream mais comercial possivel. A música que ponho hoje é desses exemplos. E é em espanhol com dedicatória a duas meninas. Uma que se apaixonou (mesmo que diga que não sabe se sim) por um espanhol (ai o amor é tão lindo!). E a segunda, que não partilhando da paixão pelos nuestros hermanos fisicamente, se apaixonou pela lingua... Para as duas, e para mim, La Tortura!

sexta-feira, novembro 11, 2005

Isto tá mesmo mal pá!!!!!

O mundo está mal e cada vez pior. Por este andar nem sei onde vamos parar. E a culpa é dos americanos, aqueles gajos são fodidos, atacar o Iraque e tudo. Depois claro, de cada vez que vou atestar o carro aquilo custa-me os olhos da cara. É a gasolina sempre a subir e os preços e tudo pá! (Olha serve-me aí uma imperial). Que esta merda é toda igual.
Os politicos tás a ver, os gajos não querem é melhorar isto, eles estão lá é para se encher, são uns gatunos, uns aldrabões (se quer recibo tenho que lhe pôr mais 21% de IVA). Quanto a mim era simples: baixava-se a despesa pública, aumentava-se os salários para o pessoal ter dinheiro e a produtividade tambem. Pronto, tava o país encaminhado.
Que a questão aqui é a educação, são todos uns analfabetos pá (lêr agora? Não obrigado. Mas vê lá as horas que daqui a nada começa a 1ª Companhia), uns analfabetos digo-te eu.
Antigamente é que era, no tempo do Salazar não havia esta insegurança. (A PIDE? Porra pá a PIDE não era assim tão má! Tambem safa bastava um gajo andar na linha e as coisas corriam bem!).
São os pretos, tás a ver, os pretos. Não é por mal mas aquilo está-lhes no sangue, por isso é que África está como está. (Colónias? Isso foi há muito tempo! Exploração? Desculpas pá! Eles querem é armas para se matarem uns aos outros, são pretos tás a ver...) Quando nós lá estavamos era tudo melhor. É assim mesmo, a malta tem uma cabeça diferente percebes, basta olhares para o Saramago e para o Mantorras (quanto é que terá ficado o Benfica?). Os brancos são mais inteligentes mais civilizados percebes? (Tou mesmo fodido com isto, será que ganhou? Oh lá! Gaja boa hum... Ganda cu! Bem que te espetava toda!) Se eu amo a minha mulher? Claro! A familia em primeiro lugar. Com eles, os pretos, é diferentes, daí a SIDA e essa cena toda! Até parece que são paneleiros!
Essa é outra. Homem que é homem não faz dessas merdas (a não ser uma vez na tropa, mas isso foi há muito tempo e eu ainda era puto tás a ver?). Não percebo aquilo dos panascas. Eu sei que é dificil aturar as mulheres, mas porra não é motivo para tanto! Cá para mim fazem isso é porque nunca comeram uma gaja boa! (Boa boa só uma vez mais foi a pagantes).
E as gajas com a cena do aborto? Já enjoa pá! Se não os querem não os façam! Deviam era limpar-vos o sebo a vocês todas! (Eu cá digo sempre: mulher morta não aborta) Que vai contra a Biblia percebes? (Em que passagem? Sei lá meu! Achas que eu leio aquela coisa? Eu nem vou à Igreja!)
Mas pronto tás a ver, o que era preciso era mudar as coisas (Votar? Para quê pá? Com um dia tão bonito? Faz lá diferença. Assim como assim são todos iguais). Mas o pessoal não se mexe, são uns mortos (olha serve-me outra imperial e traz-me aí uns tremoços).
Paz no mundo é que a gente precisava. Limpava-se o sebo aos árabes todos e tava feito (eu sei lá da Palestina nem sei onde isso fica! As quê? Petroliferas? Isso são tretas pá, era limpar o sebo a todos). Mas pronto... este país é assim mesmo o que é que um gajo há-de fazer, um tipo anda como pode. Mas se fosse eu a mandar mudava esta merda toda (O quê? Candidatar-me? Entrar para a politica? ONG? Que é essa merda? Tás maluco ou quê? Tenho mais que fazer, agora deixa-me em paz e muda isso para a Sport Tv...)

Morrerão os ideais?

Le cœur bien au chaud
Les yeux dans la bière
Chez la grosse Adrienne de Montalant,
Avec l'ami Jojo
Et avec l'ami Pierre
On allait boire nos vingt ans.
Jojo se prenait pour Voltaire
Et Pierre pour Casanova
Et moi, moi qui étais le plus fier
Moi, moi je me prenais pour moi.
Et quand vers minuit passaient les notaires
Qui sortaient de l'hôtel des "Trois Faisans"
On leur montrait notre cul et nos bonnes manières
En leur chantant

Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient bête
Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient c...

Le cœur bien au chaud
Les yeux dans la bière
Chez la grosse Adrienne de Montalant
Avec l'ami Jojo
Et avec l'ami Pierre
On allait brûler nos vingt ans
Voltaire dansait comme un vicaire
Et Casanova n'osait pas
Et moi, moi qui restait le plus fier
Moi j'étais presque aussi saoul que moi
Et quand vers minuit passaient les notaires
Qui sortaient de l'hôtel des "Trois Faisans"
On leur montrait notre cul et nos bonnes manières
En leur chantant

Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient bête
Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient c...

Le cœur au repos
Les yeux bien sur terre
Au bar de l'hôtel des "Trois Faisans"
Avec maître JojoEt avec maître Pierre
Entre notaires on passe le temps
Jojo parle de Voltaire
Et Pierre de Casanova
Et moi, moi qui suis resté le plus fier
Moi, moi je parle encore de moi
Et c'est en sortant vers minuit Monsieur le Commissaire
Que tous les soirs de chez la Montalant
De jeunes "peigne-culs" nous montrent leur derrière
En nous chantant:

Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient bête
Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient c...

(Jacques Brel)

Resistir é Vencer


Do que um homem é capaz
As coisas que ele faz
P'ra chegar aonde quer
É capaz de dar a vida
P'ra levar de vencida
Uma razão de viver

A vida é como uma estrada
Que vai sendo traçada
Sem nunca arrepiar caminho
E quem pensa estar parado
Vai no sentido errado
A caminhar sozinho

Vejo gente cuja vida
Vai sendo consumida
Por miragens de poder
Agarrados a alguns ossos
No meio dos destroços
Do que nunca hão-de fazer

Vão poluindo o percurso
Co' as sobras do discurso
Que lhes serviu pr' abrir caminho
À custa das nossas utopias
Usurpam regalias
P'ra consumir sozinho

Com políticas concretas
Impõem essas metas
Que nos entram casa dentro
Como a Trilateral
Co' a treta liberal
E as virtudes do centro
No lugar da consciência
A lei da concorrência
Pisando tudo p'lo caminho
P'ra castrar a juventude
Mascaram de virtude
O querer vencer sozinho

Ficam cínicos, brutais
Descendo cada vez mais
P'ra subir cada vez menos
Quanto mais o mal se expande
Mais acham que ser grande
É lixar os mais pequenos

Quem escolhe ser assim
Quando chegar ao fim
Vai ver que errou o seu caminho
Quando a vida é hipotecada
No fim não sobra nada
E acaba-se sozinho

Mesmo sendo os poderosos
Tão fracos e gulosos
Que precisam do poder
Mesmo havendo tanta gente
P'ra quem é indif'rente
Passar a vida a morrer

Há princípios e valores
Há sonhos e há amores
Que sempre irão abrir caminho
E quem viver abraçado
À vida que há ao lado
Não vai morrer sozinho
E quem morrer abraçado
À vida que há ao lado
Não vai viver sozinho
(José Mario Branco)

quinta-feira, novembro 10, 2005

A desagregação social justifica a violência que assola França? Ou apenas a explica? Será este o inicio de algo a uma escala maior, uma pequena revolução? O fim justifica os meios?

Para dois textos interessantes sobre o tema e uma acessa discussão clicar


quarta-feira, novembro 09, 2005

Estacionamento à porta de casa parte II (Conclusão)


Lá fui disparado para a Junta de Freguesia! Estacionar o carro na Rua da Madalena quase às duas da tarde não é fácil. Após algum esforço lá consegui. Subi as escadas duas a duas apenas para bater com o nariz na porta! Não era por ser hora de almoço, mas porque fizeram ponte! PONTE!!! Eu que tinha passado o dia todo naquilo, gasto um balúrdio de dinheiro, esgotado as pernas e a paciência para não apanhar multas na semana que o meu carro ia estar estacionado na Baixa e os gajos fazem ponte! Só ao pontapé! Fui para casa irritado, lixado da vida, para almoçar (a fome era sufocante!), receber o colchão e ainda fazer cinquenta coisas para uma festa que ia dar essa noite. Não tive com meias medidas e estacionei mesmo à porta num sitio onde era proibido sequer parar. Se a junta tirava férias a policia tambem tinha que tirar! E para o diabo com o resto.
Terça feriado, dia um e, para quem não sabe, os meus anos.
Chega quarta feira, levanto-me cedo de novo (isto já nem pareciam férias) e lá vou, com esperança que a ponte não durasse a semana toda.... Não durou. Estavam lá os três tipos de uma junta com 407 eleitores registados (serei o 408º). Então vamos lá ao cartão de eleitor... “Não pode”. “Não posso?” “Não pode!” “E porquê?” “Porque só com o BI!” ”Mas o BI só daqui a duas semanas!!!! E uma declaração?” “Isso fazemos e para a EMEL basta.”
E que diz a tal declaração com selo branco e tudo? – Fulano de tal diz-nos que mora neste sitio! – Olha que porra, isso podia ter escrito eu directamente sem precisar de selo nem nada! Mas a EMEL pede e a EMEL manda. “Já conhece o nosso Presidente?” “Pois... ainda não...” “AH! Venha daí!” – E lá fui... Com 407 eleitores dos quais só 205 votam cada um é fundamental! Só o meu voto vale logo 0,5% dos votos daquela freguesia. Em termos nacionais, nas Presidenciais, seria o equivalente a 20.000 pessoas. É claro que me querem tratar bem! Eu sou tão importante como uma cidade pequena! Mais 20 minutos de conversa... Yada yada yada...
Pronto! Já tenho tudo, vou armado com papelada até aos dentes para a EMEL.
Chego, sou atendido bem depressa. Folhas e folhas e mais folhas até que... “Desculpe, mas o registo de propriedade ainda está na morada antiga. Sem mudar isso nada feito. Tem que ir à Interbanco (que me fez o leasing) tratar do assunto.” – OLHA BARDAMERDA!
Fazendo um esforço para não arrancar a cabeça da mulher à dentada lá fui para a Rua Castilho. Cheguei e fui prontamente atendido por uma senhora muito simpática que me dizia que mudava a morada lá no sistema mas que dos papeis tinha que ir tratar eu e (obviamente) pagar. Ainda por cima o carro está quase pago, portanto daqui a cinco meses os papeis iam ter que ser mudados de novo... Desesperei... Ás tantas tive uma ideia. Pode ser que funcione... “Minha senhora, podia-me tirar uma cópia desse papel que diz que mudei a morada para envio de correspondência?” “Posso. E até lhe ponho um carimbo em cima!”
Voltei à EMEL a vêr se o engodo funcionava. A mulher leu e releu aquilo. Estava nervoso. Às tantas diz-me, “vou só ali dentro” e leva o papel à chefe. “Pronto, lixei-me!” pensei. Grande surpresa quando eles... ACEITARAM AQUELA DROGA! Mil papeis que entreguei, horas gastas e nenhum deles sequer prova que moro naquela casa. Pouco importa. TENHO O DISTICO! E lá vou tirar o carro do lugar proíbido para o pôr num sitio decente! AH ALEGRIA! Finalmente. Encontrar o espaço foi dificil, mas lá encontrei. Parei o bicho com o direito inerente a qualquer residente e sem medo dos fiscais! VITÓRIA!
Volto para casa. Três horas depois volto a sair. Ia bem disposto. Tirei o carro de frente da porta, mas ao menos estava legal. Cheguei à viatura... Não... não pode ser! Estava bloqueada!!! Vi mal os sinais e estacionei noutro sitio proibido! 50 euros!!! 19,99 de multa e o resto pelo aluguer do bloqueador. Mas eu não pedi bloqueador nenhum, é incrivel que tenha que pagar o aluguer! Chamei a policia... paguei o que devia e arranquei... Ao passar à minha porta vejo que os carros que lá estavam mal estacionados não tinham bloqueador, nem multa, nem sequer um aviso de ameaça...É o que dá um tipo querer ser honesto... (e distraido...)

terça-feira, novembro 08, 2005

Estacionamento à porta de casa parte I


Uma semanita na minha nova casa! Ele foi suspiros e sorrisos, mas depois do primeiro assombro foi preciso pensar na parte práctica. E a primeira coisa que me veio à cabeça foi “Eu tenho que ter um dístico de residente, que não ganho para o parque”! Pensei, isto é simples, uma conta do gás ou luz devem chegar. ERRADO! A EMEL pede o BI com a freguesia certa, a carta de condução com a morada nova, uma declaração das finanças, uma declaração da junta de freguesia, os documentos do carro, uma cópia do contrato de leasing (sabe-se lá bem porquê) e uma carta assinada pelo Papa a dizer que aprova que eu me mude para aquela zona.
Segunda de manhã lá fui a caminho das Finanças, Loja do Cidadão, Junta de Freguesia e EMEL, porque de tarde tinha que estar em casa que me iam entregar o colchão. O Vaticano ia ter que esperar...
Nas Finanças aguentei a meia horita da praxe para ter uma declaração que diz “Senhor de tal afirma que mora aqui!” e mais meia horita para pagar (que três tipos ocuparam as caixas todas com carradas de papeis!). Nada de demasiado exasperante, apesar do dinheirinho já começar a sair e eu ainda com sono.
Dirigi-me então à Loja do Cidadão. Entrei, não sem antes ter tido um mulato de um metro e oitenta a tentar engatar-me enquanto comprava pastilhas. Bem adiante... Aquilo é um mundo e estava lotado. Dirigi-me à DGV, tirei a senha para comprar papeis (dois numeros antes) e cinco minutos depois sentei-me. – “Bom dia” – digo eu a uma senhora de sessenta anos que estava à minha frente – “Preciso mudar a morada nos meus documentos mas estou um pouco perdido.” – E vai ela – “Não me diga que com uma carinha tão laroca ainda ninguém o encontrou!” – Mau! A água de colónia que pus deve ser mesmo boa! – “Se eu não fosse tão velha quem o encontrava era eu!” – Pronto! Está o caldo entornado! E o que é que um gajo responde a isto? Bom... sorri fiz de conta que não era comigo e tratei de comprar os papeis. Mas antes de os entregar tinha que ir tratar do BI. Andar de baixo... Tiro fotos (pago), compro mais papeis (pago) e tiro senha (sou o 104) olho para o número na parede... ia no 60! AHRG!!! Horror, não só do tempo de espera mas da cara de atrasado mental com que fiquei nas fotos! Hora e meia depois sou atendido, trato de tudo e avanço confiante para o andar de cima. Se esperei cinco minutos para comprar papeis, agora não seria muito mais. Tiro outra senha, aquilo ia no 92, olho para o meu número... 155!!!! A tragédia! O importante é não desanimar. Saio porta fora e vou tomar uma bica para ajudar a passar o tempo. Pago o café e vou comprar o Público (pago também). Após folhear o jornal volto a entrar... BAQUE! Ia no 94!!! Ia tendo um ataque! Espero de pé, no meio de encontrões de quem passa, com o tempo a arrastar-se desesperadamente lento e a pensar “Eu só pus parque para uma hora”! Era lindo, um tipo multado por estar a tratar dos papeis para o distico de residente! As pernas já cediam, a cabeça caía, não tinha onde lêr o jornal e a multidão que se apertava cada vez mais! Ao fim de mais uma hora finalmente um vislumbre, o número 122 levanta-se e deixa uma cadeira vazia. É minha!!!!! AH VITÓRIA! Finalmente tenho onde me sentar! MINHA, MINHA! Bem podia aparecer uma septuagenária tetraplégica de dali não me mexia, era minha e ao fim de muito custo!
Saí de lá à 13h30 (após pagar mais 22 euros só para mudar a morada na Carta!) e estava na rua desde as 9 da manhã! Só me faltava a Junta de Freguesia e correr para casa a tempo do colchão! (continua)

segunda-feira, novembro 07, 2005

E mais quatro...


Uma das vantagens de se tirar uns dias de ferias é que se ganha tempo para tentar pôr algumas coisas em dia. E na verdade já devia aos movies alguns dias largos de atraso. Durante esta semana vi quatro filmes mas, admito, nem sempre fiz as melhores escolhas.
Para começar visitei a última obra de Nick Park, o irreverente Wallace & Gromit in The Curse of the Were-Rabbit. Realmente os quatro anos que levaram a acabar esta brilhante stop-animation foram bem gastos. Com um humor ingles corrosivo (a maior parte dos trocadilhos não se percebem na nossa lingua lusa) e referências cinematográficas várias, esta é uma pequena pérola recomendada para todos os públicos.
Avancei confiante para o ultimo filme de Andrew Niccol Lord Of War, com Nicolas Cage. Niccol, realizador de Gattaca (primeiro e único filme de destaque na sua curta carreira) e Simone, é sem dúvida melhor argumentista (Truman Show, The Terminal). Lord of War é um filme com uma ideia – olhar para a vida e alma de um traficante de armas, com todas as ligações e implicações quer a nivel institucional, quer a nivel pessoal. No entanto arrasta-se sem grande veia para um bocejo final, com raros momentos de verdadeiro interesse. Cage tem outro papel em que não vai bem, nem mal, nem antes pelo contrário, tal como toda a sua carreira.
A comédia romântica Must Love Dogs foi a minha escolha para desanuviar. O elenco prometia (John Cusack e Diane Lane) e até tinha ouvido que, dentro do género, o filme não era mau. Erro crasso! Hora e meia de banalidades, um argumento sem nexo, personagens desinteressantes e nem um (um só!) sorriso. Adormeci e foi o melhor que podia ter feito com o meu tempo. Uma nulidade!
Acabei a semana com o polémico Last Days de Gus Van Sant. O realizador, usando técnicas já desenvolvidas em filmes anteriores, volta a afirmar-se como um autor de emoções, de situações e sensações, não própriamente de uma forma narrativa de fazer cinema. Existem momentos de brilhantismos, numa fita exepcionalmente filmada e que, apesar de não ser uma obra-prima, possui uma força dramática brutal, angustiante e perturbadora. Michael Pitt (jovem que já foi dirigido por Bertolucci em Os Sonhadores) tem um desempenho contido numa transfiguração sem ser caricatural. Não é um filme recomendado para toda a gente, percebo quem tenha odiado, mas, para além de plástica e sonoramente bem feito, é, para mim, um filme marcante.

Voltei e jantarada!


De regresso depois de uma mui saudosa semana que terá decerto repetição! Os posts voltarão, para mal dos vossos pecados.
O JOTA resolveu tomar o jantar em suas mãos. Visto ser ele o presidente da associação nada mais normal. A votação fechou e dia 26 foi o escolhido. Para se inscreverem vão aqui. Qualquer dúvida contactem-me ou ao próprio JOTA.

A vida É bela!!!!
Don't worry be happy!!!!

sexta-feira, outubro 28, 2005

Férias e jantares!


Finalmente vou de férias! Em dias úteis são quatro, em termos comuns é uma semana, na verdade são nove dias! Volto ou no Domingo dia 6 ou na Segunda dia 7. Até lá não haverá mais posts nem updates, vão ter um merecido descanso dos disparates que me saem da cabeça.
Mantenho tambem a votação para a escolha de data para a jantarada durante toda a semana. Com base nos resultados vou marcar o dia e escolher um restaurante com preço em conta. Depois faço um post para abrir inscrições e quem quiser basta ir lá e pôr o seu nome.
Fiz aquilo que pude na promoção do jantar, mas conheço realmente pouca gente. Como já tinha dito este não é o MEU jantar, mas o NOSSO jantar, numa ideia que nasceu inclusivé noutro blog. Aqui procuro apenas andar com essa ideia para a frente e não deixar cair na rotina do “tem que se combinar...”. Como tal preciso mesmo da vossa ajuda, falem com quem conheçam que esteja interessado e venham até aqui votar. Promovam o jantar no vosso blog! A Mary já pôs um post (que vai desaparecendo com o passar dos dias) e a Cuca lançou a hipótese de entregar o prémio do 1º DID nesse jantar. A ideia é optima. É deste tipo de ajuda que preciso para dinamizar o evento, e transformá-lo em algo mesmo de todos, para todos (bloggers, leitores e amigos).Bom... camaradas, amigos, companheiros, palhaços deste circo que é a vida, vou-me! Até daqui a uns dias, já estou de malas aviadas... mesmo sem sair de Lisboa!


Que há-de ser só nós o sabemos
pondo o fogo e a chuva na voz
repartindo ao vento pedaços
que hão-de ser de nós...