sexta-feira, novembro 18, 2005

Pequena dica de bom humor...

Longe do teatro de pesquisa do Teatro da Comuna, estreou há uma semana um espéctáculo de café-teatro www.feiosporcosemaus.pt na linha de outros como o Festival da Otite. Da autoria de Carlos Paulo é fruto do sentido critico e da humor muito próprio (e por vezes quase lunático) do seu autor. Ambiente descontraido, comes e bebes disponiveis, mesa de café e muito público, servem de pano de fundo para uma sátira atenta a diversos temas da actualidade lusa. Não é algo que nos marque, não somos presenteados com números inauditos, mas é uma noite muito bem passada ao som de ruidosas gargalhadas e com o cheiro de castanhas acompanhado de um copo de vinho tinto (cortesia da casa).

quinta-feira, novembro 17, 2005

Faz hoje um ano!


E o tempo voa mesmo! (excelente maneira de começar um post, com uma frase muito original!) Faz hoje um ano estava a vir para o emprego (ui que fixe, tens um emprego...huuu...) e lembrei-me que não tinha cigarros (horror, que tragédia! e sobreviveste?). Estava a estacionar o carro (bem! que luxo! emprego e carro! fabuloso!) e pensei... "Que se lixe! Não compro! Vou deixar de fumar!" (pensaste? mas tu pensas?). E de repente decidi que estava farto e não fumava mais mesmo. (que decidido, és o meu heroi!) Descobri depois ao ouvir rádio que era o dia do Não-Fumador (ai que coincidência! mas que é mesmo divertido hein! olha que giro!). 17 de Novembro de 2004 marcou uma mudança na minha vida. Já tinha deixado de fumar antes, (jura?) , mas ano e meio depois voltei (urso!), arrastando a minha namorada da altura para o tabagismo, ela que não fumava começou e ainda hoje fuma (afinal não és urso, és porco, uma besta quadrada!). Estive uma semana sem fumar (mau? então deixaste ou não?), fumei um cigarro para me acalmar e estive mais dez dias sem voltar (porra, afinal não largaste ó animal!) e quando apaguei esse segundo cigarro a meio, soube que era o meu último! (que bonito... tocante mesmo!)
Desde então a minha vida mudou (pronto lá vem piroseira!) e foi das melhores decisões que tomei (SONO!). Não vou começar a discorrer sobre os maleficios do tabaco (valha-nos Deus!) nem sobre as vantagens de não fumar (ao menos isso!). Todos as conhecem e é uma questão de vontade. Não é dizer que se quer, não é achar que se quer, é querer-se mesmo, e com quase um maço por dia posso dizer que não foi nada fácil! (foda-se! és o maior! tu querias mesmo hein? és fantástico!)
Não podia deixar portanto passar esta data. Um ano em que deixei de fumar (quase...)... vá que decidi deixar de fumar pronto! (é diferente!) eu sei que é diferente porra, andaste-me a lixar a cabeça o post inteiro (ficou ofendido foi?) podias tar calado por um momento?? (ui, estamos muito sensiveis? veio-te o periodo ou quê?) olha vai à merda! (é o melhor que consegues?) É mas a cabra da tua mãe se calhar consegue melhor! (Cuidadinho hã ó cabrão, respeitinho!)

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A administração do blog pede desculpa por esta interrupção e espera que dentro em breve seja restabelecida a normalidade.

A normalidade? Tava eu a escrever muito bem e veio este filha da p..

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(Ó saloio da merda, se não fosses bimbo eu não fazia comentários!) Palhaço! se queres comentar cria um blog teu!!!

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Hum... bom, parece que vamos ter que ficar por aqui! Desde já apresentamos sentidas desculpas aos nossos leitores na esperança que continuem a seguir-nos como até aqui.
Obrigado

quarta-feira, novembro 16, 2005

O Markl às vezes acerta!

O texto a que este faz referência está postado em baixo, se quiserem leiam primeiro o da Pimpinha e assim sabem melhor com o que é que o Nuno Markl goza. Faz parte do programa Há Vida em Markl da Antena3 de ontem. Enjoy...



DE GUTENBERG A PIMPINHA

Johannes Gensfleisch Zur Laden Zum Gutenberg. Nascido em 1398. Presume-se que tenha falecido a 3 de Fevereiro de 1468. Um operário metalúrgico e inventor alemão, a quem se deve, na década de 1440, a invenção da imprensa. O poder da criação de Gutenberg seria demonstrado em 1455, ano em que o inventor editaria a famosa Bíblia em dois volumes.
Sim, a Bíblia de Gutenberg tornou-se num marco notável na História das palavras impressas. Até ao passado fim-de-semana.
No passado fim-de-semana, o semanário português O INDEPENDENTE publicou, discretamente, no seu suplemento VIDA, uma coluna de opinião da autoria de Catarina Jardim. Quem é Catarina Jardim? Nada mais, nada menos do que a popular Pimpinha Jardim. Que fica desde já a ganhar a Gutenberg neste ponto – Gutenberg não tinha nenhum nome de mimo. Ele era capaz de gostar de ter um nome de mimo – não deve ser fácil ser Johannes Gensfleisch Zur Laden Zum Gutenberg – mas creio que ainda não era muito comum, na Alemanha do século XV, atribuirem-se nomes de mimo. Muita sorte se alguma das namoradas lhe chamou alguma vez JOGU, o único diminutivo aceitável de Johannes Gutenberg. E mesmo assim não é muito aceitável, porque soa demasiado próximo a iogurte, e isso é uma indústria completamente diferente daquela na qual Gutenberg se movia.
Voltemos então a Catarina Jardim e à sua coluna no jornal. O título do artigo é TODOS A BORDO, e trata-se – como o nome indica – de um relato detalhado sobre um cruzeiro a África que a jovem fez.
Ela diz, no início “O cruzeiro a África foi uma loucura, pode mesmo dizer-se que foi o cruzeiro das festas – como alguns dos convidados chamavam ao navio em que Luís Evaristo nos presenteou com MAIS UM BeOne on Board”. Gosto da maneira como ela fala, sem explicações nem perdas de tempo, de pessoas e iniciativas sobre as quais boa parte dos leitores não faz a mínima ideia quem sejam ou no que consistem. Nada contra – isto faz com que qualquer leitor se sinta cúmplice e rapidamente imerso no universo Pimpinha. Adiante.
Ficamos a saber que ela esteve em Tânger, e que a experiência foi, possivelmente a mais marcante da vida desta jovem. Passo a ler o que ela escreve:
“Tânger é bastante feia, muito suja e as pessoas têm um aspecto assustador.”
Nunca fui a Tânger, mas já fui a sítios parecidos e subscrevo inteiramente as palavras de Pimpinha. Malditas pessoas pobres, que só estragam o nosso planeta com a sua sujidade e o seu ar assustador! É preciso ser-se mesmo ruim para se escolher ser pobre, quando se pode ser tão limpo e bonito. Quando se pode ser, em suma, rico.
Eu penso que a Pimpinha acertou em cheio na raiz de todos os problemas mundiais da pobreza. Andam entidades a partir a cabeça em todo o mundo a pensar nisto, andou a Princesa Diana a gastar tantas solas de sapatos caros a visitar hospitais, capaz de apanhar uma doença, quando nós temos a Pimpinha com a solução. Se calhar basta lavar estas pessoas, e talvez – acompanhem-me neste raciocínio; Pimpinha vai ficar orgulhosa de mim – se calhar basta lavar estas pessoas, e em vez de gastar rios de dinheiro a mandar comida para África, porque não os Médicos Sem Fronteiras passarem a andar munidos de botox. Botox! Reparem: não é fazer cirurgias plásticas a toda esta gente feia que vive nestes países, porque isso seria demais. Mas, que diabo – botox? Vão-me dizer que não é possível ir de vez em quando a estes sítios e dar botox a estas pobres almas? Como o mundo ficaria mais bonito.
Adiante. Pimpinha desabafa, dizendo, sobre as pessoas de Marrocos, “apesar de já ter viajado muito, nunca tinha visto uma cultura assim – e sendo eu loura, não me senti nada segura ou confortável na cidade”. Talvez. Mas vamos supor que trocavam Pimpinha por, vamos supor, 10 mil camelos. Era um bom negócio para o Independente. Dos 10 mil, escolhia, vamos lá, 2 para passar a escrever a coluna – o que poderia trazer melhorias significativas de qualidade – e ainda ficava com 9 mil 998. O que, tendo em conta que Portugal está a ficar um deserto, pode vir a revelar-se um investimento de futuro.
Pimpinha prossegue: “Já em segurança, animou-me a festa marroquina, com toda a gente trajada a rigor”.
Suponho que, para a Pimpinha Jardim, “uma festa marroquina com toda a gente trajada a rigor”, tenha sido assim tipo uma festa de Halloween, tendo em conta que os marroquinos são – como a colunista diz umas linhas acima – gente feia como nunca se viu.
Adiante. Ela diz: “A seguir ao jantar, mais um festão que voltou a acabar de madrugada”. Calma – esclareçam-me só neste aspecto, para eu não me perder. Portanto, houve uma festa, não é? E a seguir, outra festa. OK. Uma pessoa corre o risco de se perder nestes cruzeiros, com toda esta variedade de coisas que acontecem.
Diz Pimpinha: “Desta vez não deu mesmo para dormir já que fomos expulsos dos camarotes às 9 da manhã, para só conseguirmos sair do navio lá para as 14 horas. Tudo porque um marroquino se infiltrara no barco e passara uma noite em grande, uma quebra inadmissível na segurança”.
Ora bom. Ora bom, ora bom, ora bom, ora bom.
Portanto, aqui a questão é: viagens a Marrocos e festas com pessoas vestidas de marroquinos, tudo bem. Agora, se pudessem NÃO ESTAR LÁ os marroquinos, isso é que era jeitoso. Malditos marroquinos, sempre com a mania de estarem em Marrocos. E como é que acontece esta quebra de segurança? Eu compreendo o drama de Pimpinha. É que o facto da segurança deixar entrar um estafermo marroquino vestido de marroquino, numa festa com gente bonita vestida de marroquina, isso só vem provar que, se calhar, os amigos da Pimpinha não são assim tão mais bonitos do que essa gente feia de Marrocos. E isso é coisa para deixar uma pessoa deprimida. Temos nós a nossa visão do mundo tão certinha e de repente aparece um marroquino e uma brecha na segurança… Enfim – nada que uma ida às compras não resolva, ao chegar a Lisboa, certo, Pimpinha?
Adiante. Diz Pimpinha: “Já cá fora esperava-nos um grupo de policias com cães, para se certificarem de que ninguém vinha carregado de mercadorias ilegais – e não sei como é que, depois de tantos avisos da organização, ainda houve quem fosse apanhado com droga na mala!”
DROGA? NUMA FESTA DO JET SET PORTUGUÊS? NÃO! COMO? NÃO. Recuso-me a acreditar. Deve ter sido confusão, Pimpinha. Era oregãos. Era especiarias.
Pimpinha Jardim declara: “Mas o saldo foi bastante positivo. Aliás, devia haver mais gente a arriscar fazer eventos como estes”.
Gosto desta Pimpinha interventiva. Sim senhor, diga tudo o que tem a dizer. Faça estremecer o mundo. E com assuntos que valham a pena. Aliás, era capaz de ser uma boa ideia escrever um e-mail ao Bob Geldof a tentar fazê-lo ver que essa história de organizar concertos para combater a pobreza em África… Para quê? Geldof devia começar era a organizar concertos para chamar a atenção do mundo para a falta de cruzeiros com festas. Isso é que era. Mania das prioridades trocadas. Que maçada.
Mesmo no final, a colunista remata dizendo: “Devia haver mais gente a arriscar fazer eventos como estes – já estamos todos fartos dos lançamentos, “cocktails” e festas em terra”.Aprecio aqui duas coisas: a utilização do “já estamos todos”, como se Pimpinha voltasse a acolher o leitor no seu regaço como que dizendo: “Sim, tu és dos meus e também estás farto de lançamentos, ‘cocktails’ e festas em terra. Excepto se fores marroquino, leitor. Se for esse o caso, por favor, exclui-te deste ‘todos’ ou então vai tomar banho antes, e logo se vê”.
Depois, é refrescante saber que Pimpinha está farta de lançamentos, ‘cocktails’ e festas. Eu julgava que nos últimos dias a tinha visto em cerca de 250 revistas em lançamentos, ‘cocktails’ e festas, mas devia ser outra pessoa. Só pode ser. Confusões minhas.
Em suma: finalmente, há outra vez uma razão para ler O INDEPENDENTE todas as semanas. Tardou, mas não falhou. Pimpinha Jardim é a melhor aquisição que um jornal já fez em toda a História da Imprensa mundial.

Pimpinha Jardim


Transcrevo aqui o texto da mais recente colunista d' O Independente... sem comentários!


Todos a bordo!

O cruzeiro a África foi uma locura. Pode mesmo dizer-se que foi o cruzeiro das festas – como alguns dos convidados chamavam ao navio em que Luís Evaristo nos presenteou com mais um BeOne on Board. Sexta-feira, embarque às 17h00, seguido dos devidos preparativos para o jantar de gala a bordo – mais tarde, já com as roupas trocadas, o festão decorreu em duas discotecas e quase ninguém dormiu, tal era a vontade de não perder pitada. Sábado chegámos a Tânger por volta das 14h00, desembarcámo-nos e dirigimo-nos à Medina e ao mercado, com a ajuda de um guia – que tentou levar-nos a todo o lado menos aonde queríamos. O que quer que eu tente descrever não é nada comparado com a realidade. Tânger é bastante feia, muito suja e as pessoas têm um aspecto assustador. Por várias vezes tentaram aldrabar-nos, chegando a limites inauditos como o de nos pedirem três mil euros por uma garrafa de água! Apesar de já ter viajado muito, nunca tinha visto uma cultura assim – e sendo eu loira não me senti nada segura ou confortável com a cidade... Resumindo, acabei por não comprar quase nada e voltei ao barco mais cedo do que era suposto. Já em segurança, animou-me a festa marroquina, com toda a gente trajada a rigor. A seguir ao jantar, mais um festão que voltou a acabar de madrugada – e desta vez não deu mesmo para dormir já que fomos “expulsos” dos camarotes às 9h00, para só conseguirmos sair do navio lá para as 14h00. Tudo porque um marroquino se infiltrara no barco e passara uma noite em grande – uma quebra inadmissível na segurança. Já cá fora, esperava-nos um grupo de policias, com cães, para se certificarem de que ninguém vinha carregado de mercadorias ilegais – e não sei como é que, depois de tantos avisos da organização, ainda houve quem fosse apanhado com droga na mala!De volta a casa, a única coisa que queria mesmo era a minha cama, onde caí redonda e só acordei na segunda para ir para as aulas. Mas o saldo foi bastante positivo. Aliás, devia haver mais gente a arriscar fazer eventos como estes – já estamos todos fartos dos lançamentos, “cocktails” e festas em terra!"


"When I was born, I was black. When I grow up, I'm black. When I'm ill, When I die, I'm black. But you - When you're born, you're pink. When you grow up, you're white. When you're ill, you're green. When you go out in the sun, you go red. When you're cold, you go blue. When you die, you're purple. And you have the nerve to call me Colored?"

Malcom X

"AND THE SIGN SAID LONG HAIRED FREEKY PEOPLE NEED NOT REPLY!"

terça-feira, novembro 15, 2005

Está mal colado, desalinhado, com um ar frágil de quem se pode desfazer nas nossas mãos, como um ramo de flores secas que se deve tratar com cuidado. É pequeno, dez centimetros por dez, mas estas coisas, tal como as pessoas, não se medem aos palmos. Chegou atrasado, parto dificil, materia instável. Demorou a fazer e denota o carinho de quem se preocupa e (pasme-se) verdadeiramente me conhece. Aquele (quero acreditar) sou eu. E se não for é pelo menos a pessoa que sonhei ser. Anda agora comigo, tenho-o no bolso e não o quero largar, mas sei que lhe tenho que arranjar um lugar seguro, um pequeno canto onde descanse, correndo o risco de o destruir de vez.
Tenho cem palavras, são minhas, foram-me dadas por quem mas roubou a todas. Preciso de mais, cem não me chegam, não me consigo conter!
Tenho cem palavras e quando me vi naquele pequeno ponto de ternura só vinha uma à memória: Obrigado...

segunda-feira, novembro 14, 2005

Uma história de amor - The Constant Gardener


Após o enorme sucesso de Cidade de Deus, Fernando Meirelles volta à realização com “O Fiel Jardineiro”, baseado na obra de John Le Carré. Desta vez não tem meninos de rua, tem vedetas internacionais, desta vez não tem um argumento seu, foi contratado para um projecto, desta vez não tem uma pequena produção, está ao leme de um filme de topo americano. Tudo diferente e nada mudou. O talento deste “jovem” realizador (segunda longa metragem apesar dos seus quarenta anos) volta a confirmar-se. As paisagens de África são filmadas com uma beleza incomum, vibrante, quente, viva, nem sempre óbvia, em contraste constante com o tom cinzento e pesado da Europa e nunca caindo no cliché das grandes planicies e do por-do-sol. Aliás este é um filme de pessoas e não de temas, não está lá a imagem romântica de África mas as imagens cruas das paisagens (com um trabalho primoroso de fotografia com o ar de quem só saiu para a rua com uma DV e filmou o que lá estava), não precisa do choque fácil para retratar a pobreza e a miséria, não precisa de puxar à lágrima para nos tocar. É, acima de tudo, um filme sobre pessoas, muito mais do que um filme sobre qualquer conspiração internacional, a indústria farmacêutica ou a desgraça do nosso continente vizinho. É um filme sobre o amor de um casal, a vida e a luta de quem se entrega, e as consequências dos actos. Por isso nos tocamos, por isso sentimos, apesar de, supostamente, estarmos perante um thriller, uma temática de conspiração. E por isso nos envolvemos e nos deixamos apaixonar por estes Don Quixotes na sua luta inglória que pode, mesmo assim, ter alguma consequência.

domingo, novembro 13, 2005

Direito ao mainstream...


Ah pois é! Eu tambem gosto de algumas coisitas do mainstream mais comercial possivel. A música que ponho hoje é desses exemplos. E é em espanhol com dedicatória a duas meninas. Uma que se apaixonou (mesmo que diga que não sabe se sim) por um espanhol (ai o amor é tão lindo!). E a segunda, que não partilhando da paixão pelos nuestros hermanos fisicamente, se apaixonou pela lingua... Para as duas, e para mim, La Tortura!

sexta-feira, novembro 11, 2005

Isto tá mesmo mal pá!!!!!

O mundo está mal e cada vez pior. Por este andar nem sei onde vamos parar. E a culpa é dos americanos, aqueles gajos são fodidos, atacar o Iraque e tudo. Depois claro, de cada vez que vou atestar o carro aquilo custa-me os olhos da cara. É a gasolina sempre a subir e os preços e tudo pá! (Olha serve-me aí uma imperial). Que esta merda é toda igual.
Os politicos tás a ver, os gajos não querem é melhorar isto, eles estão lá é para se encher, são uns gatunos, uns aldrabões (se quer recibo tenho que lhe pôr mais 21% de IVA). Quanto a mim era simples: baixava-se a despesa pública, aumentava-se os salários para o pessoal ter dinheiro e a produtividade tambem. Pronto, tava o país encaminhado.
Que a questão aqui é a educação, são todos uns analfabetos pá (lêr agora? Não obrigado. Mas vê lá as horas que daqui a nada começa a 1ª Companhia), uns analfabetos digo-te eu.
Antigamente é que era, no tempo do Salazar não havia esta insegurança. (A PIDE? Porra pá a PIDE não era assim tão má! Tambem safa bastava um gajo andar na linha e as coisas corriam bem!).
São os pretos, tás a ver, os pretos. Não é por mal mas aquilo está-lhes no sangue, por isso é que África está como está. (Colónias? Isso foi há muito tempo! Exploração? Desculpas pá! Eles querem é armas para se matarem uns aos outros, são pretos tás a ver...) Quando nós lá estavamos era tudo melhor. É assim mesmo, a malta tem uma cabeça diferente percebes, basta olhares para o Saramago e para o Mantorras (quanto é que terá ficado o Benfica?). Os brancos são mais inteligentes mais civilizados percebes? (Tou mesmo fodido com isto, será que ganhou? Oh lá! Gaja boa hum... Ganda cu! Bem que te espetava toda!) Se eu amo a minha mulher? Claro! A familia em primeiro lugar. Com eles, os pretos, é diferentes, daí a SIDA e essa cena toda! Até parece que são paneleiros!
Essa é outra. Homem que é homem não faz dessas merdas (a não ser uma vez na tropa, mas isso foi há muito tempo e eu ainda era puto tás a ver?). Não percebo aquilo dos panascas. Eu sei que é dificil aturar as mulheres, mas porra não é motivo para tanto! Cá para mim fazem isso é porque nunca comeram uma gaja boa! (Boa boa só uma vez mais foi a pagantes).
E as gajas com a cena do aborto? Já enjoa pá! Se não os querem não os façam! Deviam era limpar-vos o sebo a vocês todas! (Eu cá digo sempre: mulher morta não aborta) Que vai contra a Biblia percebes? (Em que passagem? Sei lá meu! Achas que eu leio aquela coisa? Eu nem vou à Igreja!)
Mas pronto tás a ver, o que era preciso era mudar as coisas (Votar? Para quê pá? Com um dia tão bonito? Faz lá diferença. Assim como assim são todos iguais). Mas o pessoal não se mexe, são uns mortos (olha serve-me outra imperial e traz-me aí uns tremoços).
Paz no mundo é que a gente precisava. Limpava-se o sebo aos árabes todos e tava feito (eu sei lá da Palestina nem sei onde isso fica! As quê? Petroliferas? Isso são tretas pá, era limpar o sebo a todos). Mas pronto... este país é assim mesmo o que é que um gajo há-de fazer, um tipo anda como pode. Mas se fosse eu a mandar mudava esta merda toda (O quê? Candidatar-me? Entrar para a politica? ONG? Que é essa merda? Tás maluco ou quê? Tenho mais que fazer, agora deixa-me em paz e muda isso para a Sport Tv...)

Morrerão os ideais?

Le cœur bien au chaud
Les yeux dans la bière
Chez la grosse Adrienne de Montalant,
Avec l'ami Jojo
Et avec l'ami Pierre
On allait boire nos vingt ans.
Jojo se prenait pour Voltaire
Et Pierre pour Casanova
Et moi, moi qui étais le plus fier
Moi, moi je me prenais pour moi.
Et quand vers minuit passaient les notaires
Qui sortaient de l'hôtel des "Trois Faisans"
On leur montrait notre cul et nos bonnes manières
En leur chantant

Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient bête
Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient c...

Le cœur bien au chaud
Les yeux dans la bière
Chez la grosse Adrienne de Montalant
Avec l'ami Jojo
Et avec l'ami Pierre
On allait brûler nos vingt ans
Voltaire dansait comme un vicaire
Et Casanova n'osait pas
Et moi, moi qui restait le plus fier
Moi j'étais presque aussi saoul que moi
Et quand vers minuit passaient les notaires
Qui sortaient de l'hôtel des "Trois Faisans"
On leur montrait notre cul et nos bonnes manières
En leur chantant

Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient bête
Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient c...

Le cœur au repos
Les yeux bien sur terre
Au bar de l'hôtel des "Trois Faisans"
Avec maître JojoEt avec maître Pierre
Entre notaires on passe le temps
Jojo parle de Voltaire
Et Pierre de Casanova
Et moi, moi qui suis resté le plus fier
Moi, moi je parle encore de moi
Et c'est en sortant vers minuit Monsieur le Commissaire
Que tous les soirs de chez la Montalant
De jeunes "peigne-culs" nous montrent leur derrière
En nous chantant:

Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient bête
Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient c...

(Jacques Brel)

Resistir é Vencer


Do que um homem é capaz
As coisas que ele faz
P'ra chegar aonde quer
É capaz de dar a vida
P'ra levar de vencida
Uma razão de viver

A vida é como uma estrada
Que vai sendo traçada
Sem nunca arrepiar caminho
E quem pensa estar parado
Vai no sentido errado
A caminhar sozinho

Vejo gente cuja vida
Vai sendo consumida
Por miragens de poder
Agarrados a alguns ossos
No meio dos destroços
Do que nunca hão-de fazer

Vão poluindo o percurso
Co' as sobras do discurso
Que lhes serviu pr' abrir caminho
À custa das nossas utopias
Usurpam regalias
P'ra consumir sozinho

Com políticas concretas
Impõem essas metas
Que nos entram casa dentro
Como a Trilateral
Co' a treta liberal
E as virtudes do centro
No lugar da consciência
A lei da concorrência
Pisando tudo p'lo caminho
P'ra castrar a juventude
Mascaram de virtude
O querer vencer sozinho

Ficam cínicos, brutais
Descendo cada vez mais
P'ra subir cada vez menos
Quanto mais o mal se expande
Mais acham que ser grande
É lixar os mais pequenos

Quem escolhe ser assim
Quando chegar ao fim
Vai ver que errou o seu caminho
Quando a vida é hipotecada
No fim não sobra nada
E acaba-se sozinho

Mesmo sendo os poderosos
Tão fracos e gulosos
Que precisam do poder
Mesmo havendo tanta gente
P'ra quem é indif'rente
Passar a vida a morrer

Há princípios e valores
Há sonhos e há amores
Que sempre irão abrir caminho
E quem viver abraçado
À vida que há ao lado
Não vai morrer sozinho
E quem morrer abraçado
À vida que há ao lado
Não vai viver sozinho
(José Mario Branco)

quinta-feira, novembro 10, 2005

A desagregação social justifica a violência que assola França? Ou apenas a explica? Será este o inicio de algo a uma escala maior, uma pequena revolução? O fim justifica os meios?

Para dois textos interessantes sobre o tema e uma acessa discussão clicar


quarta-feira, novembro 09, 2005

Estacionamento à porta de casa parte II (Conclusão)


Lá fui disparado para a Junta de Freguesia! Estacionar o carro na Rua da Madalena quase às duas da tarde não é fácil. Após algum esforço lá consegui. Subi as escadas duas a duas apenas para bater com o nariz na porta! Não era por ser hora de almoço, mas porque fizeram ponte! PONTE!!! Eu que tinha passado o dia todo naquilo, gasto um balúrdio de dinheiro, esgotado as pernas e a paciência para não apanhar multas na semana que o meu carro ia estar estacionado na Baixa e os gajos fazem ponte! Só ao pontapé! Fui para casa irritado, lixado da vida, para almoçar (a fome era sufocante!), receber o colchão e ainda fazer cinquenta coisas para uma festa que ia dar essa noite. Não tive com meias medidas e estacionei mesmo à porta num sitio onde era proibido sequer parar. Se a junta tirava férias a policia tambem tinha que tirar! E para o diabo com o resto.
Terça feriado, dia um e, para quem não sabe, os meus anos.
Chega quarta feira, levanto-me cedo de novo (isto já nem pareciam férias) e lá vou, com esperança que a ponte não durasse a semana toda.... Não durou. Estavam lá os três tipos de uma junta com 407 eleitores registados (serei o 408º). Então vamos lá ao cartão de eleitor... “Não pode”. “Não posso?” “Não pode!” “E porquê?” “Porque só com o BI!” ”Mas o BI só daqui a duas semanas!!!! E uma declaração?” “Isso fazemos e para a EMEL basta.”
E que diz a tal declaração com selo branco e tudo? – Fulano de tal diz-nos que mora neste sitio! – Olha que porra, isso podia ter escrito eu directamente sem precisar de selo nem nada! Mas a EMEL pede e a EMEL manda. “Já conhece o nosso Presidente?” “Pois... ainda não...” “AH! Venha daí!” – E lá fui... Com 407 eleitores dos quais só 205 votam cada um é fundamental! Só o meu voto vale logo 0,5% dos votos daquela freguesia. Em termos nacionais, nas Presidenciais, seria o equivalente a 20.000 pessoas. É claro que me querem tratar bem! Eu sou tão importante como uma cidade pequena! Mais 20 minutos de conversa... Yada yada yada...
Pronto! Já tenho tudo, vou armado com papelada até aos dentes para a EMEL.
Chego, sou atendido bem depressa. Folhas e folhas e mais folhas até que... “Desculpe, mas o registo de propriedade ainda está na morada antiga. Sem mudar isso nada feito. Tem que ir à Interbanco (que me fez o leasing) tratar do assunto.” – OLHA BARDAMERDA!
Fazendo um esforço para não arrancar a cabeça da mulher à dentada lá fui para a Rua Castilho. Cheguei e fui prontamente atendido por uma senhora muito simpática que me dizia que mudava a morada lá no sistema mas que dos papeis tinha que ir tratar eu e (obviamente) pagar. Ainda por cima o carro está quase pago, portanto daqui a cinco meses os papeis iam ter que ser mudados de novo... Desesperei... Ás tantas tive uma ideia. Pode ser que funcione... “Minha senhora, podia-me tirar uma cópia desse papel que diz que mudei a morada para envio de correspondência?” “Posso. E até lhe ponho um carimbo em cima!”
Voltei à EMEL a vêr se o engodo funcionava. A mulher leu e releu aquilo. Estava nervoso. Às tantas diz-me, “vou só ali dentro” e leva o papel à chefe. “Pronto, lixei-me!” pensei. Grande surpresa quando eles... ACEITARAM AQUELA DROGA! Mil papeis que entreguei, horas gastas e nenhum deles sequer prova que moro naquela casa. Pouco importa. TENHO O DISTICO! E lá vou tirar o carro do lugar proíbido para o pôr num sitio decente! AH ALEGRIA! Finalmente. Encontrar o espaço foi dificil, mas lá encontrei. Parei o bicho com o direito inerente a qualquer residente e sem medo dos fiscais! VITÓRIA!
Volto para casa. Três horas depois volto a sair. Ia bem disposto. Tirei o carro de frente da porta, mas ao menos estava legal. Cheguei à viatura... Não... não pode ser! Estava bloqueada!!! Vi mal os sinais e estacionei noutro sitio proibido! 50 euros!!! 19,99 de multa e o resto pelo aluguer do bloqueador. Mas eu não pedi bloqueador nenhum, é incrivel que tenha que pagar o aluguer! Chamei a policia... paguei o que devia e arranquei... Ao passar à minha porta vejo que os carros que lá estavam mal estacionados não tinham bloqueador, nem multa, nem sequer um aviso de ameaça...É o que dá um tipo querer ser honesto... (e distraido...)

terça-feira, novembro 08, 2005

Estacionamento à porta de casa parte I


Uma semanita na minha nova casa! Ele foi suspiros e sorrisos, mas depois do primeiro assombro foi preciso pensar na parte práctica. E a primeira coisa que me veio à cabeça foi “Eu tenho que ter um dístico de residente, que não ganho para o parque”! Pensei, isto é simples, uma conta do gás ou luz devem chegar. ERRADO! A EMEL pede o BI com a freguesia certa, a carta de condução com a morada nova, uma declaração das finanças, uma declaração da junta de freguesia, os documentos do carro, uma cópia do contrato de leasing (sabe-se lá bem porquê) e uma carta assinada pelo Papa a dizer que aprova que eu me mude para aquela zona.
Segunda de manhã lá fui a caminho das Finanças, Loja do Cidadão, Junta de Freguesia e EMEL, porque de tarde tinha que estar em casa que me iam entregar o colchão. O Vaticano ia ter que esperar...
Nas Finanças aguentei a meia horita da praxe para ter uma declaração que diz “Senhor de tal afirma que mora aqui!” e mais meia horita para pagar (que três tipos ocuparam as caixas todas com carradas de papeis!). Nada de demasiado exasperante, apesar do dinheirinho já começar a sair e eu ainda com sono.
Dirigi-me então à Loja do Cidadão. Entrei, não sem antes ter tido um mulato de um metro e oitenta a tentar engatar-me enquanto comprava pastilhas. Bem adiante... Aquilo é um mundo e estava lotado. Dirigi-me à DGV, tirei a senha para comprar papeis (dois numeros antes) e cinco minutos depois sentei-me. – “Bom dia” – digo eu a uma senhora de sessenta anos que estava à minha frente – “Preciso mudar a morada nos meus documentos mas estou um pouco perdido.” – E vai ela – “Não me diga que com uma carinha tão laroca ainda ninguém o encontrou!” – Mau! A água de colónia que pus deve ser mesmo boa! – “Se eu não fosse tão velha quem o encontrava era eu!” – Pronto! Está o caldo entornado! E o que é que um gajo responde a isto? Bom... sorri fiz de conta que não era comigo e tratei de comprar os papeis. Mas antes de os entregar tinha que ir tratar do BI. Andar de baixo... Tiro fotos (pago), compro mais papeis (pago) e tiro senha (sou o 104) olho para o número na parede... ia no 60! AHRG!!! Horror, não só do tempo de espera mas da cara de atrasado mental com que fiquei nas fotos! Hora e meia depois sou atendido, trato de tudo e avanço confiante para o andar de cima. Se esperei cinco minutos para comprar papeis, agora não seria muito mais. Tiro outra senha, aquilo ia no 92, olho para o meu número... 155!!!! A tragédia! O importante é não desanimar. Saio porta fora e vou tomar uma bica para ajudar a passar o tempo. Pago o café e vou comprar o Público (pago também). Após folhear o jornal volto a entrar... BAQUE! Ia no 94!!! Ia tendo um ataque! Espero de pé, no meio de encontrões de quem passa, com o tempo a arrastar-se desesperadamente lento e a pensar “Eu só pus parque para uma hora”! Era lindo, um tipo multado por estar a tratar dos papeis para o distico de residente! As pernas já cediam, a cabeça caía, não tinha onde lêr o jornal e a multidão que se apertava cada vez mais! Ao fim de mais uma hora finalmente um vislumbre, o número 122 levanta-se e deixa uma cadeira vazia. É minha!!!!! AH VITÓRIA! Finalmente tenho onde me sentar! MINHA, MINHA! Bem podia aparecer uma septuagenária tetraplégica de dali não me mexia, era minha e ao fim de muito custo!
Saí de lá à 13h30 (após pagar mais 22 euros só para mudar a morada na Carta!) e estava na rua desde as 9 da manhã! Só me faltava a Junta de Freguesia e correr para casa a tempo do colchão! (continua)