quinta-feira, dezembro 15, 2005


Aos 16 vivia num mundo de certezas, de branco e preto, certo e errado. De convicções inabaláveis, de ideias e valores absolutos. Sabia dizer com exactidão as coisas que eu seria ou não seria capaz de fazer. Com o passar dos anos perdi o absoluto que me guiava, aprendi a relativizar situações, sentimentos, vivências e actos. A não extremar posições e a ponderar a minha capacidade de realizar o acto mais vil. Aprendi a não fazer promessas, a não jurar pelo futuro, a saber apenas o que sentia no momento, no dia e na hora, fossem quais fossem os planos no éter idealizados.
Hoje, uma década depois, recuperei a capacidade de afirmar categóricamente emoções, vontades, sentimentos, projectos. Reaprendi as certezas totais, porque, pela primeira vez na minha vida, elas se apresentaram perante mim, imensas, sublimes, magnânimes. Pela primeira vez eu vi aquilo em que tive em tempos fé e cheguei a julgar não existir na sua versão mais pura, mais completa, mais elementar, como se vislumbrasse directamente os olhos do eterno.

E caminho firme na poeira de que se fazem os sonhos...

Presidenciais: Round 6 - Soares vs Alegre

Why do I even kid myself? Não vi, só li, só vi resumos...

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Grandes respostas


Às vezes há tipos bestialmente irritantes, ou situações constrangedoras. Quantas vezes não me lembrei de respostas DEPOIS das coisas acontecerem, com aquela sensação do "Porra, eu devia era ter dito isto!!".
Aqui ficam duas de que gostei particularmente:

Dana Carvey, actor e comediante enquanto entrava para um evento e parava para as habituais fotografias foi intrepelado por um repórter do programa do Howard Stone que para o provocar atira contundente: "Costumas ver pornografia gay?" - resposta imediata - "Devo ver porque a tua cara não me é estranha!"

Winston Churchill numa festa de beneficiência foi abordado por uma senhora que lhe diz - "Se eu fosse sua mulher punha-lhe veneno no café!" - O Churchil num tom muito british responde - "E se eu fosse seu marido bebia-o!"

E embrulha!


DIA 14 DE DEZEMBRO!!! - HOJE DEVIA HAVER JANTAR DE BLOGGERS!!!!

Presidenciais: Round 5 - Silva vs Sousa

Pronto, este só apanhei pelo canto do olho e pedaços muito curtos. Voltei a ver só resumos e ouvir comentários. Mas sobre esses não escrevo. Dizia eu que ia ver os debates todos, que me ia informar... Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa...

terça-feira, dezembro 13, 2005

Presidenciais: Round 4 - Louçã vs Alegre


Quarto debate televisivo, desta vez pude assistir. É verdade que não prometia ser dos mais interessantes, Alegre e Louçã não são própriamentes inimigos, mas enfim, como tenho falhado alguns lá prestei atenção a este.
O debate foi relativamente calmo, Louçã estava compreensivelmente mais comedido do que contra Silva, mas ainda num tom bastante afirmativo, mesmo que por vezes inconsequente, como nas referências a Alberto João. Mas não renega o seu passado e mantem-se coerente com os seus princípios, mostrando que tem uma ideia clara do que quer para o País.
Alegre esteve na mesma. Sem ideias, sem chama, sem vontade. Foi evasivo, indeciso e teve pelo menos dois momentos que resumem de uma forma clara a sua prestação. A primeira vez, quando interrogado sobre a possivel demissão de Alberto João do Governo Regional da Madeira, respondeu que se ainda não foi feito é porque ele poderia voltar a candidatar-se e portanto ser inutil tomar essa medida. Acrescentou que achava que no caso de demissão a pessoa não deveria poder voltar a candidatar-se pelo menos durante um periodo de tempo. Louçã interveio, discordando por causa das óbvias implicações na limitação da liberdade democrática que tal medida impunha. Vendo-se confrontado, Alegre diz que não disse o que disse (!) e que estava apenas a salientar que OUTRAS PESSOAS (!!) tinham debatido o assunto...
Numa segunda ocasião, questionado sobre o Procurador Geral, e sem saber que posição tomar responde “eu não me quero substituir ao Presidente da Républica”(!!!) Ai não quer? Pois eu pensava que queria. Cheguei até a supôr (estupidez a minha) que o homem se candidatava à Presidência da Republica e por isso estava naquele debate! Parece que não... Engano meu...Enfim... Foi apesar de morno, um debate esclarecedor acerca das bases fundamentais, da fibra de que é feito cada um dos candidatos

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Slava


Slava está triste. Slava procura a morte e encontra-a. Slava vive no mais elementar de cada um de nós, na alegria, na ternura, no carinho, na dor. É um universo de sonho, imaginado por um palhaço russo, que ama, que sente, que transforma novos e velhos em crianças.
Slava Snow Show está de volta ao CCB. É o terceiro ano que cá vem e é o terceiro ano que o vejo. É um espectáculo de surpresa, de delicia, de interacção com quem assiste. É feito de pequenas nuances, de subtilezas, provando que não é preciso uma careta para rir, não é preciso uma história para nos prender, não é preciso o exagero para nos comovermos com os detalhes do dia a dia, com a alegria de uma criança que não consegue pular dentro de tempo, e persegue bolhas de sabão com uma rede de borboletas. Slava é o que mais de primordial existe, Slava é uma experiência no mundo frio e sonhado dos anjos...

De 6 de Dezembro de 2005 a 18 de Dezembro de 2005
Centro Cultural de Belém - Grande Auditório
início espectáculo: todos os dias às 21h, sábados e domingos também às 16h.
Folga: 2ª feira

Presidenciais: Round 3 - Silva vs Louçã

Uma vez mais não pude ver ao vivo. Mas li, ouvi comentários e vi resumos...
"Politico pequeno!", e como vi só resumo... nada mais a dizer...

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Ai cruzes credo canhoto!!!


Mês de Dezembro está a ser para mim mês de espectáculos. Hoje vai ser O Bando e no Domingo Slava. Como estou a passar uns dias na minha casinha na Baixa, ao fazer a mala lembrei-me de ir buscar os bilhetes que tinha deixado cuidadosamente numa prateleira bem à vista no meu quarto em casa dos meus pais. Espanto máximo – desapareceram! Dois bilhetes bem caros, de plateia, com lugares escolhidos a dedo – sumiço! Pânico, horror, tragédia! Os bilhetes foram deitados ao lixo! Ai cruzes credo! Mas porque é que me mexem nos papeis?!?! Sim, estavam dentro de papel de embrulho, sim para quem não soubesse parecia papel vazio, mas NÃO MEXAM NAS COISA!!!! Ufffff.....
Calma, tudo se resolve... Vamos ligar para a Fnac do Chiado onde comprei os bilhetes... 15 minutos de espera... A música repete igual de 20 em 20 segundos e o Manchester tinha acabado de meter um golo... Neura... Ao fim de um quarto de hora a chamada cai! AAAAAAAARRRRRRRRGGGGGGGGHHHHHHHHHH!!!!!!!!! Ok, ok, calma, respira fundo, tenta de novo... Mais 15 minutos... e cai outra vez! AAAAAAAAAAAAARRRRRRRRGHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!! Pronto! Nem tudo está perdido. É ligar para as pessoas que conheces na Fnac. Chamada feita, tudo explicado, manda-se um mail com os dados todos e volta-se a ligar na sexta. Escreve mail, não escreve mail, perdi os dois golos do Benfica, mas ainda vi as repetições (SLB, SLB, SLB, SLB!!!)
Seja como for o melhor é ligar ao patrão da frente de casa do CCB (vantagens de se ter lá trabalhado) porque sei os lugares de cor e se não resolver o assunto ao menos entro e vejo o show. Tudo tratado, não há crise.
Aí lembrei-me... estou a resolver isto à moda tuguesa, com contactos e conhecimentos porque da forma normal tava dificil... tipico...
Hoje voltei a ligar ao camarada da Fnac. Tentei a via normal, para me passarem a chamada (abomino estas coisas dos favores de amigos). 15 minutos à espera... Cai a chamada! )=()(//()%%#!#$”$%”#$”&%&”(&/)
Ligo para o telemovel – desligado! $#”/&%”/#()#)=?#&#%/. Ligo mais tarde, atende e diz que não pode fazer nada... é o sistema... neste caso o informático. Bom... ok... obrigado na mesma. Safo-me pelo lado dos frente de casa. Seja como for, e por descargo de consciência ligo para a bilheteira do CCB só para ver se resolvia alguma coisa. Toca, espero 5 minutos, atendem amavelmente. Explico a situação – “Só um momento por favor.” – passado um minuto volta e diz-me para no dia do espectáculo me dirigir à bilheteira que serei acompanhado ao meu lugar!Assunto tratado rápida e cordialmente! Por uma vez fico surpreendido positivamente com um serviço prestado! Como dizia o outro, e esta hein?

Presidenciais Round 2: Soares vs Sousa

É pena mas não pude ver este... Na Baixa não tenho televisão...

quarta-feira, dezembro 07, 2005

DOGME 95


O movimento Dogma foi criado em Copenhaga por um grupo de realizadores dinamarqueses corria o ano de 1995. Era um movimento que reclamava um cinema "real", sem artificialismos, uma nova abordagem à Sétima Arte. O movimento regia-se por um conjunto de normas espartanas a que davam o nome sugestivo de Voto de Castidade, assinado por dois dos mais importantes fundadores do movimento, os realizadores Thomas Vinterberg e Lars Von Trier.
Do ponto de vista cinematográfico foram criadas obras interessantes, como o Mifune, Italiano Para Principiantes, ou principalmente Os Idiotas e A Festa (dos dois fundadores referidos).
A grande questão é que o Dogma é mais um golpe de marketing - eficaz, que projectou o até então desconhecido cinema dinamarquês para os grandes palcos mundiais - do que uma verdadeira revolução artística.
Para começar as regras auto-impostas do Voto de Castidade nunca foram cumpridas pelos próprios fundadores. Vinterberg é disso exemplo ao assumir ter quebrado algumas directivas durante a rodagem do Festen (A Festa).
O manifesto defende um ponto de vista que o próprio Von Trier (motor principal do Dogma) não defende nas suas obras. Exemplos disso são os brilhantes Europa, Dancer in The Dark, Breaking The Waves ou mesmo Dogville, obras que utilizam todos os recursos disponiveis no cinema, afastando-se o mais possivel da imagem "what you see is what you get" que o movimento quer preconizar.
O Voto de Castidade contradiz-se a si próprio ao impôr regras de teor estético e artístico e recusando aos autores a tomada de posições estéticas e... artísticas...
Por último a ideia de mostrar a "verdade", a "realidade", negando inclusivé a assinatura do projecto por parte do realizador é, em si só, absurda. A Arte, principalmente o Cinema, não é a realidade. É um trabalho moroso, de conjunto, pensado, ensaiado, escrito, repetido, falso por natureza. Mesmo o cinema documental não é a verdade, mas quanto muito a visão de um autor da verdade, ou a visão que ele conseguiu transmitir.

Hoje em dia existem dezenas de filmes DOGMA, dos mais variados paises, de pessoas que "certificam" os seus filmes, sem terem ligação nenhuma ao projecto incial.

DOGMA é uma marca, desmascarou-se e assumiu aquilo que sempre foi.

2
Gracias

terça-feira, dezembro 06, 2005

Presidenciais: Round 1 - Silva vs Alegre


Ontem começaram os debates televisivo. O confronto inicial foi Sr. Silva e o poeta Alegre. Duas visões do mundo antagónicas, duas posições inversas, um homem de esquerda e um financeiro conservador de direita. Esperava-se uma acessa troca de ideias dado o percurso politico de cada um e o desnivel que as sondagens representam.
O debate começou, num tom cordial, morno, triste. O betão, a educação, pouco mais... O Sr. Silva só tinha uma ideia, não criar ondas, não dizer nada, como aliás tem sido seu apanágio durante toda a pré-campanha. É normal, quem tem 57% das intenções de voto não espera crescer, sabe que só pode piorar e portanto quer manter o status-quo. Do outro lado espera-se portanto uma reacção em força, de modo a abanar o barco, criar ondas, obrigar o debate, fazer baixar a guarda a quem tem tudo em princípio controlado.
E o que é que se viu? Nada. Nem uma ideia, nem uma posição de força, um confronto, nada. O poeta passou indiferente por uma hora de televisão, por um debate que mais parecia uma entrevista conjunta, uma conversa amena com os jornalistas. Apenas por duas vezes Alegre interpelou Silva. A primeira sobre a sua suposta independência, mas de uma forma ténue, fraca, quase febril, ao que o Sr. Silva respondeu “O sr deputado tambem gostaria de ter o apoio de um partido”. O ataque era certo, mas foi tão mal feito que o poeta Alegre passou por pateta alegre e invejoso ainda por cima. Da segunda interpelação saiu apenas que concordava com aquilo que o Sr. Silva tinha acabado de dizer... Alegre concordava... e por aí se ficou...
Mas que espanto... Alegre manso? Sem fibra, sem ideias, sem sem garra, sem nada... Mas porquê? Qual é a lógica? Simples, o pateta alegre só tem um propósito, não é derrotar a direita, não é ser presidente (ele que voltou a afirmar que dormia descansado se o Sr. Silva fosse eleito), o propósito do homem é passar à segunda volta, o propósito é tão só vencer Soares, entrar numa guerrilha pessoal. Se ele (palavras suas) quando foi contactado pelo PS não tinha grande ânimo para o cargo, qual será o seu ânimo agora? Despeito de rapaz ofendido! O problema é que o País não pode sofrer pelos amúos de um homem. Se Alegre é mole, frouxo, sem garra, sem espirito, que se chegue para o lado e deixe outros mais capazes tomar conta. Se não quer derrotar a direita então está a ajudá-la. Se assim é mais vale que fique calado.

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Fuerza Bruta


Sexta feira, 23 horas, entrava para a Toyota Box para ver um espectáculo multi-disciplinar made in Argentina, de dois dos criadores do De La Guarda e que sairam da companhia para avançar com um projecto próprio. Sempre me atraiu a ideia de desertores artisticos, fico com a sensação de alguém que se quer expressar criativamente e precisa romper para poder concretizar os seus projectos. Avancei confiante.
Fuerza Bruta é um espectáculo vibrante e muitas vezes surpreendente. Visualmente poderoso, envolve o público em cada acção, cada momento, tornando-o parte integrante do show. É uma obra de momentos e contrastes, inovadora e inteligente, capaz de nos transmitir as mais variadas emoções, colocando-nos em situações inesperadas, mesmo que a repetição de alguns números se torne, a espaços, redundante.
A ver...

De 8 de Novembro de 2005 a 18 de Dezembro de 2005
ToyotaBox - Docas Alcântara
Início espectáculo: 3ª a 5ª feira e Domingo às 22H00 / 6ª feira às 23H00 / Sábado às 20H00 e às 23H00
www.ticketline.pt


Pequena nota – preparem-se para estar de pé durante hora e meia e para se mexerem... q.b...

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Ivan, o Terrivel

Ontem passei a tarde com Ivan, o Terrivel. Passei a tarde com o menino que faz o pino no sofá e é irrequieto como uma libelinha. Ele que cinco minutos depois de entrar, com o suave embalar, o quentinho e a música, adormeceu no banco de trás do carro.
Ivan tem 3 anos mas parece ter 5, é grande, vivo e encontrou finalmente um lar. Tem uma familia com menos que umas mas mais, muito mais do que muitas. Ivan, o Terrivel, que dormia profundamente e mal abriu os olhos gritou feliz “Nemo”! Que escolheu e escolheu, que de olhos abertos fez força para que o principe virasse monstro e fez amizade com um ogre, um burro e um gato. Ontem passei a tarde com um menino que dos pesadelos está a aprender a sonhar e que se delicia com torradas de dedos gorduchos de manteiga. No caminho de volta, no trânsito da noite, ia repetindo perguntas como um jogo, ouvindo respostas como uma melodia e brincando como quem canta.Ontem conheci o Ivan, Ivan o Terrivel, menino rapaz que ganhou um futuro e persegue agora um mundo que nasce da sua imaginação.