segunda-feira, dezembro 19, 2005
sexta-feira, dezembro 16, 2005
Aos dois meses...

Há uma menina com menos de dois meses que foi abusada e violentada pelos próprios pais. Uma menina que já tinha ido parar diversas vezes ao hospital antes e que não foi retirada aos progenitores. Com menos de dois meses.
Aos dois meses as crianças estão a aprender a usar o pescoço e os ombros, começam pela primeira vez a salivar e a meter as mãos na boca, já tentam agarrar objectos e começam a sentar-se. A curiosidade é imensa, gostam de cores fortes, gostam de rostos, de sorrisos, de ouvir vozes... Aos dois meses estão a aprender a ser gente, a aprender a comunciar com o mundo que os rodeiam. Depende dos bébés, mas aos dois meses uma criança pode ter 50, 60 cm de tamanho, pesar 4 ou 5 kg... Aos dois meses... Aos dois meses eu tremia de medo ao pegar ao colo os meus sobrinhos... Aos dois meses a Matilde sorria, o Francisco dormia como um rei, o Lourenço era irrequieto, o Martim ainda não tinha cara de menino crescido, a Madalena já era grande e a Maria era linda...
Aos dois meses uma criança é um ser frágil, terno, mínimo, comovente, para quem se olha embevecido...
Aos dois meses não é humano tocar numa criança, aos dois meses não é animal tocar numa criança, que protegem os seus com uma ferocidade de morte. Não há ser sob o céu que toque num bébé aos dois meses...
E eu quando tiver filhos vou-lhes contar histórias de fadas e ogres, de principes e cavaleiros, de bruxas e monstros. Quando me perguntarem com olhos inquisidores e ávidos se os monstros existem mesmo, eu vou ter que responder que sim... que há criaturas neste mundo que não são Homens nem bichos... que há monstros que correm a Terra, mas descansá-los, mentindo, e dizer que eles estão longe...
Aos dois meses... para estes nem a Morte... só o castigo eterno dos deuses de antigamente...
Presidenciais: Round 7 - Louçã vs Sousa
Yawn, suspiro... na verdade... who cares?
Eu já decidi mesmo portanto...
quinta-feira, dezembro 15, 2005

Aos 16 vivia num mundo de certezas, de branco e preto, certo e errado. De convicções inabaláveis, de ideias e valores absolutos. Sabia dizer com exactidão as coisas que eu seria ou não seria capaz de fazer. Com o passar dos anos perdi o absoluto que me guiava, aprendi a relativizar situações, sentimentos, vivências e actos. A não extremar posições e a ponderar a minha capacidade de realizar o acto mais vil. Aprendi a não fazer promessas, a não jurar pelo futuro, a saber apenas o que sentia no momento, no dia e na hora, fossem quais fossem os planos no éter idealizados.
Hoje, uma década depois, recuperei a capacidade de afirmar categóricamente emoções, vontades, sentimentos, projectos. Reaprendi as certezas totais, porque, pela primeira vez na minha vida, elas se apresentaram perante mim, imensas, sublimes, magnânimes. Pela primeira vez eu vi aquilo em que tive em tempos fé e cheguei a julgar não existir na sua versão mais pura, mais completa, mais elementar, como se vislumbrasse directamente os olhos do eterno.
E caminho firme na poeira de que se fazem os sonhos...
quarta-feira, dezembro 14, 2005
Grandes respostas

Às vezes há tipos bestialmente irritantes, ou situações constrangedoras. Quantas vezes não me lembrei de respostas DEPOIS das coisas acontecerem, com aquela sensação do "Porra, eu devia era ter dito isto!!".
Aqui ficam duas de que gostei particularmente:
Dana Carvey, actor e comediante enquanto entrava para um evento e parava para as habituais fotografias foi intrepelado por um repórter do programa do Howard Stone que para o provocar atira contundente: "Costumas ver pornografia gay?" - resposta imediata - "Devo ver porque a tua cara não me é estranha!"
Winston Churchill numa festa de beneficiência foi abordado por uma senhora que lhe diz - "Se eu fosse sua mulher punha-lhe veneno no café!" - O Churchil num tom muito british responde - "E se eu fosse seu marido bebia-o!"
E embrulha!
Presidenciais: Round 5 - Silva vs Sousa
Pronto, este só apanhei pelo canto do olho e pedaços muito curtos. Voltei a ver só resumos e ouvir comentários. Mas sobre esses não escrevo. Dizia eu que ia ver os debates todos, que me ia informar... Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa...
terça-feira, dezembro 13, 2005
Presidenciais: Round 4 - Louçã vs Alegre
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Quarto debate televisivo, desta vez pude assistir. É verdade que não prometia ser dos mais interessantes, Alegre e Louçã não são própriamentes inimigos, mas enfim, como tenho falhado alguns lá prestei atenção a este.
O debate foi relativamente calmo, Louçã estava compreensivelmente mais comedido do que contra Silva, mas ainda num tom bastante afirmativo, mesmo que por vezes inconsequente, como nas referências a Alberto João. Mas não renega o seu passado e mantem-se coerente com os seus princípios, mostrando que tem uma ideia clara do que quer para o País.
Alegre esteve na mesma. Sem ideias, sem chama, sem vontade. Foi evasivo, indeciso e teve pelo menos dois momentos que resumem de uma forma clara a sua prestação. A primeira vez, quando interrogado sobre a possivel demissão de Alberto João do Governo Regional da Madeira, respondeu que se ainda não foi feito é porque ele poderia voltar a candidatar-se e portanto ser inutil tomar essa medida. Acrescentou que achava que no caso de demissão a pessoa não deveria poder voltar a candidatar-se pelo menos durante um periodo de tempo. Louçã interveio, discordando por causa das óbvias implicações na limitação da liberdade democrática que tal medida impunha. Vendo-se confrontado, Alegre diz que não disse o que disse (!) e que estava apenas a salientar que OUTRAS PESSOAS (!!) tinham debatido o assunto...
Numa segunda ocasião, questionado sobre o Procurador Geral, e sem saber que posição tomar responde “eu não me quero substituir ao Presidente da Républica”(!!!) Ai não quer? Pois eu pensava que queria. Cheguei até a supôr (estupidez a minha) que o homem se candidatava à Presidência da Republica e por isso estava naquele debate! Parece que não... Engano meu...Enfim... Foi apesar de morno, um debate esclarecedor acerca das bases fundamentais, da fibra de que é feito cada um dos candidatos
segunda-feira, dezembro 12, 2005
Slava

Slava está triste. Slava procura a morte e encontra-a. Slava vive no mais elementar de cada um de nós, na alegria, na ternura, no carinho, na dor. É um universo de sonho, imaginado por um palhaço russo, que ama, que sente, que transforma novos e velhos em crianças.
Slava Snow Show está de volta ao CCB. É o terceiro ano que cá vem e é o terceiro ano que o vejo. É um espectáculo de surpresa, de delicia, de interacção com quem assiste. É feito de pequenas nuances, de subtilezas, provando que não é preciso uma careta para rir, não é preciso uma história para nos prender, não é preciso o exagero para nos comovermos com os detalhes do dia a dia, com a alegria de uma criança que não consegue pular dentro de tempo, e persegue bolhas de sabão com uma rede de borboletas. Slava é o que mais de primordial existe, Slava é uma experiência no mundo frio e sonhado dos anjos...
Presidenciais: Round 3 - Silva vs Louçã
Uma vez mais não pude ver ao vivo. Mas li, ouvi comentários e vi resumos...
"Politico pequeno!", e como vi só resumo... nada mais a dizer...
sexta-feira, dezembro 09, 2005
Ai cruzes credo canhoto!!!

Mês de Dezembro está a ser para mim mês de espectáculos. Hoje vai ser O Bando e no Domingo Slava. Como estou a passar uns dias na minha casinha na Baixa, ao fazer a mala lembrei-me de ir buscar os bilhetes que tinha deixado cuidadosamente numa prateleira bem à vista no meu quarto em casa dos meus pais. Espanto máximo – desapareceram! Dois bilhetes bem caros, de plateia, com lugares escolhidos a dedo – sumiço! Pânico, horror, tragédia! Os bilhetes foram deitados ao lixo! Ai cruzes credo! Mas porque é que me mexem nos papeis?!?! Sim, estavam dentro de papel de embrulho, sim para quem não soubesse parecia papel vazio, mas NÃO MEXAM NAS COISA!!!! Ufffff.....
Calma, tudo se resolve... Vamos ligar para a Fnac do Chiado onde comprei os bilhetes... 15 minutos de espera... A música repete igual de 20 em 20 segundos e o Manchester tinha acabado de meter um golo... Neura... Ao fim de um quarto de hora a chamada cai! AAAAAAAARRRRRRRRGGGGGGGGHHHHHHHHHH!!!!!!!!! Ok, ok, calma, respira fundo, tenta de novo... Mais 15 minutos... e cai outra vez! AAAAAAAAAAAAARRRRRRRRGHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!! Pronto! Nem tudo está perdido. É ligar para as pessoas que conheces na Fnac. Chamada feita, tudo explicado, manda-se um mail com os dados todos e volta-se a ligar na sexta. Escreve mail, não escreve mail, perdi os dois golos do Benfica, mas ainda vi as repetições (SLB, SLB, SLB, SLB!!!)
Seja como for o melhor é ligar ao patrão da frente de casa do CCB (vantagens de se ter lá trabalhado) porque sei os lugares de cor e se não resolver o assunto ao menos entro e vejo o show. Tudo tratado, não há crise.
Aí lembrei-me... estou a resolver isto à moda tuguesa, com contactos e conhecimentos porque da forma normal tava dificil... tipico...
Hoje voltei a ligar ao camarada da Fnac. Tentei a via normal, para me passarem a chamada (abomino estas coisas dos favores de amigos). 15 minutos à espera... Cai a chamada! )=()(//()%%#!#$”$%”#$”&%&”(&/)
Ligo para o telemovel – desligado! $#”/&%”/#()#)=?#&#%/. Ligo mais tarde, atende e diz que não pode fazer nada... é o sistema... neste caso o informático. Bom... ok... obrigado na mesma. Safo-me pelo lado dos frente de casa. Seja como for, e por descargo de consciência ligo para a bilheteira do CCB só para ver se resolvia alguma coisa. Toca, espero 5 minutos, atendem amavelmente. Explico a situação – “Só um momento por favor.” – passado um minuto volta e diz-me para no dia do espectáculo me dirigir à bilheteira que serei acompanhado ao meu lugar!Assunto tratado rápida e cordialmente! Por uma vez fico surpreendido positivamente com um serviço prestado! Como dizia o outro, e esta hein?
Presidenciais Round 2: Soares vs Sousa
É pena mas não pude ver este... Na Baixa não tenho televisão...
quarta-feira, dezembro 07, 2005
DOGME 95

O movimento Dogma foi criado em Copenhaga por um grupo de realizadores dinamarqueses corria o ano de 1995. Era um movimento que reclamava um cinema "real", sem artificialismos, uma nova abordagem à Sétima Arte. O movimento regia-se por um conjunto de normas espartanas a que davam o nome sugestivo de Voto de Castidade, assinado por dois dos mais importantes fundadores do movimento, os realizadores Thomas Vinterberg e Lars Von Trier.
Do ponto de vista cinematográfico foram criadas obras interessantes, como o Mifune, Italiano Para Principiantes, ou principalmente Os Idiotas e A Festa (dos dois fundadores referidos).
A grande questão é que o Dogma é mais um golpe de marketing - eficaz, que projectou o até então desconhecido cinema dinamarquês para os grandes palcos mundiais - do que uma verdadeira revolução artística.
Para começar as regras auto-impostas do Voto de Castidade nunca foram cumpridas pelos próprios fundadores. Vinterberg é disso exemplo ao assumir ter quebrado algumas directivas durante a rodagem do Festen (A Festa).
O manifesto defende um ponto de vista que o próprio Von Trier (motor principal do Dogma) não defende nas suas obras. Exemplos disso são os brilhantes Europa, Dancer in The Dark, Breaking The Waves ou mesmo Dogville, obras que utilizam todos os recursos disponiveis no cinema, afastando-se o mais possivel da imagem "what you see is what you get" que o movimento quer preconizar.
O Voto de Castidade contradiz-se a si próprio ao impôr regras de teor estético e artístico e recusando aos autores a tomada de posições estéticas e... artísticas...
Por último a ideia de mostrar a "verdade", a "realidade", negando inclusivé a assinatura do projecto por parte do realizador é, em si só, absurda. A Arte, principalmente o Cinema, não é a realidade. É um trabalho moroso, de conjunto, pensado, ensaiado, escrito, repetido, falso por natureza. Mesmo o cinema documental não é a verdade, mas quanto muito a visão de um autor da verdade, ou a visão que ele conseguiu transmitir.
Hoje em dia existem dezenas de filmes DOGMA, dos mais variados paises, de pessoas que "certificam" os seus filmes, sem terem ligação nenhuma ao projecto incial.
DOGMA é uma marca, desmascarou-se e assumiu aquilo que sempre foi.



