Voltei!
Passou a correr foi uma semanita de pausa, de férias em Lisboa sem net nem nada... É mau deixar a Baixa mas bom voltar ao blog...
Passou a correr foi uma semanita de pausa, de férias em Lisboa sem net nem nada... É mau deixar a Baixa mas bom voltar ao blog...
Visita da praxe à familia. Do mal o menos, vivem apenas 5 andares abaixo, o que evita grandes deslocações, e permite as saidas oportunas, como a que acabei de fazer, enquanto lá em baixo o ruido continua elevado.
Primeira surpresa da noite, éramos 13 à mesa. A mim tanto me faz como me fez, mas foi motivo de algum burburinho e de se colocar o 14º prato, que seria o do menino Jesus - parece-me um pouco precoce um recem-nascido com prato à mesa, mas seja, não se vá atrair o azar.
Os meus seis sobrinhos - emprestados das minhas primas que sou filho único - tinham preparado comme d'habitude uma representação. Desta vez era ipc-orpc-urps, como lhe chamava a Madalena de 4 aninhos, ou hip-hop para o comum dos mortais. Fiquei boqueaberto, a música de revolta dos gangs negros sub-urbanos e pobres dos States, eram agora tema de performance para um grupo de miudos branquinhos e de olho claro dos 8 aos 4.
No final do jantar começa o espectáculo, com coreografia e tudo, até que a minha sobrinha mais velha - 8 aninhos apenas - tira o casaco revelando um top preto que lhe tapava 1\4 do corpo. Espanto na sala, mas a miuda achava aquilo giro e não faz puto de ideia porque é que as mulheres ou adolescentes usam tops daqueles. É o efeito Morangos com Açucar a dar frutos da pior maneira possivel. O ipc-orpc-urps acabou com um vôo da Matilde em direcção à esquina da mesa e uma choradeira acalmada pelo colo do avô, que lhe fez lembrar que afinal ela é mesmo ainda uma miuda pequena.
Chega a meia-noite e é a loucura dos presentes, 6 miudos rasgam vorazes as pilhas que, para facilitar a distribuição, foram feitas para cada um. Descobri que o que interessa não é a prenda mas o embrulho e o acto de o abrir, executado com a mestria de centenas de repetições. As prendas sucediam-se a um ritmo vertiginoso e skates ou calças tudo levava a mesma atenção - nula - e rapidamente era esquecido. Acabaram-se os montes com uma prestesa inusitada e incalculada dado o tamanho inical das pilhas...
E assim vai o mundo. Refugiu-me de novo em casa e espero por amanhã...

É vespera de Natal, e eu ainda por cá ando. E como é uma época festiva familiar resolvi vestir a roupinha que não sai do armário o ano inteiro, camisa às riscas azuis por dentro das calças, sapatinho vela, camisola de lâ aos losângulos cinzenta e azul... Pareço um betinho inglês imbuido do espírito natalício... E lá vai a troca de prendas, o jantar com os milhares de familiares, os sorriso forçados, os putos histéricos ao receber brinquedo após brinquedo...
E na TVI um filme apropriado à quadra, Comando com Schwarzenegger onde o nosso heroi se chama Matrix (!) e repete a sua frase favorita "I'll be back!" - Ai a época dourada do Cinema!
Meu Deus...

O peso da expectativa era quase insuportável, o último devaneio de Tim Burton estava prestes a chegar na linha de outras obras notáveis, nomeadamente The Nightmare Before Christmas ou o sub-valorizado James and the Giant Peach. A grande novidade é que,ao contrário dos anteriores, este Corpse Bride tinha Tim Burton directamente ao leme, co-assinando a realização.
Para mais esta aventura Burton contou com a colaboração de velhos amigos e parceiros artísticos, como Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Albert Finney ou Danny Elfman. São quilos, toneladas de talento que escorrem pelas paredes, os actores (as suas vozes) são impecáveis, os cenários delirantes, os bonecos de um desenho soberbo, a música como sempre fantástica, a luz é de uma perfeição extrema e tudo filmado com o génio, a irreverência, o humor,o toque de loucura de um inspirado Tim Burton. Onde o filme falha é incrivelmente na história. Apesar de contar com um trio de escritores onde se incluem John August - que já tinha co-escrito outros projectos do realizador como o soberbo Big Fish - e Caroline Thompson que tambem já tinha colaborado na obra-prima Edward Scissorhands, o argumento é muito fraco. Uma história com uma ideia base interessante - o casamento acidental de um homem com um cadáver apaixonado - bem desenvolvida ao nivel do ambiente e dos personagens, mas que se resolve de uma forma previsivel e com a complexidade de um miudo de 5 anos. Pequena, dura apenas uma hora e um quarto, parece escrita por um grupo banal e concretizada com pressa, apesar dos vários anos que o projecto demorou a ficar pronto. É pena ver tanto talento num projecto tão pouco capaz.
Mas esse talento merece por si só o bilhete, o filme vê-se com agrado e uma viagem à mente brilhante deste criador é sempre meritória.
Já chegou o meu sofá da sala!!!! E a minha modesta habitação na Baixa de Lisboa, naquela rua que está sempre carregada de carros - principalmente agora nesta época festiva - e que dá acesso à "odiada", começa finalmente a estar ocupada... É sem duvida alguma o mais bonito sofá que alguma vez foi fabricado, lindo, confortável, maneirinho, com um tecido incrivel, muito bem escolhido e que bate mesmo bem com o raio das paredes... O problema destas coisas é que quanto mais se tem mais se nota a falta do resto! Ele é as cadeiras, a mesa, os quadros, o móvel (baixinho) para pôr em frente ao dito sofá, ele é o escritório que está vazio, os apoios de cama, o espelho de pé, as molduras para os Toulouse-Lautrec (não são originais, mas gravuras que um gajo é pobre pois claro...), as fotos para o escritório, a mesa de tampo de vidro... E cada vez me parece mais vazia...
Mas devagarinho, mesmo assim, vai-se compondo...

Já está! Ontem consegui a prenda da minha mãe, hoje acabei tudo o que tinha para fazer para os Canais - passo a publicidade mas o Natal do Premium é bombástico - e só me falta um toque final para a prenda da Ana, mas se não arranjar não é grave, era só um toque mesmo.
Vou de férias, só volto a trabalhar no dia 2 de Janeiro - ah pois é! - e não tenho a certeza que volte aqui antes disso. Portanto, e para prevenir, fica aqui o Feliz Natal da praxe e um Grande 2006 para todos!
E parafraseando um blogger daqui do lado: Dika da minha estante:


A história já vem longa e o jantar de bloggers já está para ser marcado há dois meses - não vou pôr agora os links para os posts todos, quem quiser que vá procurar. Com o Presidente e (grande) autor a tomar conta da iniciativa larguei a organização. Agora, devido a circunstâncias superiores à sua vontade, o Jota resignou, sendo eu nomeado para Presidente da AJBNTMNFETO (Associação dos Jovens Bloggers que Não Têm Mais Nada que Fazer que Escrever Textos Online), com a Mary Mary como second in command.
Como tal e após a cerimónia de tomada de posse elejo como prioridade da nova administração a marcação do esperado jantar. Como atravessamos a época das festas, deixo para o início de 2006 a realização do evento.
Será feito! Desta é de vez!
Ontem fiz a minha primeira aula de yoga a pares. O João (que é o instrutor) resolveu juntar-nos dois a dois e fizemos a hora toda assim. Fiz parelha com uma rapariga que apenas conheço de vista e que nem sei o nome. De repente agarrava-lhe nos braços, colava o corpo, seguia as instruções de "juntem as nádegas às do vosso parceiro". Mas o que mais me fez confusão foi estar aquele tempo todo de mão dada. Precisava de agarrar na rapariga para todos os exercicios e a primeira instrução era sempre dêem as mãos. E ali ficavamos de mãos dadas a ouvir o que ele dizia. Era esse o tempo que me fazia confusão , porque enquanto se puxa e se estica tudo bem, agora o ficar de mão dada, calmos, parados em frente um do outro, foi estranho. Chamem-me tacanho, mas eu só costumo dar as mãos a pouquissimas pessoas. Uma ou outra amiga particular, a minha mãe e a minha namorada compõem a lista completa. Dar as mãos, por mais banal e vulgar que seja, é um acto de intimidade, até de algum carinho, principalmente quando se está quieto, parado, sem fazer força - no caso de se fazer força é apenas agarrar nas mãos e não dar as mãos...
Na aula de Yoga de ontem fiquei a pensar nos limites do meu corpo (que não estica como devia) mas tambem nos limites que impomos aos corpos dos outros e aos espaços invisiveis que são nossos e nos seguem para onde vamos...
Ontem foi o solestício de Inverno, o dia mais curto do ano e a mudança de mais uma estação. Eu que deixei passar o marco, estava à espera de sentir algo diferente, numa das poucas datas mi(s)ticas que ainda existem, mas ontem foi apenas mais um dia...
Eu nunca acreditei no Pai Natal, nunca me disseram que existia e eu nunca perguntei. Quando contei isto a uns colegas responderam-me que isso explicava o facto de eu “ser assim”... Aí está uma verdade indiscutivel, eu sou “assim” seja lá isso o que for, e muito honestamente não vejo qual é a grande vantagem de se acreditar no gordo da Coca-Cola. Não me venham com a treta da inocência da infância, que se é para ter mitos então prefiro acreditar em fadas, ou bruxas, em amigos imaginários ou duendes no esgoto dos WC públicos...

Sim, passei por cima dos rounds 8 & 9, mas tambem não os vi e já estava farto de posts a dizer "não vi, não sei..."
Este era o mais esperado debate dos 10 entre dois dos maiores dinossauros da politica nacional, com tudo o que isso tem de positivo e negativo. Soares foi, como se esperava, agressivo. Tem uma desvantagem significativa para o Silva em termos de intenções de votos e precisa ganhar terreno desesperadamente. Em parte conseguiu o seu propósito, mas sem noção dos limites. Mostrou - como se isso fosse novidade - que o Sr. Silva é um homem limitado, sem visão global do País e do Mundo, sem capacidade de raciocinio para além do pequeno quadrado financeiro onde se insere. É curto, tacanho e inexistente para alem das limitadas competências técnicas. Isso é grave para um Presidente da República, que precisa de uma compreensão aprofundada da realidade e de uma capacidade de concertação e arbitrio entre as diversas instituições. Desmascarou algumas das demagogias do Sr. Silva e expôs para qualquer um vêr as fraquezas do seu magro raciocínio.
No entanto Soares em alguns momentos perdeu a noção dos limites, da elegância, chegando a um ponto do quase insulto, com um paternalismo despropositado, a que o Sr. Silva não soube reagir, tolhido nos movimentos como um aluno perante um professor.
Acabaram os debates, pausa para Natal, veremos o que sucede em 2006...
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Ontem lá estive a conhecer a terceira familia no jantar da Joana a quem demos um anjo e um demonio para lhe guardar os queijos e sopas. Que sucesso fizeram aqueles home-made e muito orgulho tive em fazer bolinhas e dar ideias, porque a minha destreza manual não dá para muito mais.
Quando a meio da noite vi uma montagem (bem interessante por sinal) o meu olhar prendeu-se numa boneca de porcelana. Fiquei parado e deu-me aquela vontade de escrever, como uma ânsia que me percorre os dedos. Papel não havia, mas improvisado um talão só para resgistar no verso do café e da Super-Bock as linhas gerais da história que se formava na minha cabeça (com banda sonora, ângulos de câmara e tudo como sempre).
Frenético, numa letra que nem eu mesmo consigo decifrar assentei o que me vinha e as dúvidas que me assolavam – quem é a menina, o que lhe aconteceu, que passado tem para contar??? – para no fim ma bater com força. Isto parece o The Portrait of Dorian Gray revisitado. Merda, que de Oscar Wilde não tenho nada...
Desisto, ideia para o lixo... Ou talvez não... similar mas inverso na forma, é contudo distinto no seu conteúdo. A história é outra, a vida é outra e a transferência é inclusivé a inversa, a beleza para as obras e não o contrário... As referências estão lá, são mais que óbvias, mas não são mais que referências. Tenho que desenvolver este argumento para vêr como sai.
O meu problema é sempre o mesmo, muitas ideias e pouca concretização, a começar pela nossa monga-lésbica-desléxica-atrasada-infantil- incestuosa moça não é Martinha? (que não lê quase este blog, mas seja...)Preciso que me amarrem e me obriguem a escrever. Preciso conhecer melhor as técnicas... Preciso até de um curso de escrita criativa, ou escrita de argumentos para principiantes... Módulo I – para se ser um bom escritor é preciso ESCREVER! E eu que não aprendo...

Estreou na passada quinta feira o tão aguardado re-remake King Kong de Peter Jackson. Com um custo de produção de 207 milhões de dólares, um valor desmesurado mesmo pensando ao mais alto nivel da indústria (O Senhor dos Aneis - A Irmandadade do Anel custou 93 milhões, Guerra das Estrelas Episódio III 113 milhões e o último Harry Potter custou 150 milhões).
O filme é desiquilibrado, toda a primeira hora passada em Nova Iorque nos anos 30 é muito boa, visualmente poderosa, os pormenores são fantásticos e a construção dramática coesa. O problema aparece quando Kong rapta a sua bela (Naomi Watts) e desaparece na selva. Assiste-se a uma orgia de efeitos especiais e sequências de acção (dinossauros, insectos gigantes e outros seres que tais), desfilam ininterruptamente justificando as três horas de filme e o custo. No entanto dramáticamente são redundantes e alongam o filme de uma forma desnecessária.
Seja como for, a abordagem à relação entre Kong e a sua amada é inovadora, o animal tem pela primeira vez verdadeiras emoções humanas, expressões, sentimentos. Peter Jackson tinha um excelente filme de duas horas e transformou-o num filme razoável de três.
Merece, mesmo assim, um visionamento numa sala que potencie o espectáculo...

Há uma menina com menos de dois meses que foi abusada e violentada pelos próprios pais. Uma menina que já tinha ido parar diversas vezes ao hospital antes e que não foi retirada aos progenitores. Com menos de dois meses.
Aos dois meses as crianças estão a aprender a usar o pescoço e os ombros, começam pela primeira vez a salivar e a meter as mãos na boca, já tentam agarrar objectos e começam a sentar-se. A curiosidade é imensa, gostam de cores fortes, gostam de rostos, de sorrisos, de ouvir vozes... Aos dois meses estão a aprender a ser gente, a aprender a comunciar com o mundo que os rodeiam. Depende dos bébés, mas aos dois meses uma criança pode ter 50, 60 cm de tamanho, pesar 4 ou 5 kg... Aos dois meses... Aos dois meses eu tremia de medo ao pegar ao colo os meus sobrinhos... Aos dois meses a Matilde sorria, o Francisco dormia como um rei, o Lourenço era irrequieto, o Martim ainda não tinha cara de menino crescido, a Madalena já era grande e a Maria era linda...
Aos dois meses uma criança é um ser frágil, terno, mínimo, comovente, para quem se olha embevecido...
Aos dois meses não é humano tocar numa criança, aos dois meses não é animal tocar numa criança, que protegem os seus com uma ferocidade de morte. Não há ser sob o céu que toque num bébé aos dois meses...
E eu quando tiver filhos vou-lhes contar histórias de fadas e ogres, de principes e cavaleiros, de bruxas e monstros. Quando me perguntarem com olhos inquisidores e ávidos se os monstros existem mesmo, eu vou ter que responder que sim... que há criaturas neste mundo que não são Homens nem bichos... que há monstros que correm a Terra, mas descansá-los, mentindo, e dizer que eles estão longe...
Aos dois meses... para estes nem a Morte... só o castigo eterno dos deuses de antigamente...