Cheguei a esta brilhante conclusão. A culpa (principal) do aumento exponencial das taxas de divórcio é das mulheres. Ouvi diversas explicações, o stress da vida moderna, o tanto-faz com que se toma uma decisão destas, os problemas financeiros, yada, yada, yada... A verdade é que as mulheres hoje em dia são instruidas, cultas, pensam, trabalham, têm cursos superiores e já não estão para aturar as tretas que sempre aturaram ao longo da História. As mulheres hoje não se contentam apenas com um marido, querem um companheiro, alguem que as apoie e partilhe realmente uma vida. Até agora bastava a familia, bastava o apartamento mobilado, bastava a estabilidade. Com esta mudança nas expectativas femininas mudam tambem os seus comportamentos. Já não ficam em casa, já não dizem que sim a tudo, já não trazem os chinelos, já não têm o jantar pronto, já não tratam sozinhas dos filhos. Como tal, os homens já não têm aquilo a que tradicionalmente foram habituados. E ainda bem...
Ok pronto... escolhi este título para que começassem a lêr, na verdade não é das mulheres, mas da mudança das mulheres e da falta de mudança dos homens. Passo a explicar...
A questão é que a socialização, apesar de estar em mudança, ainda se mantem num patamar bastante retrógrado. Aquilo com que se entope a cabeça masculina acerca do ideal de mulher ao longo de anos e anos de crescimento ainda não mudou assim tanto. A base contínua a ser a apreciação do corpo e já agora dos dotes domésticos. Primeira pergunta que se faz quando alguem diz que arranjou namorada :"É gira?". Não é um aborto! Apaixonei-me pelo Monstro da Lagoa Negra! Mas que obsessão é essa com o protótipo silicónico de beleza? É claro que normalmente a paixão envolve uma atracção física, as coisas costumam estar interligadas, é dificil criar uma relação com alguem que nos repugna, mas desde quando é que isso é o mais importante? Desde quando é que isso é o suporte seja do que for? Mas se a base não é essa então qual é? A personalidade, os interesses comuns? A pessoa? Então digam-me, quantos homens é que têm amigas mulheres? Mesmo, não é amizades banais, namoradas de amigos, mas sim amigas no seu círculo íntimo, daquelas a quem se liga para ir à bola, ou desabafar, ou chorar (se isso não puser em causa a sua masculinidade...)? Os homens ainda têm quase só amigos homens e as mulheres amigas mulheres. As expectativas criadas com anos e anos de conversas, piadas, filmes e inibições ainda são muito similares. Quantas vezes não se ouve a mesma frase "Lá acabou a liberdade hein?" - "Despedida de solteiro é a tua última noite como homem livre!" - Última? Mas se se vão casar não será suposto querem partilhar a vida com aquela pessoa mais do que com qualquer outra? O bem-bom devia estar a começar nesse dia e não a acabar.
Mas para isso é preciso que exista verdadeira partilha. Mas como criar? Se em média as verdadeiras ligações de amizade são com pessoas do mesmo sexo? Como partilhar a VIDA, se nunca se partilhou uma amizade verdadeira, séria? Espera-se criar uma ligação profunda com uma mulher quando começa o namoro, sem nunca se ter tido uma ligação a mulher nenhuma que seja verdadeiramente forte?
Com a emancipação das mulheres a única solução é os sexos criarem laços sinceros EXTRA-romance, que um homem e uma mulher tomem um copo sem que se ache que existe ali algum tipo de clima ou de engate. Que quando eu digo que tenho mais amigas que amigos não achem que eu devo ser algum tipo de Casanova de segunda classe. É preciso queimar os esteriótipos, destrui-los, enterrá-los.
Felizmente atravessamos apenas um período de adaptação e não uma fase crescente em que às tantas nenhuma relação dura...