quinta-feira, janeiro 12, 2006

"Para que são criadas as leis? As leis são uma reacção a uma acção adversa para a sociedade. Portanto o crime existe antes da lei..."

O grito do peixe

Tive medo, é verdade, tive medo. Esta semana tenho tido algum azar de cada vez que saio de casa. Foi o ZDB que não gostei nada, o Odete pelo mesmo caminho e só me lembrava da velha frase "não há duas sem três".
Ontem fui ao CCB ver a última criação de Clara Andermatt, O Grito do Peixe. Este foi um espectáculo criado a convite da Faro Capital Nacional da Cultura e tinha como permissa base a participação de alunos de uma escola de Olhão. Quando se fala em trabalhar com crianças, principalmente crianças sem formação artística específica como estas, correm-se diversos riscos. Para começar, existem limitações óbvias áquilo que elas podem e conseguem fazer, por outro lado um projecto deste tipo envolve muito tempo de ensaio e não é fácil manter um grupo de miudos atentos e interessados, principalmente quando se fala de dança contemporânea, sem nenhum tipo de estrutura narrativa que pudesse cativa-los. Existia portanto o sério risco de se desenhar algo ou perfeitamente banal e monótono ou um engano, em que na verdade os miudos fossem mais um adereço do que uma parte integrante e activa da coreografia. Para mim foi uma surpresa. Para começar é um pouco reduto chamar a O Grito do Peixe um bailado, tem elementos muito fortes cénicos, de teatro quase, artes circenses em alguns momentos e principalmente musicais, com uma banda rock com duas baterias em palco, sendo elementos participativos na coreografia e não só suporte sonoro.
Foi uma performance enérgica, gutural, carregada de sentimento, de entrega, da utilização dos corpos como elemento plástico individual, mas principalmente como massa de conjunto, em movimento constante, atingindo momentos brilhantes e inclusivé emocionais.
Com este espectáculo para mim "à terceira foi de vez"!
O grito do peixe foi um grito vibrante...

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Atelier de teatro criativo

A semana passada soube da existência de um atelier de teatro criativo dado pelo Pedro Wilson (actor e encenador que passou por companhias como a Comuna), que durava apenas um mês, onde se iriam desenvolver diversas técnicas de uma forma em princípio lúdica e criativa. Depois de alguma hesitação e do apoio da minha namorada e da minha mãe lá me inscrevi. Ontem foi a primeira aula.
Cheguei eram dez para as sete ao auditório do Clube PT na Alameda de Linhas de Torres, a dez minutos do inicio não estava ninguem à porta e lá dentro estava apenas o Carlos, um homem magrinho dos seus quarenta anos. Pensei... tramei-me! Vou aturar isto com dois ou três gatos pingados... Felizmente o pessoal foi chegando com pouca pontualidade e fomos 25 no total, quase tudo abaixo dos 30 e quase tudo mulheres. A primeira sessão foi principalmente sobre o corpo, o conhecimento do nosso e dos outros com diversos exercícios, num clima de descontração e boa-disposição que se esperava. Acabou com mini-mini representações de dois minutos cada, com grupos de 6 pessoas, a improvisar um teatro infantil. Com 5 mulheres no meu grupo fiz de Gata Borralheira!
Começou bem e parece-me vir a ser uma experiência interessante, espero não me viciar...

Odete

Odete é a segunda longa metragem de João Pedro Rodrigues, a seguir ao controverso "O Fantasma" onde o cineasta continua a explorar o universo gay no seu lado mais cru e muitas vezes carnal. Odete é a história de uma mulher obcecada por ter um filho, que transfere a sua loucura numa fixação doentia por um vizinho homossexual que morreu num acidente. Nos outros vértices deste drama estão Rui e Teresa, respectivamente namorado e mãe do defunto.
Este é um filme falhado, à excepção de Teresa Madruga ninguem no elenco tem pedalada para as emoções que a fita exige. Ana Cristina Oliveira funciona quando está calada, tem presença e expressão corporal adquiridas no seu trabalho de modelo, mas quando abre a boca é de um histerismo inacreditável. Nuno Gil (Rui), na sua estreia como actor, parece ter levado com uma pá na cabeça e estar a tentar recuperar os sentidos ao longo de todo o filme. Bem sei que é um personagem atormentado, mas convenhamos... não é desculpa!
João Pedro Rodrigues falha em construir uma narrativa credivel, as acções de Odete são sempre despropositadas e incrivelmente exageradas, levando o espectador a um catolicismo exasperante com constantes exclamações de "Pelo amor de Deus!" ou " Virgem Santissima não acredito!". A desculpa da demência e da dor dos personagens serve para justificar toda e qualquer acção, por mais disparatada ou inconsequente que seja. O filme pretende transmitir obsessão e desespero, mas acaba por transmitir sono e incredulidade.
Pequeno reparo final para o trabalho fraquissimo sobre o som, inexistente na maioria dos casos, com alguma música metida a martelo que é cortada sem apelo nem agravo, de uma forma brusca e precipitada entre cenas...

terça-feira, janeiro 10, 2006

Culpa dos divórcios é das mulheres!

Cheguei a esta brilhante conclusão. A culpa (principal) do aumento exponencial das taxas de divórcio é das mulheres. Ouvi diversas explicações, o stress da vida moderna, o tanto-faz com que se toma uma decisão destas, os problemas financeiros, yada, yada, yada... A verdade é que as mulheres hoje em dia são instruidas, cultas, pensam, trabalham, têm cursos superiores e já não estão para aturar as tretas que sempre aturaram ao longo da História. As mulheres hoje não se contentam apenas com um marido, querem um companheiro, alguem que as apoie e partilhe realmente uma vida. Até agora bastava a familia, bastava o apartamento mobilado, bastava a estabilidade. Com esta mudança nas expectativas femininas mudam tambem os seus comportamentos. Já não ficam em casa, já não dizem que sim a tudo, já não trazem os chinelos, já não têm o jantar pronto, já não tratam sozinhas dos filhos. Como tal, os homens já não têm aquilo a que tradicionalmente foram habituados. E ainda bem...
Ok pronto... escolhi este título para que começassem a lêr, na verdade não é das mulheres, mas da mudança das mulheres e da falta de mudança dos homens. Passo a explicar...
A questão é que a socialização, apesar de estar em mudança, ainda se mantem num patamar bastante retrógrado. Aquilo com que se entope a cabeça masculina acerca do ideal de mulher ao longo de anos e anos de crescimento ainda não mudou assim tanto. A base contínua a ser a apreciação do corpo e já agora dos dotes domésticos. Primeira pergunta que se faz quando alguem diz que arranjou namorada :"É gira?". Não é um aborto! Apaixonei-me pelo Monstro da Lagoa Negra! Mas que obsessão é essa com o protótipo silicónico de beleza? É claro que normalmente a paixão envolve uma atracção física, as coisas costumam estar interligadas, é dificil criar uma relação com alguem que nos repugna, mas desde quando é que isso é o mais importante? Desde quando é que isso é o suporte seja do que for? Mas se a base não é essa então qual é? A personalidade, os interesses comuns? A pessoa? Então digam-me, quantos homens é que têm amigas mulheres? Mesmo, não é amizades banais, namoradas de amigos, mas sim amigas no seu círculo íntimo, daquelas a quem se liga para ir à bola, ou desabafar, ou chorar (se isso não puser em causa a sua masculinidade...)? Os homens ainda têm quase só amigos homens e as mulheres amigas mulheres. As expectativas criadas com anos e anos de conversas, piadas, filmes e inibições ainda são muito similares. Quantas vezes não se ouve a mesma frase "Lá acabou a liberdade hein?" - "Despedida de solteiro é a tua última noite como homem livre!" - Última? Mas se se vão casar não será suposto querem partilhar a vida com aquela pessoa mais do que com qualquer outra? O bem-bom devia estar a começar nesse dia e não a acabar.
Mas para isso é preciso que exista verdadeira partilha. Mas como criar? Se em média as verdadeiras ligações de amizade são com pessoas do mesmo sexo? Como partilhar a VIDA, se nunca se partilhou uma amizade verdadeira, séria? Espera-se criar uma ligação profunda com uma mulher quando começa o namoro, sem nunca se ter tido uma ligação a mulher nenhuma que seja verdadeiramente forte?
Com a emancipação das mulheres a única solução é os sexos criarem laços sinceros EXTRA-romance, que um homem e uma mulher tomem um copo sem que se ache que existe ali algum tipo de clima ou de engate. Que quando eu digo que tenho mais amigas que amigos não achem que eu devo ser algum tipo de Casanova de segunda classe. É preciso queimar os esteriótipos, destrui-los, enterrá-los.
Felizmente atravessamos apenas um período de adaptação e não uma fase crescente em que às tantas nenhuma relação dura...

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Projecto em Execução

Tinha visto na Sic Noticias uma reportagem sobre esta peça, o Y do Público fez-lhe uma recepção entusiasta e ouvi uma recomendação do irmão de uma amiga. Este fim de semana resolvi fazer uma visita a este projecto que é uma colaboração entra a ZDB e a Mala Voadora.
"Três "amigas-actrizes" juntam-se para jantar. O encontro repete-se três vezes, na casa de cada uma delas. De repente, aqueles momentos de intimidade saltam para o palco e vão-se revelando aos nossos olhos. É assim o Projecto de Execução da Mala Voadora, que estreia esta quarta (21.30), no espaço Negócio da Galeria Zé dos Bois (ZDB), Lisboa.Os jantares fazem-se objectivamente, com os gestos e acções próprias das acções que têm de ser levadas a cabo, e fazem-se afectivamente, nas palavras e nas conversas de uma cumplicidade entre amigas. E a peça faz-se com os mesmos ingredientes, numa "cozinha síntese" que resume as conversas, o ambiente e os objectos das três refeições que aconteceram na realidade. Existe uma "transformação da matéria em espectáculo", segundo explica ao DN Jorge Andrade, da Mala Voadora." - assim começa o texto do DN sobre o projecto. O que ninguem menciona é que estamos perante uma fraude. O início do espectáculo é prometedor, a utilização dos sons e dos cheiros de uma cozinha na escuridão do espaço Negócio fazia prever uma abordagem interessante a uma temática teoricamente banal. As projecções de imagens e o jogo côr-sombra se não eram originais eram pelo menos imaginativas. O pior é que nesta peça - e uso o termo com reticências - de uma hora, passamos pelo menos meia hora com as actrizes - mais reticências - a passear pelo palco de uma forma mecânica, sem motivo nem finalidade, sem expressão dramática nem beleza plástica. Pura e simplesmente estavam lá, numa tentativa de serem retro-experimentais, num abuso do vale tudo em nome da pseudo-inovação. Quando finalmente abrem a boca são de uma banalidade atrós, sem uma ideia, um gesto, uma frase que merecesse o mínimo de atenção. No final acabam a jantar e eu a pensar que com estes seis euros mais valia ter ido comer um bacalhau à braz...


Projecto de Execução
Mala Voadora
Jorge Andrade, autoria;
Anabela Almeida, Cláudia Gaiolas e Teresa Ferreira, interpretação.
de 2006/01/04 até 2006/01/21
Qua a Sáb: 21h30
Peça que se desenvolve em torno de três amigas, todas actrizes, que se encontram para preparar um jantar.
Preço dos bilhetes: 6,00 €

Post rápido que tenho a Ecofilmes e a Columbia para tratar...

Diálogo entre um casal coquete dos seus trinta e poucos que ouvi enquanto esperava um elevador num hotel no Chiado:
- Sabes que a (não me lembro dos nomes portanto vou inventar) Mariana e o Lourenço alugaram aqui um quarto no hotel para conversar, mas só para conversar percebes?
- Ah sim?
- Pois, mas não vieram quando se lembraram que isso era nas vésperas do seu casamento, ficava mal...
- Claro...


?????????????? (e não é que devo viver noutro planeta mesmo...)

sábado, janeiro 07, 2006

Tão poucochinho...

A Sic Noticias está a transmitir uma série de entrevistas aos candidatos presidencias, com um formato bem interessante. Em vez do normal pergunta-resposta num estúdio, o entrevistador e o entrevistado passeam por entre locais que dizem algo ao candidato, da residência, local de trabalho, sitios favoritos entre outros. Ontem vi o Sr. Silva. Apenas um apontamento. Perguntaram-lhe o que achava do facto de ser atacado como um homem sem cultura. Respondeu que a definição de cultura é mais abrangente do que a normalmente usada. Se procurar no Google... No Google? Brutal! Que moderno!
Continuaram as perguntas:

  1. último livro que leu? Foi sobre o terramoto, mas não vou dizer qual era para não descriminar os autores de livros que eu não menciono (hum... deve pensar que existem 5 autores no total e que todos querem ser mencionados)...
  2. último filme? Vou com o meu neto ao cinema, vi o Nemo, o Xereque (o quem? AH o Shrek, tá bem... mas o homem é um cinéfilo!)
  3. última peça de teatro? Ao teatro vou menos (menos que o quê? que os livros que não lê ou que os filmes que não vê?). A última que vi foi naquela companhia da Praça de Espanha (azar! há logo duas na Praça de Espanha, mas deve ser o Teatro Aberto, porque na Comuna não creio que fosse!)

E o tramado é que um tipo não quer que o representante máximo da nação seja um tacanho, seja um gajo tão... poucochinho...

sexta-feira, janeiro 06, 2006

To M

Este vai para uma amiga de contrastes, que conheci ontem , mas na verdade noutros tempos, que é mãe e filha, miuda e vivida, hi-society e BE, que conhece meio mundo, que quer correr meio mundo, que sonha com o estrangeiro e gosta de Lisboa, que diz as coisas de peito aberto e fala de tudo como se não fosse nada, que não pode com os cheiros fortes, os pós e os fumos, que é intensa e descontraida, sensual e tímida, leoa aguerrida e frágil insegura, que conversa, conversa, conversa e me dizia surpresa a rir "Miguel, estamos a ficar intimos!", que saiu a correr da minha casa por causa do verniz posto de fresco, que parece de Coimbra mas não é, que gastou horas e horas a teclar disparates comigo no messenger, que atura tudo por causa da filha, que passa por tudo por causa da filha, que enfim... adora a filha, que tem uma filha que merece essa dedicação, que tem irmãos e meios-irmãos e quase irmãos e (safa...) nem sei mais espalhados por todo o lado, que fotografou e escreveu, fez e aconteceu, e resolveu ir tirar um curso quando sentiu a sua falta, com quem já ri, sorri e desabafei, que tem aparelho, borbulhas (que está a perder) e a idade de Cristo, que tem sentido de humor e saber estar, que agora para juntar a tudo... é doutora!
Parabens!

E no meio disto tudo passou muito pouco tempo...

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Mensagem de ano novo - para desanuviar... (reescrito)


"Que as pulgas de mil cães vadios infestem o cu daqueles que vos lixaram o ano todo e que os seus braços encolham de forma a não poderem coça-lo!"

Vergonha Reloaded

Reloaded talvez não, é mais explained. Para começar, John como podes ter visto no meu comentário o post anterior não se passou comigo, aliás dificil seria, porque como sabes não tenho filhos e eu falo do abandono do lar por parte de um homem. Haveria sempre a hipótese gay, mas essa está descartada, e aí é que os filhos não fariam sentido mesmo.
Houve alguem muito chegado a mim que foi deixada, de repente, com filhos pequenos nos braços, trocada por uma besta de segunda e com contornos muito feios, vergonhosos mesmo, que me abstenho aqui de desenvolver. Soube isto ontem, estava a sair de casa para ir para o Yoga quando soube, fiquei a falar sobre o assunto e perdi a aula. Há duas semanas que não vou e fazia-me mesmo falta quer fisica quer animicamente.
O meu problema é que sou um romântico. Com esta idade e nesta época mas eu sou um romântico. Acredito no amor, na confiança, na partilha absoluta, na cara-metade. Pior ainda, eu acredito que há bases minimas no comportamento humano, que há niveis abaixo dos quais a pessoa não desce e tenho dificuldade em compreender certas atitudes. Não falo em desculpar ou sequer empatizar, mas compreender como é possivel, como é que alguem consegue acordar no dia a seguir, como consegue viver consigo mesmo. Se juntarmos a isto o facto de ter um sentido muito apurado dos meus, daqueles que me são próximos, sejam amigos seja familia, agrava ainda mais a minha reacção. Ontem fiquei irritado, magoado, incrédulo. Ontem soube que uma familia muito próxima de mim ficou de repente desfeita de uma forma cruel, repentina. Fiquei a saber que pessoas que estão na minha intimidade afinal têm uma falta de carácter imensa, são verdadeiras bestas. E espero que ele sofra... mesmo...muito...

PS - Para que se esclareçam as duvidas que um comentário criou... eu tenho mais que uma mary a comentar-me o blog...

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Vergonha na cara!

Detesto frases feitas,detesto preconceitos, detesto generalizações, mas por vezes,perante a vida, apetece-me gritar em plenos pulmões! Os homens são uns cães!!!! Bem sei que sou homem, bem sei que estes rótulos são imbecis, mas há gente, há situações que se repetem, que acontecem vezes sem conta e me fazem ter vergonha de ser do mesmo género que certas pessoas. Filhos da puta! Mimados, imbecis, imaturos, egoistas! Deviam ser presos! Como podem ser tão cabrões, tão cegos? Qualquer relação pode acabar, tudo pode ter um fim, é normal, mas há coisas que não se acreditam, há coisas que não se aceitam! Os homens são cabrões? Não, porque estes pulhas não chegam a ser homens! Um homem a sério não mente, não engana, não foge! Um homem não fode pelas costas uma puta qualquer, um rabo de saia de merda que nem vale o preço das cuecas que despe! Um homem trata dos seus, trata dos filhos! Dos seus filhos, que ainda crianças não têm culpa que o pai seja uma besta! O amor acaba, as relações acabam, mas um homem lida com isso com tomates e resolve as situações com cabeça, com paciência, com compaixão, com cuidado. Um homem não pisa, não destroi vidas assim, num capricho!
... e que ninguem cometa o erro de hipotecar a sua vida por causa de uma relação. O Amor é algo único, mas sempre podendo cada um de nós fincar os pés no chão e sobreviver pelos nossos meios!

Palavras assim


Um tipo tenta e descobre que não consegue, falta-lhe o dom, o engenho, o talento e, no meu caso específico, até o número de livros lidos para poder usar com arte a palavra. Para quem me conhece pode parecer um pouco estranho. Nunca tive dificuldade em me expressar verbalmente e tenho a infeliz mania de escrever. Pode-se dizer que escrevi com regularidade a maior parte da minha existência, aos onze anos lembro-me de ter feito o meu primeiro texto, sem contar obviamente com tudo o que se faz no âmbito escolar. A escrita tornou-se numa constante, durante toda a minha adolescência passou a ser inclusivé o único escape que encontrei, a forma de manter a minha sanidade mental. É interessante hoje reler os meus velhos textos e perceber a evolução que ocorreu dos 11 aos 22. Desde então o teor do que escrevo mudou radicalmente. Acabaram-se os textos pessoais, virei-me para a ficção, argumentos nunca filmados, na verdade nunca acabados, e meia duzia de críticas de cinema numa tentativa vã de começar a escrever num jornal (estive perto, muito perto, mas infelizmente morri na praia). Desde Agosto que comecei um outro tipo de escrita. Menos cuidada, apressada, quase oral. Uma espécie de mini-diário público, este blog. Diário nem sempre totalmente aberto, honesto sim, mas escolhido, cuidado, que existem partes de mim que não são para escrutínio geral, que são só minhas. Raramente menciono os nomes das pessoas que me rodeiam, e muito, mas mesmo muito raramente falo da minha relação ou daqueles que me são mesmo chegados, pelo menos de uma forma explícita, com data e hora.
Posso dizer que tenho uma relação próxima com as palavras, apesar da mediania daquilo que eu próprio escrevo, já ouvi ou li um pouco de tudo, das maiores barbaridades às grandes declarações de amor, do insulto mais abjecto à mais subtil poesia.
Contudo, por vezes, sou surpreendido por pequenas palavras. Ontem ouvi oito pequenas palavras, nem especialmente diferentes, inovadoras ou que me revelassem algo que eu não soubesse já ou pelo menos fosse sabendo. Foram oito pequenas palavras e, de repente, apeteceu-me rir como uma criança. Oito pequenas palavras e a felicidade invadiu-me a jorros, sem medo nem pedir licença Há palavras assim...

terça-feira, janeiro 03, 2006

It only hurts when you look at it...

Há gajos que não pensam. Há gajos que querem assar morcelas e, para abrir uma garrafa de alcóol, usam um cutelo. Há cutelos que fogem da mão e arrancam um pedaço grande de dedo. E tipos estúpidos o suficiente para pôr o dedo 5 minutos debaixo de água a correr e portanto não parar de sangrar. E felizmente há tipos com amigas farmacêuticas que passam o ano conosco e sabem fazer um curativo mesmo quando não tens gaze, nem adesivo, nem Betadine, nem água oxigenada. Há tipos que andam há três dias com um polegar entrapado e a mudar pensos duas vezes por dia. Há dedos que mesmo três dias depois ainda doem. Há feridas que vão deixar marca, para alem de outra que este mesmo dedo já tem (apesar de não se notar...). Há tambem quem ache piada a cicatrizes com história, que têm vida para contar e trazem memórias presas por um cordel...

Menu de Ano Novo


Dia 31 e as compras de supermercado feitas a correr. O Carrefour estava a abarrotar. Não é o meu supermercado favorito, mas sempre bate o Feira Nova e estava em caminho. Lista feita, encomendas entregues e muito que andar. Primeira passagem de ano na minha casa, muita responsabilidade. Eu sei, éramos poucos e sim tudo amigos, mas mesmo assim foi em minha casa e queria que as coisas corressem bem.
Nos meus anos aprendi duas coisas acerca do meu poiso pombalino, primeiro a cozinha é o local de preferência, pelo menos por enquanto, é onde está a comida, a única mesa da casa, o calor e o maior numero de sítios para se sentar (quatro bancos, a borda do fogão e... chão!). Em segundo lugar, pelo menos até ter mesa de jantar na sala com cadeiras e serviço completo e coisas de gente, o pessoal não gosta muito de comida mesmo, mas prefere petiscos (aprendi após ficar com 3 tabuleiros de frango que nenhuma das 15 ou 16 pessoas que lá estiveram no 1 de Novembro sequer tocaram). Com isto em mente preparei o menu de passagem de ano:

Amendoins e aperitivos
Tostas grandes e pequenas
3 tipos de pão
3 tipos de queijo e um queijo fresco
Salpicão
Manteiga e queijo de barrar
Panados de frango
Tremoços
Linguiça assada
Morçela assada
Pão de alho no forno
Pasta de atum
Pickles
Couve-flor gratinada no forno
Pimentos com azeite
Chevre em massa folhada
Cogumelos com natas e vinho do Porto
Beringelas
Calamares
Bolo Rei
Torta de Azeitão
Gelado de Nata com chocolate quente
Filhoses e fatias douradas
Aletria, arroz doce e mexidos (apenas o suficiente para provar)
Super Bock Stout
Vinho Tinto
Ginginha
Coca-Cola
Gin Tónico
Vinho do Porto
Martini
E os habituais espumante e passas


Uff... Estou mesmo a precisar de almoçar....