quarta-feira, janeiro 18, 2006

Feedback


Ontem tive mais uma sessão do atelier de teatro. Um das grandes vantagens de me ter inscrito é que este mês tenho mais dias "to look forward to", para alem da sexta, o que faz com que a semana passe de uma forma muito mais agradavel. E ontem a componente dramática foi acentuada nos diversos jogos e exercicios efectuados. O problema é que não estamos a ter feedback, o Pedro Wilson (que coordena o programa) não nos está a dar nenhum tipo de informação sobre a nossa performance, não nos dá dicas, nem nos corrige, apenas explana os jogos e exercicios, que depois são efectuados da forma que queiramos. É divertido, sem dúvida, muito divertido, e o grupo é exemplar, malta porreira, aberta, descontraida. Mas esperava um pouco mais de técnica, de ensino, de orientação. Se calhar o problema é meu, por esperar algo de um atelier para amadores de apenas 7 aulas, 16 horinhas ao todo. Provavelmente a ideia é apenas a pessoa divertir-se, descontrair-se,fazer coisas que não costuma fazer no seu dia-a-dia e exprimir-se. Então eu é que tinha as expectativas erradas... mas seja como for vale a pena e é o primeiro de se calhar muitos...

25 por segundo...


O cinema é imagem em movimento - frase redundante - mais precisamente 24 imagens a passar por segundo. O cérebro humano não consegue processar as imagens a esta velocidade dando-nos a ilusão de movimento, quando na verdade o que existe é apenas uma sequência de imagens estáticas. Em televisão existe uma pequena diferença, são 25 imagens - frames - por segundo em vez de 24. A diferença é mínima, nada que o olho ou o cérebro humano consiga perceber, mas um filme que passe na televisão perde inevitavelmente alguns minutos, por passar ligeiramente mais depressa.
A vida por vezes parece fazer o mesmo, sem que nos apercebamos acelera, ou reduz a velocidade, apesar de tudo parecer, à primeira vista exactamente igual. Estou a atravessar um momento desses, o mundo flui depressa, aos tropeções, em torrentes, a vida escorre veloz sem pedir licença, sem se anunciar, mas sempre com o mesmo rumo, o mesmo fim, que é inevitavelmente um início em si mesmo. Acelero a 25, 26, 50, 100 frames por minuto, mas a realidade que me rodeia, a vida, os outros mantêm compassadamente os suaves 24 frames, vivendo dia após dia, sem tumulto ou perturbação aparente...
O pior, é que eu preciso que o resto acompanhe, tenho nostalgia do futuro, saudades do provir... E preciso suportar o lento caminhar de normalidade de um universo que não se move comigo.

terça-feira, janeiro 17, 2006

28 horas depois

28 horas depois o homem suspeito - adoro estes preciosismos jornalisticos - de ter baleado um guarda na localidade de Para Lá do Sol Posto entregou-se às autoridades. 28 horas e a Sic Noticias tinha imagens em directo "de alguma distância porque não se consegue penetrar o cordão de segurança" como explicava o jornalista live on the scene. E lá se viam uns tipos muito ao longe, sem se conseguir perceber patavina de coisa nenhuma. Um jornalista com tomates conseguia imagens de perto, um jornalista com sorte até tinha imagens de dentro da casa como o Dustin Hoffman no quase desconhecido Mad City... um jornalista verdadeiramente dedicado matava um GNR só para ter em directo e exclusivo a história na primeira pessoa, não sem antes montar na sua casa um estudio decente, com gerador próprio, lista de convidados, água potável e comida para uma semana. Lá se fazia o reality-show, mas com muita reality e imenso show. Era ver as audiências a rebentar com a estação do exclusivo, e em vez de 28 horas tinhamos pelo menos 28 dias -faz-me lembrar o 28 Dias Depois, o filme apocaliptico do Danny Boyle, que nunca mais fez nada de jeito desde o Trainspotting - e uma saga para ser continuada...

O melhor é não dar ideias... porque da forma que as coisas andam...

Vota (A)vô Cantigas!


Vi escrito nas paredes de um viaduto de acesso ao Eixo Norte/Sul, ali com vista sobre monsanto e à sombra das mini-Twin Towers, marcado a negro "Vota (A)vô Cantigas!" Não consigo reproduzir exactamente a frase porque o (A) de Avô na verdade era o simbolo anárquico e não sei como o fazer nesta blogosfera standartizada. Lá estava a frase como afirmação de rebeldia... Mas na verdade, o (A)vô Cantigas não é a antitese dos candidatos presidenciais, o (A)vô Cantigas é a soma de todos... ele tem:

  1. A altura, a magreza e a voz do Sr. Silva
  2. A idade do Soares
  3. A côr das pilosidades faciais do poeta Alegre
  4. A ligação ao povo do Jerónimo
  5. Não usa gravata como o Louçã
  6. As intenções de voto do Garcia Pereira

O (A)vô Cantigas é na verdade o candidato do regime, o canditado que une a esquerda e a direita, que atravessa gerações e classes sociais... (A)vô Cantigas Presidente... JÁ!

Para a Madalena

Este é curto. Já está! ;)

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Peça para putos

Mais uma aulinha do atelier de teatro... Continua interessante, apesar de achar que a componente lúdica dos exercicios se está a sobrepor um pouco à parte teatral, de aprendizagem dramática. Seja como for, ainda faltam umas aulinhas e as coisas vão evoluir segundo me disse o encenador/professor/actor que toma conta do projecto. No fim fiquei a falar um pouco com ele e mais dois colegas acerca do futuro do curso, hipóteses de novos ateliers e, quiçá, ingressar no grupo de teatro do Clube PT. Fiquei a saber que se planeia levar a cena uma pequena peça para crianças por altura do Carnaval com o pessoal do atelier. Ou seja em Fevereiro entraríamos em ensaios... A peça infantil seria composta por pequenos sketches... Primeiro sinal de alarme, já se sabe que os actores são péssimos, somos todos amadores e a maioria nunca pisou um palco na vida, portanto para sair alguma coisa com o mínimo de decência teria que ser um bom texto. Ora bem sketches dá ar de ser uma coisa escrita por um jeitoso qualquer... BAD CALL!!! A ver vamos... Por outro lado subi ao palco do pequeno auditório que não conhecia... quase 100 lugares... suores frios... espero que tudo corra bem...

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Esclarecimento

A administração deste blog não certifica a sanidade mental do autor dos posts nele contido, nem se responsabiliza pelos conteudos dos mesmos. Quaisquer danos causados por estes devaneios são da estrita responsabilidade dos leitores. Aliás pedimos mesmo desculpa por qualquer incómodo que o Sopros possa causar, não leia mais... por favor vá-se embora... se não fosse por estarmos nos quadros e termos despesas fixas despediamo-nos... mas enfim vá... bof... o que é que um gajo vai fazer... pronto, um tipo engole vá... podia ser pior...

Não digam que não avisámos... ai céus... que vergonha...

The horror... the horror...

Eu sou Deus!


Quando eu estou só as pessoas à minha volta ficam sós, agora que encontrei alguem (muito) especial toda a gente que sofreu, acabou namoros, deixou, foi deixado, temeu nunca encontrar ninguem, está de novo a ser feliz, o mundo à minha volta está a enamorar-se! Nos últimos três dias foram mais duas amigas que, de repente, conheceram alguem e se apaixonaram... e como eu vi todos os romances a ruir à minha volta quando fiquei sozinho, havendo agora um gigantesco processo de reconstrução afectiva cheguei a esta brilhante conclusão... EU SOU DEUS!!!




ADOREM-ME!!!!

"Whenever I feel the urge to exercize, I lay down until it passes..."


Às vezes, infelizmente, eu tambem...

Hoje estou a falar demasiado em dinheiro, mas quando um gajo está tão apertado como eu e com o saldo tão em baixo como o meu... não consegue deixar de se preocupar...

Sexta feira 13

Hoje é sexta feira 13... As origens desta suprestição remonta à Ultima Ceia de Cristo e aos dias santos pagãos...
Será que o gajo a quem sair os 103 milhões (um e três de novo) logo à noite se vai sentir muito azarado?

Ontem acendeu-se...

Ontem sem mais nem menos acendeu-se uma luz no meu tablier do chaço que conduzo. Sem saber nada de mecânica levei-o hoje a uma oficina, depois de ontem ter acalmado o meu pânico com um expert na matéria, acerca das possiveis origens dessa luz...
Cheguei hoje de manhã, já não muito cedo, porque na verdade me tinha esquecido completamente da marcação. "Ah, mas isto é fácil, isto é rápido não custa nada, uma horinha e já está, é só um pinchavelho que acciona as luzes do travão que pifou..."
E uma hora depois este fácil, nada, mínimo custou-me 75 euros! Pimba! E em peças forma 26, o resto foi pagar uma horinha de trabalho e impostos... Uf... Dores...

quinta-feira, janeiro 12, 2006

"Para que são criadas as leis? As leis são uma reacção a uma acção adversa para a sociedade. Portanto o crime existe antes da lei..."

O grito do peixe

Tive medo, é verdade, tive medo. Esta semana tenho tido algum azar de cada vez que saio de casa. Foi o ZDB que não gostei nada, o Odete pelo mesmo caminho e só me lembrava da velha frase "não há duas sem três".
Ontem fui ao CCB ver a última criação de Clara Andermatt, O Grito do Peixe. Este foi um espectáculo criado a convite da Faro Capital Nacional da Cultura e tinha como permissa base a participação de alunos de uma escola de Olhão. Quando se fala em trabalhar com crianças, principalmente crianças sem formação artística específica como estas, correm-se diversos riscos. Para começar, existem limitações óbvias áquilo que elas podem e conseguem fazer, por outro lado um projecto deste tipo envolve muito tempo de ensaio e não é fácil manter um grupo de miudos atentos e interessados, principalmente quando se fala de dança contemporânea, sem nenhum tipo de estrutura narrativa que pudesse cativa-los. Existia portanto o sério risco de se desenhar algo ou perfeitamente banal e monótono ou um engano, em que na verdade os miudos fossem mais um adereço do que uma parte integrante e activa da coreografia. Para mim foi uma surpresa. Para começar é um pouco reduto chamar a O Grito do Peixe um bailado, tem elementos muito fortes cénicos, de teatro quase, artes circenses em alguns momentos e principalmente musicais, com uma banda rock com duas baterias em palco, sendo elementos participativos na coreografia e não só suporte sonoro.
Foi uma performance enérgica, gutural, carregada de sentimento, de entrega, da utilização dos corpos como elemento plástico individual, mas principalmente como massa de conjunto, em movimento constante, atingindo momentos brilhantes e inclusivé emocionais.
Com este espectáculo para mim "à terceira foi de vez"!
O grito do peixe foi um grito vibrante...

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Atelier de teatro criativo

A semana passada soube da existência de um atelier de teatro criativo dado pelo Pedro Wilson (actor e encenador que passou por companhias como a Comuna), que durava apenas um mês, onde se iriam desenvolver diversas técnicas de uma forma em princípio lúdica e criativa. Depois de alguma hesitação e do apoio da minha namorada e da minha mãe lá me inscrevi. Ontem foi a primeira aula.
Cheguei eram dez para as sete ao auditório do Clube PT na Alameda de Linhas de Torres, a dez minutos do inicio não estava ninguem à porta e lá dentro estava apenas o Carlos, um homem magrinho dos seus quarenta anos. Pensei... tramei-me! Vou aturar isto com dois ou três gatos pingados... Felizmente o pessoal foi chegando com pouca pontualidade e fomos 25 no total, quase tudo abaixo dos 30 e quase tudo mulheres. A primeira sessão foi principalmente sobre o corpo, o conhecimento do nosso e dos outros com diversos exercícios, num clima de descontração e boa-disposição que se esperava. Acabou com mini-mini representações de dois minutos cada, com grupos de 6 pessoas, a improvisar um teatro infantil. Com 5 mulheres no meu grupo fiz de Gata Borralheira!
Começou bem e parece-me vir a ser uma experiência interessante, espero não me viciar...