quarta-feira, janeiro 25, 2006

Irrita-me

Há coisas que me irritam. Há coisas nas pessoas que me irritam. Há defeitos de carácter que me irritam, há alguns específicos que me irritam particularmente. Não suporto as pessoas em quem não se pode confiar, as pessoas que mentem por sistema, que mudam de palavra, que dizem uma coisa e fazem outra, que não admitem os erros, com quem não se pode argumentar.
E quando essas pessoas têm posições de poder sobre nós, irrita-me ainda mais...

terça-feira, janeiro 24, 2006

Domingo em familia


A promessa era antiga, já desde o verão passado que a Matilde dos seus 8 anos e olhos azuis me pedia "Tio, deixa-me ver a tua casa..." ou "Tio, quando é que vamos ver a sua casa?" conforme o caso, conforme a disposição, mas o pedido enternecido mantinha-se entre o tu e o você...
No domingo raptei-a para longe da mãe e dos três irmãos, agarrei na Ana combinei com a Marta e a Maria e fomos patinar.
A ideia da patinagem não foi minha, que não me aguento em cima dos patins, mas a Marta achou que era mais divertido porque assim a Matilde e a Maria podiam confratenizar e quiçá ficar amigas.
Estava frio... mesmo frio...
Primeira paragem: Baixa - quatro andares sempre a subir - casa mostrada, curiosidade satisfeita, a caminho da doca do espanhol.
Era um mar de miudos, skates, patins, bicicletas e trotinetes, se tinha rodas valia. Equipei a Matilde a rigor, a Ana calçou os seus patins e lá fomos (eu sem rodinhas nos pés, que prezo muito a saúde dos meus dentes).
Encontramos a Marta e a Maria e mais um dúzia de meninas que eram todas amigas, a Matilde não teve o à-vontade para penetrar no grupo, mas agarrou-se à Ana e lá foram. Gostei...
Gostei de ver os sorrisos, gostei da intimidade que criaram, gostei de puxar a Matilde como se fosse um corcel a puxar um charrete, gostei das cavalitas, das brincadeiras, gostei do lanche, da menina que não gosta de chocolate, dos 23 kgs de Matilde que vaticinava que eu devia pesar "para aí uns 40!" do alto do meu metro e oitenta e três.
Gostei do pôr-do-sol, do fim-de-tarde, de me transformar em abóbora nos dias em que patino e em lobisomem nos dias que não patino, gostei de ter um pé numero 93, gostei da Matilde a virar-se para a Ana e perguntar "Oh Ana posso-te chamar Tia?" Gostei do pedido que fez "quando vocês se casarem posso ser a... como é que se diz? madrinha? aquela que agarra no véu?" e quando a Ana responde que se calhar não vai usar véu a Matilde exclama "Mas tens que usar véu!" como se fosse um mandamento divino! Rapidamente arranjou solução "Se não usares véu posso ir à tua frente?"
Gostei de lhe apertar o cinto "no quarto buraco" e de apertar e desapertar três vezes os patins. Gostei de uma menina que lá estava que tambem se chama Marta perguntar inquisidora à Ana "Tu és mãe de quem?" - "Eu? De ninguem..." - "Mas tu não gostas muito de alguem?" - "Gosto." - "Então porque é que não casam e têm filhos?"
Gostei de, à saida, a Ana perguntar "Então da próxima vez qual dos teus irmãos é que trazemos contigo?" e a Matilde responder "Nenhum! Patinar é só comigo!"
Gostei do ar feliz, gostei de um Domingo à tarde em familia, com aquela familia que (oficialmente) ainda não existe.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Teste político (logo agora...)



"Your Score

Your scored -5.5 on the Moral Order axis and 4 on the Moral Rules axis.

Matches

The following items best match your score:

System: Socialism
Variation: Moral Socialism, Extreme Socialism
Ideologies: Activism
US Parties: No match.
Presidents: Jimmy Carter (81.12%)
2004 Election Candidates: Ralph Nader (86.56%), John Kerry (71.27%), George W. Bush (38.88%)
Statistics

Of the 149691 people who took the test:

0.5% had the same score as you.
6.6% were above you on the chart.
90.5% were below you on the chart.
83.8% were to your right on the chart.11.5% were to your left on the chart "

É só um teste mas achei piada. Podem ver aqui.

Kiss Kiss Bang Bang

Se pensarmos que Shane Black, que se estreou na realização com este Kiss Kiss Bang Bang, é o argumentista de filmes como os quatro Arma Mortífera ou Last Action Hero, já se podia esperar um ritmo rápido e um diálogo fluido. E Kiss Kiss Bang Bang, que marca o regresso à ribalta de Robert Downey Jr., não compromete. É um thriller divertido, ou uma comédia com mistério, mas a boa disposição é garantida, as surpresas sucedem-se e o argumento é muito inteligente. Não necessáriamente na descoberta do who dunnit que aliás revela alguns erros e um plot demasiado rebuscado, mas no fácil desenrolar dos acontecimentos, na surpresa constante, no divertido saborear de uma escrita bastante smooth a fazer lembrar velhas comédias com Cary Grant. A tagline "Sex. Murder. Mistery. Welcome to the Party" resume bem o feeling do filme
Não é, nem de longe, um clássico, mas sai-se com um sorriso na cara e uma sensação de tempo bem gasto.

Abusei um bocadinho dos inglesismos não abusei?

domingo, janeiro 22, 2006

O Sr.Silva escapou a uma segunda volta por menos de 0,6% dos votos expressos. Foi menos de metade da lotação do estádio da luz. Votos nulos foram mais de 0,7% e brancos mais de 1%... A abstenção foi de 37% em número de pessoas foi sensivelmente igual às votações de Cavaco e Soares juntos, são mais de 3 milhões de pessoas!
A todos os que não foram votar, aos que se enganaram, entregaram boletins riscados, aos que acham que não vale a pena, aos que foram passar o fim-de-semana fora... calem-se... depois desta tangente... calem-se... não têm o mínimo direito a protestar seja pelo que for, sejam os impostos, o serviço de saúde, o funcionalismo público, o desemprego, a idade da reforma... nada! Não têm a mais pequena moral para se queixar quando tiveram nas mãos a oportunidade de fazer alguma coisa, de marcar a diferença e resolveram que tinham mais que fazer...
Metade de um estádio da luz... esta noite não durmo tranquilo...

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Domingo


Não devo postar mais até domingo. Dia 22 é um dia fundamental. Não vou fazer aqui um grande testamento político, nem tentar convencer ninguem a votar em que eu acho merecer. Apenas gostava que pensassem o que é que é importante num Presidente da Republica? Sendo o representante máximo da nação, o garante do regular funcionamento das instituições democráticas, um moderador, um impulsionador de debate e discussão, não será necessário alguem com uma visão global do mundo, do país, das pessoas e da multiplicidade de temas que a sociedade insere? Alguem com um conhecimento abrangente, com uma cultura pluri-facetada, com capacidade de diálogo e de raciocinio alargado? Não seria perigoso, ou pelo menos infeliz a escolha de alguem limitado, tacanho, e sem capacidade para alem de um dossier único?

No Domingo votem... em consciência.

Está decidido!

Está decidido... a tal peça que vai ser montada pelo meu grupinho do atelier de teatro para o carnaval é para crianças, baseada em sketches e... improviso! I feel tragedy's at hand! Improviso? Mas no que é que ele está a pensar??? Tudo bem improviso ensaiado e controlado... tudo bem que o meu blog tem improviso no título... Mas um grupo de gajos, sem experiência nem talento (com excepções) a improvisar perante 100 pessoas? Com coisas para putos??? Aí vem um ataque de ridículo! É que é suposto as pessoas rirem-se das piadas e não da figura de urso em palco... Tremo... O pior é que gostava mesmo de participar numa coisa deste género e não queria recusar o projecto, por mais curto que seja...

Só eu é que me meto em coisas destas....

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Dicionário de Cinema Português (1989-2003)


Chega hoje às lojas o Dicionário de Cinema Português (1989-2003) de Jorge Leitão Ramos, na sequência do Dicionário de Cinema Português (1962-1988) editado em 1989, ambos da Editorial Caminho.
Esta é uma obra de referência máxima para todos os profissionais, estudiosos, interessados ou meros curiosos da Sétima Arte e apresenta-se como o único sitio fidedigno, estruturado onde encontrar toda a informação referente à cinematografia nacional, sejam as obras ou as figuras de destaque dos 15 anos em questão.
Leitão Ramos, colaborador regular do Expresso e crítico de cinema há mais de um quarto de século, é a figura nacional que de mais perto acompanhou, estudou, reflectiu e conheceu o cinema português. Este extenso trabalho, obra de uma vida em conjunto com o outro volume da colecção (afigura-se como provável o lançamento de outro dicionário referente à época de 1896 a 1961, a restruturação do dicionário de 1962-1988 e a continuação da obra a partir de 2004), é a cupula de anos de investigação e uma dedicação diária.
A sessão de lançamento será dia 2 de Fevereiro na Cinemateca.

Eterna espera


Após longo período de afastamento eis que retorno ao meu ponto de partida e me refugiu na suave penumbra de uma sala de cinema para absorver mais uma obra, neste caso bastante aguardada. Ontem fui ver o último filme de Sam Mendes - autor de Beleza Americana - Jarhead.
Baseado em factos verídicos, numa obra escrita por um fuzileiro americano, esta fita passa-se durante a primeira Guerra do Golfo e acompanha a vida de um marine desde a sua formação até à sua participação no conflito num batalhão de snipers.
O que separa este filme de Mendes de outros títulos sobre guerra - nomeadamente as suas referências a quem presta reverência Apocalypse Now do Coppola, Full Metal Jacket do Kubrick e The Deer Hunter do Cimino - é que esta é uma película sobre a espera, sobre um grupo de homens treinados para serem e pensarem como as mais mortíferas armas de combate no planeta, mas que são confrontados com o arrastar agonizante do tempo, enquanto quase enlouquecem à espera de um confronto que insiste em fugir deles.
"Aprendemos a matar a mil metros, no Vietname demorava-se uma semana para percorrer essa distância, na 1ª Guerra um ano, aqui são dez segundos! Quando lá chegarmos já a guerra se foi embora!" - gritava um soldado desesperado por não entrar em combate. É um filme sobre o desespero, sobre a transformação, sobre a loucura que se insinua, sobre as marcas de guerra que ficam para sempre, mesmo que se não dispare um único tiro.
Com uma beleza a que Mendes já nos habituou, momentos verdadeiramente marcantes e um elenco de onde Jake Gyllenhaal, Peter Sarsgaard e Jamie Foxx se destacam, este é um dos pontos altos do panorama cinematográfico do último ano.
E enquanto não chegam Brokeback Mountain, Match Point, History of Violence ou mesmo The Producers, é sem dúvida uma referência a seguir.

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Feedback


Ontem tive mais uma sessão do atelier de teatro. Um das grandes vantagens de me ter inscrito é que este mês tenho mais dias "to look forward to", para alem da sexta, o que faz com que a semana passe de uma forma muito mais agradavel. E ontem a componente dramática foi acentuada nos diversos jogos e exercicios efectuados. O problema é que não estamos a ter feedback, o Pedro Wilson (que coordena o programa) não nos está a dar nenhum tipo de informação sobre a nossa performance, não nos dá dicas, nem nos corrige, apenas explana os jogos e exercicios, que depois são efectuados da forma que queiramos. É divertido, sem dúvida, muito divertido, e o grupo é exemplar, malta porreira, aberta, descontraida. Mas esperava um pouco mais de técnica, de ensino, de orientação. Se calhar o problema é meu, por esperar algo de um atelier para amadores de apenas 7 aulas, 16 horinhas ao todo. Provavelmente a ideia é apenas a pessoa divertir-se, descontrair-se,fazer coisas que não costuma fazer no seu dia-a-dia e exprimir-se. Então eu é que tinha as expectativas erradas... mas seja como for vale a pena e é o primeiro de se calhar muitos...

25 por segundo...


O cinema é imagem em movimento - frase redundante - mais precisamente 24 imagens a passar por segundo. O cérebro humano não consegue processar as imagens a esta velocidade dando-nos a ilusão de movimento, quando na verdade o que existe é apenas uma sequência de imagens estáticas. Em televisão existe uma pequena diferença, são 25 imagens - frames - por segundo em vez de 24. A diferença é mínima, nada que o olho ou o cérebro humano consiga perceber, mas um filme que passe na televisão perde inevitavelmente alguns minutos, por passar ligeiramente mais depressa.
A vida por vezes parece fazer o mesmo, sem que nos apercebamos acelera, ou reduz a velocidade, apesar de tudo parecer, à primeira vista exactamente igual. Estou a atravessar um momento desses, o mundo flui depressa, aos tropeções, em torrentes, a vida escorre veloz sem pedir licença, sem se anunciar, mas sempre com o mesmo rumo, o mesmo fim, que é inevitavelmente um início em si mesmo. Acelero a 25, 26, 50, 100 frames por minuto, mas a realidade que me rodeia, a vida, os outros mantêm compassadamente os suaves 24 frames, vivendo dia após dia, sem tumulto ou perturbação aparente...
O pior, é que eu preciso que o resto acompanhe, tenho nostalgia do futuro, saudades do provir... E preciso suportar o lento caminhar de normalidade de um universo que não se move comigo.

terça-feira, janeiro 17, 2006

28 horas depois

28 horas depois o homem suspeito - adoro estes preciosismos jornalisticos - de ter baleado um guarda na localidade de Para Lá do Sol Posto entregou-se às autoridades. 28 horas e a Sic Noticias tinha imagens em directo "de alguma distância porque não se consegue penetrar o cordão de segurança" como explicava o jornalista live on the scene. E lá se viam uns tipos muito ao longe, sem se conseguir perceber patavina de coisa nenhuma. Um jornalista com tomates conseguia imagens de perto, um jornalista com sorte até tinha imagens de dentro da casa como o Dustin Hoffman no quase desconhecido Mad City... um jornalista verdadeiramente dedicado matava um GNR só para ter em directo e exclusivo a história na primeira pessoa, não sem antes montar na sua casa um estudio decente, com gerador próprio, lista de convidados, água potável e comida para uma semana. Lá se fazia o reality-show, mas com muita reality e imenso show. Era ver as audiências a rebentar com a estação do exclusivo, e em vez de 28 horas tinhamos pelo menos 28 dias -faz-me lembrar o 28 Dias Depois, o filme apocaliptico do Danny Boyle, que nunca mais fez nada de jeito desde o Trainspotting - e uma saga para ser continuada...

O melhor é não dar ideias... porque da forma que as coisas andam...

Vota (A)vô Cantigas!


Vi escrito nas paredes de um viaduto de acesso ao Eixo Norte/Sul, ali com vista sobre monsanto e à sombra das mini-Twin Towers, marcado a negro "Vota (A)vô Cantigas!" Não consigo reproduzir exactamente a frase porque o (A) de Avô na verdade era o simbolo anárquico e não sei como o fazer nesta blogosfera standartizada. Lá estava a frase como afirmação de rebeldia... Mas na verdade, o (A)vô Cantigas não é a antitese dos candidatos presidenciais, o (A)vô Cantigas é a soma de todos... ele tem:

  1. A altura, a magreza e a voz do Sr. Silva
  2. A idade do Soares
  3. A côr das pilosidades faciais do poeta Alegre
  4. A ligação ao povo do Jerónimo
  5. Não usa gravata como o Louçã
  6. As intenções de voto do Garcia Pereira

O (A)vô Cantigas é na verdade o candidato do regime, o canditado que une a esquerda e a direita, que atravessa gerações e classes sociais... (A)vô Cantigas Presidente... JÁ!

Para a Madalena

Este é curto. Já está! ;)

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Peça para putos

Mais uma aulinha do atelier de teatro... Continua interessante, apesar de achar que a componente lúdica dos exercicios se está a sobrepor um pouco à parte teatral, de aprendizagem dramática. Seja como for, ainda faltam umas aulinhas e as coisas vão evoluir segundo me disse o encenador/professor/actor que toma conta do projecto. No fim fiquei a falar um pouco com ele e mais dois colegas acerca do futuro do curso, hipóteses de novos ateliers e, quiçá, ingressar no grupo de teatro do Clube PT. Fiquei a saber que se planeia levar a cena uma pequena peça para crianças por altura do Carnaval com o pessoal do atelier. Ou seja em Fevereiro entraríamos em ensaios... A peça infantil seria composta por pequenos sketches... Primeiro sinal de alarme, já se sabe que os actores são péssimos, somos todos amadores e a maioria nunca pisou um palco na vida, portanto para sair alguma coisa com o mínimo de decência teria que ser um bom texto. Ora bem sketches dá ar de ser uma coisa escrita por um jeitoso qualquer... BAD CALL!!! A ver vamos... Por outro lado subi ao palco do pequeno auditório que não conhecia... quase 100 lugares... suores frios... espero que tudo corra bem...