Mesmo no meio das costas! É azar, ontem estava óptimo, fui ao Yoga, saí de lá bem. Deitei-me descansado. Hoje acordo com uma dor enorme mesmo no meio das costas! Nem nos ombros, nem no pescoço, mas no centro, entre as omoplatas, onde não consigo chegar e é dificil alguem massajar. Hoje que tenho o workshop de teatro para o qual quero estar disponivel intelectual, emocional e fisicamente! Bem faço exercicios de relaxamento, bem faço exercicios de respiração, mas está dificil... Azar...
quinta-feira, fevereiro 16, 2006
Regresso ao passado
Há tempos escrevi uma posta que criou alguma controvérsia. Com tudo o que se tem passado no mundo hoje em dia, com a discussão gerada em torno dos cartoons de Maomé acho que está bastante actual. Apesar de não ser normal hoje vou relembrar uma posta velha (e que cheira mal). Direito ao insulto.
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
Justiça Divina
Saidinho da caixa de comentários veio esta suave dissertação. Só não percebi uma coisa, os folhetos do LIDL não serão mais lidos que o meu humilde blog?
"Justiça Divina said...
Pois meu amigo...a escrever desta forma o melhor mesmo é pensares em...quiçá amarrar os dedinhos para sempre e se te der muita, mas muita vontade de escrever...vai à rua e faz desenhos na publicidade nos folhetos do LIDL, assim poupas-te a esta tristeza de escrita e nós à chatice de ter que ler isto!Mas confia, confia porque a Justiça Divina está contigo neste duro caminho...da escrita ou da...pseudoescrita Amen! "
"Quando apanharmos o tio de patins temos que o pintar com batom e rimel!" "Vamos ser más, vamos ser muito mááááááááásssssssss!!!!!"
Com este tom de desafio a pequena Matilde de olhos azuis e sete aninhos inaugurava as mensagens para telemovel para este lado da familia... Não sei se já as mandava à mãe ou ao pai, mas por estas bandas nadas. Com este tom brincalhão surpreendia-nos com um sms para a minha namorada momentos antes de entrarmos no cinema... Sem nunca o dizer, relembrava-nos de uma tarde de patins, passada entre o frio domingueiro do início do ano. Ontem foi a minha vez. Relembrava-me que era dia de S. Valentim, para eu comprar uma prenda para quem de direito. E a mensagem passou. Passou uma ligação criada entre quem só a viu ainda uma vez (bem mais rápida do que eu alguma vez iria supor) e passou o pedido enternecido para que a raptemos de novo para outra aventura tarde fora. Assim vai ser, não provavelmente de patins, mas a menina dos olhos azuis que me conquistou há mais de sete anos, vai ser uma vez mais desviada do cantinho pelo tio que a adora e pela sua nova aliada...
terça-feira, fevereiro 14, 2006
Valentim
Para mim hoje é terça feira, dia antes da quarta e depois da segunda, a duas semanas do Carnaval. É apenas terça feira e sempre foi. Nunca percebi a moda importada do S.Valentim...
Mais um dia...
Hoje é o dia da farsa, onde se exarcebam sentimentos inexistentes, onde se veste o fatinho poeirento, onde se ouve a musica romântica que já nada significa, onde se finge e se disfarça, onde se força o que não pode ser forçado, onde se esfrega na cara de quem caminha só, o caminhar acompanhado, mesmo que a companhia seja na verdade apenas ocupação de espaço. E vão os brindes e as flores, os chocolates e relógios, os postais e lingerie, os corações cor-de-rosa (tanto cor-de-rosa) o kitsch mais kitsch do mundo, a falta de gosto, a piroseira, e as vendas a metro, os beijos pre-programados, as declarações de amor pelo telémovel a 80 cêntimos cada uma, o carinho inexistente no dia anterior e que se desvanece no dia a seguir, a ânsia, ai que é hoje, ai que é hoje!!! Mais um dia... mais uma data para vender... S.Valentim um santo que no ano 496 foi considerado "...um nome justamente reverenciado pelos Homens, mas cujos actos são apenas conhecidos por Deus..." Tradução: uma fraude, uma lenda popular de que a Igreja se apropriou sem saber muito bem porquê e cuja celebração terminou no Concílio Vaticano II em 1969. Curioso que em 1969 ninguem em Portugal celebrava o S. Valentim mas agora a cultura fast-food, centro comercial, sub-urbana que nos invadiu fez questão de implementar.
Hoje vou mostrar à minha namorada o que sinto por ela... porque é terça-feira, tal como ontem mostrei porque era segunda. E quem sabe se para a semana não vamos jantar só os dois, como se o mundo não existisse... tal como jantámos a semana passada...
segunda-feira, fevereiro 13, 2006
Brokeback Mountain
Brokeback Mountain não é o melhor filme do ano apesar de provavelmente ir ganhar o Oscar e ser dono de um parafernália de prémios e distinções. Com isto em mente avancemos.
Num tempo e num lugar onde a relação entre homens não mudava apenas a vida, podia custar a vida, dois cowboys isolados num verão de 63 numa montanha da América profunda, descobrem-se um ao outro e a um amor daqueles que aparecem apenas uma vez.
Ang Lee, realizador camaleão de grandes filmes como Banquete de Casamento, O Tigre e o Dragão ou Ice Storm, volta à ribalta após o pequeno desaire de Hulk, com uma temática controversa, num filme que conta com a colaboração de um dos maiores actores da nova geração Jake Gyllenhaal e com Heath Ledger que tem aqui o mais contido e melhor conseguido papel da sua carreira. Uma película de uma beleza incomum, que toca uma nota sentimental de forma vibrante, com um tom de doce desilusão, de sentimentos amarrados e vidas falsas. Apesar de se demorar um pouco na descrição do dia-a-dia de cada um, consegue carregar-nos suavemente pela dor da separação de um amor sempre adiado, sem nunca se concretizar na sua plenitude.
A ver...
sexta-feira, fevereiro 10, 2006
Descoberta
Primeira aula do workshop de teatro. Local e hora combinados Belém Clube 19h30. Era suposto sermos oito, primeira surpresa fomos só cinco, mas é provavel que sejamos em breve pelo menos seis, eu preferia sete, mas isso é a minha mania dos números. Segunda surpresa, o Belém Clube está em vistoria e tem todas as actividades suspensas durante pelo menos um mês. Ao voltar a entrar naquele pequeno espaço, teatro quase de bonecas, sinto pena, pela sua potencialmente, pela sua beleza, pela sua magia, mas a degradação do local merece as cautelas anunciadas. Problema resolvido, que a casa do Thiago é ali perto e ele tem um espaço aconchegante onde costuma dar aulas individuais. Lá fomos. O prédio é antigo, pequeno, de apenas dois andares numa rua esguia da Ajuda. Remodelado, soalho corrido, pé direito alto, paredes grossas, sala vazia à exepção de dois projectores de chão virados para a parede e seis bancos dispostos pela sala. A casa tem vida, como todas as casas antigas, elas têm história, pessoas viveram e morreram ali dentro, e os locais absorvem de alguma forma as experiências marcantes pelas quais passaram. É por isso que o Chiado tem um sentir diferente de Telheiras, é por isso que uma casa no Bairro não é igual a um condomínio fechado.
A principio tive medo que o grupo fosse pequeno demais, mas depressa percebi que não, que o tipo de trabalho efectuado se coaduna com este ambiente mais intimista. Sentados numa roda começámos por ouvir, perceber o que se ia ali realizar. Não era o que inicialmente se esperaria, os primeiros três meses vão ser focados em algo que não técnicas de representação, ou teoria de palco, vão ser três meses que procuram ir mais fundo, que procuram descobrir mais, três meses que nos vão permitir entrar em contacto com algo mais interior que serve de pedra basilar para todo o trabalho de actor.
Não é facil explicar o que se fez durante as três horas e meia desta reunião, não é facil descrever o que se disse e o que se passou, que fez com que o tempo voasse até depois das onze da noite. O essencial não é a lista de exercícios que fizemos, o aprender a controlar a respiração processo fundamental, nem o aprender a focar o olhar, o outro e a atenção. O essencial não é as demonstrações feitas pelo Thiago, sempre brilhante na composição quase automática de personagens e situações, nem tudo aquilo que foi dito acerca de ser actor, não só em palco mas também como forma de estar aberto e experimentar a realidade de maneira diferente, absorvento as vivências para ter a bagagem necessária para se expressar. O fundamental para mim foi o início de um aprofundamento emocional, um desbloquear, um abrir de portas que é um primeiro passo para ser capaz de um sentir, de uma entrega, de uma liberdade sensorial e expressiva que me permita incorporar mais tarde as técnicas necessárias à arte da representação. Incorporar... foi exactamente isso, a consciencialização do corpo, a interiorização do corpo em oposição à intelectualização como base esteriotipada de apresentar um personagem, uma emoção.
Foi uma noite de descoberta, de mim, dos outros e de um estado alternativo, mais aberto, mais livre, que me vai permitir atingir aquilo que procuro.
Álvaro Campos

A música desta semana é de uma das vozes mais doces que conheço no panorama musical português. É de Margarida Pinto, ex-vocalista dos saudosos Coldfinger, no seu albúm de estreia Apontamento. Chamou-me a atenção para este disco o seu primeiro single, com letra da Álvaro de Campos, apropriadamente denominado... Apontamento! No entanto, após comprar o CD a música que me mais me captou a atenção foi este na Véspera de Não Partir Nunca, com letra adaptada uma vez mais de Álvaro de Campos. Adaptada porque o génio de Pessoa não se traduz facilmente em música por vezes, e foi preciso fazer alguns ajustes... Deixo-vos em baixo com o poema original para que façam as devidas comparações com a suave melodia de Margarida Pinto...
Na véspera de não partir nunca
quinta-feira, fevereiro 09, 2006
Sucesso
Hoje ligou-me uma amiga, está a atravessar uma fase dificil e quis rapidamente contar os últimos desenvolvimentos na sua vida. Apesar disso a primeira coisa que disse quando atendi o telefone foi: "Mas porquê o número quatro?" - ri-me e disse-lhe o motivo do post de há dois dias que foi dos mais comentados dos últimos tempos. Foi um post que causou impacto. Pequeno, repetitivo, sem desenvolver uma ideia ou uma teoria, sem falar de nada em especial e com um significado escondido (bem menos mirabolante do que se possa pensar), mas a verdade é que causou, contra todas as expectativas impacto. Fiquei sem perceber porquê... aliás fico sem perceber o porquê do sucesso de alguns posts, não só no meu bem como noutros blogs. Se ao falar de sexo ou temas controversos o sucesso é espectável, noutros momentos surge como uma total surpresa. E a questão fica no ar... o que é que move os leitores de blogs? Alguem me ajuda? De que é que vocês gostam?
quarta-feira, fevereiro 08, 2006
Amor à Pátria
Era de noite, a Avenida da República não tinha muita gente e eu andava calmamente entre tuneis e serpentinas que as obras do metro originam. Ao descer às tripas da cidade, ainda antes de parar no sinal que o obriga, tive que travar por causa de uma pequena casca de noz, um carro eléctrico que circulava na faixa da esquerda. Pisca para a direita e lá vai um desrespeito ao código da estrada. Chegado ao sinal o dito chega ao meu lado e pára um pouco mais à frente. Volto à esquerda para ultrapassar mas o homem recusa-se a sair do seu caminho, caminho esse, percebi pouco depois, traçado pelo Senhor. Pisca para a direita, segunda ofensa ao código, e enquanto o ultrapassava olhei para dentro do carro. Barba por fazer, ar gasto de alguns anos de vida, mais provavelmente os que aparenta do que aqueles que realmente viveu. Pequena bandeira nacional no tejadilho do carro, boné da selecção, bandeiras nas janelas e um cachecol verde e vermelho no tabelier. Para completar o quadro uma pequena Virgem Maria de plástico guardava serenamente toda a cena.
Confesso nunca ter visto tamanha devoção e tamanho patriotismo, com o clássico toque de adoração cristã.
Perdi-o na bruma da noite por onde certamente espalhou um pouco da sua magia e dos tradicionais valores portugueses. Uma pergunta me resta, será que gosta de fado? No meu imaginário infantil espero que sim, para poder dormir descansado com a certeza que o mundo não está perdido...
terça-feira, fevereiro 07, 2006
Caché - Nada a Esconder
É pena... ontem à noite fui ao King para ver se conseguia apanhar o último Haneke, vencedor de vários prémios em Cannes entre os quais melhor realizador, Caché. E o filme não desilude, muito pelo contrário, é subtil na construção do medo de quem misteriosamente começa a receber cassetes de video com gravações de sua própria casa. Este evento, numa família aparentemente estável, moderna, intelectual, vai começar a ter resultados inesperados, não só na natural tensão que este tipo de assédio causa, nem apenas no mistério que gira em torno das gravações e do motivo pelo qual são enviadas, mas principalmente ao nível das relações familiares e humanas. Haneke é muito bom, gere o suspense e o drama pessoal de um forma notável, Auteuil e Binoche são de uma força e contenção impecáveis mas... mas é pena ver um realizador que constroi um edificio e depois não o sabe terminar, que faz um filme, tem uma situação a desenvolve para depois claudicar no último instante... é pena...
segunda-feira, fevereiro 06, 2006
Sala de espera
Ele já sabia o que eu precisava, era só uma receita para fazer umas análises de despiste, que isto da doença do beijo não é de fiar, apesar de me sentir são que nem um pêro e quiçá responsável pela cura de outrém. Senti-me um pouco ridículo por pedir isto a um neuro-cirurgião, e ainda por cima um de renome, que já não é só Dr. já é professor, mais é Professor Doutor, como se por excelência académica a pessoa merecesse o título por extenso. Nunca percebi esta mania, mas temos que diferenciar e a preguiça é muita para arranjar nomes diferentes. Se a moda pegava só os santos tinham direito a nome completo com apelido e tudo, para se ser Miguel ou Joana ou Abrenúncio já era preciso ter alguma dignidade moral, ser pelo menos escuteiro ou algo parecido, restando para os comuns dos mortais o simples MPR no meu caso, que não passam de iniciais. Mas lá estava eu no consultório do Professor Doutor, amigo de familia de longa data, capaz de uma jantarada de alheiras depois de oito horas a operar a cabeça de um pobre TLS ou uma PBD, ou, se fosse dia especial,um Marco ou Maria Claudia. Mas ele não deixou os papeis na recepção, guardou-os com ele por lapso e tive que esperar 35 minutos para que a paciente se despachasse, com o meu Skoda em cima da passadeira com os 4 piscas ligados e um medo de morte que a policia me rebocasse o carro e eu tivesse que pagar outra monstruosidade de dinheiro como a que paguei no sábado por estacionar dois lugares atrás do que podia, numa rua do Chiado que conheço como a palma da minha mão. E lá esperei, e lá ouvi as pacientes a dizer como é bom para alguem com perturbações nervosas ter um animal de estimação,que enquanto a pessoa ralha com ele ao menos se esquece que está mesmo doente... O papel veio, após muito suor e falta de paciência para encarar uma recepcionista que só sorriu quando telefonou para o namorado. Agora faltam os exames... Não hei-de ter nada...
Where The Truth Lies
Quem conhece o suave rendilhar de Atom Agoyan em outras obras como The Sweet Hereafter ou Felicia's Journey, sabe à partida que, apesar de estarmos perante um filme de mistério, a descoberta de quem matou quem é de somenos importância. Construído com uma mise-en-scène cuidada, Where The Truth Lies é um lento saborear da deconstrução de três personagens centrais e da noite que lhes mudou definitivamente a vida. Sem ser brilhante, mantem um ritmo firme, seguro, dando cada passo com uma acuidade dramática muito bem pensada, presenteando-nos com imagens belas, situações de um desenvolvimento inesperado e tocando temas sensiveis que vão para alem da simples descoberta do assassino. Colin Firth e principalmente Kevin Bacon dão-nos um desempenho à altura deste policial, erótico, dramático de um grande realizador.
