terça-feira, fevereiro 28, 2006

Os posts estão sem imagens, este não é o meu pc normal, resolvo na quinta... QUE NEURA! :P

Vice-Carnaval

E ontem esteve um dia glorioso. Véspera de Carnaval, céu azul, temperatura amena, perfeito dia de passeio com Sintra no horizonte. Destino, Quinta da Regaleira, local excêntrico de simbologia mística, espiritual e religiosa, concretizada nos finais do século XIX inícios do século XX. Tinhamos tempo, fomos almoçar. Que raio de local papa-turistas em que encalhámos, horas à espera de uns pratos do dia, que ainda discutiam comigo três horas depois de ingeridos, com um lombo de porco a saber a peixe (provavelmente por ter o mesmo molho que o salmão) e uma tarte de maçã que precisou ir ao microondas - e que mesmo assim ainda estava congelada no centro! Infeliz repasto de novo a caminho, já atrasados chegámos pouco depois da hora.
Já perdi a conta ao número de visitas que lá fiz ao longo dos anos, a última das quais com a minha classe de Yoga onde se fez a ponte entre os princípios postulados neste jardim temático e os princípios orientadores do Yoga. Desta vez não foi exepção, aprendi algo novo, pequenos pormenores, mas foi o pior de todos os guias, céptico, desinteressante, passando por cima de uma série de coisas que a Quinta tem para dar e desvalorizando com um tom depreciativo os aspectos mais controversos. Seja como for é uma visita que merece sempre ser feita.
À noite jantar lá em casa, pato assado (para o diabo com a gripe das aves e os 90 mortos desde o início da "pandemia" - devem ter morrido mais pessoas engasgadas no mundo em ossos de frango no mesmo período de tempo). Para sobremesa as famosas (para quem conhece a minha mãe) taças Ninette, com chocolate amêndoa e rum... Em primeiro lugar alguem me explica como se tiram o raio das penas de um pato que parece não ter outra coisa no corpo? Adiante, problema resolvida, forno com o bicho, e com o medo de o queimar deixei-o quase três horas a cozinhar em forno brando, mas valeu o esforço, no final estava comestível. A fome não era muita, entre pão, tostas, queijos e vinho tinto, foi-se enganando o estômago. Foi a inauguração, com visitas, da minha mesa de jantar apesar de ainda não ter as cadeiras...
Um dia de férias que mereceu o nome...

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Walk the line in Munich

Fim de semana de Carnaval e a perseguição continua. Olhei para o cartaz de cinema e tinha doze (!) filmes para ver, como tenho andado lento a apanhá-los, eles multiplicam-se e ameaçam vencer este pequeno jogo de gato e rato. Este fim de semana apanhei mais dois, e dos gordos, nomeados para Oscares e multi-premiados.
Comecei com Walk The Line do James Mangold, com Joaquin Phoenix e Reese Whiterspoon. Ambos são sérios candidatos ao Oscar de Melhor Actor e Actriz respectivamente, e Whitherspoon aparece inclusivé como a mais séria candidata da lista ao contrário do seu parceiro que deverá perder para Philip Seymour Hoffman em Capote. Walk the Line é um biopic que narra a vida do cantor Johny Cash e faz lembrar demasiado Ray do ano passado. A mesma construção narrativa, a mesma reprodução plástica por parte dos actores, até a história, a morte do irmão em ambos os casos, os problemas com drogas, as relações amorosas com pessoas que fazem parte do tour. É tudo demasiado parecido e demasiado longínquo. O filme não é mau, mas sai-se com a sensação de que se não conhece os personagens envolvidos, sabe-se os pontos altos da vida mas não se conhece realmente as pessoas, como se tivessemos apenas lido as parangonas dos jornais que contam esses mesmos pontos altos. No fim de contas quem é aquele homem, para alem daquilo que é já domínio publico? Como personagem de um filme é bi-dimensional. É um risco eu sei tentar ir mais alem com um homem que morreu apenas há dois anos e foi bem conhecido, mas do ponto de vista cinematográfico empobrece o filme.
Munich de Steven Spielberg conta a história da reacção de Israel ao atentado dos Jogos Olímpicos em Munique onde 11 atletas judeus foram mortos por terroristas palestinianos. Logo a após foi ordenada a morte dos responsáveis por esses atentados. Acima de tudo este é um filme, como todos os filmes de Spielberg, sobre pessoas, sobre gente normal colocada em situações extraordinárias, e tocante a vários niveis, interrogando-se, sem nunca tomar partido, sobre os imensos dilemas humanos e morais que tal situação coloca. Spielberg coíbe-se de fazer espectáculo (como é tambem seu cunho) nesta fita, como que se tolhido pessoalmente pela temática tão sensivel. No entanto apresenta-nos um filme poderoso, surpreendente, emocional e complexo, filmado com a mestria de quem já esqueceu mais sobre cinema do que a maioria dos cineastas alguma vez soube. Sem dúvida um dos filmes da temporada.

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Before Sunset

Há quase uma década vi um filme chamado Antes do Amanhecer, realizador desconhecido e com um rapazinho que eu conhecia apenas do Clube dos Poetas Mortos, Ethan Hawke. Era uma pequena produção, uma história de amor de final indeterminado acerca de dois jovens que se conhecem numa viagem de comboio através da europa.
Before Sunset - Antes do Anoitecer, é a continuação desse filme, dez anos mais tarde, quando os dois se reencontram em Paris, por mero acaso.
É desde já uma delícia poder gozar da simplicidade de dois actores e uma câmara em suave deambulamento pela cidade. Ambos envelheceram e isso vê-se, não é maquilhagem, nem efeito, os actores realmente envelheceram ao ritmo dos personagens que encarnam, ganharam traços, até algumas rugas, ganharam vidas e passado, história e arrependimentos. Nenhum dos dois é já um sonhador apaixonado, apesar de, no fundo, nunca terem desistido do amor. É tocante acompanhar este reencontro, ver como uma noite pode ter um impacto tão marcante na vida de alguem, redescobrir velhos conhecidos com uma cumplicidade nunca perdida. É reconfortante saber que há actores capazes de um à-vontade, de uma naturalidade, uma descontração, sem no entanto serem superficiais nas emoções que transparecem, nem lineares na sua evolução. É bom saber que há quem queira e saiba escrever diálogos que nos prendem e cativam, sem grandes divagações ou excessos dramáticos.
Before Sunset é um projecto de conjunto e de um cunho intimista, pessoal, é confortável como uma noite em casa de velhos amigos de sempre... Sejam bem-vindos...

Zero 7


Foi em 2001, andava à procura de um som diferente, que fosse melodioso, suave, interessante. Foi então que descobri Zero 7 com o album Simple Things, recomendado por alguem na Fnac. Aqui fica, Distractions...

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Luz na Cidade

Está a sair de cena esta peça de Conor McPherson, irlandês de 35 anos e já autor consagrado, encenador, argumentista e inclusivé realizador de cinema. Tinha que a ver, compelido por boas críticas vindas dos mais variados quadrantes inclusivé familiar.
Um homem procura a ajuda de um psicólogo quando tem visões da sua mulher morta a vaguear pela casa. No espaço deste consultório desenvolvem-se cinco quadros onde quatro pessoas deambulam entre mágoas do passado, angústia, incerteza, arrependimento e culpa.
O texto é bem conseguido, apesar de desigual, e de não se assistir de uma forma fluida ao evoluir das situações e dos personagens, saltanto de quadro para quadro sem por vezes se sentir a conexão e a ligação entre os vários momentos.
A cenografia é interessante, mesmo que sem primar por uma originalidade extrema.
Agora a grande falha da peça reside na sua escolha de actores. Enquanto que Rui Mendes é credivel e por vezes bastante emotivo, Nuno Gil e São José Correia são pura e simplesmente desastrosos. O primeiro destroi a sua cena a partir do momento em que abre a boca, perguntam-lhe se quer vinho e ele responde "Sim". Uma simples palavra, mas que arruina qualquer hipótese de se levar a sério este homem como actor. O resto é condizente. Já São José Correia, apesar de expressiva fisicamente, é de um exagero dramático desmesurado, gritando e gesticulando as emoções que se devem sentir. Marco Delgado é neutro. Não que seja especialmente mau, é certinho, diz as falas, mas não convence. Foi então que reparei. Quando vi só me apeteceu rir. Ele NÃO RESPIRA!!! Tudo aquilo que o Thiago nos anda a martelar desde o primeiro dia no workshop, respiração. o homem não respira! Bloqueia o ar, as palavras, as sensações e sentimentos, criando um vazio mesmo em frente aos próprios olhos.
Saí desiludido, muito desiludido. Espero que o Beckett na Comuna seja bastante melhor


Conor McPherson, autoria;
João Lourenço, encenação;
Rui Mendes, Marco Delgado, Nuno Gil e São José Correia, interpretação.
de 2005/12/14 até 2006/02/26
Qua a Sáb: 21h30 Dom: 16h
Teatro Aberto
Praça de Espanha
1050-107 lisboa
Telefone: 213 880 096
Internet: www.teatroaberto.com

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Eu estou é com medo da gripe das árvores

Parece que foi detectado mais um caso de gripe das árvores, um carvalho gigante do Uzebaquistão morreu e foi transportado em sacos de super-mercado para um laboratório algures nos arredores de Londres onde lhe foi diagnosticado gripe das árvores.
O problema está a atingir proporções catastróficas e pode dar-se o caso de se transformar numa numa pandemia à escala mundial. A Quercos está no terreno, bem como a Greenpeace, a Associação de Apoio à Vitima, a SPA (sociedade protectora dos animais), a SPA (sociedade portuguesa de autores), a SPA (senhora portuguesa anónima) e as casas do Benfica de Castelo Branco e Freixo de Espada à Cinta. Em declarações a este blog o Ministério do Ambiente e da Saúde, num comunicado conjunto na pele da empresa de limpezas pede calma aos cidadãos. Teme-se que o virus possa mutar e contaminar toda a população de esquilos de Monsanto, com graves repercursões para os restaurantes chineses da área da Grande Lisboa.
Numa notícia relacionada fechou mais uma fábrica de embalagens de pinhão devido à baixa da procura causada por este fenómeno, a noz e o pinheiro de Natal ameaçam tambem ser afectados.
Todas as casas reconstruidas na rua de S. Bento foram queimadas por ordem do Presidente da Camâra de Lisboa após conferência com um delegado de informação médica de uma empresa de Queluz de Baixo, devido à suspeita de terem sido usadas tábuas infectadas com a doença.
Numa notícia relacionada o Chiado voltou a arder, as causas ainda não são conhecidas.
Cinquenta crianças de uma escola de Ranholas foram internadas após usarem lápis com gripe das árvores. As crianças não apresentavam quaisquer sintomas mas foram postas em quarentena por precaução.
Sonae compra empresas de alcatifas.
Tapetes de arraiolos lançam OPA sobre a PT e prometem restruturar a empresa.
Azar bate à porta dos portugueses que, com medo de contágio, deixaram de bater na madeira de cada vez que dizem algo errado.
Restaurantes esgotam mesas de acrilico.
Homem morto por populares em fúria após comprar uma mesa de matraquilhos e outra de snooker para o seu estabelecimento.
Governo sugere a redução no consumo de papel. Acções da Microsoft triplicam em três dias.
Nova vaga de crimes, toxicodepententes assaltam pessoas na rua com pedaços de cortiça.

É por estas e por outras que eu tenho medo é da gripe das árvores...

Confirmação


Mudou o dia, mudou a turma, mudou a sensação, agora começou a sério. Ontem foi a 3ª sessão do workshop de teatro, mudou para terça-feira definitivamente para a Ana conseguir entrar. Somos sete alunos (uma vez mais o número sete) e com o novo elemento fiquei com a sensação de plenitude, de circulo fechado, de grupo completo. Não sei bem porquê mas a entrada dela veio, quanto a mim, trazer qualquer coisa ao grupo, torná-lo mais coeso, como se fosse a pequena peça do puzzle que faltava. Ontem mudaram inclusivé atitudes, as resistências de todos os elementos do grupo começaram a baixar e estamos agora a encontrar finalmente uma harmonia que permite desenvolver um trabalho de conjunto mais consistente, mais pleno. Ontem foi um ponto de viragem, acabou a iniciação, o prazo de adaptação, o perceber o que é que lá estamos a fazer. Ontem começou realmente, com o grupo completo, o processo de transformação em "actores", com todas as aspas e reticências que a palavra me merece.
Foi uma aula fisica, muito fisica, de contacto com o nosso proprio corpo, com o ambiente que nos rodeia, com o corpo dos outros. Conhecer-nos a nós próprios, aprender novas formas de respirar, perceber cada vez mais como, através desta coisa simples e sempre intuitiva que é respirar, conseguimos controlar as emoções, brincar com elas, criar em nós as partituras necessárias para representar, até mesmo encarar a vida de outro prisma, sentir de uma outra forma, viver em consonância conosco próprios, em estado constante de sensação, de sensibilidade, de alerta sensorial.
Comandos, sempre os comandos, fazer os comandos, respirar nos comandos, perceber os comandos, senti-los, interioriza-los e ganhar progressivamente a independência como actor.
E no final, plateau, exercicio de interligação improvisada entre o grupo, de co-relação e co-dependência, de movimento, atenção e reacção.
Mas é dificil, mesmo dificil, entrar no estado certo, é dificil encontrar o tempo e o modo que vai ser exigido de nós. Só passaram três semanas, temos seis meses de workshop e uma vida pela frente. Foi esta a confirmação de um caminho e uma atitude...

terça-feira, fevereiro 21, 2006

5 manias (ao desafio)

Aceito sempre mesmo que não os passe. Portanto Pinky aqui vão as minhas cinco manias... que me corrija quem me conhece...
1 - Mania de falar muito: sem dúvida, gosto de falar, falar, falar, falar, até me doer a garganta, até me pesarem os olhos.
2 - Mania de ir ao cinema: É genético, é deste os meus dois anos, cinema sempre e acima de tudo (teatro tambem, desde os três). Vejo cinema, trabalho em cinema, escrevo para cinema, ouço música e imagino... cinema!
3 - Mania de comer bem - Esta a culpa é da mãe Teresa, uma das, senão A melhor cozinheira que já conheci. Pode ser comida simples, mas que raio, que seja bem feita!
4 - Mania de Lisboa: É e sempre foi a minha cidade, o meu berço de origem. Dos jardins de Belem, aos edificios novos da Expo, mas principalmente do Rio a Alfama, da Assembleia ao Castelo, Lisboa antiga faz parte da minha força vital. Não é por acaso que comprei casa na Baixa...
5 - Mania de amar: Em todo o sentido da palavra. Defendo muito os meus, quem amo e quem me ama, seja familia, namorada ou amigos (mesmo que por vezes pareça mais ausente do que devia para alguns).

E pronto... ficam, com as devidas falhas e reticências algumas das manias que me vieram agora à cabeça. Não me definem como pessoa, mas tambem não fogem à realidade.

Anúnicos pessoais


Ontem fui buscar o carro à oficina mas ainda não estava pronto. Na verdade pronto de vez só hoje mas adiante...
Enquanto esperava fiquei a ler o Record, Benfica e Sporting e yada yada yada. O Record, tal como outros jornais, tem uma secção de classificados, dos quais metade são anúncios pessoais. São brilhantes! Para começar todos parecem ser escritos pelo mesmo gajo e todos usam as reticências de uma forma disparatada! "Loirinha... Bumbum delicioso... Peito 40..." Na verdade não percebo isto, bumbum delicioso três pontinhos??? Devia ser bumbum delicioso ponto de exclamação!! Ou bem que é delicioso ou bem que não é! Este tipo de coisas esgota-se em si mesmo, mas houve duas frases que me deixaram com a pulga atrás da orelha, repetidas várias vezes... "Mulata (três pontinhos) Bumbum firme (três pontinhos) Oral natural..." ?????? Oral quê? Natural? Em oposto a oral sintético? Só depois percebi o que queriam dizer... Já a segunda frase deixou-me um pouco mais perturbado: "Estudante... 19 aninhos... bumbum firme... 2ª oportunidade..." ???? Quê??? Segunda oportunidade? Isso quer dizer o quê? Segunda mão? Cuidado não é virgem? Faz parte de um programa de inserção social após passar anos na prisão? Toxicodependente em recuperação?
Alguem faz ideia? (Ele há cada uma...)

Leu o meu cantinho e ficou interessada na auto-descoberta, noas pequenos passos que estamos a dar. Queria juntar-se a nós mas não podia naquele dia. Então telefonei, escrevi, falei e voltei a perguntar, toda a gente podia para terça. Falei com o Thiago e ele mudou algo de muito importante na sua vida para mudar para terça. Assim hoje temos aula do workshop de teatro com mais uma pessoa que conheci no meu atelier anterior.
Novos ajustes, novas pessoas, novas experiências, mais um passo no processo de crescimento...

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Tentativa de roubo


Sábado duas da manhã... bem... técnicamente era Domingo duas da manhã, vou para o carro para levar a namorada a casa quando de repente... "AH! O vidro!" - a exclamação da Ana devia-se a ter os vidros da porta de trás do lado do condutor completamente partidos. Alguem tinha entrado no carro, tirado o saco com os cabos da bateria do porta-bagagens para o banco de trás, aberto o porta luvas, tirando o pano do pó de lá de dentro e saido sem levar nada. O que me deixa preocupado... será o meu gosto musical tão mau ou tão estranho que não merece um único roubo? Nem um cdzinho? Nada? No meio de mais de 50 titulos à escolha? Bem... adiante. Passo seguinte queixa na polícia, que tem a esquadra duas ruas abaixo do sucedido e nem um único "Sô Guarda" na rua! Bem sei que Sábado à noite se concentram na zona do Bairro mas safa... nem um? Só para fazer figura? Só para que uns gajos quaisquer pensem duas vezes antes de me rebentar com o carro?
Chegado à esquadra sou atentido por um simpático agente que tomou conta da minha participação. Demorou três quartos de hora sim... quarenta e cinco minutos, uma hora menos um quarto para escrever "Senhor tal e coisa na data tantos do tal participou que lhe fizeram isto a este veículo..." Q-U-A-R-E-N-T-A E C-I-N-C-O M-I-N-U-T-O-S!!!!!! E um poster lindo que dizia "Se não fechas essa boca faço queixa de ti à policia!" com o desenho de um queque! Seria um poster sobre violência familiar, mas não percebi o que fazia ali o príncipe da pastelaria tuguesa... Adiante...
Já passava das três da manhã quando saí de lá! Passo seguinte ligar para a companhia. O carro não podia ficar assim na rua, não fosse outro inteligente olhar para aquilo e resolver acabar com o serviço levando o bicho consigo, ou deixá-lo à mercê das intempéries divinas (já agora, foi impressão minha ou no Domingo trovejou para caraças?). Reboque nada, que o carro mesmo assim podia-se conduzir, só restava darem-me um sitio para o depositar durante um dia. O mais perto Sacavém! Olha que bonito! Lá vou eu para Sacavém a meio da noite com chuva e vento e vidros a cair para cima da Ana a cada sobressalto no asfalto (ao menos não me mandaram para a Malveira da Serra, que daqui para Sintra no meio da noite, num barracão perdido na estrada nacional número não sei quê, não me parecia boa ideia).
Zona industrial de Sacavém, ao pé do LIDL, curva e contra-curva perdidos no meio de sítio nenhum. Chegados ao local estacionamos o carro e entramos para os escritórios à espera de um táxi. O homem, sem se fiar na guarda de um pastor alemão com ar mais meloso que o Hello Kitty, manteve-se sempre a dez metros de nós, a fumar cigarros, fazendo conversa nervoso, com uma placa cheia de cinza onde se podia ler: "Proibido Fumar". Verdade seja dita que a minha cara não devia inspirar propriamente segurança, no meio da noite, com chuva, barba por fazer, olheiras até ao queixo, ar pálido e desesperado, rodeados do silêncio dos barracões de armazem. Foi com alívio que chegou o taxista.
Ora bem... este homem era tuguês! Mas um tuguês profundo como julguei que já não existia: baixinho, bigode, cabelinho puxado para trás, calcinha justa anos 70 vincada no meio, cachucho no dedo, com o mindinho esticado tipo "Faxavor ó conlicência, é pá onde?" Prego a fundo! Aquilo era um Tiago Monteiro, aquilo era um Airton Senna, um campeão de rallys, um Colin McRae! E eu com medo pela própria vida!
Chegámos seguros, sãos e salvos, caidos redondos na cama já passava das cinco da manhã... E agora é apanhar o carro, comunicar com o seguro, mandar arranjar... e safa! Que ninguem prende estes gajos!!!

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Os Monstros do Id

Uma das coisas que se falou na aula de ontem foi do Id, do Ego e do Superego. Pelo que percebi, explicado por uma psicóloga lá aluna, o Id são os nossos sonhos e ensejos interiores, o Ego são as nossas vontades conscientes e o Superego aquilo que controla essas vontades, que faz com que nos levantemos de manhã para ir trabalhar mesmo que a vontade consciente seja ir para Praga.

Em 1956 foi feito o filme O Planeta Proíbido, um filme de ficção científica com discos voadores e tudo, com um jovem Leslie Nielsen ainda longe dos seus tempos de comédia. Se quiserem vêr o filme não leiam este parágrafo porque vou contar o fim...
Esta fita, que se transformou num clássico de culto, fala da expedição de uma nave espacial a um planeta onde foi montada uma colónia que perdeu a comunicação há muito tempo. Chegados ao planeta deparam-se com dois sobreviventes apenas, um cientista e a sua filha, que vivem com luxo, e que descobriram instalações extraordinárias de uma civilização muito mais avançadas e que, apesar de estar em condições impecáveis e a funcionar, não se conhece vestígio dos seres que antes lá habitaram. Os restantes colonos humanos foram mortos por um estranho monstro que apenas poupou o cientista e a filha e que agora reemergiu estando a colher vidas entre os novos visitantes. A pacífica civilização avançada, que foi exterminada por este monstro, desenvolveu formas de conhecimento elevadíssimo e inclusivé de materialização de objectos apenas com a força da mente, acabando por perder a necessidade do físico. O seu fim foi a sua própria natureza, ao evoluirem desta forma soltaram os monstros do Id, a Besta que vive no subconsciente de cada um de nós e que se materializou destruindo-os. Este monstro agora é fruto do Id do cientista que, sem o saber e sem o controlar, materializou os seus medos e receios através das maquinas que aprendeu a utilizar e que agora voltaram para aniquilar os novos invasores.
O filme é interessante e a temática inovadora para um filme de ficção científica dos anos 50, que elevou a película a estatuto de culto.

Não consigo deixar de fazer um paralelo entre o trabalho do workshop de teatro e este filme. Estamos a querer entrar em contacto com o nosso Id, as nossas emoções, o nosso interior mais profundo. Até que ponto podemos ir? Onde estão escondidos os nossos monstros do Id? Como dizia uma amiga minha "Certos personagens eu não queria representar, e se o fizesse não dava o máximo de mim... por precaução..."Afinal de contas será assim tão certo que o nosso mais íntimo, os recantos mais escuros da nossa alma, o nosso temor, seja algo que deva ser solto?

Aprofundamento

Segunda aula de workshop. Desta vez com mais um elemento que eu já tinha conhecido do meu atelier de teatro anterior. Somos sete, finalmente sete, seis alunos e o Thiago. Seis alunos permite trabalho a pares e sete... bem sete é o meu numero de eleição portanto creio ser perfeito.
Começa a noite com uma conversa descontraida, sentados no chão, ainda antes da aula, o Thiago começa a falar de algo que ele está a escrever e diz ter descoberto o problema das dificuldades de relacionamento entre Homens e Mulheres: Deus! Gera-se a discussão, a conversa solta-se entre amor, casamento, Adão e Eva, compromisso, sexo, relações humanas, constragimentos sociais e expectativas. Ao fim de meia hora o Thiago diz: "Agora pensem em tudo o que foi dito aqui, que eu não vou dizer o nome devido à multiplicidade de temas, e tragam na proxima aula textos e um objecto pessoal sobre o assunto." Sem o saber a aula tinha já começado...
Foi o momento de aprofundar aquilo que se tinha descoberto há uma semana, de controlar e focalizar, de descobrir cada vez mais o papel fundamental da respiração no controlo emocional, no esvaziar da mente, no entrar num estado alternativo de consciencia que nos permite desenvolver o trabalho como actor. Mais um pequeno passo, segundo numa caminhada de pelo menos meio ano.
No entanto, algo que parece tão simples, respirar, já está a encontrar fortes resistências por parte de alguns elementos do grupo. Posições cépticas, de renúncia, objecções quanto à capacidade de efectuar os exercicios, quanto ao espaço onde se faz o workshop, aos comandos dados, tonturas que se sentem durante a respiração, tudo mecanismos de defesa que uma das pessoas activa por sentir algo incomum, invulgar, por se ver a entrar num patamar onde as emoções podem não ser controladas tão facilmente, ou pior, entrar em contacto com elas, aprender a senti-las, manusea-las, enfrentá-las em vez de se resguardar numa capa de indiferença. Só significa que estamos a ir na direcção certa... e apenas na segunda aula...

Coldfinger

Gostei, gostei do ambiente que Margarida Pinto deu ao blog, gostei de Pessoa e gostei da reacção das pessoas! :) Como tal resolvi mander a sonoridade melódica e envolvente, mas agora no projecto que lançou esta cantora: Coldfinger. The Tree And The Bird é do segundo album, primeiro LP (já em CD obviamente, mas Long Play, não sei se há uma designação específica, o outro só tinha 5 musicas), e é uma das minhas suaves e melancolicas melodias de eleição...