quinta-feira, maio 11, 2006

Se um desconhecido te oferecer flores... isso é Impulse!

Se na distribuição dos prémios anuais toda a gente receber o triplo daquilo que tu recebes isso é... estão a gozar contigo! E se escreveres um mail ao Director de Recursos Humanos a perguntar o que se passa isso é... estás lixado! A não ser que te parem a tempo e te digam que só estavam no gozo...

Fui apanhado, o emprego pode não ser de sonho, mas este nivel de tratamento desigual achava que era demais...

:D

Quanto um tipo se sente profundamente injustiçado no emprego, quando se sente tratado com uma desigualdade gritante, só apetece mandar tudo à merda (pardon my french)! Quando o tipo responsável por isto está em Paris e a pessoa nem sequer o pode confrontar ainda pior!
Para o diabo com isto tudo...

quarta-feira, maio 10, 2006

Estão três homens em minha casa...

... e vão estar mais, podem no fim da manhã ser quatro ou cinco. E a minha cara-metade a tomar conta deles todos... Mas pelo menos hoje temos:

  1. Portas e janelas que dão para a varanda vedados
  2. Cano da máquina de lavar roupa arranjado
  3. Junta do chão da cozinha vedado
  4. Estante do escritório montada
  5. Candeeiro da sala montado

O que nos vai permitir:

  1. Não ter água em casa quando chove
  2. Fazer as máquinas de roupa suja que se acumula
  3. Não inundar a casa da vizinha quando cai alguma água no chão
  4. Arrumar as pilhas de livros e cadernos espalhados pela casa
  5. Acabar de fazer as mudanças que faltam
  6. Limpar a casa toda
  7. Trabalhar com calma
  8. Receber pessoas, dar jantares e não andar sempre com medo de onde se pisa

Uff... a ver se as coisas começam a entrar nos eixos

terça-feira, maio 09, 2006

Shooting Dogs


Quando, após longa ausência, fiz um levantamento dos imensos filmes em cartaz que me faltam ver (sem esquecer a Cinemateca e lamentando os que já passaram), deparei-me com este Shooting Dogs. O filme narra a história verídica de um padre e um professor europeus durante o massacre do Ruanda. Pensei logo num sub "Hotel Ruanda parte 2" e o facto de ser realizado pelo Michael Caton Jones não me deixou seguro. No entanto o que li sobre o filme era abonatório, o John Hurt merece sempre uma visita e ontem acabei por assistir à sessão das 19h10 no Monumental.
Para começar qualquer comparação com o Hotel Ruanda é meramente circunstancial, o tema é o mesmo, as situações descritas similares, mas Shooting Dogs apela a uma abordagem muito mais realista - motivada decerto pelos sobreviventes do massacre que se encontram na equipa de produção - desde as línguas que se falam, ao facto de ter sido rodado no local, passando pela apresentação directa e brutal dos actos cometidos naqueles dias. Mas Shooting Dogs não é um filme choque, não pretende repugnar com imagens violentas de sangue e mutilações, é antes um conto emocional, que narra o desespero de um povo e a indiferença a que foram votados pela comunidade internacional (como dizia uma reporter da BBC: na Bósnia quando via uma mulher morta pensava que podia ser a minha mãe, aqui são apenas africanos mortos). É um filme profundamente católico, defendendo o papel da Igreja em situações limite, que serve de base e apoio para gente que não tem mais para onde recorrer, mas é acima de tudo um filme de valores, de actos, gestos e imagens de angústia, de desespero, de esperança e de uma nobreza que, no meio da barbárie, sobressai da raça humana. É um filme duro, muito duro, directo, sem rodeios que nos faz em vergonha perceber que aqueles que com armas nas mãos vêm crianças a ser chacinadas sem nada fazer somos nós, cada um de nós, que no momento de agir se mantem indiferente ao sofrimento alheio.
Uma surpresa magnifica esta obra que me deixa a pensar como é que um homem que realiza este projecto a seguir faz o Instinto Fatal 2? Enigmas da vida...

segunda-feira, maio 08, 2006

As certezas das confirmações

Existem espaços para parar, ouvir, recolher ideias, sentimentos, e pensar realmente sobre a vida, o rumo que levamos e as motivações que nos impelem nesse sentido. Existem lugares onde se procura a ajuda de outros que, sem julgar nem impor ideias, nos fazem as questões fundamentais sobre as decisões que tomamos... É importante fazer essa pausa, é importante ter onde e a quem nos dirigirmos, e é importante sermos sinceros conosco próprios e com os outros.
Sabe bem, dá uma sensação de paz, tranquilidade, alegria e força redobrada, no fim destes momentos confirmar as certezas que já possuíamos e saber, com cada fibra do nosso ser, que estamos no caminho certo, numa caminhada até ao fim dos nossos dias...

sexta-feira, maio 05, 2006

De Gabriel a Gabriel


De Gabriel o Pensador a Lamb, com este Gabriel, tema cujo clip vai tentar reproduzir uma famosa sequência de Million Dollar Hotel, filme controverso, amado por uns e igualmente desprezado de Wim Wenders. Foi aliás este clip que me chamou a atenção para a pálida beleza desta música cantada por Louise Rhodes com um tom rouco que nos transmite uma palete de sensações, num tema agri-doce de uma amargura humana tocante... O album é irregular, não figurando entre a lista dos obrigatórios, mas esta e mais uma ou duas músicas fazem com que seja uma boa compra...

quinta-feira, maio 04, 2006

Pormenores 2

O Metro... essa fonte inesgotável de personagens peculiares... e há alguns que nos apanham completamente de surpresa. Por exemplo ainda não consigo perceber o que fazia um homem adulto na estação do Marquês num canto virado contra a parede a falar ao telemovel mas tão perto, tão perto, que se esticasse a língua tocava no azulejo...

Pormenores

Ontem, a caminho de casa para almoçar, fiz aquele que é agora o meu trajecto regular, percorrendo a rua Augusta até à Rua do Comércio ao velhinho quarto andar... Por mim passavam as tradicionais personagens que compõem a magia da zona antiga da cidade, dos rapazes dos questionários às peixeiras, dos turistas aos artistas de rua... No meio dos cheiros e sons da Baixa sobressaiu um já conhecido pequeno orgão de sopro tocado a medo por um cego de Lisboa... Já velho, gordo não do excesso de comida mas da falta de vida, roto nos cotovelos de um banco desdobrável onde repousa... As notas, fora de ritmo e de tempo, eram de uma velha canção de estudantes... "A mulher gorda a mim não me convém..." Parei por um momento... não pude deixar de notar na ironia de um pobre homem daqueles estar a tocar justamente aquela música...

quarta-feira, maio 03, 2006

Texto em cena

Cinco menos dois, foi esta a conta da última aula do workshop de teatro. Sobrámos apenas três alunos dos cinco sobreviventes... Foi, apesar disso, uma aula intensa, muito intensa, aliás não me lembro de suar tanto sem estar a carregar pesos.
Começámos com uma pequena palestra acerca de rigor e responsabilidade, a postura a partir de aqui vai ser de uma maior exigência para conosco e para com as tarefas que temos que realizar, sejam na aula sejam em casa. O ritmo, promete-se, vai ser acelerado, e quem não puder acompanhar o passo vai ser ajudado, mas em caso algum vai por em causa o andamento dos outros. Recado recebido.
Momento seguinte partituras dinâmicas, em vez de gestos simples, agora são partituras com base no movimento criado pelo Thiago, um pouco como se de dança se tratasse - afinal é esse cunho físico impressivo que ele quer dar a este espectáculo. Evolução, desvio, uso de partituras anteriores, encadeamento de acções e emoções... Subitamente dou-me conta... o meu personagem já começa a ter um gesto, um modo, um movimento próprio, começa lentamente a existir, não no verbo, mas no corpo...
Desenvolvimento constante, temos agora um momento de interacção, de luta, de improviso... Com a orientação do Thiago, os três elementos que lá estavam movem-se, quase dançam, atacam-se, defendem-se, lutam e vingam... Num constante por e tirar de camisolas forma-se uma cena, e agora texto... Dos nossos textos, escritos na parede, temos que formar uma cena... Tudo se complica, o texto atrapalha, condiciona, limita, restringe... como diz uma colega minha "sei dizer o texto, mas não o sei representar" - correcção imediata - "não tens que representar o texto, tens que fazer as partituras, puxar a emotividade, respirar, focar e, de forma limpa, dizer o texto, não representá-lo..."
Trabalho sobre a fala, a acção ligada à Palavra, e no fim muitos trabalhos para casa... Trazer lençois - que desconheço para que servirão - escrever o exercício que fizemos como cena de uma peça - ficará já na nossa peça? - e escrever um monólogo com base nos textos que vamos pesquisando - descobri que o Livro do Desassossego do Pessoa é uma base enorme para a minha personagem - para o decorarmos...
Foi uma aula dura, física, mas muito recompensadora...

terça-feira, maio 02, 2006

Regresso à cena - Parte II

No dia da Liberdade teve lugar uma outra aula de teatro, desta vez de manhã para se poder aproveitar melhor o feriado.
Aula completa - na anterior tinha faltado um elemento - e desta vez trouxemos os textos pedidos. A pesquisa que estamos a fazer de textos serve de base não só para o trabalho de cada aula, para termos leituras que possamos realizar, mas tambem é o esqueleto da construção da nossa peça final, os textos devem portanto estar relacionados com o nosso personagem, devem servir de material para o conhecermos, desenvolvermos, para lhe darmos corpo e alma.
A aula começou com a apresentação do trabalho de cada um. A troca de ideias, dúvidas e interrogações sobre os textos escolhidos levou a uma ou outra resposta mais ríspida e, com a intervenção do Thiago que se deixou envolver, voltou a descambar em discussão e conflito.
Sempre que lidamos com emoções tudo parece correr bem, mas quando passamos para a troca de ideias, quando a aula se baseia no verbo, tudo dá uma volta inesperada. Sem atribuições de culpa, a verdade é que foi uma aula deitada fora, mais uma, não só com o conflito, a subsequente tensão, a conversa final para o tentar resolver, mas com o completo alheamento que alguns elementos do grupo ditaram aos exercicios quando o Thiago nos abandonou na sala para ir falar com quem estava incomodado com a discussão. Espero que não se repita... Os problemas devem ser resolvidos após a aula e não durante o pouco tempo que dispomos, e todos temos que ter a capacidade de nos concentrarmos mesmo quando as coisas não estão a correr pelo melhor. É uma aula por semana. Se a deitarmos ao lixo, deitamos fora 7 dias de trabalho...
Hoje nova aula... Espero que nada disto se repita...

Regresso à cena - Parte I

Sexta-feira dia 21 de Abril regresso ao fim de um mês às aulas de teatro... Curioso como algo que não ocupa mais que três horas numa semana e que existe apenas há meia duzia de meses, possa ter uma importância tão grande, possa fazer tanta falta... O regresso, aguardado, foi profícuo, leitura de textos, que deveriam ter sido trazidos por nós (não o sabia) mas que acabaram por ser entregues pelo Thiago. Por vezes há coisas que parecem predestinadas, um dos textos que li vai ser a base do passado da minha personagem na peça que estamos a construir, quando o ouvi pela primeira vez, lido por outro colega, senti uma vontade enorme de lhe pegar, e quando o pude lêr soube que era perfeito para a construção da identidade deste Homem ainda anónimo...
Não foi tanto uma aula de emoções mas um pouco mais de técnica de leitura, a respiração do texto, a procura dos tempos, entoações, velocidades e pontuações próprias para dar corpo à Palavra, que serve de capa à expressividade da representação...

sexta-feira, abril 28, 2006

Ainda não acredito...

É agora, é já! Tirei estes dias de férias para fazer a mudança, ao contrário da maioria que fez a ponte pequena de segunda para férias, eu fiz a mega-ponte de quarta, quinta e sexta para acartar com caixotes. A casa na velhinha rua da Baixa, a dois passos do Terreiro do Paço, a três passos da Fnac, a quatro passos do Chiado, a cinco do Bairro e a seis do Castelo está mais desarrumada que nunca. Os montes de coisas para arrumar reproduzem-se como coelhos invadidos pelo espírito primaveril, estantes por montar, pó por limpar, máquinas de lavar e tábuas de passar a ferro.
Pensava eu - ingénuo - que mudar o recheio de um, apenas um, quarto seria matéria facil, mas ao fim destes dias parece estar tudo na mesma, apesar das dores nas costas e das inúmeras vezes que já perdi o fôlego.
E para o cúmulo torci na segunda feira um pé... Para subir quatro andares não se pode dizer que seja o mais desejado, mas enfim... com a meia elástica a fazer milagres vou abusando dele, que mesmo assim de vez em quando se lembra de me dizer que está lesionado e que eu devia ser mais cuidadoso... Mas seja, isto é uma revolução na minha vida e não me lembro de revoluções sem alguns incidentes, é assim mesmo, as revoluções são sempre duras e até a nossa - neste país de brandos costumes - fez a sua ocasional vítima.
São as minha últimas três noites nesta casa, quando voltar ao emprego jávou de metro, já faço o meu próprio jantar, já partilho um sonho, um caminho, uma Vida... Perdoem-me os lugares comuns, mas há motivos para que os lugares comuns se tenham tornado nisso mesmo...
A vida em tumulto... Ainda não acredito...

segunda-feira, abril 24, 2006

Intervenção!


É a semana do 25 de Abril que cola com o 1 de Maio já na próxima segunda feira. Semana de datas significativas, momentos e marcos fundamentais e que, para além dos feriados e celebrações adjacentes, devem ser um momento de reflexão. Aquilo que muitos de nós tomamos como garantido na verdade não o é, e mesmo dentro das liberdades agora adquiridas há muito para lutar, muito para mudar, muito trabalho que precisa ser feito. A luta por um ideal social maior, por mais justiça, mais equidade, pelo fim da descriminação racial, sexual, social, ou qualquer outra forma que ganhe, a recompensa baseada no mérito e não no compadrio, a protecção dos mais fracos, em suma a busca pela Igualdade, Liberdade, Fraternidade como dizem os franceses, ou pela Paz, o Pão, Habitação, Saude, Educação, como canta Sérgio Godinho, está ainda - e quiçá mais que nunca - na ordem do dia.
Como tal, a música desta semana tinha que ser uma música de intervenção. Escolhi Gabriel, o Pensador para fugir aos tradicionais cantores de Abril, já que os problemas que enfrentamos não são só nossos, mas pertencem a uma enorme comunidade internacional de gente de diferentes raças, cultos e credos. Aqui fica... Até Quando?

"Muda que quando a gente muda o Mundo muda com a gente
a gente muda o Mundo na mudança da mente
e quando a mente muda, a gente anda para a frente
e quando a Gente manda ninguem manda na gente!
Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura
na mudança de postura a gente fica mais seguro
na mudança do presente a gente molda o futuro!
Até quando você vai levando porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?"

sexta-feira, abril 21, 2006


Falta uma semana para mudar de casa...

De volta ao teatro!

Finalmente, estas últimas três semanas têm sido atribuladas, completamente cheias e atípicas, e uma das atipicidades tem sido a falta de teatro, mas hoje, apesar de ainda não estar totalmente recuperado, volto às aulas, e depois da última e de todos os problemas que surgiram, estou ansioso pelo regresso...