terça-feira, maio 16, 2006

A preparar o próximo ano lectivo


Com tanta mudança, tanta adaptação na vida e tanta coisa para tratar no imediato, é facil esquecer aquilo que não é urgente, mas que não deixa de ser importante. Com a experiência do workshop, que vai acabar em Julho, e do atelier de teatro que fiz, queria continuar a aprendizagem, a minha expansão pessoal, num vício de criatividade e expressividade corporal que se apoderou de mim.
Mas desta vez queria algo mais duradouro, mais estruturado, mais "a sério", não querendo com isso afirmar que o workshop que estou a fazer é "a brincar", longe disso, mas precisava de algo mais longo, que seja mais amplo naquilo que ensina, que permita uma exploração ainda maior da arte de representar (da qual sou espectador e fraco aprendiz).
Como tal comecei a fazer a minha busca. Pedi já informações ao espaço Evoe e à Act, que me parecem ter aquilo que procuro. O Chapitô, infelizmente, por alguns dias de incompatibilidade no incio, não é, este ano, opção.
Já agora, alguem tem sugestões de sítios onde procurar?

segunda-feira, maio 15, 2006

É a porra do princípio!

Há aquelas coisinhas pequenas, que na verdade não nos influenciam em nada o curso do dia, mas que, sem motivo aparente, nos deixam profundamente irritado. Uma das coisas são as pessoas que, independentemente da direcção que pretendem tomar, carregam am ambos os botões de chamada do elevador, fazendo com que este pare desnecessáriamente.
Outro é que, quando o botão de chamada já está carregado alguem, depois de olhar para mim, lá vá e pressione segunda vez o dito. Pior ainda é, tendo olhando bem para mim e vendo que já lá estava há algum tempo (não sou pequenino é dificil que não me notem!), entre em primeiro lugar no elevador, sem mais nem porquê. E enquanto que a história de carregar segunda vez no botão ainda pode ser imbirrância minha, o facto de se meter como um senhor crescido à minha frente, irrita-me solenemente. Não pela ordem de entrada, que o elevador tem tamanho para toda a gente e chegamos ao mesmo tempo, mas é a porra do princípio!

-Então vais-te casar?
-Vou
-Parabens!
-E quando é que te vais casar?
-Dia 23
-Eu ia-me casar nesse dia, mas acabou tudo...
-A que horas?
-Às 17
-Era a hora a que eu me ia casar...
-Onde?
-No Campo Grande?
-Com o Padre Vitor?
-Sim, porquê?
-Era nessa paróquia que eu me ia casar, com ele a celebrar o meu casamento!
-!!!
-Só te casas porque eu desisti!

sexta-feira, maio 12, 2006

O Salto

Ontem foi o aterrar do salto, é incrivel a diferença que duas aulas fazem no desenvolvimento do trabalho de actor, da construção de personagem, do próprio trabalho final.
Ontem continuámos com o trabalho com as partituras dinâmicas, movimento constante, um jogo de cadeiras em constante correria, até nos sentarmos, fixarmos a emoção e dizermos o texto que tinhamos preparado, assim, no momento. O barulho foi demais para o vizinho de baixo que subiu as escadas e ameaçou chamar a policia se não parássemos!
Mudança forçada de planos, o jogo agora decorria como se tivessemos a pisar ovos, os movimentos suaves, com uma tensão no andar. As mudanças de partituras podem ser feitas, mas não se pode ficar no vazio, se não for assumidamente depressa, tem que ser marcadamente lento, o meio termo aqui é que não funciona. Em frente com o trabalho, esta alteração veio trazer um nervo ao texto, à acção, como se algo se passasse que não se percebia bem o quê, como se existisse um segredo escondido por detrás daquelas palavras. Tira-se agora as cadeiras, a partitura mantem-se, cada vez mais interacção, mais emoção, mais texto.
Treino final de agressividade e defesa, movimento de ataque e gestos de medo, e sempre, sempre o texto de premeio. É incrivel as prestações que comecei a ver dos meus dois colegas (ontem fomos de novo apenas 3), não que mereçam o Grande Prémio do Juri em Cannes para a representação, mas ali, naqueles olhos vi, de uma forma genuina e constante, verdadeira emotividade, medo, raiva e texto... o mesmo texto que se nos enrolava na boca, a sair, fluido, genuino, sem pensar...
Relaxamento final feito com lençois, que lá ficaram depositados para mais tarde ganharem o seu papel e a sua energia próprias.
Um apontamento que me deixou mais calmo, a apresentação que vai ser feita no final deste workshop, vai ser feita sob a forma de exercicio público, e não necessáriamente uma peça no sentido mais tradicional do termo. Esse projecto, essa verdadeira peça, será desenvolvida no âmbito da associação de teatro que está a ser montada agora e à qual quero vir a pertencer, composta por ex-alunos do Thiago. Domingo temos uma reunião, a ver vamos o que dali sai...

quinta-feira, maio 11, 2006

Enviado pela minha amiga faninha...

Se um desconhecido te oferecer flores... isso é Impulse!

Se na distribuição dos prémios anuais toda a gente receber o triplo daquilo que tu recebes isso é... estão a gozar contigo! E se escreveres um mail ao Director de Recursos Humanos a perguntar o que se passa isso é... estás lixado! A não ser que te parem a tempo e te digam que só estavam no gozo...

Fui apanhado, o emprego pode não ser de sonho, mas este nivel de tratamento desigual achava que era demais...

:D

Quanto um tipo se sente profundamente injustiçado no emprego, quando se sente tratado com uma desigualdade gritante, só apetece mandar tudo à merda (pardon my french)! Quando o tipo responsável por isto está em Paris e a pessoa nem sequer o pode confrontar ainda pior!
Para o diabo com isto tudo...

quarta-feira, maio 10, 2006

Estão três homens em minha casa...

... e vão estar mais, podem no fim da manhã ser quatro ou cinco. E a minha cara-metade a tomar conta deles todos... Mas pelo menos hoje temos:

  1. Portas e janelas que dão para a varanda vedados
  2. Cano da máquina de lavar roupa arranjado
  3. Junta do chão da cozinha vedado
  4. Estante do escritório montada
  5. Candeeiro da sala montado

O que nos vai permitir:

  1. Não ter água em casa quando chove
  2. Fazer as máquinas de roupa suja que se acumula
  3. Não inundar a casa da vizinha quando cai alguma água no chão
  4. Arrumar as pilhas de livros e cadernos espalhados pela casa
  5. Acabar de fazer as mudanças que faltam
  6. Limpar a casa toda
  7. Trabalhar com calma
  8. Receber pessoas, dar jantares e não andar sempre com medo de onde se pisa

Uff... a ver se as coisas começam a entrar nos eixos

terça-feira, maio 09, 2006

Shooting Dogs


Quando, após longa ausência, fiz um levantamento dos imensos filmes em cartaz que me faltam ver (sem esquecer a Cinemateca e lamentando os que já passaram), deparei-me com este Shooting Dogs. O filme narra a história verídica de um padre e um professor europeus durante o massacre do Ruanda. Pensei logo num sub "Hotel Ruanda parte 2" e o facto de ser realizado pelo Michael Caton Jones não me deixou seguro. No entanto o que li sobre o filme era abonatório, o John Hurt merece sempre uma visita e ontem acabei por assistir à sessão das 19h10 no Monumental.
Para começar qualquer comparação com o Hotel Ruanda é meramente circunstancial, o tema é o mesmo, as situações descritas similares, mas Shooting Dogs apela a uma abordagem muito mais realista - motivada decerto pelos sobreviventes do massacre que se encontram na equipa de produção - desde as línguas que se falam, ao facto de ter sido rodado no local, passando pela apresentação directa e brutal dos actos cometidos naqueles dias. Mas Shooting Dogs não é um filme choque, não pretende repugnar com imagens violentas de sangue e mutilações, é antes um conto emocional, que narra o desespero de um povo e a indiferença a que foram votados pela comunidade internacional (como dizia uma reporter da BBC: na Bósnia quando via uma mulher morta pensava que podia ser a minha mãe, aqui são apenas africanos mortos). É um filme profundamente católico, defendendo o papel da Igreja em situações limite, que serve de base e apoio para gente que não tem mais para onde recorrer, mas é acima de tudo um filme de valores, de actos, gestos e imagens de angústia, de desespero, de esperança e de uma nobreza que, no meio da barbárie, sobressai da raça humana. É um filme duro, muito duro, directo, sem rodeios que nos faz em vergonha perceber que aqueles que com armas nas mãos vêm crianças a ser chacinadas sem nada fazer somos nós, cada um de nós, que no momento de agir se mantem indiferente ao sofrimento alheio.
Uma surpresa magnifica esta obra que me deixa a pensar como é que um homem que realiza este projecto a seguir faz o Instinto Fatal 2? Enigmas da vida...

segunda-feira, maio 08, 2006

As certezas das confirmações

Existem espaços para parar, ouvir, recolher ideias, sentimentos, e pensar realmente sobre a vida, o rumo que levamos e as motivações que nos impelem nesse sentido. Existem lugares onde se procura a ajuda de outros que, sem julgar nem impor ideias, nos fazem as questões fundamentais sobre as decisões que tomamos... É importante fazer essa pausa, é importante ter onde e a quem nos dirigirmos, e é importante sermos sinceros conosco próprios e com os outros.
Sabe bem, dá uma sensação de paz, tranquilidade, alegria e força redobrada, no fim destes momentos confirmar as certezas que já possuíamos e saber, com cada fibra do nosso ser, que estamos no caminho certo, numa caminhada até ao fim dos nossos dias...

sexta-feira, maio 05, 2006

De Gabriel a Gabriel


De Gabriel o Pensador a Lamb, com este Gabriel, tema cujo clip vai tentar reproduzir uma famosa sequência de Million Dollar Hotel, filme controverso, amado por uns e igualmente desprezado de Wim Wenders. Foi aliás este clip que me chamou a atenção para a pálida beleza desta música cantada por Louise Rhodes com um tom rouco que nos transmite uma palete de sensações, num tema agri-doce de uma amargura humana tocante... O album é irregular, não figurando entre a lista dos obrigatórios, mas esta e mais uma ou duas músicas fazem com que seja uma boa compra...

quinta-feira, maio 04, 2006

Pormenores 2

O Metro... essa fonte inesgotável de personagens peculiares... e há alguns que nos apanham completamente de surpresa. Por exemplo ainda não consigo perceber o que fazia um homem adulto na estação do Marquês num canto virado contra a parede a falar ao telemovel mas tão perto, tão perto, que se esticasse a língua tocava no azulejo...

Pormenores

Ontem, a caminho de casa para almoçar, fiz aquele que é agora o meu trajecto regular, percorrendo a rua Augusta até à Rua do Comércio ao velhinho quarto andar... Por mim passavam as tradicionais personagens que compõem a magia da zona antiga da cidade, dos rapazes dos questionários às peixeiras, dos turistas aos artistas de rua... No meio dos cheiros e sons da Baixa sobressaiu um já conhecido pequeno orgão de sopro tocado a medo por um cego de Lisboa... Já velho, gordo não do excesso de comida mas da falta de vida, roto nos cotovelos de um banco desdobrável onde repousa... As notas, fora de ritmo e de tempo, eram de uma velha canção de estudantes... "A mulher gorda a mim não me convém..." Parei por um momento... não pude deixar de notar na ironia de um pobre homem daqueles estar a tocar justamente aquela música...

quarta-feira, maio 03, 2006

Texto em cena

Cinco menos dois, foi esta a conta da última aula do workshop de teatro. Sobrámos apenas três alunos dos cinco sobreviventes... Foi, apesar disso, uma aula intensa, muito intensa, aliás não me lembro de suar tanto sem estar a carregar pesos.
Começámos com uma pequena palestra acerca de rigor e responsabilidade, a postura a partir de aqui vai ser de uma maior exigência para conosco e para com as tarefas que temos que realizar, sejam na aula sejam em casa. O ritmo, promete-se, vai ser acelerado, e quem não puder acompanhar o passo vai ser ajudado, mas em caso algum vai por em causa o andamento dos outros. Recado recebido.
Momento seguinte partituras dinâmicas, em vez de gestos simples, agora são partituras com base no movimento criado pelo Thiago, um pouco como se de dança se tratasse - afinal é esse cunho físico impressivo que ele quer dar a este espectáculo. Evolução, desvio, uso de partituras anteriores, encadeamento de acções e emoções... Subitamente dou-me conta... o meu personagem já começa a ter um gesto, um modo, um movimento próprio, começa lentamente a existir, não no verbo, mas no corpo...
Desenvolvimento constante, temos agora um momento de interacção, de luta, de improviso... Com a orientação do Thiago, os três elementos que lá estavam movem-se, quase dançam, atacam-se, defendem-se, lutam e vingam... Num constante por e tirar de camisolas forma-se uma cena, e agora texto... Dos nossos textos, escritos na parede, temos que formar uma cena... Tudo se complica, o texto atrapalha, condiciona, limita, restringe... como diz uma colega minha "sei dizer o texto, mas não o sei representar" - correcção imediata - "não tens que representar o texto, tens que fazer as partituras, puxar a emotividade, respirar, focar e, de forma limpa, dizer o texto, não representá-lo..."
Trabalho sobre a fala, a acção ligada à Palavra, e no fim muitos trabalhos para casa... Trazer lençois - que desconheço para que servirão - escrever o exercício que fizemos como cena de uma peça - ficará já na nossa peça? - e escrever um monólogo com base nos textos que vamos pesquisando - descobri que o Livro do Desassossego do Pessoa é uma base enorme para a minha personagem - para o decorarmos...
Foi uma aula dura, física, mas muito recompensadora...

terça-feira, maio 02, 2006

Regresso à cena - Parte II

No dia da Liberdade teve lugar uma outra aula de teatro, desta vez de manhã para se poder aproveitar melhor o feriado.
Aula completa - na anterior tinha faltado um elemento - e desta vez trouxemos os textos pedidos. A pesquisa que estamos a fazer de textos serve de base não só para o trabalho de cada aula, para termos leituras que possamos realizar, mas tambem é o esqueleto da construção da nossa peça final, os textos devem portanto estar relacionados com o nosso personagem, devem servir de material para o conhecermos, desenvolvermos, para lhe darmos corpo e alma.
A aula começou com a apresentação do trabalho de cada um. A troca de ideias, dúvidas e interrogações sobre os textos escolhidos levou a uma ou outra resposta mais ríspida e, com a intervenção do Thiago que se deixou envolver, voltou a descambar em discussão e conflito.
Sempre que lidamos com emoções tudo parece correr bem, mas quando passamos para a troca de ideias, quando a aula se baseia no verbo, tudo dá uma volta inesperada. Sem atribuições de culpa, a verdade é que foi uma aula deitada fora, mais uma, não só com o conflito, a subsequente tensão, a conversa final para o tentar resolver, mas com o completo alheamento que alguns elementos do grupo ditaram aos exercicios quando o Thiago nos abandonou na sala para ir falar com quem estava incomodado com a discussão. Espero que não se repita... Os problemas devem ser resolvidos após a aula e não durante o pouco tempo que dispomos, e todos temos que ter a capacidade de nos concentrarmos mesmo quando as coisas não estão a correr pelo melhor. É uma aula por semana. Se a deitarmos ao lixo, deitamos fora 7 dias de trabalho...
Hoje nova aula... Espero que nada disto se repita...