Dependência
Uma coisa pequena, lesão no pé, muscular, nada partido, uma semana de canadianas e em principio fica tudo resolvido.
No entanto fico dependente para as mais pequenas coisas. Ainda agora um colega me trouxe um copo de água, que não consigo ir buscar sozinho. Fazer o jantar torna-se dificil, entrar e sair de casa é uma verdadeira epopeia, não consigo pôr a mesa, arrumar seja o que for, e tenho toda a gente a fazer coisas por mim. Irrita-me a dependência, irrita-me ter que contar com os outros para as coisas mais básicas. Hoje demorei 20 minutos para descer as escadas e fazer metade do caminho para o metro. Desisti e chamei um taxi para não chegar uma hora atrasado ao emprego.
Eu sei que é pouco tempo, é rápido, doi pouco e daqui a uma semana está resolvido. Mas nunca lidei bem com o não poder tratar completamente de mim mesmo.
Mas adiante, desabafo de rabujice, de quem na verdade, tem poucos motivos de queixa...



Em seguida estive com um jovem checo de nascença, judeu de religião, alemão de língua, que morreu novo demais e deixou atrás de si uma obra inacabada que fala de culpa, dor, inadequação e de um mundo que se move por regras que ele não compreende. Esteve este homem angustiado a falar-me de seu pai, tirano, opressor e que o moldou na sua reclusa fragilidade.
Estou agora com uma dinamarquesa, que por duas vezes esteve perto do Nobel e por duas vezes o perdeu para nomes maiores (Hemingway e Camus), que me mostra vidas e mundos de gelo, dos fiordes longiquos da Noruega, de paixões e naufrágios, de festins, palcos, velhos orgulhosos, e riquezas sumptuosas.









