quarta-feira, junho 21, 2006

Ponto de viragem


Quando em 1991, na festa do meu 12º aniversário, um dos meus amigos de infância me ofereceu o LP (sim, o LP), deste Out Of Time dizendo "é uma banda que ando a ouvir, gosto muito.", não podia imaginar que se tratava de um dos albuns quintessênciais da música rock, e o ponto de viragem na carreira de uma banda que levava já uma década de existência. Com Out Of Time, os R.E.M. sairam definitivamente do mundo underground, onde construiram nome ao longo da década de 80 com a pequena editora IRS, e conseguiram conciliar reconhecimento dos seus pares, da crítica e sucesso comercial. Com a Warner Bros atingiram o mainstream, sem no entanto terem nunca comprometido o seu som e liberdade artística. Prova disso é a multiplicidade de estilos e experiências, nem sempre bem conseguidas mas sempre arriscadas e interessantes, que assumiram a seguir aos êxitos deste album e de Automatic For The People. Por exemplo Monster é, ao contrário dos anteriores, um album pesado, com um som electrico, e Up, o primeiro album após a saida do baterista Bill Berry, é uma experiência de maturidade sublime, onde os ritmos são agora electrónicos e de uma sonoridade complexa.

Aqui vos deixo Half A World Away, uma das primeiras músicas que me fascinaram desta banda de referência.

terça-feira, junho 20, 2006

Santo António já se acabou...


Mas mesmo assim ainda lá dei um pezinho e provei umas sardinhas que estavam, como deviam, a pingar bastante, pão à parte que pessoalmente não gosto da mistura. Na segunda de Sto. António não tinha previsto ir jantar aos santos, era só acompanhar a noiva e a cunhada a uma caracolada, para depois ir saborear o bifinho a casa. Sublinho o acompanhar, dê lá por onde der não consigo gostar de caracois, só o cheiro me faz confusão e o aspecto dos bichos rastejantes que passeiam o seu visco sabe-se lá por onde é absolutamente repugnante.
O problema foi passar pela Fnac a matar um jejum que data já de 2005. Foram vários meses sem comprar nada para mim, e o sufoco era demasiado: Sérgio Godinho, Mart'Nália e Truman Capote foram as vítimas deste pequeno surto de compras, após longa e penosa escolha.
Quando nos dirigimos para os caracois eram já dez para as nove, o aperitivo de fim de tarde transformou-se em jantar, e como sempre nestas alturas apareceram mais amigos que rondavam a zona. Vieram os caracóis, o pão, as febras, a salada de pimentos e, claro está, as famosas sardinhas.
A confusão era muita, as pessoas, os cheiros, as mesas e assadores. A multidão passava, a sangria e a cerveja corriam soltos. No meio de toda a agitação, numa rua que tinha sido vedada ao trânsito, estava pomposamente estacionado um carro. Infeliz o dono, terá toda a gente pensado, que não sai daqui com o bicho em muito bom estado. O problema é que o carro... era o meu! Estava ali parado há já alguns dias, o uso regular do metro não lhe dá muita saída e esquecemo-nos de o mudar. Foi com o coração na garganta que o encontrei no meio do tumulto, mas sobreviveu quase ileso. Só dei conta do limpa pára-brisas traseiro partido, mas nem posso garantir que tenha sido ali.
Subida ao bairro para ir ter com outros amigos. Deve ser a única noite do ano em que aquelas são as ruas mais calmas das redondezas. A noite acabou cedo. A cama chamava, mas... viver no centro do furacão não é pacífico. Foi barulho até de madrugada, com o comboio-a-apitar-na-garagem-da-vizinha-enquanto-se-apanhavam-na-minha cama-com-ela-e-nós-pimba!
Custou mas foi, acabei por adormecer...
Para o ano há mais...

segunda-feira, junho 19, 2006


De regresso de umas mini-mini férias que aproveitaram os feriados e as pontes-sobre-os-dias-para-parecer-que-descansamos-mais-desta-forma.
A ida foi calma, apesar da ameaça de ficarmos em Madrid devido a mau tempo no aeroporto das Astúrias. O terminal quatro é interessante, mas passar lá a noite não estava nos planos.
Os picos da Europa são de facto lindíssimos, mas aproveita-se melhor se se fizer turismo activo (ou como anunciava um cartaz, hyper-activo!), coisa que o tempo não permitiu.
A caminho de Bilbau, paragem em Santander que é uma cidade completamente desinteressante, mas isso só se sabe depois de lá ter ido!
Bilbau está como sempre a merecer uma visita, uma cidade que vive de uma arquitectura variada, onde o antigo e o ultra-moderno co-habitam harmoniosamente, com uma zona velha muito pitoresca e o Guggenheim.
Aquele museu é deslumbrante, as instalações do Serra que já lá estavam há dois anos são fantásticas e o resto... o resto merece o passeio pelo espaço.
Os espanhois continuam a falar alto, continuam a comer muito e relativamente mal.
A viagem de regresso foi durinha, mais de 11 horas de carro com paragem em Burgos para ver a Catedral que tinha fechado para visitas... 15 minutos antes.
Foi uma pausa que, como sempre, foi demasido curta.

segunda-feira, junho 12, 2006

Vou-me vou-me, mas volto!

Para aproveitar os feriados, este blog vai tirar férias e conhecer as tão badaladas pontes. Bons feriados e bom santo antónio para todos! Até segunda...

São três semanas... são três meses...

Foi na rua com nome de menina que se esconde por detrás da minha, e que tem o nome escarrapachado no meu B.I, que se fez o ensaio do teatro. Saímos da Ajuda, da casa do Thiago, onde os vizinhos já ameaçam chamar a polícia se não deixarmos de fazer barulho, e fomos para um sitio onde podemos estar sem incomodar ninguem e com espaço suficiente para fazermos os exercicios.
Estava manco, com alguma dificuldade em me mexer, mas mesmo assim tive pena da maior parte da aula se ter passado em conversa e marcação de datas. Sim arranjei os movimentos para o monólogo e as partituras para os movimentos, mas foi muito pouco tempo de trabalho, sem intervenção do Thiago e onde, na verdade, não consegui sustentar qualquer tipo de emotividade, ficando portanto num registo forçado e falso.
Agora são três semanas sem aulas, esta é dos feriados e está muita gente de férias, e as próximas duas são as que antecedem a estreia da peça do Thiago. Ao que parece ele não consegue fazer nada nas vésperas de estrear e portanto as aulas estão suspensas. Três semanas... depois em Julho quatro aulas em quinze dias e voltamos ao trabalho em Outubro. Mais três meses.
Já não vamos estrear no Maxim, a peça afinal vai ser em conjunto com outros alunos dele e vai ser em Cascais (ou assim agora se prevê).

Valeu a sardinhada dessa noite, que pingava e estava muito bm assada...

sexta-feira, junho 09, 2006

Out in the open

E pronto, a minha mãe descobriu ontem este blog, sendo que o meu pai é já leitor há algumas semanas.

É agora um blog aberto a todos os que me conhecem, excepção feita à malta do emprego, que trabalho é trabalho e cognac é cognac.

Bem-vindos...

Crédito onde o crédito é devido

E se levaram ontem com um post irado, hoje merecem um post de reconhecimento. Bastaram dois telefonemas para a LisboaGás e para a EDP, com as leituras correctas dos contadores e o problema está aparentemente resolvido. As facturas enviadas são eliminadas e são feitas outras com os valores exactos. Gostei do atendimento e da rapidez de resposta.

Afinal nem toda a gente funciona mal...

quinta-feira, junho 08, 2006

Estimativa


estimativa s. f., - cálculo; avaliação; cômputo.

(ainda é vago, preciso de mais ajuda)

avaliação s. f., - acto de avaliar; valor determinado pelos avaliadores; estimativa;
fig., - apreciação; estima.

Ok agora entendi, se uma estimativa é uma avaliação e uma avaliação é o valor determinado pelos avaliadores, então está justificada a conta de mais de 600 euros que os senhores do gás e da luz me meteram em casa. Para eles uma estimativa (como se pode provar pela definição de dicionário) é o valor que eles próprios (avaliadores) quiserem. E eles determinam que duas pessoas, novas, que nunca chegam a casa antes das sete da tarde, depois de terem pago todos os meses o que era devido, ainda têm que desembolsar mais 600 euros de consumo estimado!!!!
Mas nós andamos a fazer o quê? A gerir uma discoteca? Um parque de diversões? Qual das máquinas com potência suficiente para pôr o homem na Lua é que justifica esta estimativa de consumo? Terei eu por acaso espectáculos contínuos de pirotecnia para consumir este gás todo?
Será que em casa da mãezinha destes senhores o consumo é tão elevado?

quarta-feira, junho 07, 2006

Teorias Freudianas do Pequeno-Almoço

Numa sociedade que se afirma cada vez mais racista há um elemento de clara contradição: a imensa vontade que muita gente demonstra em ser negro. São as horas ao sol, os auto-bronzeadores, as centenas de euros nos solários, tudo com um único propósito: ficar cada vez mais escuro.
Não misturo aqui obviamente o simples gozo de ir à praia, ou mesmo o bronze que nos retira as tonalidades amarelo-esverdeada do rosto.
Refiro-me ao esforço concentrado, sistematizado, organizado e muitas vezes pago, que tem como única finalidade o escurecimento da pele.
Esta TFPA (Teoria Freudiana do Pequeno-Almoço), desenvolvida hoje por volta das oito da manhã, defende que na verdade existe uma busca para se tornar negro que tem como base a inveja do pénis e suas variantes sexuais masculinas e femininas. Na verdade quem é visto como grande amante? O macho latino, escuro, dominante, poderoso. Quem destila sexualidade? A mulata, morena, quente. E quem é visto como o homem com o maior orgão sexual, aliás com a componente fisica mais desenvolvida? O negro.
Ao invés o branco é associado com a beleza pura, angelical, com a meninice, com comparações com bonecas de porcelana, mas com um ar frágil, delicado, subtil.
É o complexo de inferioridade sexual que leva a esta busca desenfreada do escurecimento do corpo.
No seu inconsciente animal, debaixo das suas neuroses e fragilidades, o homem branco inveja o negro. Por detrás dos insultos e do rebaixamento existe um fascinio por uma capacidade sensual que roça o ridiculo, e se aproxima do culto inconsciente de idolos de bronze.

Mas vá... é só uma teoria!

terça-feira, junho 06, 2006

The New World


Terrence Mallick começou a sua carreira de realizador em 1969 e fez a sua primeira longa-metragem em 1973 com Baldlands, um filme polémico com Martin Sheen e Sissi Spacek. Cinco anos mais tarde voltou a atrás das câmaras em Days of Heaven com Richard Gere. Seguiu-se um interregno de duas décadas e em 1998 ressurgiu com o muito aclamado Thin Red Line.
The New World é a sua última obra, um filme que segue a história de um explorador inglês que conhece e se apaixona por Pocahontas, passando a meio do filme a seguir a história desta famosa india.
The New World não é uma película fácil, com um ritmo muito lento, a história avança com um tempo muito próprio e um tom de uma suave melancolia que se insinua a cada momento. É no entanto um filme lindissimo, em que a beleza das imagens nos rodeia e nos seduz, seguindo como fio condutor para uma história de amor, perda e redenção.
Um dos pontos fortes desta fita é o seu elenco, liderado por Colin Farrel - dos mais talentosos actores da nova geração - com Christopher Plummer e Christian Bale, mas a grande revelação é Q'Orianka Kilcher, uma jovem de dezasseis anos que foi escolhida para o papel de Pocahontas com apenas 14. Filha de pai peruano, mãe suissa e nascida na Alemanha, é de uma subtileza e de uma maturidade na sua actuação invulgar até em actrizes experientes.

Um filme diferente, mas não para agradar a todos.

  • Então isso da perna foi conm o quê? Mota?
  • Não. Não foi de mota, torci o pé.
  • É que essas motas são perigosas.
  • Pois...
  • O pára-choques é o corpo.
  • ...
  • Costumava levar muitos ali à companhia de seguros por causa das motas.
  • ...
  • Não há nada a proteger-nos como nos carros.
  • ...
  • A minima coisa e vai-se logo de rebolão.
  • Pois, mas eu torci só o pé, eu nem ando de mota.

Entrei no Taxi e repeti a mesma frase dos últimos dias "5 de Outubro por favor". Comecei a ouvir um barulho repetitivo, baixo, irritante e vi que o homem cortava as unhas enquanto conduzia. Foi então que olhei para as minhas e reparei que já precisavam de um corte...

segunda-feira, junho 05, 2006

Corinne Bailey Rae

É original de Leeds, começou por cantar na Igreja e lançou esta ano o seu album homónimo. Tem tomado de assalto o mundo pop e com uma voz que tem um fundo soul está a firmar-se. O primeiro single Put Your Records On é uma lufada de ar fresco e trás boa disposição a este ambiente quente de Verão. Fica como banda sonora da semana... porque está calor e nem tudo precisa ser sério.


Sorry L, mas Ben Harper tinha que sair mais cedo ou mais tarde... :)

Eu fui?

Sábado foram-me instalar a Tv Cabo, o que implicou acordar um pouco mais cedo que o habitual a um fim de semana, mas permitiu almoçarmos com a minha mãe e comprar o fatinho para o casamento (não é o fato à Mao que pensei originalmente, mas seja, muitas vezes têm que se fazer concessões quando não se encontra o que se procura, e o Armani cintado assenta-me bem, apesar de não me permitir engordar um grama, aliás, se fizer uns abdominais não fico a perder). Estas voltas implicaram andar bastante (subir o bairro não é facil principalmente para apanhar o Pap'Açorda fechado), que as muletas já se estão a tornar incómodas.
Graças ao sogro, tinhamos bilhetes VIP para vêr Red Hot, o cansaço ainda pesou, mas resolvemos sair na mesma. O VIP permitia transporte do estádio de alvalade (com estacionamento gratuito) directamente para a porta do recinto, sem ter que fazer a caminhada (impossivel neste estado) do metro até à entrada. À nossa frente o Coisa Castelo Branco, com a múmia da mulher e o guarda costas, olhava para nós com mau ar. Não sei se era da minha barba por fazer ou dos chinelos da Ana, mas algo em nós não lhe agradou, o que muito me confortou. Subindo no elevador na zona de espera onde se pode beber uma bica, a mulher do café ficou vidrada no Coisa como se o Papa em pessoa estivesse à sua frente, tive que ser um pouco mais veemente para lhe chamar a atenção, pois não me apetecia esperar tempo a mais apoiado sobre as mãos só por causa do Coisa. Água, café, transfer.
Chegado ao recinto estava igual. Gostei do ambiente há dois anos, continuo a gostar agora, mas fomos directos para a tenda VIP. Entramos, é incrivel a quantidade de pessoas enganadas, a quantidade de pessoas que, por estarem numa tenda, num parque na Bela Vista, acham realmente que são alguem, mas adiante, a fome apertava, fomos jantar. Sentámo-nos e ao lado senta-se... o Coisa, com a Múmia da mulher. Disparam os flashes por todo o lado e o Coisa abandona a Múmia para se ir pavonear pela sala. Ela fica, como se fosse deficiente mental, parada a olhar em frente, sozinha, numa cena digna de dó. O guarda-costas aproxima-se com um prato de comida ao que ela pergunta atenciosamente se ele já jantou. A Múmia mete dó, a Múmia afinal ainda vive. O resto foi uma tentavia de sobreviver na multidão, que com muletas ou sem muletas pouco se importavam e só não te chegavam para o lado com um encontrão por mero acaso.
Vimos Da Weasel e parte de Red Hot. Estavamos cansados, fomos de volta para casa. Ao sair da tenda percebemos: afinal estávamos mesmo no Rock in Rio, os sons, os cheiros e as pessoas continuavam lá, apesar da outra dimensão em que se entra na pseudo zona VIP.
Sem os bilhetes VIP não tinha conseguido ir, mas com os bilhetes VIP (sem poder andar pelo recinto) a pergunta é: eu fui?

sexta-feira, junho 02, 2006


já sei onde comprar massa de pão (sob encomenda)
já sei onde beber uma bica barata
já sei (espero) onde cortar o cabelo
começo a saber os sitios onde comer
já sei onde há supermercados para desenrascar uma ermegência
já sei onde estacionar o carro


ainda não sei onde há um bom talho
ainda não sei onde se compra boa fruta
ainda não sei onde há uma boa padaria
ainda não conheço todos os vizinhos pelo nome
ainda não digo bom dia a ninguem quando passo na rua


mas é cada vez mais a minha casa