terça-feira, julho 11, 2006

E pagam-lhes...

Esta história soube através de um outro blog, mas o primeiro single do novo album dos Red Hot, Dani California, é um plágio directo de uma música de Tom Petty intitulada Mary Jane's Last Dance. Torna-se inacreditável quando se ouvem ambas ao mesmo tempo. Deixo aqui o link para o programa de rádio que lançou a polémica. Vale a pena gastar uns minutinhos e ouvir...

segunda-feira, julho 10, 2006

Eu, tu e todos os que conhecemos

Quando a solidão se torna demasiado forte para suportar, quando a necessidade de se ter alguem faz com que soframos para além do possivel, com que nos humilhemos, que toquemos seja em quem for que se nos atravesse no caminho e entreguemos o coração sem perguntar nem comos nem porquês, o humor aparece. É desta busca de companhia, de amor, deste triste humor amargo de abandono que vive Eu, Tu e Todos os Que Conhecemos, longa metragem de estreia de Miranda July, que conta a história cruzada de um vendedor divorciado, dos seus filhos de uma artista que conduz um taxi para ganhar dinheiro, e de diversos personagens de um bairro onde a ânsia de amar e ser amado pulsa em cada esquina vazia.

Uma produção independente americana, uma comédia dramática que merece não passar despercebida.

sexta-feira, julho 07, 2006

Surpresa

De regresso a casa, de passagem pelo arco da Rua Augusta, reparei que um grupo de pessoas se juntavam em volta do que parecia ser uma performance de rua. Em vez de ir para casa lá fomos e entrámos no Festival Urbano Pedras D'Água, um evento organizado pelo C.E.M. - Centro em Movimento, que já existe há algum tempo e que está a ter o seu apogeu final de 26 de Junho a 7 de Julho, com diversos eventos espalhados pela Baixa, desde percursos pedonais, instalações de video, performances de teatro, música e dança.

Senti-me um pouco ridículo por não ter reparado que algo se passava quando vivo ali, mas ainda vou a tempo de apanhar o encerramento hoje.

Fica aqui feito o convite para algo que, segundo o pouco que vi ontem, apresenta um plano pluri-disciplinar bastante interessante.

Aqui podem ver o programa completo ou aceder ao site do C.E.M.

Apareçam... até logo...

Pseudo

Uma das coisas boas em ter aniversários na familia é a possibilidade de se conhecer novos restaurantes ou revisitar velhos conhecidos que estão normalmente longe das modestas possibilidades de quem começa a vida.
Ontem, pelos aniversário da minha mãe, fomos experimentar o Eleven, tido por muitos como um dos melhores restaurantes da cidade, os preços na carta pelo menos assim o indicavam.
Situado no topo do Parque Eduardo VII, tem uma vista que é verdadeiramente deslumbrante, e uma parede totalmente em vidro tira todo o proveito do espaço. A decoração é sobria, apesar de pontualmente deslocada, como a imagem gigantesca de um menino a chorar logo á entrada.
Desde o inicio que o restaurante começou a desiludir, as pequenas entradas não estavam brilhantes, até a qualidade do pão era banal.
A sopa não se destacava, a vitela estava bem confecionada, mas o sabor a pesto apagava os restantes e não era superior a dezenas de outras, até a sobremesa, mil folhas de dois chocolates (ainda hei-de perceber porque é que lhe chamam mil folhas) era igual à que se come em qualquer restaurante um pouco acima da média.

A questão não é que a comida fosse má, o problema é que para preços daqueles temos que ter uma experiência única, ninguem paga 25 euros por uma entrada que se come igual em qualquer lado.

Para melhor restaurante de Lisboa fica-se pelo pseudo, inclusivé em alguns pormenores que se tornam ridículos, como por exemplo o bacalhau vir acompanhado por 5 batatas e em seguida vir um empregado servir mais duas antes de se começar a comer, gesto este repetido por todos os pratos (eu tive mais um pouco de massa), o que nos deixa a perguntar porque carga de água não veio o prato servido desde a cozinha.

Duas horas e meia para acabar a refeição tambem não abonam a favor de um serviço médio.

Para a gama de preços, não é de todo recomendado.

quinta-feira, julho 06, 2006

Força Z.

Há momentos da vida que por mais preparados que estejamos nos apanham sempre de surpresa, e há pessoas de quem sentiremos sempre a falta passem quantos anos passarem.

A música desta semana é de um dos grandes senhores de sempre, um icon, Bob Dylan. Em 1973 ele gravou, no album Planet Waves este Forever Young, que se tornou uma das suas canções de referência em todo o mundo.

Vai com dedicação para uma amiga e companheira das lides de palco, que perdeu alguem muito próximo há bem pouco tempo.

Um beijinho Z.

quarta-feira, julho 05, 2006

A poupança

O cheiro inundava a casa, um misto amargo de queimado, com azedo, com um travo a gordura, era profundamente enjoativo. Ao entrar na cozinha tornou-se insuportável. Um esgar de nojo percorreu-me o rosto. Que foi isto?
O óleo do Jumbo, o bom óleo Auchan, novo, tresandava após fritar uns panados de frango. O cheiro nauseabundo espalhou-se por todas as divisões, colou-se à comida tornando-a impossivel de engolir.
Tudo para o lixo, óleo, almoço e o resto com uma lavagem profunda. Lixivia no lavatório para não restar rasto.

A poupança de alguns cêntimos no preço do óleo custou-nos a garrafa inteira, a comida, o trabalho e o cheiro entranhado nas roupas, nas equinas, no corpo.

Há mesmo que saber que produtos não comprar marca branca...

A Lula e a Baleia

Quando a geração do peace and love dos anos 60 chega ao poder e forma familia o descalabro da estrutura familiar começa.
A Lula e a Baleia, filme de Noah Baumbach, argumentista de The Life Aquatic With Steve Zissou, é um terno, provocante, dramático e hilariante retrato de uma separação numa familia intelectual americana em meados dos anos 80. Com Laura Linney e Jeff Daniels nos principais papeis, é a baseado na experiência pessoal do realizador (filho do escritor Jonathan Baumbach). Um filme arriscado desse ponto de vista, com uma visão agridoce, mas bastante crítica de todo o processo, que se torna um exemplo do fracasso da familia enquanto instituição, que se inicia naquela década: "Os teus colegas todos não têm os pais divorciados?"
A arrogância intelectual do pai, a devassidão da mãe, a sua própria falta de talento e plágio constante, e o descontrolo alcoólico do irmão mais novo, fazem parte de uma parafernália de confusas ideias, emoções e sensações que acarreta toda a experiência.
Vencedor do prémio para melhor realização e melhor argumento em Sundance, A Lula e a Baleia tem sido premiado em diversos circulos, incluindo uma nomeação para o Oscar de Melhor Argumento Original e 3 nomeações para os Globos de Ouro.

Um pequeno filme independente que prova uma vez mais que o cinema americano não se limita à idade mental de 4 anos, que está vivo, pulsante e capaz de surpreender.


terça-feira, julho 04, 2006

No meu prédio


São pedras, são madeiras, são cinco andares de uma existência que começou em 1777 (na altura seriam só três), ano de construção e que dura até hoje, com a varanda ao comprido, o quarto de vestir, as tábuas corridas de madeira, as portadas, o pé direito alto, a luz todo o dia, a pedra do forno na cozinha.
O primeiro andar no entanto é um caso à parte. Com uma entrada própria, ocupa todo o edificio, que tem normalmente duas casas por piso. Salão imenso, salas forradas a madeira, foi comprado por um arquitecto, jovem, que planeia fazer ali o seu atelier e residência.
Foi através dele que descobri, e mais tarde confirmei, que naquele prédio, naquela casa, naquele primeiro andar, trabalhou durante alguns anos Fernando Pessoa.

São 230 anos de vida de um prédio... com muita história... E são pormenores destes que acrescentam ao gozo de viver na Baixa...

segunda-feira, julho 03, 2006

Samaritana

Há uma adolescente, de sorriso ingénuo, que sonha ir à Europa. Há uma amiga, que a ajuda a prostituir-se para alcançar esse sonho. Há um amor jovem, intenso, puro. Há um pai, policia, viuvo, carinhoso, que desconhece completamente a vida paralela da filha. Há um clima tenso, de tragédia eminente, e uma beleza triste em cada passo. Samaritana, o último filme do coreano Kim Ki Duk (o mesmo que já nos tinha trazido Ferro 3) que ganhou o Prémio de Realização em Berlim.
Um exclusivo do Alvaláxia em Portugal, e merece a visita.


sexta-feira, junho 30, 2006

Conversa alta e animada no metro, alguem vociferava algo a ver com Castelo Branco e Bragança. Levanto-me. Ele, alto, muito magro, calças azuis a estrear, camisa vermelha, virava sem parar as páginas do "Metro". Olhando a porta, de costas para toda a gente, gritava sozinho: "Nem antigamente, quando isto era pior. Agora nem as capitais de distrito, nem Bragança, ou Castelo Branco!". Quando as portas se abriram começou a correr como se perseguisse o seu destino.

A rotunda do Saldanha à hora do almoço não se afigura como o sitio mais apetecivel para passear de carro. Atrasado para uma refeição que o meu estômago há muito pedia, irritado pelo trânsito excessivo que a greve do metro origina, fazia a curva em direcção ao sinal vermelho. Parado, perto da berma, mas ainda na estrada, estava um espectro, curvado, fato completo castanho muito usado, saco de plástico numa mão e bengala na outra, que não se apoiava no chão. Parecia o João César Monteiro, que, em vez de morrer, se tinha escondido no meio dos indigentes da sua cidade. Barba rala, olhava atentamente o vazio...

A primeira vez que o vi estava sentado numa cadeira de plástico, a meio da tarde, no pequeno espaço entre carros estacionados. Dias mais tarde, numa noite de Junho, situava a mesma cadeira na ombreira da porta de um restaurante da mesma rua. Mas ontem pouco depois do Arco Escuro na Rua dos Bacalhoeiros, esta velha figura adormecida, com a idade bem avançada, via escorrer languidamente os dias rodeado das bases de um andaime que ali está a ser colocado. Parecia uma triste escultura em exposição...

quinta-feira, junho 29, 2006

Miss Daisy


Estreia amanhã a peça Miss Daisy de Alfred Uhry, premiada com o prémio Pulitzer e que deu origem ao filme Driving Miss Daisy com Jessica Tandy (vencedora de um Oscar pelo seu papel) e Morgan Freeman.
Na sua primeira representação em Portugal cabem a Eunice Muñoz e Thiago Justino encarnar os personagens, num trabalho que explora a vivência de uma senhora judia e o seu motorista na América sulista dos anos 50.
É o regresso de Eunice ao auditório que tem o seu nome, e para mim é uma oportunidade de ver o meu professor de teatro em palco pela primeira vez.

São apenas 14 interpretações num curto espaço de tempo.

MISS DAISY",
de Alfred Uhry
Aud. Municipal Eunice Muñoz (Rua Mestre Aviz - Oeiras)
4ªs, 5ªs, 6ªs feiras e Sábados - 21H30 / Domingos - 17H00
De 30 de Junho a 15 de Julho
Actores:Eunice Muñoz, Guilherme Filipe e Thiago Justino
Encenação e Direcção: Celso Cleto
Informações:Telef. 214 408 582 / 214 429 304 –
paulo.afonso@cm-oeiras.pt rmaria.desousa@gmail.com
Bilhetes:10,00
Bilheteira: No local - 2ªs e 3ªs feiras - das 14H00 às 18H00 / 4ªs feiras a sábados - das 14H00 até às 21H30 / Domingos - das 14H00 às 18H00 /
Reservas: 214 429 304 ou 960 272 519
Lojas FNAC, Lojas de viagens ABREU e www.ticketline.pt (Reservas: 210 036 300)

Para a Alex


Há canções que, a seu jeito, nos confortam, inspiram ou dão conselhos valiosos.
Aqui vai para a Alex, escritora, fotógrafa e heartbraker... porque há gente que não merece minha amiga...


Chega

"Não, não te quero mais,
Agora eu que decido aonde eu vou...
Não, não, não suporto mais,
Prefiro andar sozinha como sou...!
Andar de madrugada feito traça,
Feito barata, feito cupim...
Dizer p'ra mim que eu gosto mais de mim,
Que eu sou assim e não tem jeito...
Vai sair da minha vida,
Você vai ter que mudar
Da minha casa, de atitude, chega!
Ainda mais agora que eu vou viajar,
P'ra me livrar de você!
Não quero mais ser seu amigo, nem inimigo, nada!
Andar de madrugada feito traça,
Feito barata, feito cupim...
Dizer p'ra mim que eu gosto mais de mim,
Que eu sou assim e não tem jeito...
P'ra entrar na minha vida
Você vai ter de mudar
Da minha casa, de atitude, chega!
Ainda mais agora que eu vou viajar,
P'ra me livrar de você!
Não quero mais ser seu amigo, nem inimigo, nada!
P'ra entrar na minha vida
Você vai ter de mudar
Da minha casa, dos seus amigos e chega!
Ainda mais agora que eu já viajei e me livrei de você,
Não quero mais ser seu amigo, nem inimigo, nada!
Pra você é o fim da estrada,
Com você fechei a tampa
Da minha casa, dos meus amigos, chega!
Ainda mais agora que eu vou viajei e me livrei de você,
Não quero mais ser seu amigo, nem inimigo, nada!
P'ra você é o fim da estrada,
Com você fechei a tampa!..."

Mart'Nália é a filha do cantor Martinho da Vila e o seu nome é a mistura do nome do seu pai com o de sua mão Anália. O primeiro album data de 1987, mas esteve dez anos até gravar a sua segunda obra. Pé do meu Samba é o terceiro disco desta cantora, dos ritmos quentes do samba, que descobri há pouco tempo...

quarta-feira, junho 28, 2006

Foto de Alexandra Gil

O miudo do cão agora anda no metro - foi a primeira coisa que pensei quando o vi, calças ruças, camisa de fora e aquele cachorro pendurado no ombro enquanto segurava um balde, improvisado com um cordel e uma garrafa de plástico cortada, na boca. O acordeão soava da mesma forma, rude, desengonçada, mas de quem já tem alguma experiência nas mãos. Ele já não é um miudo e o cachorro já não é um cachorro, ambos apenas pequenos de estatura. Olhando melhor o cão já não é o mesmo, o pêlo maior e mais lustroso e as patas menos firmes denunciam-no, é o fiel depositário das esmolas, mas não denota a segurança nos ombros do dono.
Lembro-me agora que nem ainda há dois dias o tinha visto no chão da Rua Augusta, sorriso firme no rosto, rodeado de outros miudos, cada um deles com o seu cão nos ombros e o seu acordeão nos braços. Ganhou seguidores, o fiel amigo de quatro patas derrete corações e as cópias tornam-se inevitáveis, é a crua lei da oferta e da procura. Vendo bem se calhar não era o miudo que agora deambulava no metro, mas sim algum da sua falange de adeptos, que resolveu, ou foi forçado a seguir esta vida.

Aquele que conhecia, o eterno da Rua Augusta, tinha um ar vivo, esperto, um olhar terno e sorria como se fosse feliz, sentado no chão, na calçada, a tocar notas um pouco desencontradas para uma plateia que olhava enternecida para um cachorro, empoleirado muito quieto no ombro, como o papagaio de um qualquer pirata de perna de pau, das histórias encantadas que ele ainda tinha idade para ouvir...

Dizia ontem um locutor de rádio: "e vai haver uma interrupção entre os oitavos de final e os quartos. Mas como vamos nós VIVER sem futebol?"

O ênfase na palavra viver foi tal que pensei que fosse caír fulminado por um raio à primeira luz do dia de hoje, incapaz de VIVER sem futebol.

Mas depois continuou "Nestes dias vamos fazer a análise do campenonato, as estatisticas, entrevistas e a previsão da próxima fase."

Suspirei de alívio. Afinal é possivel VIVER com substitutos de futebol, como se fosse uma metadona aldrabada.

Ainda bem. É que já tinha planos para o fim-de-semana...

terça-feira, junho 27, 2006

Há seres...

Há seres que se escondem nas pregas escuras do ciber-espaço que, sentindo-se autênticos cavaleiros, defensores consagrados da moral vigente, mui altos protectores dos valores universais que, normalmente anónimos (o que contrasta com o ar de damas ou cavalheiros da mais pura estirpe), se dignam a saltitar de blog em blog espalhando ao vento comentários e críticas como se tivessem do seu lado a luz divina.

Mas de onde é que saem estas criaturas?