quinta-feira, setembro 28, 2006

World Trade Center

Pit stop em Lisboa para trocar de bagagens, de beijinhos e abraços com a familia.
Antes de ir deu tempo para ver World Trade Center de Oliver Stone, mais um filme sobre o atentado de 11 de Setembro (a seguir a United 93).
Depois de ver o trailer fiquei inquieto, parecia-me mais um filme a gabar o heroismo extremo dos americanos versus o horror do terrorismo. No entanto Stone nunca fez um filme consensual ou fácil, e nunca caiu no simples american way.
Erro... nota-se que acima de tudo este filme é um projecto encomendado pela indústria, provavelmente para se redimir do seu imenso flop com Alexandre - que custou uns exorbitantes 150 milhões de dólares. Não é o primeiro cineasta que tem que ceder aos fretes dos estúdios para poder filmar aquilo que quer, já Scorsese por exemplo, teve que fazer o Cabo do Medo para poder realizar A Última Tentação de Cristo, e saiu-se brilhantemente em ambos. Stone, que parece ter perdido o rumo desde Nixon em 1995, faz aqui um filme óbvio, previsivel, sem nada para dizer nem mostrar, com o melodrama forçado das familias dos presos nos escombros (que sabemos desde o inicio se safam), e pior que tudo chato, muito chato. No final já ninguem tem cabeça para aturar a choradeira e a banalidade do pouco que se desenrola à nossa frente.
Tem sido bem aceite nos Estados Unidos (já se esperava) e talvez lhe dê a oportunidade de continuar a filmar ficção e voltar ao nivel de qualidade a que já nos tinha habituado. Se assim for, valeu a pena o esforço...

domingo, setembro 24, 2006

Perfeição... não podia ter sido melhor... o sentimento, a cerimónia, a refeição, a dança, a alegria, os novos e velhos amigos. Primeiro dia do resto da tua vida... com direito a dedicatória, a abraços, a beijos, a sorrisos largos que pulam e estravazam o que nos vai na alma.
Para alem do sentimento geral descobri uma lição: por vezes não adianta puxar por quem não quer ser puxado, tive surpresas, muitas, quem apareceu e quem não, quem estava feliz, quem no fundo quer estar, sente falta e abraça.
E ao meu lado... brilhava linda e una, feliz como nunca, imensa na sua discreta aparição... como uma suave nota de música que, suspensa, nos encanta.
Por isso hoje não sou quem fui, marcado para sempre em mim, na pele, no corpo, na alma.

E tinha que mudar a música, porque todos fomos feitos para brilhar...

Últimos dias


Os últimos dias revestem-se sempre de uma particular importância, há um sentimento de closura, de fim de ciclo, normalmente uma tristeza pelo que ficou para trás, uma nostalgia familiar.
Na terça feira foi o último dia do workshop de teatro com o Thiago. Foram meses erráticos, por vezes sem rumo definido, com controversia e sobressaltos, mas onde aprendi muito, onde comecei finalmente a perceber o que é isso de representar, o que é isso de ser actor.
O Thiago é uma pessoa marcante, quem o conhece, quem fala com ele não o esquece, do alto do seu metro e noventa, voz grossa e sorriso contagiante, tem ainda a inocência de uma criança em muito do seu sonhar, e uma certeza no seu caminho, na sua arte, que fazem dele um apaixonado pelo teatro, um apaixonado pela vida. Essa paixão de viver, tentou ele transmitir-nos, fazendo com que não nos deixássemos afundar no lodo da mediania urbana. Se a semente teve frutos só o tempo o dirá.
Nesta última aula,filmada, iriamos representar um pequeno texto. O meu, retirado de uma peça de uma amiga, tinha um peso pela sua temática que me tolhia o gesto. Quando cheguei ainda estava o Thiago a trabalhar com o meu outro colega. Fiquei 10 minutos a fazer os últimos acertos. Depois lancei-me - ele ligou a camera e disse: vai Miguel, de uma vez. Fiz, com a paixão, as falhas e inseguranças que tinha. Quando acabei, à espera de uma direcção e mais ensaio ele respondeu apenas: está passado!
Abracei-o... última etapa ultrapassada.
Último dia... para um novo inicio e um aprofundamento ainda maior. Quanto ao Thiago, espero que os nossos caminhos nunca se descruzem.

sexta-feira, setembro 22, 2006

Volver!

No meio do turbilhão dos dias tenho deixado passar alguns pontos que seriam de importância fulcral noutras alturas. O cinema por exemplo.
Mesmo assim ainda houve tempo para ir ver o último filme de Pedro Almodóvar: Volver.
A mestria reconhece-se desde a primeira cena, hilariante retrato de um grupo de mulheres que, em grupo, limpam frenéticamente as campas de um cemitério durante uma ventania.
Estes dois temas, o humor e a morte, são pedra de toque para um filme que não tem um dos elementos mais marcantes do realizador: a homossexualidade.
A força das imagens é marcante Penélope Cruz revela-se - a quem como eu ainda o não sabia - como uma actriz imensa, os personagens são humanos, frágeis e muito bem trabalhados como habitualmente, o sentido de humor está lá, mas apesar de tudo este é um filme menor de Almodóvar. As emoções são varridas pelo vento de uma forma ligeira, talvez ligeira demais para as temáticas abordadas, e a própria história parece mais um aglutinar de boas ideias sem um desenvolvimento muito coerente ou aprofundado.

Está, ainda assim, vários furos acima da média que se pode encontrar nas salas.

quinta-feira, setembro 21, 2006

Cronologia dentro do carro

7:40 - Baixa
7:45 - Restauradores
7:50 - Marquês de Pombal
7:55 - Saldanha
8:00 - Campo Pequeno
8:05 - Av Republica
8:10 - Campo Grande
8:15 - Av Padre Cruz
8:20 - Lumiar (intenção de regressar para Entrecampos)
8:25 - Lumiar
8:30 - Lumiar
8:35 - Lumiar
8:40 - Lumiar
8:45 - Lumiar
8:50 - Lumiar
8:55 - Lumiar
9:00 - Lumiar
9:05 - Lumiar
9:10 - Lumiar
9:15 - Lumiar
9:20 - Lumiar
9:25 - Lumiar
9:30 - Lumiar
9:35 - Lumiar
9:40 - Eixo Norte-Sul
9:50 - Telheiras
10:00 - Sta. Maria
10:10 - Entrecampos

Só me apetece esganar aqueles %&!$#/!#%$&!#%&(/!%/&#%$!/& dos gajos do Metro!

(eu sei, eu sei, a greve é um direito e das poucas formas de luta dos trabalhadores, mas estive 2 horas e meia parado dentro de um carro, ainda estou a descomprimir)

Hoje é o primeiro dia de Outono... acho que se nota...

quarta-feira, setembro 20, 2006

Tudo acontece!

Ontem à tarde caiu a bomba: golpe de estado militar na Tailândia!
Daqui a cinco dias estava marcada a viagem para Banguecoque onde iria começar uma visita de duas semanas pela Tailândia e Camboja. Cinco dias... não podia ter sido antes...
Passo seguinte desmarcar a viagem e marcar outra (que fosse possivel em 5 dias).
Best Travel da Rua da Prata, fala com o operador turistico, fala com a KLM... Os voos para a capital tailandesa mantêm-se logo para desistir pagamos! MUITO!
Falo com a Deco, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, o Instituto Nacional da Aviação Civil, com advogados, com a parva da telefonista da KLM, com a embaixada da Tailândia em Portugal, leio todas as noticias e jornais possiveis e o resultado é sempre o mesmo. Ou vou para um pais com lei marcial, onde a constituição, o parlamento e o tribunal constitucional foram suspensos, controlado por militares com tanques na rua, onde não se sabe o que pode acontecer amanhã, numa viagem pelo meio da selva para sitios onde nem telemoveis há para contactar, ou desisto e perco um balúrdio inacreditável de dinheiro.

E não há nada nem ninguem que me possa valer, para receber o meu dinheiro de volta numa situação que escapa ao meu controle e onde a companhia aérea não teve gasto nenhum, salvo o papel de imprimir os bilhetes.

Ainda falam de justiça...

terça-feira, setembro 19, 2006

Domingo à noite não foi de todo a melhor data, dormi apenas 4 horas e fiquei de rastos o resto da semana. Mas, visto que nunca quis despedidas de solteiro um jantar com um pequeno grupo de amigos era o mais indicado. Por diversos motivo ficou domingo, estando logo entendido que seria algo para acabar cedo. O problema aqui, como sempre, é a conversa. Quando a lingua se solta tudo se estende.
Custa... mas gostei muito.

Agora são os últimos preparativos, as trinta mil coisas que faltam para que no sábado tudo corra bem...

Falhou... falhei


Penúltima aula do workshop de teatro, texto.
A responsabilidade era grande, afinal ia lêr um texto já encenado, e há bem pouco tempo, felizmente nenhuma das três pessoas que lá estavam tinham lido o original. O Nuno levou outro texto e cada um trabalhou o seu.
Em primeiro lugar o texto não estava decorado, no fim-de-semana não houve tempo para tal, mas o Thiago já o sabia e não o tinha pedido. Foi lido uma ou duas vezes e passou-se rápidamente para uma espécie de encenação. Não consegui, não senti nada, não saiu bem, fui canastrão e completamente forçado. Tinha apenas 4 horas de sono essa noite é certo, e tenho estado cansado, mas não sei se foi disso, se foi da pressa na aula, ou se pura e simplesmente não estou preparado.

A verdade é que nesta última aula falhei, redondamente...

segunda-feira, setembro 18, 2006

Ele revela-se


Há momentos em que um grande professor se revela. Na aula de sábado aconteceu com o Thiago.
Partituras, partituras, sempre as partituras, para a emotividade, para sairmos de nós mesmos, para uma representação mais intensa, sem ser apenas uma repetição do que já se conhece.
No sábado tivemos nós que as criar (afinal como actores temos que ser nós a resolver as situações). Assim foi, propusémos, desenvolvemos. A seguir conflito. Imaginar uma situação e utilizar ali essas partituras. A criatividade estava perra, a situação banal, pai e filho, discussão e pouco mais. Fizemos... pobre.
Entra o Thiago - numa situação de conflito não existe só um sentimento (raiva) mas vários. Não vão para o óbvio, um pai ama um filho, sente raiva, ternura, medo, sente um conjunto de coisas diferentes.
Mudámos... melhorou.
De novo o Thiago - limpem as partituras, se elas existem têm que ser claras, o movimento do corpo preciso.
Terceira tentativa
Thiago - Não desmanchem, quando fazem uma partitura têm que a manter enquanto o outro fala. Representar é acção, têm que estar sempre em acção.
Quarta...
Thiago - durante o movimento e a deslocação as partituras têm que ser utilizadas, não existe o falar e agir e depois o mover,tudo tem uma continuação, tudo precisa de intenção...

Foi abissal a diferença entre a primeira e a última tentativa, é este o trabalho de um director de actores, não dizer mexe-te daqui para ali, faz mais feio ou mais irritado, mas dar os toques para o actor resolver, no sábado ele mostrou-se..

É uma época de festa e de mudança, portanto não consigo por aqui música que não seja bem disposta. Esta é composta por Randy Newman (conhecido por fazer música para diversos filmes como James And The Giant Peach e Monsters Inc), que foi 15 vezes nomeado para um Oscar, sem no entanto nunca ter levado uma estatueta para casa (um recorde que preferiria decerto não possuir).
A música de hoje é Mama Told Me Not To Come na versão dos Three Dog Night...

Um bom inicio de semana...

sexta-feira, setembro 15, 2006

Já não há pachorra para um ambiente saturado de comentários sexistas, xenófobos, racistas, misógenos e homofóbicos!

Eu preciso mesmo de mudar de ares...

quinta-feira, setembro 14, 2006

Desabafo

Tinha 17 anos quando escolhi o curso que iria marcar toda a minha vida, porque na verdade, sejamos honestos, entre sono e trabalho gasta-se dois terços do dia.
A escolha foi a errada e agora ando a tentar compensar com aulas e com a procura de um local onde me sinta realizado...

É estranho como com esta idade já me sinta velho para fazer algumas coisas...

quarta-feira, setembro 13, 2006

O aluno-professor

Afinal não era nada!
Nem a ausência, nem as coisas a fazer, nem o facto de rumar ao Chapitô em Outubro, a aula de segunda-feira não foi brilhante... porque nem todas as aulas o podem ser.
Ontem o figurino mudou. Na segunda das cinco aulas que vou ter em nove dias tudo começou com uma troca de posições. Quem deu a primeira meia hora de aula fomos nós. As partituras como base, mas curiosamente nem eu nem o meu colega fomos tão abstractos como o Thiago. Exercicios diferentes com resultados semelhantes. A seguir... improviso! Várias situações, vários exercicios, sempre a dois, comédia, drama, agressividade, amor, desilusão, violência, tristeza, tudo foi explorado. Do meio da naturalidade da representação a partitura, como quem pára a meio de um movimento para um sonho, como um sublinhar de uma emoção, de um sentido.
Foi uma grande aula, e abriu, talvez, a perspectiva de continuar a colaborar...

terça-feira, setembro 12, 2006

Pode ter sido da ausência prolongada, ou do facto de estar neste momento a atravessar uma fase em que tenho muito em que pensar, talvez seja porque eramos apenas dois alunos ontem, ou talvez seja porque, em termos de teatro, o meu futuro não passe por aqui, mas o regresso às aulas não foi o mais auspicioso.
Foi bom rever o Thiago, foi bom regressar, mas sinto que tenho a cabeça noutro lado.
Voltaram as partituras, mas desta vez com meia hora de desenvolvimento e repetição livre. Meia hora a utilizar as mesmas partituras, sem nenhuma direcção, nem texto, nem sentido, apenas para conseguir fluir as emoções e corporalizar os sentimentos. Foi dificil aguentar tanto tempo, mas foi tarefa ultrapassada.
Foi tambem o retorno ao texto, ao brincar com as palavras, os sentidos, usar cada uma delas como se existisse por si só.
Foi uma boa aula... mas não consegui atingir aquilo que já atingi no passado, é um fecho, em Outubro haverá um novo amanhecer.