sexta-feira, novembro 03, 2006
quinta-feira, novembro 02, 2006
Da garganta sobre o rouco murmúrio que se escapa quando se tenta falar. Da cabeça os olhos tornam-se um peso desnecessário, o nariz um rio sem fim e a testa um centro de dor. Do corpo sobra a moleza de quem não tem força para erguer o seu próprio peso e a certeza de que os braços e pernas se vão separar pelas articulações...
Não há como fugir... estou constipado...
(bolas)
terça-feira, outubro 31, 2006
Música da semana
Em 1983 Sergio Godinho lança o seu oitavo album (nono se contarmos a banda sonora de Kilas o Mau da Fita) intitulado Coincidências. Foi uma tentativa de penetrar o mercado brasileiro, tendo diversas colaborações com artistas do outro lado do atlântico. Comercialmente não foi o album que lhe permitiu a internacionalização, mas musicalmente um album melodicamente bem-conseguido, com parcerias que deram a este disco uma riqueza temática e musical enorme.
Pelo lançamento do novo album Ligação Directa, aqui fica a memória de "O Que Há-De Ser de Nós?"
Quando tem o aspecto de, o cheiro de, e a consistência de, chamamos-lhe...
O blog www.freedomtocopy.blogspot.com publicou um post onde acusava Miguel Sousa Tavares de, no seu romance Equador, ter "muitas ideias parecidas e frases preacticamente iguais" a um livro intitulado Cette Nuit Noir de Dominique Lapierre e Larry Collins. Este artigo motivou uma crónica de MST no Expresso do passado sábado, não necessáriamente contrapondo as suas acusações, mas atacando os blogs, bloguers e principalmente o anonimato de que gozam.
A questão do anonimato parece-me, na realidade, uma falsa questão, as fontes anónimas são desde sempre usadas pelos jornais, mesmo quando (vide Casa Pia) estão em clara violação do segredo de justiça.
Para alem do mais não nos esqueçamos da possilidade judicial e informática de detectar os infractores e traze-los à justiça (a net não permite ao comum dos mortais o anonimato total).
Não nos esqueçamos tambem do espaço de liberdade que a internet pode ser, visto que a imprensa escrita é um espaço fechado, ao alcance apenas de alguns, e onde o direito de resposta nunca é automático, passando sempre pelo filtro editorial (nos blogs com comentários activados é imediato).
Mas o meu post (que deveria ser mini) não era necessáriamente sobre o anonimato na net.
O meu espanto é ter visto que o blog onde foi escrito o post que iniciou a polémica desapareceu e no seu lugar, com a mesma morada, está um blog dedicado a promover o livro em questão de MST.
Digamos que se vissemos este enredo num filme ficariamos com suspeitas...
segunda-feira, outubro 30, 2006
Apontamentos 2

A Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva apresenta de 27 de Outubro a 25 de Fevereiro de 2007 uma exposição sobre Sonia Delaunay, francesa refugiada em Portugal durante a 1ª Guerra Mundial, que conviveu com nomes como Eduardo Viana, Amadeo de Sousa-Cardoso ou Almada Negreiros.
Sendo fortemente influenciada pela sua passagem no nosso país, Delaunay regressou após o fim da guerra a França onde trabalhou sobre os texteis, cores e formas.
nesta exposição encontram-se "desenhos de tecidos", uma "pesquisa puramente pictórica de relações de cores com formas geométricas ritmadas".
A não perder obviamente a exposição permanente com obras de Vieira da Silva e do seu companheiro Arpad Szenes.
Apontamentos
sexta-feira, outubro 27, 2006
...e não é que se calhar é mesmo merda?
A ministra da Cultura anunciou o fim das Capitais Nacionais da Cultura argumentando que "As cidades não se renovaram através da cultura." - o que carga de água quer isto dizer? Não se renovaram através da cultura? Mas espera-se que através de um qualquer passo de magia tudo se transforme no país?
Este anuncio acompanha a redução prevista de 17,7 milhões de euros no orçamento do Ministério da Cultura, tornando-o "o mais baixo Orçamento para a Cultura dos últimos sete anos".
Este ministério é aquele que tem o orçamento (previsto para 2007) mais reduzido de todos os ministérios sendo o seu total algo como 0,4% da despesa de Estado para 2007, qualquer coisa como 1,2% da despesa prevista com o Ministèrio das Finanças e da Administração Pública, ou 8,9% do Ministério da Defesa.
E assim vamos cantando e rindo...
"A cultura, para mim, é uma merda!"
Cultura
do Lat. cultura
s. f.,
acto, efeito de cultivar.
do Al. kultur
s. f.,
desenvolvimento intelectual, saber;
utilização industrial de certos produtos naturais;
estudo, elegância;
esmero;
conjunto dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições e de outros valores morais e materiais, característicos de uma sociedade;
civilização.
"Já foste vêr O Filme da Treta?" - assim começou uma conversa à hora do almoço que passou para o número de espectadores na sala (como é óbvio está a ser um sucesso) e resvalou para os subsidios dados ao teatro e ao cinema. As duas pessoas com quem almocei são absolutamente contra qualquer tipo de subsidio, acham que a lei do mercado deve imperar em todos os casos. "Pagar para quê? Para meia dúzia de gatos pingados fazerem o que querem? Façam na garagem lá de casa, mas com o meu dinheiro não!" - e os exemplos continuavam de sucessos em Portugal, O Crime do Padre Amaro, Filipe La Féria. Se não se pagam não devem existir.
Quando digo que não é possivel que todo o teatro e cinema português se auto-sustente, quando falo da consequência de toda a produção cultural se resumir aos êxitos imbecis ou às novelas, quando digo que há coisas, como a saúde por exemplo, que têm uma importância tal que devem ser preservadas para alem do mercantilismo, quando respondo que a cultura é a base nevrálgica de uma sociedade, um motor fundamental para o desenvolvimento social, intelectual, para o conhecimento, a abertura das mentes e das ideias, a descoberta de novas formas de estar e de vêr o mundo, respondem-me: "A cultura é uma merda!"
Aí está... uma merda. O "desenvolvimento intelectual, o saber, o estudo, a elegância" são uma merda.
E são estas opiniões de merda, generalizadas ainda por cima, que fazem com que Portugal esteja na cauda da Europa. Porque se a Cultura por si só é um fim a atingir, é algo que deve ser difundido e proliferar o mais possivel, é tambem preciso dizer que as coisas não são indissociaveis, que não é por acaso que as sociedades que são industrial, economica, social e financeiramente mais avançadas, aquelas que são consideradas o centro do mundo, são tambem as que culturalmente são mais vibrantes e inovadoras.
Porque em Sarajevo se tocava ópera no meio das bombas, e se a Jugoslávia era de longe mais desenvolvida que Portugal, a Sérvia e a Croácia estão rapidamente a ultrapassar-nos.
Porque com mentalidades assim não há forma do país sair da "merda"... e destas "conversas da treta"....
Você? Eu????
A última aula do curso de teatro foi mais um festim para os sentidos. Relaxamento inicial, trabalho com locais conhecidos, animais, emoções.
Água, no fundo banho, recriação sensorial do calor, da água no corpo, na face, cheiros, objectos, imagens, sempre em busca de uma verdade familiar.
Por último trabalho com um tecido, perceber-lhe a forma, textura, sabor, brincar com ele, conhecer-lhe as possibilidades, o peso, funções para conseguir recriá-las, enquanto diziamos um texto, sem o ter perto.
A aula acaba, troco de roupa e vou para casa. Na descida do Chapitô até à Baixa fui com um grupo de colegas. De repente, no meio do tipico ambiente descontraido, uma das raparigas dirige-me a palavra e trata-me por você. Não foi num tom afectado, mas sim cerimonioso.
"Desculpa? Estás a falar comigo? TRATA-ME POR TU PELO AMOR DE DEUS!"
"Desculpe, quer dizer, desculpa, mas é dificil..."
"Quantos anos é que achas que tenho?"
"Hum... 32?"
Pronto, colapso cardíaco, um tipo põe aliança no dedo e aumentam-lhe logo mais meia dúzia de anos!
"Eh pá, tenho 26! Mas quantos anos é que tu tens?"
"19..."
Virei-me para outra...
"E tu?"
"16"
Pronto, caiu-me tudo! A miuda nasceu em 1990! 90!!!
Caraças, tou a ficar velho!
Na próxima aula vou ter com o Mouzinho que tem 59 a ver se volto a pôr as coisas sob perspectiva...
quinta-feira, outubro 26, 2006
Lady in the Water
M. Night Shyamalan especializou-se, desde a sua terceira longa-metragem O Sexto Sentido, em filmes cuja temática seja o sobrenatural, o bizarro, o misterioso. Essa imagem de marca fez dele um cineasta de sucesso num género especializado. Acumulando o cargo de realizador e argumentista em todos os seus filmes, sendo produtor na maioria dos casos e até actor, Shyamalan pode ser visto como one-man-show. Não é o primeiro a acumular tantas posições, de Chaplin a Woody Allen ou Orson Welles, mas este indiano criado num suburbio rico de Filadélfia não tem o nivel de genialidade de nenhum dos anteriores. Realizador com mestria, sabe contar uma história com a tensão que esta exige e consegue normalmente retirar boas interpretações dos seus actores (o dedo para o casting é notório, trabalhando com grandes talentos como Paul Giamatti, Adrien Brody, William Hurt, Samuel L. Jackson entre outros). A grande falha reside normalmente nos seus argumentos. São inegavelmente imaginativos mas após o êxito do twist final de O Sexto Sentido, tornou-se imperativo para Shayamalan repetir a surpresa em todos os seus filmes, na grande maioria das vezes sem grande nexo ou, como em Sinais e A Vila, a roçar o absurdo.Este Lady in the Water (A Senhora da Água na versão portuguesa) segue a marca do fantástico, mas num tom bastante mais próximo do conto de fadas. Com Paul Giamatti no principal papel e Dallas Bryce Howard (que retorna após A Vila) no title role, conta uma vez mais com um elenco sólido. Shyamalan está no entanto bastante mais suave, os elementos de medo são bastante atenuados em relação a titulos anteriores e consegue inclusivé introduzir toques de humor interessantes. O problema, uma vez mais, reside no argumento. Não que tenha um twist demasiado rebuscado no final, mas toda a construção dramática, todo o enredo é baseado num tanto faz que se torna incómodo, com novas informações a serem atiradas aos molhos e novas regras inventadas de repente. A sensação que passa é que, sem se preocupar com desenvolvimento de personagens, tensão dramática ou credibilidade, foi inventando um jogo como nos tempos de escola, faz-me lembrar quando de repente, em miudo, no meio de uma brincadeira gritava: "Agora eu posso voar e atiro raios dos olhos tá bem?" e pronto, estava assim introduzido um novo elemento. Esta ingenuidade divertida num jogo de crianças torna-se incredivel num filme, desligando emocionalmente o espectador daquilo que se passa no ecrã (e sem conseguir fugir, como é sua norma, a alguns buracos no argumento).
No final de contas A Senhora da Água é uma fábula terna, graciosamente filmada e com grandes interpretações, mas com um argumento fraco que não deve ser levado demasiado a sério.
quarta-feira, outubro 25, 2006
Falha minha

mas decorre de 20 a 29 de Outubro a 4ª edição do DocLisboa - o festival de cinema decumental de Lisboa.
Apesar de já ir a meio merece sempre a pena destacar.
Informações em www.doclisboa.org
terça-feira, outubro 24, 2006
Cada dia mais...
Ontem foi aula física de novo, primeiros quinze minutos com extensões, alongamentos, abdominais. A seguir um exercicio no chão com movimentos de corpo, passagem para diversas posições (fetal, joelhos, numa constante evolução) e que vai ser repetido regularmente, como base para a criação (suponho) de uma elasticidade, coordenação, facilidade de movimentos, de alguma graciosidade, dentro do possivel.
Passo seguinte... passear. Andar, conhecer o nosso próprio andar, senti-lo percebê-lo. Mudá-lo agora, andar começando o pisar com os calcanhares, com a parte da frente dos pés, a parte de dentro e de fora, andar só sobre os calcanhares ou só em bicos dos pés. Regressar ao nosso andar e percebê-lo melhor. Ao som de ordens, mudar a emoção expressada enquanto se anda - alegria, ódio, tristeza, raiva, amor - a confusão instalou-se e não foi bem sucedido, mas o Bruno parecia já o esperar.
Voltar ao físico. Pares de tamanho e peso similar, pegar neles ao colo e caminhar com eles de várias formas diferentes, colo mesmo, ombros, pelas costas, subir sem impulso, fazer o pino com mãos no chão ou com cotovelos no chão, sempre sem impulso, sempre com o intuito de encontrar o próprio centro, o próprio equilibrio.
Por esta altura já destilava por todos os poros... descanso bem-vindo...
Segunda parte, surpresa, conhecer as posições de pés da Commedia dell' arte, quatro posições, que são as quatro posições base nas quais o ballet veio beber (e acrescentar uma quinta). Commedia dell'arte, teatro de improvisação criado no século XVI, muito marcada, de onde nasceram personagens tipicos como o Harlequim. Trabalhar sobre essas posições, mover, imaginar um momento, uma história, desenvolver o porte, a pose, o rosto, as mãos... adorei!
De novo voltámos às emoções, agora com mais calma, agora a procurar as motivações, correu bastante melhor.
Relaxamento final, demorado, aprofundado, de introspecção, reconhecimento do que é que correu bem e mal durante a aula.
Cada dia me surpreendo mais...
segunda-feira, outubro 23, 2006
Um mês
É sempre altura de regressar aos clássicos, e a música desta semana é intemporal.
E hoje... ao fim de um mês, parece-me totalmente apropriada...
DVD sugestions 2

Há filmes que por um motivo ou por outro, e apesar das tentativas para conseguir estar a par de tudo o que mereça ser visto em termos cinematográficos. Do ano passado perdi um filme que estava nomeado para o Oscar de Melhor Filme, Capote.
Já saiu em DVD e pude finalmente apanhá-lo.
Este é um filme de argumento e principalmente de actor, com o Oscar a ser merecidamente atribuido a Philip Seymour Hoffman e que confirmou aquilo que eu já desconfiava, de todos os filmes nomeados para Melhor Filme ganhou o pior. A não perder por todos os que gostam de bom cinema.
DVD sugestions

Serviu o fim de semana para rever uma das obras mais emblemáticas de Oliver Stone.
Com um argumento denso, uma lista de estrelas impressionantes, uma montagem brilhante e imagens intensas, aborda a investigação real feita ao assassinato de John F. Kennedy.
Disponivel num Director's Cut absorvente é um filme a que apetece voltar regularmente.


