terça-feira, novembro 21, 2006

Música da Semana


A banda escolhida para esta semana são os americanos The Dresden Dolls, banda que se auto-intitula como um Cabaret Punk Brechtiniano. O título é um pouco pomposo, bem como o é o próprio grupo, mas tem um som de fábula degradante que me agrada, com uma Amanda ao piano e voz carregada de energia, rancor, um timbre rouco e que oscila entre o suave e o violento.
Músicas sempre muito pessoais, muito intensas, é um album que no seu universo de fantasia se deve ouvir repetidamente para redescobrir e captar novos sons, sentidos e nuances.
Foi dificil escolher a música. O fabuloso Good Day já aqui esteve em video na sua versão ao vivo, o irado Girl Anachronism ou o Coin Operated Boy são singles e mais faceis de encontrar. O tocante Perfect Fit foi hipótese, mas fiquei-me por Missed Me por se tratar de uma musica mais exemplificativa do trabalho deste duo.
Enjoy...

segunda-feira, novembro 20, 2006

Evolução ou extinção?



Há uma semana fui confrontado com o facto de o Papa ter reunido um conselho para debater a questão do celibato dos padres. Foi-mo dito por uma católica, que via aqui uma possível abertura, uma racha nas posições mais retrógradas instituídas no seio do Vaticano.
Na sexta feira passada li, quase em nota de rodapé no Diário de Notícias, que “O Papa Bento XVI e a Cúria Romana reafirmaram ontem (quinta feira) os valores do celibato para os padres” e que “Rejeitando categoricamente qualquer possibilidade de ordenação ou readmissão de padres casados, o Vaticano acabou por minimizar o alcance do encontro classificando-o como uma “reunião periódica destinada a uma reflexão comum””.
Ou seja nada. Foi apenas um fait-divers.
Mas na mesma semana outras notícias vieram a lume. D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) não só se voltou a pronunciar (naturalmente) contra a despenalização do aborto, pedindo aos fieis para saírem à rua em prol do “Não” no referendo, como nem sequer reconhece à Assembleia da República o direito de legislar sobre o assunto. Diz que “o Estado não pode declarar boa uma coisa que é má.” Acha portanto que existe o Bem e o Mal absoluto, sem perspectiva histórica, moral ou social e que o Povo não tem capacidade de o reconhecer, mas sim a visão iluminada da Igreja. A Assembleia, eleita pelos cidadãos, não tem capacidade de decidir o que é certo ou errado, mesmo depois de referendado, ou seja as pessoas que votaram nas legislativas e que vão votar no referendo são seres cuja opinião do mundo e valores morais não interessa, se esses valores forem contra a opinião de D. Jorge Ortiga.
Felizmente longe vão os tempos em que a Verdade era uma noção absoluta postulada pela Santa Sé, felizmente longe vão os tempos da Inquisição e da caça às bruxas – onde aliás o respeito pela vida não era a primeira prioridade – e hoje se pode votar e decidir sem se estar sob o jugo de bispos, arcebispos e cardeais.
Mas a Conferência Episcopal não se ficou por aqui, considerou que a procriação medicamente assistida (nomeadamente no que toca à utilização de óvulos ou espermatozóides externos ao casal) é “uma infidelidade, ainda que consentida” e que “não está conforme com as exigências morais do Cristianismo e mesmo da ética natural”.
Esta é capaz de ser a visão mais retrógrada que já conheci. Segundo a CEP a fidelidade já não envolve mentira, engano, relações afectivas ou emocionais com terceiros, nem sequer um envolvimento físico com alguém externo ao casal, mas basta a existência de uma célula externa ao corpo de cada um. Que dirão da doação de órgãos? Que dirão de alguém que fica com o coração ou o fígado de outrem? Ou será que é infedilidade por gerar uma criança? Será a visão medieval de infedilidade o facto da mulher carregar no seu útero um filho que parte da célula de outro homem que não o marido? Como é possível no século XXI que se defendam noções tão arcaicas de Bem e de Mal, de Amor e de Fidelidade?
Padres casados? Seria bom. Talvez ganhassem uma maior noção do que carga de água estão a falar, em vez de puxarem de noções e chavões mais mortos que o Latim, e que serviram de base para as maiores barbaridades da História.
Ao que parece a evolução não existe.

sexta-feira, novembro 17, 2006

FYI

Bruno Schiappa é o meu professor de teatro no Chapitô. Vai estar no Santiago Alquimista numa performance única dia 22 de novembro. É a primeira vez que o vou ver em palco. Fica aqui a informação do espectáculo.
(I)MORTAL
Santiago Alquimista
Dia 22 de novembro às 22 h


A arte* é força emanente; não se ensina, não se aprende; não se compra, não se vende; nasce e morre com a gente.

Sobre o Espectáculo:

(I)MORTAL é um retrato do Homem ocidental através da música e da poesia teatralizadas. É também uma homenagem a esse tecer de malhas que perduram no tempo e que são fruto de uma natureza de sentimentos, emoções, crueldades e perfeições.

O formato deste espectáculo é resultado de uma digestão demorada da vontade de juntar em palco as línguas francófona e lusófona num elogio aos laços que sempre se uniram entre os povos que as dominam.

Aqui, o que acaba e se perde para o indivíduo, transforma-se em memória que perdura, que canta, que imortaliza momentos do mortal. O espectáculo vive de um crescendo frenético e cénico onde, a par da sensibilidade e emotividade de Fontaínhas, Schiappa interpreta com traços de Mímica e Dança alguns dos mais belos momentos cantados por imortais.

É aqui que a forma se junta ao conteúdo. Cantores como: Brel; Vian; Ferré e Piaf são revisitados, mantendo no entanto uma grande proximidade com o original. Zeca Afonso é revisitado em “Cantigas do Maio” que é banhado por influências sonoras francesas sem perder a cadência original e, por fim, Brecht/Weill, cantados em português. A escolha dos últimos prende-se com o facto de serem autores/compositores universais, com temas e questões que bem podiam ser as lusas. As traduções/versões feitas para este espectáculo aproximam-nos – aos portugueses – ainda mais das canções escolhidas. Fica por aqui a contribuição das cantigas/canções, mas não se esgota o que ainda há a dizer. A escolha da poesia passa por Fernando Pessoa e Mário Pederneiras no antigo e Bruno Schiappa (textos e voz) e Pedro Fontaínhas (composição e piano) no contemporâneo. Estas criações sublinham, em tom de poesia dita e tocada, a relação encontrada para um espectáculo onde a ideia que prevalece (pelo menos para nós, os criadores/intérpretes) é que o sublime e o trágico fazem o belo imortal dos mortais ou, parafraseando João Villaret:

*sendo, a Arte, a inscrição da expressão de uma impressão (Bruno Schiappa). "

(I)MORTAL
Ideia/Concepção
: Bruno Schiappa
Voz/Movimento/Mímica: Bruno Schiappa
Piano/Música original: Pedro Fontaínhas

Informações Úteis:
Preço dos bilhetes :
10€ e desconto 30% para grupos mais 10 pessoas, jovens com menos 25 anos, profissionais do espectáculo e seniores
M/ 16 anos
Duração:1h15

Café-Teatro Santiago Alquimista
Rua de Santiago 19, 1100-493 Lisboa Portugal
(ao Castelo de São Jorge)

T. 218884503/218883412
www.santiagoalquimista.com

quinta-feira, novembro 16, 2006


Estamos a chegar à fase final do trabalho individual sensorial e avançamos a passos largos para começar o trabalho com parceiro. Ontem na aula de teatro tivemos uma relaxação mais profunda que o habitual e, após trabalho com um espelho imaginário, voltámos às personagens da Commedia Del Arte, trabalhando sobre a roupa (que teriamos que imaginar, visualizar, mais que isso, sentir o toque, o peso, a textura e a forma como isso nos influencia a pose, o andar, o caracter).
Em seguida, trabalhando sobre os personagens da peça O Urso, recorremos ao improviso. Saiu-me desastrosamente. Banal, timido, descoordenado, tropecei completamente neste exercicio. Voltámos depois ao trabalho sensorial, memória e recriação, invenção de um roubo e uma fuga que teria que ser mostrado frente ao resto da turma.
Contracenação... agora o grau de dificuldade começa a aumentar...

Não... não é sexta-feira...

quarta-feira, novembro 15, 2006

A Paixão Segundo João

Desde que sairam do espaço d'A Capital no Bairro Alto, os Artistas Unidos têm andado um pouco por toda a cidade, ocupando espaços de representação dos mais variados.
Encontraram para esta última investida de obras poiso no Convento das Mónicas na Graça, onde apresentam duas peças.
A Paixão Segundo João de Antonio Tarantino segue o calvário de um doente mental que acredita ser Ele, e de João um enfermeiro que o acompanha numa instituição psiquiátrica.
O texto, quase dois monólogos simultâneos, tem (como o título indica) diversas referências bíblicas, mas que se limitam a aflorar a ligação óbvia que se quer estabelecer entre este doido e as últimas horas de Cristo - de Pedro por exemplo, outro doido, limita-se a repetir "ora te conhece, ora não te conhece".
É uma peça falhada, a proposta de intenções expressa no programa não está em palco:
"É um meteoro. Não sabemos se é doido ou não, consciente ou alienado, violento ou pacífico, homem ou animal. Na sua luta com a sociedade experimenta a extraordinária e incrível iluminação, através de uma perda de identidade ou uma escolha obscura ou louca, fazendo-se passar pela figura mais alta da cultura e da religião cristã. É o máximo da espiritualidade e o máximo do realismo. “No mundo o mal existe e a desventura também”, são palavras de João no momento da separação; é a recusa do mistério. Os dois elementos coincidem na personagem: a sociedade encarrega-se de os curar ou anular."

Miguel Borges tem uma representação monótona e repetitiva, longe do que o papel pedia em intensidade e profundidade. O local escolhido é apropriado, o convento confere um peso secular à peça, mas a falta de nervo, de emoção, torna dificil criar qualquer ligação ao que se passa à nossa frente. A hora passa sem sobressaltos, sem incomodar, mas tambem sem nos emocionar em momento algum.
Existem alternativas mais interessantes por estas horas em Lisboa...

A Paixão Segundo João
Com
Miguel Borges e Américo Silva
Tradução Tereza Bento
Encenação Jorge Silva Melo
Uma produção ArtistasUnidos/Tá Safo/alkantara festival
NOVEMBRO: DIAS 1, 2, 22, 23,24 e 25 às 21H00 / Dia 11 às 19H00
CONVENTO DAS MÓNICAS - Largo da Graça
Preço: 10.00€
ESCRITÓRIO Artistas Unidos
R. Campo de Ourique,120 1250-062 Lisboa
tel: (00351) 213872418 / 213700120
fax: (00351) 213872418

terça-feira, novembro 14, 2006

Another World

Sempre que começo uma aula no Chapitô sinto que entro para um outro mundo, um mundo mais livre, onde as regras são diferentes e onde os juizos de valor são practicamente inexistentes.
Na aula de ontem, após o relaxamento inicial, fizemos diversos exercicios com posições fetais, posições de sono e movimento constante entre as varias. Andámos pela sala com um andar inventado por nós, fizemos rodopios, gestos, saltos e quedas, num encadeamento constante entre os vários elementos a 8, 4, 2 e finalmente a 1 tempo, num frenesim tal que perdiamos a noção do que estávamos a fazer. O objectivo não era obviamente a execução de cada passo milimétricamente, mas a busca de uma emoção, uma imagem, uma desenvoltura fisica que faz parte das aulas de segunda feira - antes disto tinhamos já evitado choques uns com os outros enquanto avançávamos pela sala cada vez mais rápido, bem como feito uma parafernália de movimentos, cambalhotas e exercicios quer de pé, quer no chão.
Regressámos à Commedia del Arte, escolhemos um personagem e encarnámo-lo fazendo sobressair o seu lado sensual, mais que isso, a sua libido.
Cada passo que damos, mesmo que seja em falso, é um passo em direcção a uma maior libertação, expressividade e auto-conhecimento.
O Chapitô tem sido cada vez mais um refugio onde estico as asas à imaginação...

Música da Semana


Esta semana ouve-se aqui no Sopros Death Cab for Cutie, uma banda da nova vaga da musica independente americana, ou pelo menos de uma nova vaga independente americana. São o contraponto musical perfeito à tambem "nova vaga" do cinema independente americano, como Eu Tu e Todos os Que Conhecemos, A Lula e a Baleia ou o seu novo porta estandarte Uma Familia à Beira de Um Ataque de Nervos. Tal como no cinema não traz nada de inovador, é um reformular de experiências passadas nomeadamente de bandas como R.E.M., nem sequer são necessáriamente recentes - têm já quase uma década de história.
Seja como for, e tal como nos filmes que mencionei, o esforço é meritório, o tom desenjoa da monotonia e a vibração fica no ouvido.
Do album de 2003 Transatlanticism aqui fica The Sound of Settling... tenham uma boa semana...

segunda-feira, novembro 13, 2006

As Vampiras Lésbicas de Sodoma


Desde a morte de Mário Viegas que a Companhia Teatral do Chiado se tem especializado em comédias non-sense, com grande dose de improviso, onde derrubam (demolem completamente) a quarta parede levando o espectáculo para o colo (literalmente) do público. Começou há dez anos com a estreia de As Obras Completas de William Shakespeare - que tem sido o abono de familia desta companhia - e vem-se mantendo constantemente.
A última instalação deste género de peças é As Vampiras Lésbicas de Sodoma, que já está em cena há 8 meses com alguma adesão do público - moderada.
Escrita por um dramaturgo (actor e argumentista) americano Charles Busch, que em 1984 foi catapultado para o sucesso por esta peça, está no entanto adaptada e enquadrada para a realidade portuguesa com diversas referências ao parque mayer e às vedetas dos anos 30, 40 e 50, bem como, no último quadro, um gag de uma actriz bem marcada do Porto.
Não é no entanto no texto que está o mérito do espectáculo, mas sim na interacção alucinada entre os vários actores, cada um com figurinos, maquilhagem e representação mais over-the-top que o anterior. Apesar dos dois actores principais serem o eterno Simão Rubim e Rita Lello, quem enche completamente o palco é Tobias Monteiro que tem uma performance absolutamente hilariante.
O problema principal reside na irregularidade de toda a peça. Se existem diversos momento em que não conseguimos conter o riso, com alguns gags muito bem conseguidos, existem outros em que no máximo suportamos um sorriso sofrivel, mais pela memória de momentos passados do que por aquilo que está em palco. Arrastando-se por mais de duas horas, As Vampiras Lésbicas de Sodoma não tinha nada a perder se cortasse meia hora de duração, se concentrasse mais nos momentos chave, reduzisse o improviso que nem sempre é uma mais valia, e acalmasse o tom geral. A histeria generalizada ganhava uma outra força se fosse um contraponto a uma representação contida em vez de uma constante do início ao fim.
No final de contas merece uma visita, se bem que está vários furos abaixo de As Obras Completas de William Shakespeare e com um preço que é pouco convidativo.


As Vampiras Lésbicas de Sodoma
Companhia Teatral do Chiado
Interpretação: João Carracedo, João Craveiro, Manuel Mendes, Rita Lello, Simão Rubim, Tobias Monteiro
Encenação: Juvenal Garcês
Texto: Charles Busch
Tradução: Gustavo Rubim, Patrícia Marques, Vítor d´Andrade
Adaptação: Companhia Teatral do Chiado
Quintas, Sextas e Sábados às 22h
Preço: 18,5 euros (existem diversos acordos, descontos e promoções, perguntar na bilheteira)
Teatro Estudio Mario Viegas
Largo do Picadeiro
1200-330 Lisboa
Bilheteira e Informações:
(351) 213 257 652
(351) 917 664 989
www.companhiateatraldochiado.pt
http://asvampiraslesbicasdesodoma.blogspot.com

sexta-feira, novembro 10, 2006

Marie Antoinette


O nome Coppola está a tornar-se cada vez mais uma referência na indústria cinematográfica. E se olharmos para a familia alargada, o clã Coppola inflitra-se por todos os poros do movie business. Dos menos conhecidos como o actor Marc Coppola, o realizador Christopher Coppola, Roman Coppola (com diversas pequenas posições), o jovem actor Robert Schwartzman, passando pelo seu irmão mais velho Jason Schwartzman (À Boleia Pela Galáxia, Uma Rapariga Cheia de Sonhos), Talia Shire (Rocky, O Padrinho), Carmine Coppola (o avô do clã, compositor), até Nicolas Cage, Sofia Coppola e o velho mestre Francis Ford Coppola, temos uma noção de como o cinema corre nas veias desta familia.
Sofia Coppola, filha de Francis Ford Coppola, depois de uma breve passagem como actriz, conseguiu firmar-se como realizadora e argumentista, tendo já a seu crédito três longas metragens, todas produzidas para a American Zoetrope a companhia de... Francis Ford Coppola.
Marie Antoinette é a sua última produção após o premiado Lost in Translation, pelo qual ganhou o Oscar de Melhor Argumento Original. Segue a vida da última rainha francesa, mulher de Luis XVI, morta após a tomada da Bastilha. O filme, quase totalmente centrado em Versalhes, é mais um com a marca de Sofia Coppola. Exímia na utilização dos espaços, dos tons, das cores, conseguindo transmitir numa só imagem a solidão e a histeria que engoliram a jovem arqui-duquesa austríaca, transformada em simbolo da podridão da corte francesa do século XVIII. Visualmente exagerado, marcado com uma mescla de cenografia barroca com uma côr pujante típica dos anos 80, bem vincada aliás na música escolhida pela realizadora, é um filme sedutor. Este loucura visual é contraposta de uma forma soberba com os tons calmos e suaves da sua casa de campo, as sombras quentes das noites ou a pesada negritude dos últimos meses da sua vida. Se estética e musicalmente a realizadora assume riscos e acerta em cheio, o mesmo se pode dizer com o elenco. O seu primo Jason Schwartzman é brilhante como um triste Luis XVI e Kirsten Dunst prova, de novo, ser mais que uma cara bonita, mas uma actriz de um talento inegável e que transmite aos seus personagens um misto de erotismo e inocência.
Falhanço no box-office americano, Marie Antoinette é um filme a não perder. Parece que a arte de cinema corre mesmo no sangue...

quinta-feira, novembro 09, 2006

Respirar outra vez...

Como o regresso à tona de àgua. Ao fim de duas semanas respirei golfadas de ar fresco, saboreei cada momento, cada sorriso, cada exercico da aula de teatro. Não que a aula fosse particularmente extraordinária, começou atrasada, com muita gente e, após um relaxamento inicial, fizemos um trabalho de reconstrução de uma pessoa que nos fosse próxima. A seguir, com base nas palavras coragem e cobardia, relembrar e trabalhar (terminando com um gesto específico e um som) situações da nossa própria vida que essas palavras trouxessem à memória.
Acabou com a partilha (que demorou muito tempo) das experiências revisitadas.
Perdi em duas aulas trabalho sobre texto e sobre a Comedia Del Arte.
Mas voltei e soube... bem.

quarta-feira, novembro 08, 2006

Para quem acha piada


Pelos décimo aniversário do Contra-Informação, está no Vasco da Gama uma exposição itenerante. São diversos personagens deste programa, espalhados pelo centro para serem vistos e ouvidos ao vivo.

terça-feira, novembro 07, 2006

Faz amanhã duas semanas que fui à minha última aula de teatro... já começo a ressacar, se tudo correr bem volto rápidamente ao vício...

Ornatos Violeta


Foi fugaz a passagem desta banda formada no Porto. Em 1997 edita Cão! e em 1999 o seu segundo e último album, o brilhante O Monstro Precisa de Amigos.
Com influências musicais diversas, os Ornatos marcaram um estilo alternativo muito próprio, vincado na metálica voz caracteristica de Manel Cruz. Os dois singles memoráveis Ouvi Dizer (com Vitor Espadinha) e Capitão Romance (com Gordon Gano dos Violent Femmes) catapultaram para o sucesso um album carregado de grandes músicas para ouvir da primeira à última, uma e outra vez.
É uma revisita aos meus tempos de faculdade...
Para esta semana a música é Notícas do Fundo...

segunda-feira, novembro 06, 2006

The Devil Wears Prada

Há filmes em que à partida já se percebe o rumo que vão tomar. Os filmes de género (comédias, acção ou terror) têm muitas vezes essa particulariedade. Não é necessáriamente mau, quando entramos na sala de cinema muitas vezes queremos assistir a algo familiar, queremos ver os bons a ganhar e os maus a perder. Raramente estes títulos se excedem, mas muitas vezes cumprem o seu propósito que é entreter.
Há no entanto filmes que, por um motivo ou por outro, mesmo sendo reconheciveis, fogem à regra.
The Devil Wears Prada é um desses casos. Sem ser revolucionário na sua temática, ou na forma como a aborda, é uma comédia bem construida, muito inteligente, que consegue a espaços surpreender e que (caso raro) se mantem com a mesma força e coerência do inicio até ao fim.
O que leva este filme para um nivel diferente é a performance de Meryl Streep. Com o papel de uma patroa de uma revista de moda, cujo poder se estende por toda a industria, e que domina aqueles que a rodeiam com pulso de ferro, Streep tem uma performance absolutamente colossal, uma personagem a lembrar Cruella De Vil, carregada de pose, de glamour, com um veneno profundo e uma calma sádica, é mais um enorme papel desta actriz.
Se não fosse por mais nada (e o filme tem outros méritos), só por ela merecia o dinheiro, o tempo e o aplauso.