quinta-feira, janeiro 04, 2007

The Prestige

Christopher Nolan foi catapultado para o sucesso com a sua segunda longa-metragem Memento, um filme engenhoso, único na sua construção, que conta a história de um homem que tem amnésia, mas que apenas se esquece dos eventos recentes, sabe o nome, quem é, a sua vida, mas não se lembra do que fez há meia hora. Todo o filme é construído de trás para a frente, recuando em todos os pontos em que ele fica sem saber onde está ou o que está a fazer, levando o espectador a sentir o que o personagem sente, num thriller tenso onde a dúvida se mantém até ao fim.

Desde então a expectativa tem sido grande em saber quais seriam os passos seguintes de tão engenhoso criador. Foram três Insómnia, Batman Begins e o seu último projecto The Prestige, todos eles sólidos na sua estrutura, mas clássicos, bom entertenimento mas pouco mais.

The Prestige - O Terceiro Passo, segue a história de dois ilusionistas que se odeiam e a sua luta para se suplantarem mutuamente, nos finais do século XIX. Com Hugh Jackman, Christian Bale, Michael Caine, Scarlett Johansson e David Bowie (um Nikola Tesla absolutamente irreconhecivel), tem um elenco de luxo que se mantém forte em todas as frentes, apesar de por vezes parecer que há actores subaproveitados em pequenos papeis.
A reconstrução de época é primorosa, não sendo de admirar estatuetas para melhor direcção artística nesta época de prémios que começou com os Globos de Ouro.
O ponto forte da fita é o argumento, que procura surpreender-nos constantemente. Até certo ponto consegue-o, mas sem deslumbrar, e dando espaço de manobra para se descobrir as surpresas finais com algum avanço.
Há uma comparação que é inevitável com O Ilusionista, ambos os filmes têm a mesma temática, passam-se na mesma época, estrearam com um mês de diferença e tentam surpreender o espectador com diversos plot twists. Em todos os pontos The Prestige sai a ganhar.
Não deixa grandes marcas nem memória, mas como objecto de entretenimento funciona bem, valendo as duas horas de atenção.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Star Wars


Abriu no dia dos meus anos mas só na pausa que fiz no Natal tive oportunidade de a ir ver. A exposição do Star Wars no museu da electricidade, com os seus 2000m2, aguçou-me a curiosidade. Os 10 euros por cabeça não são convidativos, mas a promessa de ver algo inesquecível era bastante apelativa.
Em termos de objectos é impressionante, naves que foram usadas nos filmes, fatos de toda a saga, esboços, desenhos, miniaturas, videos a explicar os efeitos, o R2D2, o C3PO e claro Darth Vader.
No entanto em termos expositivos é de uma pobreza atroz, o espaço é muito bom mas completamente subaproveitado, tudo está disposto sem o mínimo de lógica ou sequência, plantado dentro de caixas de vidro, deixados como se ao acaso. Torna-se desinteressante, monótono, triste, o que é absolutamente incrível sabendo a matéria prima de que dispõe, o universo fantástico em que se insere e o entusiasmo expectável que os fãs demonstram.
Mas se a curiosidade mesmo assim apertar ainda está até 14 de Janeiro.


Exposição Star Wars
Museu da Electricidade - Belém
3ªs a 5ªs e Domingos das 10H00 às 20H00 / 6ªs e Sábados das 10H00 às 22H00

Preço: 10€, Colaboradores EDP: 8€, crianças com menos de 7 anos: gratuito

terça-feira, janeiro 02, 2007

Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan

Conheço o personagem Borat ( criação do actor inglês Sacha Baron Cohen) através de diversos sketches que circulam a net há já algum tempo. Borat, um reporter do Cazaquistão, anda por Inglaterra a tentar aprender os costumes do povo local. Este conceito foi passado a cinema.

O filme cujo título vou abreviar apenas para Borat, trata da viagem desse reporter para os EUA para aprender a sua cultura e regressar ao país de origem com um documentário feito sobre a América. A fita, tal como os sketches, tem como base uma lógica de Apanhados, onde o quase bárbaro mas bem intencionado Borat faz as coisas mais inimagináveis por causa das "diferenças culturais" que existem com as pessoas com quem se cruza, e que supostamente não sabem que ele é um actor inglês. É um sucesso de bilheteira colossal e foi inclusivé nomeado para dois Golden Globes, Melhor Filme e Melhor Actor na categoria Musical/Comédia.

A ideia que me tinha sido vendida era a de um homem que através da sua ingenuidade põe a nu as contradições do povo americano. No entanto os únicos que são gozados e humilhados são os Cazaquistaneses, que são apresantados como um povo imbecil, retrógrado, porco, sujo, pobre, sub-desenvolvido, que vive em barracas e de moralidade duvidosa, com cenas de incesto à mistura.

Vamos por partes, o Cazaquistão é uma ex-républica soviética, o sexto maior país do mundo em termos de área, com a população com 99,5% de literacia de adultos, taxas de crescimento do PIB acima dos 9% anuais, uma dívida pública e um défice do Estado inferiores ao nosso por exemplo, sendo o sector energético o seu sector económico dominante. A imagem de um país de ciganos imbecis está o mais longe possivel da realidade, e se para nós portugueses isso pode dizer pouco, não achariamos o mesmo se fosse Portugal assim representado. Só revela um nível de ignorância extrema por parte de quem faz a caricatura e uma total falta de respeito pelas pessoas.

Em segundo lugar, um inglês a gozar com os ingleses tem graça, a gozar com um povo que desconhece por completo é, no mínimo, de mau tom.

Mas ainda vá, as coisas podiam mesmo assim ter piada, apesar de ser filmado na Roménia e com música de um Jugoslavo. Borat no entanto, revelou-se a experiência mais degradante que já tive numa sala de cinema. Um homem com um saco de fezes à mesa de jantar não tem graça, é nojento, um gordo gigantesco a masturbar-se com fotos da Pamela Anderson não tem graça, é nojento.

Todo o filme faz lembrar o nivel de humor e inteligência de um Jackass, com gente que come a sua própria urina, mas com uma diferença, ao menos no Jackass eles tinham a decência de gozar consigo próprio.

É um filme errático e repugnante, mas olhando para a reacção do resto das pessoas devo ser eu que tenho um estômago demasiado sensivel.


2007

Fim de férias, de Natal, das festas, prendas e comida a mais. Os 24 e 25 com a família, o 31 com amigos, tudo nos conformes.
2007 começou, e como de costume as resoluções de ano novo trazem promessas de mudança. Este ano vai ser de mudança, tem que ser para que a vida "pule e avance". Para arrancar o ano da melhor forma e para que a mudança seja verdadeira, vamos virar as coisas do avesso, vamos acabar com o mundo tal como o conhecemos!

(e para dar uma mãozinha aqui fica R.E.M. - It's the end of the world as we know it)

domingo, dezembro 24, 2006

FELIZ NATAL E UM 2007 BRILHANTE!!!!!



(...até para o ano...)

sábado, dezembro 23, 2006

Á procura de um pinheiro

Os alunos do primeiro ciclo da Academia de Música de Sta Cecília levaram a cena no Natal de 2002 um musical de José Carlos Godinho, uma história acerca da revolta dos pinheiros que se recusavam a ser cortados para serem árvores de Natal, deixando todos os enfeites indefesos no chão. Em Novembro de 2003 foi feita esta gravação que é perfeita para esta altura.

Senhoras e senhores, meninas e meninos... Broa de Mel.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Improviso


Depois de uma aula de segunda feira completamente virada para o lado físico, onde acabámos a música Deliciae Mae, quarta-feira estava marcada para ser memorável. Última aula deste ano, era onde iriamos improvisar sobre A Ilha dos Mortos de Strindberg.

Relaxamento inicial muito profundo, trabalho físico de memória sensorial sobre um espaço que nos fizesse paralelo com a Ilha dos Mortos e depois utilização de um objecto, pessoa, situação pessoal para ter a sensação geral e específica da cena que iamos representar. Foi mais de meia hora só de preparação para o improviso, e que se revelou fundamental para o mesmo - acreditem, quando alguns actores pedem para não serem incomodados antes de entrar em cena e precisam de alguns minutos de silêncio não é por serem prima-donas, é por ser um factor fundamental do seu trabalho. A aula inteira foi assistir os improvisos de cada um, duas horas de representação pura, preparação, interiorização, e interacção.

É incrivel o nível de esquecimento que se consegue atingir, fechar completamente que estamos numa sala, a rebolar pelo chão, com gente a assistir, e deixar que as emoções fluam, intensas, imensas, a criar naquele momento actores com uma performance genuina e verdadeira. Isso sente-se, isso sentiu-se ontem, e foi memorável.

Morcegos

Vi sábado passado n'O Bando em Vale de Barris a peça Morcegos. Estava em últimas representações (penúltima para ser mais preciso) e sendo eu um sério aficcionado da companhia de João Brites, não podia deixar passar a oportunidade. Produções como Os Bichos, Em Fuga, Alma Grande, Merlim, ou Ensaio Sobre a Cegueira (para mencionar uma ínfima amostra do reportório desta companhia) fazem-me ir a'OBando sempre com a certeza de ver algo original, criativo, diferente, surpreendente, e com as famosas máquinas de cena que são um espectáculo em si só.
Por ser Dezembro a peça teria necessariamente que se desenrolar dentro de portas, neste caso na nova sala que foi construída na quinta. Aqui começa o problema, ainda não vi nesta companhia uma boa peça que seja feita num teatro convencional, vivi experiências fantásticas num comboio em andamento em Lisboa, passeei de noite pelos jardins da Gulbenkian, vi abismado os actores a treparem as paredes do Convento do Beato, ou então ao ar livre em Vale de Barris, mas peças de palco raramente funcionam aqui. Exemplos disso são As Horas do Diabo que esteve no D. Maria II e O Salário dos Poetas, ambas peças menores ou falhadas. Se bem que o brilhante Ensaio Sobre a Cegueira esteve em palco no Trindade, foi conceptualmente pensado para fora de palco, este antes em Palmela e só depois foi adaptado.
O segundo problema é o texto de Jaime Rocha, que se começa com um tom de estranheza e fascínio Lynchiano, acaba por se revelar um esforço frágil, sem nexo, interesse e de alguma pobreza geral.
Para criar uma ambiência diferente, desviar a atenção do vazio da peça e substituir de alguma forma a máquina de cena que, por motivos óbvios de localização, nunca poderia ser de monta, foi escolhido utilizar percussão para acompanhar o desenrolar da acção, como se de um estranho musical futurista sem canções se tratasse. Se bem que o efeito é interessante torna-se monótono e repetitivo ao longo do tempo, condicionando inclusive a performance dos actores.
Por último o estilo de representação muito marcada, vincada que é recorrente n'O Bando, aqui ultrapassa os limites, com caras transformadas em máscaras imutáveis e guinchos histéricos que nos levam a interrogar porque é que foi levada a cena uma peça que estava condenada desde a primeira leitura.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Thank You For Smoking


Thank You For Smoking (Obrigado Por Fumar) é uma sátira sobre o mundo das grandes tabaqueiras e da sua luta constante para evitar enfrentar os problemas causados pelo fumo, mas mais do que isso, é uma sátira sobre o mundo da política, da alta finança, do jornalismo e principalmente dos lobbys que se movem nos bastidores. Nick Naylor (Aaron Eckhart) é o porta voz das grandes tabaqueiras, o seu trabalho é não deixar que as vendas de cigarros sejam afectadas pelas esmagadoras provas de que o tabaco mata. Ele usa o seu charme, mas acima de tudo a sua espantosa capacidade de argumentação num trabalho... viciante. As coisas complicam-se quando precisa de ao mesmo tempo ser um modelo para o seu filho, lidar com as perguntas de uma jornalista e lutar contra um senador que vê como sua missão destruir a indústria tabaqueira.
O grande trunfo deste filme, para além da parada de grandes actores com papeis muitas vezes infimos que passam pela tela com um à vontade e uma naturalidade de quem está entre amigos, é o seu argumento. Inteligente, surpreendente, sem nunca se deixar caír nem na moralidade fácil, nem num distanciamento que o destruiria, Thank You For Smoking é um filme que existe num limbo moral, numa linha estreita que o percorre do início ao fim, e onde ninguém é poupado, não existem bons e maus e (pasme-se) nem sequer vencedores e vencidos.
Foi nomeado para o Golden Globe de Melhor Filme Comédia/Musical e Aaron Eckhart nomeado na categoria de Melhor Actor Comédia/Musical.
Por cá passou completamente despercebido, está apenas no Alvaláxia às 18h10 e no El Corte Inglés às 00h05. Fora de Lisboa apenas em Coimbra. Para os poucos que o ainda podem ver, hoje pode ser a última oportunidade, visto ser provável que saia de cartaz com as estreias de amanhã.
Portanto recomendo um esforço para agarrar as últimas sessões e ver um comédia... muito séria.

terça-feira, dezembro 19, 2006

Casino Royale (e Música da Semana)

Antes de mais e para que esteja claro vou dizer uma coisa: Casino Royale é o melhor Bond alguma vez feito e Daniel Craig é um actor à altura. É difícil a comparação com tempos míticos dos anos 60 e principalmente com Sean Connery, mas Casino Royale é o mais maduro, complexo e envolvente filme da longa série. Bond atinge aqui por fim a idade adulta. Sente, sofre, vive, é por fim, um homem. Mas não um homem qualquer, longe do ar suave de playboy, James é um assassino, e a morte não é uma atracção de feira, de circo, a morte existe fisicamente, é palpável, tem cheiro, tem cor, deixa marcas no corpo e pior, na mente. Este é o 007 que quebra com muitos dos ícones dos anteriores filmes, não tem engenhocas estranhas e invenções mirabolantes, a Bond Girl é muito mais que uma boneca de silicone (Eva Green a construir uma reputação de actriz que ultrapassa largamente a sua inesquecível silhueta), Bond fere-se, sua, despenteia-se, cansa-se, desespera, bebe algo mais que vodka martini e quando lhe perguntam se quer mexido ou batido ele responde "Acha que sou o tipo de homem que se preocupa com isso?" – e não é, agora não é.
Foi um risco seguir esta linha, principalmente quando a antiga fórmula estava a render mais dinheiro que nunca, se Goldeneye, o primeiro filme com Pierce Brosnan tinha feito 352 milhões de dólares mundialmente, batendo recordes, o seu último Die Another Day chegou quase aos 432. Mas foi um risco que deu frutos, não só na bilheteira, como entre crítica e fãs do agente secreto.
Empolgante, envolvente, com um punhado de cenas memoráveis (o pré genérico é brilhante e a cena da perseguição pelos guindastes inebriante) Martin Campbell (responsável por filmes como Goldeneye ou A Máscara de Zorro), constrói uma peça sólida e adulta, de longe o seu melhor esforço até hoje.
Não será um filme estudado nas escolas de cinema, mas como produto de entretenimento é do melhor que se pode encontrar nas salas.

Em honra a Mr.Bond aqui fica a sua assinatura como música da semana...

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Sugestões


A época é propícia a este tipo de coisas, as compras estão em alta e as ideias muitas vezes escasseiam. No fim de semana passado houve uma edição da Feira da Ladra Alternativa, supostamente especial de Natal, mas que não teve a adesão que merecia, principalmente por parte dos criativos que lá estavam presentes. No entanto foi a oportunidade para comprar algumas prendas originais o que me leva a este post. Sem esquecer a incontornável Joana Simões e a sua joalharia de autor faço aqui outros dois destaques. Mariana Costa e Silva tem uma colecção de malas quase totalmente em feltro que são únicas e muito baratas. Uma visita ao seu blog é indispensável.
Por outro lado a Brilho em Paralelo define-se com urban arte facts, é de uma dupla Catarina Arruda e Rita Andringa que têm uma colecção vasta de... artefactos urbanos...

Um bom natal...

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Chega a época natalícia é o resultado é sempre o mesmo, embrenhados nos feriados, compras, férias e jantares de Natal empresariais, os visitantes do blog descem a pique. É a Maldição de Dezembro e este ano, tal como o ano passado, fui atingido por ela, apesar de ser com aparente menor gravidade. O blog também vai ganhando os seus anticorpos. Para os resistentes que de vez em quando ainda cá dão o seu pulinho deixo os meus agradecimentos...

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Um governo... digamos, socialista!

Pois parece que o socialismo está em grande na defesa de alguns dos pilares fundamentais desta doutrina. A última vez que olhei, a protecção dos mais desfavorecidos e o livre acesso à Justiça faziam parte destes pilares, mas afinal parece que não.
Está a ser estudada a hipótese pelo governo eh… socialista pronto, das despesas com os advogados da outra parte ser paga por quem perde um processo. Serve esta medida para descongestionar os tribunais portugueses e tornar a Justiça mais célere. Ora bem, portanto a lógica subjacente seria limitar os processos apenas àquelas pessoas que têm a certeza que vão ganhar e impedir aqueles trastes que não sabem se ganham ou não de se meter nestas coisas chatas e maçudas dos tribunais. Se levarmos esta coisa às últimas consequências então deixavam completamente de existir processos, porque se não tens a certeza não entras no sistema e se tens a certeza bem… então nem vale a pena ir a tribunal, resolve-se a coisa por fora e poupa-se muito tempo e trabalho.
O problema é que na maioria das questões debatidas ambas as partes acham ter razão, o que denota uma percentagem enorme de inconscientes.
Vamos por um momento partir do princípio que vivemos num mundo em que não é possível ter a certeza de vencer um processo judicial, mesmo estando seguro da nossa causa e da nossa razão. Vamos já agora supor também que há pessoas ou entidades que vencem os ditos processos sem na verdade terem razão, seja por falta de provas, motivos técnicos, por terem uma equipa de advogados mais competente, ou por outro motivo qualquer. Vamos ainda imaginar (é difícil eu sei) que existem gigantescas diferenças de orçamento entre diferentes pessoas ou mesmo entre pessoas e empresas e que há gente (isto então já é um esforço de imaginação tremendo) que tem que pensar duas vezes e fazer continhas à vida antes de ir a Tribunal.
Ora bem, este cenário improvável significaria que uma medida como esta proposta pelo governo… vá, socialista, iria retirar do sistema basicamente aqueles que não têm posses e deixar impunes aqueles para quem os custos de tribunal são perfeitamente suportáveis. Imagine-se ainda (mais um esforço) alguém injustamente despedido a levar à Justiça a empresa que o despediu e pensar que pode ter que arcar com as despesas da equipa de advogados dessa empresa. Ou o pessoal da Casa Pia ter que pagar o batalhão de gente que defende os VIP’s acusados neste caso. Ainda por cima estamos a falar de custos que não são, como se sabe, iguais para todos. Portanto uma pessoa iria entrar para um processo sem saber qual o dinheiro poderia ter que despender A negociação de valores entre mim e a minha equipa de advogados é da minha responsabilidade sendo a outra parte completamente alheia a todo a questão. Ao que parece até na pessoa contra quem se vai a tribunal é preciso ter sorte, se tem um advogado baratinho muito bem, se for dos caros… paciência.
Isto sem pensar que todos os casos passariam quase inevitavelmente para as últimas instâncias visto que se a decisão em primeira instância for desfavorável, mais valeria arriscar alongar o processo do que pagar logo as custas com a equipa de defesa de terceiros.
Numa tentativa de aligeirar as pilhas de papel imensas que se acumulam pelos corredores da Justiça o governo… seja, socialista, quer retirar as pessoas do sistema independentemente dos seus problemas ou méritos, apenas baseado no seu poder de compra. Ou alguém acredita que isto vá impedir uma Sonae ou uma PT de ir a tribunal seja quando for, seja contra quem for?
Mas assim vai o mundo, assim vai este país onde o socialismo liberal, moderno, esta terceira via, este governo… como queiram socialista está cada vez mais parecido com um manga de alpaca quadrado, com palas nos olhos, que não vê mais que os tostões à sua frente.
E porque não fechar todos os tribunais? Assim ficava o problema resolvido pela raiz…

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Gota a gota...

Fazendo uma reprise de um post de dia 27 de Novembro...

"PIOR DO QUE SER BRONCO É TER GOSTO EM SÊ-LO!!!"

Gota a gota, a pessoa atura, boca a boca, todos os dias, a lidar com a burrice, a estupidez, a ignorância, a homofobia, a misoginia...

Todos os dias...

Gota a gota, boca a boca, vai enchendo o copo, aos arrotos com ares de arrogância, com inchaços de absoluta imbecilidade...

E o telefone que não toca...

A Casa de Lenha


Pelo centenário do nascimento de Fernando Lopes Graça está em cena no Teatro Nacional D. Maria II a peça A Casa de Lenha, uma co-produção com a Comuna. Encenado por João Mota, conta a vida do compositor desde a sua infância, criações, composições, lutas políticas, exilio, revolução e morte.
A primeira coisa que salta à vista do espectador é o incrivel cenário, uma enorme parede escavada num cinzento pardo, que empresta uma complexidade e uma grandeza ao texto. O tom cinza é aliás transversal a esta produção, das roupas aos cabelos, excluindo Carlos Paulo e a visualmente poderosa cena final.
Apesar do seu vasto elenco, a peça acenta quase na sua totalidade no próprio Carlos Paulo, que compõe um Lopes Graça soberbo mantendo-se em cena durante toda a duração do espectáculo, num exercício de resistência física e performativa notável. A vida do autor é contada na primeira pessoa, com a música a pontuar toda a acção. De realçar o trabalho do pianista Nuno Barroso e do coro que se tornam parte viva e fundamental da peça, sobre a direcção musical de António Sousa e a batuta de Jorge Alves.
É uma grande produção que merece uma visita atenta no D.Maria.


A Casa de Lenha
Teatro Nacional D.Maria II / Comuna- Teatro de Pesquisa
Interpretação: Carlos Paulo, João Grosso, Sara Belo, Jorge Andrade, Tânia Alves, António Banha, João Tempera, Manuel Coelho, José Neves, Hugo Franco, Vitor Ribeiro, Augusto Portela, Júlio Martin, Filipe Petronilho, Luis Gaspar, Rui Quintas, Paula Mora, Lúcia Maria, João Ricardo, Maria Amélia Matta, Gonçalo Ruivo, Samuel Alves, Marco Paiva, Maria Ana Filipe, Judite Dias, Rita Seguro, Diogo Branco.
Encenação: João Mota
Texto: António Torrado
De 16 de Novembro a 30 de Dezembro de 2006
Terça a Sábado 21h30, Domingo 16h
Preço: Plateia - 15 €, 1º Balcão - 12,5 €, 2º Balcão - 7,5€ (existem descontos, perguntar na bilheteira)

Teatro Nacional D. Maria II
Praça D. Pedro IV (Rossio)
1100-201 Lisboa
Bilheteira e Informações:
(351) 213 250 835