terça-feira, janeiro 09, 2007

Regresso


Ao fim de duas semanas voltei ao Chapitô. O Bruno está a ensaiar a peça Frozen que vai estrear no D. Maria a 17 de Janeiro e portanto estas primeiras duas semanas ficaram a cargo da Sofia Gonçalves. Em quatro sessões vamos fazer um pequeno workshop sobre casting e ontem foi a primeira aula.

Começámos com o pé errado.

Em primeiro lugar gastamos uma aula em apresentações. Percebo que a professora não nos conhece, mas queimar uma aula em quatro é notoriamente exagerado. Principalmente quando a última aula vai ser a simulação do casting, portanto de 4 sobram 2 aulas para treinar.

Em segundo lugar é daquelas pessoas que criam em mim uma antipatia natural, o sorriso falso e o riso forçado sempre me deixaram com comichões.

Depois não esquecer que uma atitude agressiva (mas desimulada) não é a abordagem mais apropriada. Ela pode achar que O Método é brilhante, mas o facto de alguem ter objecções a alguns pontos não merece as respostas rispidas e duras que teve.

Alguns comentários foram completamente despropositados, como dizer numa aula que tem dois terços de alunos de primeiro ano que é "absolutamente contra a castração a que os alunos de terceiro ano são forçados por terem uma turma tão inexperiente!". A senhora sente-se revoltada com a castração, mas é a única, nunca vi nenhum aluno de terceiro ano queixar-se - muito pelo contrário - nem o Bruno (professor desta aula) considera este um passo errado, para além de atacar sem propósito os alunos de primeiro ano que estão lá apenas para aprender.

Por último a forma como lidou com o Fábio, aluno com mongolismo da turma, foi arrepiante. Pura e simplesmente ignorou-o quando ele quis intervir pela terceira vez. Eu sei que ele se repete, que ele pode ser inconveniente, mas não se vira costas a ninguem enquanto esta fala, muito menos a alguem assim...

Mas pode ser só embirração minha, como diz um colega meu: não negues à partida uma ciência que desconheces.

Musica da Semana

Se o ano começou muito bem com R.E.M. achei que a seguir era preciso levá-lo para outro nivel.
Janis Joplin é dos elementos mais marcantes da musica americana dos anos 60, personificando o espírito rebelde da época. Live fast die young é um lema que se pode ligar a muitos dos icones da época, e Joplin não foi excepção. Morreu aos 27 com uma overdose de heroina a meio da gravação de um album. A sua voz rouca e potente, a sua musica, a sua aura aventureira perdura até hoje.
De uma grande senhora:Kozmic Blues

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Babel

"Vinde, desçamos e confundamos ali a sua linguagem, para que um não entenda a linguagem de outro... o SENHOR os dispersou dali pela superfície da terra..."
O último filme de Alejandro González Iñárritu, autor de 21 Gramas e Amores Perros, é mais uma pequena gema saida da mente deste realizador mexicano. 4 histórias em 3 continentes, uma família marroquina, um casal americano, uma mulher mexicana e uma rapariga japonesa, todas interligadas por um ponto comum, mas que partilham mais do que essa simples ligação. Este não é um filme de história, nem de actores, este é um filme de realizador, de autor, e principalmente de emoções. A dificuldade de falar de comunicar, de entender o outro é o tema central que leva inexoravelmente ao isolamento, à solidão, seja esse isolamento físico (como na familia marroquina), emocional (como no casal americano), social (mexicana) ou humano (no caso da japonesa e da sua absoluta necessidade de afecto). Isolamento, dor, sexualidade, perda e redenção são as linhas mestras de uma história que atravessa dialectos.

Brad Pitt, Cate Blanchett, Gael García Bernal são as vedetas que, apesar de terem bons papeis, não são a chave nem o motor de um conto tenso, terno e humano.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

A emissão prossegue dentro de momentos

arg me maty

komo?

lol, pois esquece
dislexia
ou tentativa falhada de falar á pirata
ou
tristes devaneios de bicho maluco
ou
comi algo estragado ontem ao jantar (será dos olhos verdes?)
ou
é a última vez que marro contra uma porta

fds à porta!!!

que queres dizer?
tens duas hipóteses
ou estás a fazer a exclamação comum a todos os tugueses neste momento fim de semana à porta e aí digo: inda bem valha-nos deus
ou então
dizes
foda-se a porta sendo solidária com a minha pobre cabecinha ao que respondo obrigado

lolololololol

qual é qual é? qual éééééééé?????
não perca mais um episódio de : antes tu que eu!

bateste mesmo em algum lado

hein? hein? quê? vai de onde? ah olá bom dia... que tal essas férias? muita praia e sol? muito atum em lata? muita cerveja morna com torresmos?

calma, calma, fica aí onde estás, que eu ja ligo pra te irem buscar

onde estou? onde estou???? quem? quem vem lá? quem és tu???? isso é a tua cara ou estás de pernas para o ar? tens um bacio na cabeça ou és apenas feio? onde vais? que se passa??? AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHH!!!!!!!!!! filho do demo... AAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!! cornudo trombudo... AAAAAAHHHHH!!! AAAAAAAHHHHHH!!!! as dores as dores... ai lindinha olhós malmequeres!

lolololololol

ufff pronto, pronto, já estou mais calmo, já tirei o algodão da boca, já respiro pelo cano como dantes, ai as tertúlias a morrer, quem te viu e quem te vê, sinopse curta da minha vida: nunca esteve onde era chamado... quem eu? não eu não tu! ah sim, assim sim, já concordo, quem vem lá que venha por bem, e senão apague a luz e tire a roupa que o resto é com as galinhas

cruzes credo

hoje se vieres faço fondue, mas tou sem gás no fogão portanto esquece lá a sardinha assada, não tem mal que também não toco violino, antes fosse que mal sinto os dedos, ai os dedos os dedos, essas cartas tão maradas, do avesso ninguém sabe quais são... ai os dedos os dedos...
senhoras e senhores retomamos a emissão dentro de momentos....

The Queen

Antes de mais é preciso sublinhar a coragem que implica fazer um filme sobre figuras públicas que, não só estão vivas, como se encontram nos mesmo papeis em que se encontravam na altura. Aliás, falar de eventos recentes, sem ter um distanciamento histórico é sempre complicado, corre-se o risco de ser tendencioso, agressivo, ou exactamente o oposto, abordando os temas com demasiado cuidado, tornando-se distante, frio, inócuo.
The Queen (A Rainha) é o último filme de Stephen Frears, cineasta inglês responsável por filmes premiados como Mrs Henderson Presents, Dirty Pretty Things (Estranhos de Passagem), High Fidelity (Alta Fidelidade) ou Dangerous Liaisons (Ligações Perigosas). O filme centra-se nos eventos que ocorreram logo após a morte da princesa Diana, quando Tony Blair tinha acabado de ser eleito primeiro-ministro e a família real parecia ter demonstrado o maior desprezo pelo luto nacional, sendo vítima de enorme contestação. Frears propõe-se contar o que se passou nesses dias, algo que o público nunca viu.
É um filme completamente british, na sua história e personagens obviamente, mas também no seu tom contido, na sua belíssima fotografia, na discreta nobreza que o rodeia.
Se contar esta história é arriscado (afinal Tony Blair ainda é primeiro ministro, a Rainha Isabel II ainda é soberana do país e a morte da princesa algo muito recente), mais arriscado ainda é interpretar o seu papel principal. A árdua tarefa recaiu sobre Helen Mirren (Gosford Park) que a desempenha de forma soberba. Não só replica a pose, gestos e majestade de tão conhecida figura, como lhe institui um carácter humano, uma profundidade de sentimentos sempre sob a pele, nunca explícitos, que fazem desta uma performance digna de aplauso.
The Queen é um grande filme, sem a parafernália do espectáculo visual americano, nem grandes tiradas operáticas, mas que tem uma suave beleza que o prespassa.
Sem dúvida nenhuma um dos grandes candidatos aos Óscares deste ano.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

The Prestige

Christopher Nolan foi catapultado para o sucesso com a sua segunda longa-metragem Memento, um filme engenhoso, único na sua construção, que conta a história de um homem que tem amnésia, mas que apenas se esquece dos eventos recentes, sabe o nome, quem é, a sua vida, mas não se lembra do que fez há meia hora. Todo o filme é construído de trás para a frente, recuando em todos os pontos em que ele fica sem saber onde está ou o que está a fazer, levando o espectador a sentir o que o personagem sente, num thriller tenso onde a dúvida se mantém até ao fim.

Desde então a expectativa tem sido grande em saber quais seriam os passos seguintes de tão engenhoso criador. Foram três Insómnia, Batman Begins e o seu último projecto The Prestige, todos eles sólidos na sua estrutura, mas clássicos, bom entertenimento mas pouco mais.

The Prestige - O Terceiro Passo, segue a história de dois ilusionistas que se odeiam e a sua luta para se suplantarem mutuamente, nos finais do século XIX. Com Hugh Jackman, Christian Bale, Michael Caine, Scarlett Johansson e David Bowie (um Nikola Tesla absolutamente irreconhecivel), tem um elenco de luxo que se mantém forte em todas as frentes, apesar de por vezes parecer que há actores subaproveitados em pequenos papeis.
A reconstrução de época é primorosa, não sendo de admirar estatuetas para melhor direcção artística nesta época de prémios que começou com os Globos de Ouro.
O ponto forte da fita é o argumento, que procura surpreender-nos constantemente. Até certo ponto consegue-o, mas sem deslumbrar, e dando espaço de manobra para se descobrir as surpresas finais com algum avanço.
Há uma comparação que é inevitável com O Ilusionista, ambos os filmes têm a mesma temática, passam-se na mesma época, estrearam com um mês de diferença e tentam surpreender o espectador com diversos plot twists. Em todos os pontos The Prestige sai a ganhar.
Não deixa grandes marcas nem memória, mas como objecto de entretenimento funciona bem, valendo as duas horas de atenção.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Star Wars


Abriu no dia dos meus anos mas só na pausa que fiz no Natal tive oportunidade de a ir ver. A exposição do Star Wars no museu da electricidade, com os seus 2000m2, aguçou-me a curiosidade. Os 10 euros por cabeça não são convidativos, mas a promessa de ver algo inesquecível era bastante apelativa.
Em termos de objectos é impressionante, naves que foram usadas nos filmes, fatos de toda a saga, esboços, desenhos, miniaturas, videos a explicar os efeitos, o R2D2, o C3PO e claro Darth Vader.
No entanto em termos expositivos é de uma pobreza atroz, o espaço é muito bom mas completamente subaproveitado, tudo está disposto sem o mínimo de lógica ou sequência, plantado dentro de caixas de vidro, deixados como se ao acaso. Torna-se desinteressante, monótono, triste, o que é absolutamente incrível sabendo a matéria prima de que dispõe, o universo fantástico em que se insere e o entusiasmo expectável que os fãs demonstram.
Mas se a curiosidade mesmo assim apertar ainda está até 14 de Janeiro.


Exposição Star Wars
Museu da Electricidade - Belém
3ªs a 5ªs e Domingos das 10H00 às 20H00 / 6ªs e Sábados das 10H00 às 22H00

Preço: 10€, Colaboradores EDP: 8€, crianças com menos de 7 anos: gratuito

terça-feira, janeiro 02, 2007

Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan

Conheço o personagem Borat ( criação do actor inglês Sacha Baron Cohen) através de diversos sketches que circulam a net há já algum tempo. Borat, um reporter do Cazaquistão, anda por Inglaterra a tentar aprender os costumes do povo local. Este conceito foi passado a cinema.

O filme cujo título vou abreviar apenas para Borat, trata da viagem desse reporter para os EUA para aprender a sua cultura e regressar ao país de origem com um documentário feito sobre a América. A fita, tal como os sketches, tem como base uma lógica de Apanhados, onde o quase bárbaro mas bem intencionado Borat faz as coisas mais inimagináveis por causa das "diferenças culturais" que existem com as pessoas com quem se cruza, e que supostamente não sabem que ele é um actor inglês. É um sucesso de bilheteira colossal e foi inclusivé nomeado para dois Golden Globes, Melhor Filme e Melhor Actor na categoria Musical/Comédia.

A ideia que me tinha sido vendida era a de um homem que através da sua ingenuidade põe a nu as contradições do povo americano. No entanto os únicos que são gozados e humilhados são os Cazaquistaneses, que são apresantados como um povo imbecil, retrógrado, porco, sujo, pobre, sub-desenvolvido, que vive em barracas e de moralidade duvidosa, com cenas de incesto à mistura.

Vamos por partes, o Cazaquistão é uma ex-républica soviética, o sexto maior país do mundo em termos de área, com a população com 99,5% de literacia de adultos, taxas de crescimento do PIB acima dos 9% anuais, uma dívida pública e um défice do Estado inferiores ao nosso por exemplo, sendo o sector energético o seu sector económico dominante. A imagem de um país de ciganos imbecis está o mais longe possivel da realidade, e se para nós portugueses isso pode dizer pouco, não achariamos o mesmo se fosse Portugal assim representado. Só revela um nível de ignorância extrema por parte de quem faz a caricatura e uma total falta de respeito pelas pessoas.

Em segundo lugar, um inglês a gozar com os ingleses tem graça, a gozar com um povo que desconhece por completo é, no mínimo, de mau tom.

Mas ainda vá, as coisas podiam mesmo assim ter piada, apesar de ser filmado na Roménia e com música de um Jugoslavo. Borat no entanto, revelou-se a experiência mais degradante que já tive numa sala de cinema. Um homem com um saco de fezes à mesa de jantar não tem graça, é nojento, um gordo gigantesco a masturbar-se com fotos da Pamela Anderson não tem graça, é nojento.

Todo o filme faz lembrar o nivel de humor e inteligência de um Jackass, com gente que come a sua própria urina, mas com uma diferença, ao menos no Jackass eles tinham a decência de gozar consigo próprio.

É um filme errático e repugnante, mas olhando para a reacção do resto das pessoas devo ser eu que tenho um estômago demasiado sensivel.


2007

Fim de férias, de Natal, das festas, prendas e comida a mais. Os 24 e 25 com a família, o 31 com amigos, tudo nos conformes.
2007 começou, e como de costume as resoluções de ano novo trazem promessas de mudança. Este ano vai ser de mudança, tem que ser para que a vida "pule e avance". Para arrancar o ano da melhor forma e para que a mudança seja verdadeira, vamos virar as coisas do avesso, vamos acabar com o mundo tal como o conhecemos!

(e para dar uma mãozinha aqui fica R.E.M. - It's the end of the world as we know it)

domingo, dezembro 24, 2006

FELIZ NATAL E UM 2007 BRILHANTE!!!!!



(...até para o ano...)

sábado, dezembro 23, 2006

Á procura de um pinheiro

Os alunos do primeiro ciclo da Academia de Música de Sta Cecília levaram a cena no Natal de 2002 um musical de José Carlos Godinho, uma história acerca da revolta dos pinheiros que se recusavam a ser cortados para serem árvores de Natal, deixando todos os enfeites indefesos no chão. Em Novembro de 2003 foi feita esta gravação que é perfeita para esta altura.

Senhoras e senhores, meninas e meninos... Broa de Mel.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Improviso


Depois de uma aula de segunda feira completamente virada para o lado físico, onde acabámos a música Deliciae Mae, quarta-feira estava marcada para ser memorável. Última aula deste ano, era onde iriamos improvisar sobre A Ilha dos Mortos de Strindberg.

Relaxamento inicial muito profundo, trabalho físico de memória sensorial sobre um espaço que nos fizesse paralelo com a Ilha dos Mortos e depois utilização de um objecto, pessoa, situação pessoal para ter a sensação geral e específica da cena que iamos representar. Foi mais de meia hora só de preparação para o improviso, e que se revelou fundamental para o mesmo - acreditem, quando alguns actores pedem para não serem incomodados antes de entrar em cena e precisam de alguns minutos de silêncio não é por serem prima-donas, é por ser um factor fundamental do seu trabalho. A aula inteira foi assistir os improvisos de cada um, duas horas de representação pura, preparação, interiorização, e interacção.

É incrivel o nível de esquecimento que se consegue atingir, fechar completamente que estamos numa sala, a rebolar pelo chão, com gente a assistir, e deixar que as emoções fluam, intensas, imensas, a criar naquele momento actores com uma performance genuina e verdadeira. Isso sente-se, isso sentiu-se ontem, e foi memorável.

Morcegos

Vi sábado passado n'O Bando em Vale de Barris a peça Morcegos. Estava em últimas representações (penúltima para ser mais preciso) e sendo eu um sério aficcionado da companhia de João Brites, não podia deixar passar a oportunidade. Produções como Os Bichos, Em Fuga, Alma Grande, Merlim, ou Ensaio Sobre a Cegueira (para mencionar uma ínfima amostra do reportório desta companhia) fazem-me ir a'OBando sempre com a certeza de ver algo original, criativo, diferente, surpreendente, e com as famosas máquinas de cena que são um espectáculo em si só.
Por ser Dezembro a peça teria necessariamente que se desenrolar dentro de portas, neste caso na nova sala que foi construída na quinta. Aqui começa o problema, ainda não vi nesta companhia uma boa peça que seja feita num teatro convencional, vivi experiências fantásticas num comboio em andamento em Lisboa, passeei de noite pelos jardins da Gulbenkian, vi abismado os actores a treparem as paredes do Convento do Beato, ou então ao ar livre em Vale de Barris, mas peças de palco raramente funcionam aqui. Exemplos disso são As Horas do Diabo que esteve no D. Maria II e O Salário dos Poetas, ambas peças menores ou falhadas. Se bem que o brilhante Ensaio Sobre a Cegueira esteve em palco no Trindade, foi conceptualmente pensado para fora de palco, este antes em Palmela e só depois foi adaptado.
O segundo problema é o texto de Jaime Rocha, que se começa com um tom de estranheza e fascínio Lynchiano, acaba por se revelar um esforço frágil, sem nexo, interesse e de alguma pobreza geral.
Para criar uma ambiência diferente, desviar a atenção do vazio da peça e substituir de alguma forma a máquina de cena que, por motivos óbvios de localização, nunca poderia ser de monta, foi escolhido utilizar percussão para acompanhar o desenrolar da acção, como se de um estranho musical futurista sem canções se tratasse. Se bem que o efeito é interessante torna-se monótono e repetitivo ao longo do tempo, condicionando inclusive a performance dos actores.
Por último o estilo de representação muito marcada, vincada que é recorrente n'O Bando, aqui ultrapassa os limites, com caras transformadas em máscaras imutáveis e guinchos histéricos que nos levam a interrogar porque é que foi levada a cena uma peça que estava condenada desde a primeira leitura.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Thank You For Smoking


Thank You For Smoking (Obrigado Por Fumar) é uma sátira sobre o mundo das grandes tabaqueiras e da sua luta constante para evitar enfrentar os problemas causados pelo fumo, mas mais do que isso, é uma sátira sobre o mundo da política, da alta finança, do jornalismo e principalmente dos lobbys que se movem nos bastidores. Nick Naylor (Aaron Eckhart) é o porta voz das grandes tabaqueiras, o seu trabalho é não deixar que as vendas de cigarros sejam afectadas pelas esmagadoras provas de que o tabaco mata. Ele usa o seu charme, mas acima de tudo a sua espantosa capacidade de argumentação num trabalho... viciante. As coisas complicam-se quando precisa de ao mesmo tempo ser um modelo para o seu filho, lidar com as perguntas de uma jornalista e lutar contra um senador que vê como sua missão destruir a indústria tabaqueira.
O grande trunfo deste filme, para além da parada de grandes actores com papeis muitas vezes infimos que passam pela tela com um à vontade e uma naturalidade de quem está entre amigos, é o seu argumento. Inteligente, surpreendente, sem nunca se deixar caír nem na moralidade fácil, nem num distanciamento que o destruiria, Thank You For Smoking é um filme que existe num limbo moral, numa linha estreita que o percorre do início ao fim, e onde ninguém é poupado, não existem bons e maus e (pasme-se) nem sequer vencedores e vencidos.
Foi nomeado para o Golden Globe de Melhor Filme Comédia/Musical e Aaron Eckhart nomeado na categoria de Melhor Actor Comédia/Musical.
Por cá passou completamente despercebido, está apenas no Alvaláxia às 18h10 e no El Corte Inglés às 00h05. Fora de Lisboa apenas em Coimbra. Para os poucos que o ainda podem ver, hoje pode ser a última oportunidade, visto ser provável que saia de cartaz com as estreias de amanhã.
Portanto recomendo um esforço para agarrar as últimas sessões e ver um comédia... muito séria.

terça-feira, dezembro 19, 2006

Casino Royale (e Música da Semana)

Antes de mais e para que esteja claro vou dizer uma coisa: Casino Royale é o melhor Bond alguma vez feito e Daniel Craig é um actor à altura. É difícil a comparação com tempos míticos dos anos 60 e principalmente com Sean Connery, mas Casino Royale é o mais maduro, complexo e envolvente filme da longa série. Bond atinge aqui por fim a idade adulta. Sente, sofre, vive, é por fim, um homem. Mas não um homem qualquer, longe do ar suave de playboy, James é um assassino, e a morte não é uma atracção de feira, de circo, a morte existe fisicamente, é palpável, tem cheiro, tem cor, deixa marcas no corpo e pior, na mente. Este é o 007 que quebra com muitos dos ícones dos anteriores filmes, não tem engenhocas estranhas e invenções mirabolantes, a Bond Girl é muito mais que uma boneca de silicone (Eva Green a construir uma reputação de actriz que ultrapassa largamente a sua inesquecível silhueta), Bond fere-se, sua, despenteia-se, cansa-se, desespera, bebe algo mais que vodka martini e quando lhe perguntam se quer mexido ou batido ele responde "Acha que sou o tipo de homem que se preocupa com isso?" – e não é, agora não é.
Foi um risco seguir esta linha, principalmente quando a antiga fórmula estava a render mais dinheiro que nunca, se Goldeneye, o primeiro filme com Pierce Brosnan tinha feito 352 milhões de dólares mundialmente, batendo recordes, o seu último Die Another Day chegou quase aos 432. Mas foi um risco que deu frutos, não só na bilheteira, como entre crítica e fãs do agente secreto.
Empolgante, envolvente, com um punhado de cenas memoráveis (o pré genérico é brilhante e a cena da perseguição pelos guindastes inebriante) Martin Campbell (responsável por filmes como Goldeneye ou A Máscara de Zorro), constrói uma peça sólida e adulta, de longe o seu melhor esforço até hoje.
Não será um filme estudado nas escolas de cinema, mas como produto de entretenimento é do melhor que se pode encontrar nas salas.

Em honra a Mr.Bond aqui fica a sua assinatura como música da semana...