segunda-feira, janeiro 15, 2007

Flags of Our Fathers

Clint Eastwood escolheu para o seu projecto de 2006 não um mas dois filmes. Após os fantásticos multi-premiados Mystic River e Million Dollar Baby, Eastwood escolheu dois dramas históricos que se centram na mítica batalha de Iwo Jima na Segunda Guerra Mundial. O primeiro filme Flags of Our Fathers, acompanha três soldados que foram fotografados a erguer uma bandeira, e nos efeitos que essa imagem teve no povo americano. Não é um filme de guerra, é um filme de personagens, de três homens que, sem ter feito nada de especial, são considerados heróis por causa de uma foto, e manipulados pelo exército e pelo governo para angariar mais dinheiro para o esforço de guerra. O segundo filme, Letters From Iwo Jima, reconta essa batalha do ponto de vista dos japoneses.
Este fim de semana assisti ao primeiro, e apesar de já ser lugar comum não me canso de repetir, se Eastwood nunca foi um grande actor, ícone do cinema de acção dos anos 70, como realizador é dos mais maduros e profundos da sua geração. No argumento colaborou de novo com Paul Hagis (argumentista e realizador de Crash e argumentista de Million Dollar Baby e Casino Royale), o que dá à história um cunho de qualidade. Este é um filme clássico em toda a sua construção, um desenvolvimento narrativo primoroso, muito bem filmado, com uma fotografia impecável de uma cor esbatida lindíssima, com momentos de uma tensão imensa em contraste com uma história humana pungente. Com um elenco sem estrelas mas como de costume com actores na verdadeira acepção da palavra, Flags of Our Fathers é um dos grandes filmes do ano. E se os rumores de que Letters From Iwo Jima é ainda melhor forem verdade, então estamos perante uma dupla absolutamente extraordinária.
Imperdível...

sexta-feira, janeiro 12, 2007


A segunda aula de casting acabou por ser a primeira depois do desperdício de segunda-feira. Aquecimento inicial sem o relaxamento a que estamos habituados (isso viria mais tarde), mas professores diferentes têm, como é óbvio, técnicas diferentes. Em seguida massagem, juntámo-nos a pares e gastámos o nosso tempo a explorar o corpo do outro. Seja em que situação for, massagens é sempre algo que aprovo, gosto de as fazer e ainda mais de as receber, o que, para alem do propósito de relaxamento e desinibição em relação ao corpo alheio, me dá sempre imenso gozo. Em seguida trabalho sobre o texto escolhido. A Sofia queria dar dicas individuais, mas cometeu quanto a mim dois erros, primeiro foi esquecer-se que somos para cima de 20 alunos o que torna ineficaz querer ler os textos de todos e falar com todos, se gastar 5 minutos com cada um está uma hora e quarenta só a ler e dar dicas. O segundo foi querer dar imagens suas, se o trabalho do Método é utilizar experiências pessoais, as experiências alheias são obviamente inutilizáveis. Não tanto que falasse da sua vida, mas do seu universo. Dizer a um colega para pensar num quadro que lhe diga muito é pressupor que ele tem na pintura um universo próximo, quando pode não ser verdade (e não era), para ele pode funcionar o cinema, a música, o teatro ou outra coisa qualquer. Quanto a mim já tinha um universo sensorial escolhido para este trabalho, um local e uma pessoa por onde explorar. A questão é que escolhi um texto que fala de um tema que me é próximo. A utilização da pessoa que escolhi como referência para este trabalho teve consequências inesperadas, tendo a Sofia que intervir duas vezes para que eu conseguisse acalmar e regressar a um estado de menor tensão. O primeiro passo que é o da libertação das emoções começa a ser dado. É preciso agora controlá-las.
Próxima segunda outro capítulo...

quinta-feira, janeiro 11, 2007


Por motivos que me são alheios hoje vim para o escritório por cima de terra. Desta vez sentei-me à janela e olhei para Lisboa pela manhã, coisa que já não vazia há algum tempo. Não sei bem porquê mas estava estranhamente calmo, indiferente ao trânsito ou aos insultos esporádicos que se ouviam à greve do Metro, ao percurso dos autocarros alternativos, ou à celeridade dos motoristas. Entrei no Rossio, rapidamente me vi nos Restauradores. Após a visita não anunciada de uma chuva indesejada, o céu regressou ao seu azul habitual, banhando Lisboa com uma luz plácida em tons de caramelo. Liberdade acima, os enfeites de Natal descansavam de um árduo labor, espraiando-se junto às bandeiras amarelas do Dakar, que anunciavam uma festa já partida. Por entre o dourado das folhas caducas o verdejante das palmeiras contrastava, ao lado dos picos nus de árvores despidas. Chegado à Rotunda o Marquês olhava imponente a Avenida, com um leão a ladeá-lo. Uma gaivota pousou insolente na sua cabeça, indiferente à fera que estava a seu lado. (Linha amarela, Campo Grande, quem vai para o Sr. Roubado?) fechei os olhos... Hoje está um dia de praia, de Guincho, de Sintra, de errar pelos jardins da Regaleira, de sentir a areia nos pés, de cheirar o verde místico da serra. Hoje não é dia para estar aqui, olhos arregalados, em frente de um ecrã demasiado pequeno, a ver o dia esvair-se lá fora...

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Isto é realidade não é ficção!


A cena a seguir descrita passou-se numa insuspeita repartição de finanças, onde um conhecido meu se dirigiu para abrir actividade como profissional liberal e trazer a sua caderneta de recibos verdes. Após longa e habitual espera foi atendido...


  • Boa tarde

  • Boa tarde faça favor

  • Eu sou escultor e queria abrir actividade, pensando já na hipótese de poder vir a dar aulas.

  • Escultor hein?

  • Sim

  • Ora deixe cá ver... Então o senhor compra materiais, transforma materiais e vende materiais certo?

  • Bem... nunca tinha visto isto dessa forma... mas sim, é mais ou menos isso...

  • Ora deixe cá ver... (folheia incessantemente um monte de papel)... ora que isto... (o tempo passa)... pois bem... hum... olhe que isto está complicado!

  • Pois...

  • Portanto... AH! Encontrei. O senhor vai ser... Comerciante retalhista de artigos para o lar!

  • Vou quê?

  • Então o senhor compra materiais, transforma materiais, vende materiais...

  • Sim sim, mas e se for uma escultura pública? Arte de rua?

  • Eh lá... Pois isto assim complica-se... Hum... (volta a folhear o mesmo maço que anteriormente)

  • Oh minha senhora...

  • Um momento, um momento... Lá está, encontrei, desta é que é... Comerciante retalhista... no geral!

  • Mas minha senhora, eu sei que existe uma categoria que se chama escultor, existe essa profissão nos vossos livros.

  • Sim, mas perceba, você compra materiais, transforma materias, vende materiais...

  • Sim, mas e escultor?

  • Espere um segundo que vou falar com o meu chefe. (Levantou-se. O chefe à distância fazia um ar circunspecto enquanto ouvia a explicação da sua subalterna. Apoiando a o queixo na mão acenava com a cabeça, trocando umas palavras breves e desaparecendo em seguida para eviar confusões. Retorna a senhora). Pois...

  • Sim?

  • O meu chefe concorda comigo, comerciante de retalho no geral, você compra materiais...

  • Sim já percebi, pronto deixe lá isso obrigado.

E assim saiu um escultor, com obra feita e exposta, de uma repartição de finanças catalogado como comerciante de retalho no geral. A minha questão é... e para escultor quem se qualifica?

terça-feira, janeiro 09, 2007

Regresso


Ao fim de duas semanas voltei ao Chapitô. O Bruno está a ensaiar a peça Frozen que vai estrear no D. Maria a 17 de Janeiro e portanto estas primeiras duas semanas ficaram a cargo da Sofia Gonçalves. Em quatro sessões vamos fazer um pequeno workshop sobre casting e ontem foi a primeira aula.

Começámos com o pé errado.

Em primeiro lugar gastamos uma aula em apresentações. Percebo que a professora não nos conhece, mas queimar uma aula em quatro é notoriamente exagerado. Principalmente quando a última aula vai ser a simulação do casting, portanto de 4 sobram 2 aulas para treinar.

Em segundo lugar é daquelas pessoas que criam em mim uma antipatia natural, o sorriso falso e o riso forçado sempre me deixaram com comichões.

Depois não esquecer que uma atitude agressiva (mas desimulada) não é a abordagem mais apropriada. Ela pode achar que O Método é brilhante, mas o facto de alguem ter objecções a alguns pontos não merece as respostas rispidas e duras que teve.

Alguns comentários foram completamente despropositados, como dizer numa aula que tem dois terços de alunos de primeiro ano que é "absolutamente contra a castração a que os alunos de terceiro ano são forçados por terem uma turma tão inexperiente!". A senhora sente-se revoltada com a castração, mas é a única, nunca vi nenhum aluno de terceiro ano queixar-se - muito pelo contrário - nem o Bruno (professor desta aula) considera este um passo errado, para além de atacar sem propósito os alunos de primeiro ano que estão lá apenas para aprender.

Por último a forma como lidou com o Fábio, aluno com mongolismo da turma, foi arrepiante. Pura e simplesmente ignorou-o quando ele quis intervir pela terceira vez. Eu sei que ele se repete, que ele pode ser inconveniente, mas não se vira costas a ninguem enquanto esta fala, muito menos a alguem assim...

Mas pode ser só embirração minha, como diz um colega meu: não negues à partida uma ciência que desconheces.

Musica da Semana

Se o ano começou muito bem com R.E.M. achei que a seguir era preciso levá-lo para outro nivel.
Janis Joplin é dos elementos mais marcantes da musica americana dos anos 60, personificando o espírito rebelde da época. Live fast die young é um lema que se pode ligar a muitos dos icones da época, e Joplin não foi excepção. Morreu aos 27 com uma overdose de heroina a meio da gravação de um album. A sua voz rouca e potente, a sua musica, a sua aura aventureira perdura até hoje.
De uma grande senhora:Kozmic Blues

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Babel

"Vinde, desçamos e confundamos ali a sua linguagem, para que um não entenda a linguagem de outro... o SENHOR os dispersou dali pela superfície da terra..."
O último filme de Alejandro González Iñárritu, autor de 21 Gramas e Amores Perros, é mais uma pequena gema saida da mente deste realizador mexicano. 4 histórias em 3 continentes, uma família marroquina, um casal americano, uma mulher mexicana e uma rapariga japonesa, todas interligadas por um ponto comum, mas que partilham mais do que essa simples ligação. Este não é um filme de história, nem de actores, este é um filme de realizador, de autor, e principalmente de emoções. A dificuldade de falar de comunicar, de entender o outro é o tema central que leva inexoravelmente ao isolamento, à solidão, seja esse isolamento físico (como na familia marroquina), emocional (como no casal americano), social (mexicana) ou humano (no caso da japonesa e da sua absoluta necessidade de afecto). Isolamento, dor, sexualidade, perda e redenção são as linhas mestras de uma história que atravessa dialectos.

Brad Pitt, Cate Blanchett, Gael García Bernal são as vedetas que, apesar de terem bons papeis, não são a chave nem o motor de um conto tenso, terno e humano.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

A emissão prossegue dentro de momentos

arg me maty

komo?

lol, pois esquece
dislexia
ou tentativa falhada de falar á pirata
ou
tristes devaneios de bicho maluco
ou
comi algo estragado ontem ao jantar (será dos olhos verdes?)
ou
é a última vez que marro contra uma porta

fds à porta!!!

que queres dizer?
tens duas hipóteses
ou estás a fazer a exclamação comum a todos os tugueses neste momento fim de semana à porta e aí digo: inda bem valha-nos deus
ou então
dizes
foda-se a porta sendo solidária com a minha pobre cabecinha ao que respondo obrigado

lolololololol

qual é qual é? qual éééééééé?????
não perca mais um episódio de : antes tu que eu!

bateste mesmo em algum lado

hein? hein? quê? vai de onde? ah olá bom dia... que tal essas férias? muita praia e sol? muito atum em lata? muita cerveja morna com torresmos?

calma, calma, fica aí onde estás, que eu ja ligo pra te irem buscar

onde estou? onde estou???? quem? quem vem lá? quem és tu???? isso é a tua cara ou estás de pernas para o ar? tens um bacio na cabeça ou és apenas feio? onde vais? que se passa??? AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHH!!!!!!!!!! filho do demo... AAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!! cornudo trombudo... AAAAAAHHHHH!!! AAAAAAAHHHHHH!!!! as dores as dores... ai lindinha olhós malmequeres!

lolololololol

ufff pronto, pronto, já estou mais calmo, já tirei o algodão da boca, já respiro pelo cano como dantes, ai as tertúlias a morrer, quem te viu e quem te vê, sinopse curta da minha vida: nunca esteve onde era chamado... quem eu? não eu não tu! ah sim, assim sim, já concordo, quem vem lá que venha por bem, e senão apague a luz e tire a roupa que o resto é com as galinhas

cruzes credo

hoje se vieres faço fondue, mas tou sem gás no fogão portanto esquece lá a sardinha assada, não tem mal que também não toco violino, antes fosse que mal sinto os dedos, ai os dedos os dedos, essas cartas tão maradas, do avesso ninguém sabe quais são... ai os dedos os dedos...
senhoras e senhores retomamos a emissão dentro de momentos....

The Queen

Antes de mais é preciso sublinhar a coragem que implica fazer um filme sobre figuras públicas que, não só estão vivas, como se encontram nos mesmo papeis em que se encontravam na altura. Aliás, falar de eventos recentes, sem ter um distanciamento histórico é sempre complicado, corre-se o risco de ser tendencioso, agressivo, ou exactamente o oposto, abordando os temas com demasiado cuidado, tornando-se distante, frio, inócuo.
The Queen (A Rainha) é o último filme de Stephen Frears, cineasta inglês responsável por filmes premiados como Mrs Henderson Presents, Dirty Pretty Things (Estranhos de Passagem), High Fidelity (Alta Fidelidade) ou Dangerous Liaisons (Ligações Perigosas). O filme centra-se nos eventos que ocorreram logo após a morte da princesa Diana, quando Tony Blair tinha acabado de ser eleito primeiro-ministro e a família real parecia ter demonstrado o maior desprezo pelo luto nacional, sendo vítima de enorme contestação. Frears propõe-se contar o que se passou nesses dias, algo que o público nunca viu.
É um filme completamente british, na sua história e personagens obviamente, mas também no seu tom contido, na sua belíssima fotografia, na discreta nobreza que o rodeia.
Se contar esta história é arriscado (afinal Tony Blair ainda é primeiro ministro, a Rainha Isabel II ainda é soberana do país e a morte da princesa algo muito recente), mais arriscado ainda é interpretar o seu papel principal. A árdua tarefa recaiu sobre Helen Mirren (Gosford Park) que a desempenha de forma soberba. Não só replica a pose, gestos e majestade de tão conhecida figura, como lhe institui um carácter humano, uma profundidade de sentimentos sempre sob a pele, nunca explícitos, que fazem desta uma performance digna de aplauso.
The Queen é um grande filme, sem a parafernália do espectáculo visual americano, nem grandes tiradas operáticas, mas que tem uma suave beleza que o prespassa.
Sem dúvida nenhuma um dos grandes candidatos aos Óscares deste ano.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

The Prestige

Christopher Nolan foi catapultado para o sucesso com a sua segunda longa-metragem Memento, um filme engenhoso, único na sua construção, que conta a história de um homem que tem amnésia, mas que apenas se esquece dos eventos recentes, sabe o nome, quem é, a sua vida, mas não se lembra do que fez há meia hora. Todo o filme é construído de trás para a frente, recuando em todos os pontos em que ele fica sem saber onde está ou o que está a fazer, levando o espectador a sentir o que o personagem sente, num thriller tenso onde a dúvida se mantém até ao fim.

Desde então a expectativa tem sido grande em saber quais seriam os passos seguintes de tão engenhoso criador. Foram três Insómnia, Batman Begins e o seu último projecto The Prestige, todos eles sólidos na sua estrutura, mas clássicos, bom entertenimento mas pouco mais.

The Prestige - O Terceiro Passo, segue a história de dois ilusionistas que se odeiam e a sua luta para se suplantarem mutuamente, nos finais do século XIX. Com Hugh Jackman, Christian Bale, Michael Caine, Scarlett Johansson e David Bowie (um Nikola Tesla absolutamente irreconhecivel), tem um elenco de luxo que se mantém forte em todas as frentes, apesar de por vezes parecer que há actores subaproveitados em pequenos papeis.
A reconstrução de época é primorosa, não sendo de admirar estatuetas para melhor direcção artística nesta época de prémios que começou com os Globos de Ouro.
O ponto forte da fita é o argumento, que procura surpreender-nos constantemente. Até certo ponto consegue-o, mas sem deslumbrar, e dando espaço de manobra para se descobrir as surpresas finais com algum avanço.
Há uma comparação que é inevitável com O Ilusionista, ambos os filmes têm a mesma temática, passam-se na mesma época, estrearam com um mês de diferença e tentam surpreender o espectador com diversos plot twists. Em todos os pontos The Prestige sai a ganhar.
Não deixa grandes marcas nem memória, mas como objecto de entretenimento funciona bem, valendo as duas horas de atenção.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Star Wars


Abriu no dia dos meus anos mas só na pausa que fiz no Natal tive oportunidade de a ir ver. A exposição do Star Wars no museu da electricidade, com os seus 2000m2, aguçou-me a curiosidade. Os 10 euros por cabeça não são convidativos, mas a promessa de ver algo inesquecível era bastante apelativa.
Em termos de objectos é impressionante, naves que foram usadas nos filmes, fatos de toda a saga, esboços, desenhos, miniaturas, videos a explicar os efeitos, o R2D2, o C3PO e claro Darth Vader.
No entanto em termos expositivos é de uma pobreza atroz, o espaço é muito bom mas completamente subaproveitado, tudo está disposto sem o mínimo de lógica ou sequência, plantado dentro de caixas de vidro, deixados como se ao acaso. Torna-se desinteressante, monótono, triste, o que é absolutamente incrível sabendo a matéria prima de que dispõe, o universo fantástico em que se insere e o entusiasmo expectável que os fãs demonstram.
Mas se a curiosidade mesmo assim apertar ainda está até 14 de Janeiro.


Exposição Star Wars
Museu da Electricidade - Belém
3ªs a 5ªs e Domingos das 10H00 às 20H00 / 6ªs e Sábados das 10H00 às 22H00

Preço: 10€, Colaboradores EDP: 8€, crianças com menos de 7 anos: gratuito

terça-feira, janeiro 02, 2007

Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan

Conheço o personagem Borat ( criação do actor inglês Sacha Baron Cohen) através de diversos sketches que circulam a net há já algum tempo. Borat, um reporter do Cazaquistão, anda por Inglaterra a tentar aprender os costumes do povo local. Este conceito foi passado a cinema.

O filme cujo título vou abreviar apenas para Borat, trata da viagem desse reporter para os EUA para aprender a sua cultura e regressar ao país de origem com um documentário feito sobre a América. A fita, tal como os sketches, tem como base uma lógica de Apanhados, onde o quase bárbaro mas bem intencionado Borat faz as coisas mais inimagináveis por causa das "diferenças culturais" que existem com as pessoas com quem se cruza, e que supostamente não sabem que ele é um actor inglês. É um sucesso de bilheteira colossal e foi inclusivé nomeado para dois Golden Globes, Melhor Filme e Melhor Actor na categoria Musical/Comédia.

A ideia que me tinha sido vendida era a de um homem que através da sua ingenuidade põe a nu as contradições do povo americano. No entanto os únicos que são gozados e humilhados são os Cazaquistaneses, que são apresantados como um povo imbecil, retrógrado, porco, sujo, pobre, sub-desenvolvido, que vive em barracas e de moralidade duvidosa, com cenas de incesto à mistura.

Vamos por partes, o Cazaquistão é uma ex-républica soviética, o sexto maior país do mundo em termos de área, com a população com 99,5% de literacia de adultos, taxas de crescimento do PIB acima dos 9% anuais, uma dívida pública e um défice do Estado inferiores ao nosso por exemplo, sendo o sector energético o seu sector económico dominante. A imagem de um país de ciganos imbecis está o mais longe possivel da realidade, e se para nós portugueses isso pode dizer pouco, não achariamos o mesmo se fosse Portugal assim representado. Só revela um nível de ignorância extrema por parte de quem faz a caricatura e uma total falta de respeito pelas pessoas.

Em segundo lugar, um inglês a gozar com os ingleses tem graça, a gozar com um povo que desconhece por completo é, no mínimo, de mau tom.

Mas ainda vá, as coisas podiam mesmo assim ter piada, apesar de ser filmado na Roménia e com música de um Jugoslavo. Borat no entanto, revelou-se a experiência mais degradante que já tive numa sala de cinema. Um homem com um saco de fezes à mesa de jantar não tem graça, é nojento, um gordo gigantesco a masturbar-se com fotos da Pamela Anderson não tem graça, é nojento.

Todo o filme faz lembrar o nivel de humor e inteligência de um Jackass, com gente que come a sua própria urina, mas com uma diferença, ao menos no Jackass eles tinham a decência de gozar consigo próprio.

É um filme errático e repugnante, mas olhando para a reacção do resto das pessoas devo ser eu que tenho um estômago demasiado sensivel.


2007

Fim de férias, de Natal, das festas, prendas e comida a mais. Os 24 e 25 com a família, o 31 com amigos, tudo nos conformes.
2007 começou, e como de costume as resoluções de ano novo trazem promessas de mudança. Este ano vai ser de mudança, tem que ser para que a vida "pule e avance". Para arrancar o ano da melhor forma e para que a mudança seja verdadeira, vamos virar as coisas do avesso, vamos acabar com o mundo tal como o conhecemos!

(e para dar uma mãozinha aqui fica R.E.M. - It's the end of the world as we know it)

domingo, dezembro 24, 2006

FELIZ NATAL E UM 2007 BRILHANTE!!!!!



(...até para o ano...)

sábado, dezembro 23, 2006

Á procura de um pinheiro

Os alunos do primeiro ciclo da Academia de Música de Sta Cecília levaram a cena no Natal de 2002 um musical de José Carlos Godinho, uma história acerca da revolta dos pinheiros que se recusavam a ser cortados para serem árvores de Natal, deixando todos os enfeites indefesos no chão. Em Novembro de 2003 foi feita esta gravação que é perfeita para esta altura.

Senhoras e senhores, meninas e meninos... Broa de Mel.