sexta-feira, janeiro 19, 2007

FYI


Nova peça com o meu professor Bruno Schiappa. Desta vez no D. Maria II. Segue em baixo a informação.

"Rhona era uma criança de apenas dez anos quando desapareceu da casa dos pais. Encarregue pela mãe de ir visitar a avó, nunca chegaria ao seu destino…
Nancy, a mãe, espera durante 20 anos que a filha regresse, sempre esperançada de que ela está viva. Até ao dia em que a polícia apanha um pedófilo a tentar raptar mais uma criança.
Nancy tem de confrontar-se com a dura realidade: Rhona morreu e é preciso agora cuidar da família que lhe resta. Um marido que já não aguenta mais, uma outra filha que ela negligencia.
Agnetha é uma especialista na mente de assassinos em série, que está a estudar o caso de Ralph. Tenta entrar-lhe dentro da cabeça, perceber o que está por detrás de comportamentos como o dele. Nancy vem procurá-la e pede-lhe uma entrevista com Ralph. Precisa, ela também, de compreender, para poder esquecer. Precisa, talvez, de perdoar ao homem que lhe roubou a vida, porque só assim conseguirá andar para a frente."


Frozen - Presos no Gelo
Teatro Nacional D.Maria II
Interpretação: Lídia Franco, Suzana Borges, Bruno Schiappa
Encenação: Marcia Haufrechtt
Texto: Bryony Lavery
17 de Janeiro a 4 de Março
Terça a Sábado ás 21h45, Domingo 16h15
Preço bilhetes: 10,00 € (existem diversos descontos, perguntar na bilheteira)



Teatro Nacional . Maria II

Praça D. Pedro IV
1100-201 Lisboa
Telefone: 213 250835
reservas@teatro-dmaria.pt

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Moby Dick

Moby Dick é um romance de Herman Melville escrito no século XIX, considerado uma das maiores obras americanas. Carregado de metáforas e simbolismos profundos, segue as desventuras da tripulação do navio Pequod e do seu capitão Ahab, na busca insana por uma grande baleia branca, um monstro chamado Moby Dick. Adaptar esta obra ao teatro não é tarefa fácil, mas sob a batuta de António Pires sob hoje a palco a peça Moby Dick no S.Luiz. O resultado não é famoso.
Visualmente a peça é interessante, a máquina de cena é boa, e o trabalho de luz primoroso, a utilização do som é normalmente bem conseguido. Os problemas começam com o elenco, recheado de estrelas sem dúvida, mas com erros de escolha. Se Maria Rueff não começa bem mas também não acaba mal, Miguel Guilherme dá uma interpretação completamente ao lado. É invulgar no caso dele, mas aconteceu. O Capitão Ahab é um personagem mítico, perturbado, obsessivo, maior que a vida, uma alma perdida, irrequieta, gigante, torturada. Nada ali existe, cómico por vezes, mas indiferente, inócuo a maioria, não se sente nada, não há alma, nem drama, nem coisa nenhuma, como se o texto fosse apenas repetido sem qualquer emoção. Existem neste espectáculo duas sessões com linguagem gestual. Ontem a ante-estreia tambem tinha, era curioso reparar na expressividade das tradutoras, que muitas vezes faltava em palco. Miguel Borges é... Miguel Borges. Emotivo, fisicamente expressivo, mas quando começa a falar tudo desaba, torna-se desastrado. Ricardo Aibéu não seria uma escolha óbvia para o primeiro imediato de tal navio, mas aguenta bem o papel, José Airosa é completamente subaproveitado e o resto do elenco não compromete. Graciano Dias desembaraça-se bem como Ismael, João Barbosa e Milton Lopes fazem (o pouco) que lhes é pedido.
A peça arrasta-se ao longo de mais de duas horas, não se percebe, por exemplo, o tempo gasto com Ismael e Queequeg no início do primeiro acto já que, mal embarcam, se misturam com o resto da tripulação não ganhando nenhum relevo especial. Aliás, nada tem um relevo especial. Cenas que deveriam ser pináculos emotivos, como o temperar do arpão de Ahab com o sangue de Queequeg, passam ao de leve num bocejo. Sem chama a peça acaba, com uma baleia gigante que estraga a harmonia cénica sem nada acrescentar. O final trágico não é o da tripulação do Pequod, mas das costas do espectador que já não encontra posição nem lugar.



Moby Dick

Teatro S. Luiz / Ar de Filmes

Interpretação: Maria Rueff, Miguel Guilherme, Ricardo Aibéo, Rui Morisson, Miguel Borges, Graciano Dias, Milton Lopes e João Barbosa
Encenação: António Pires
Texto: Herman Melville
Adaptação: Maria João Cruz
18 de Janeiro a 3 de Março
Quinta e Sexta ás 21h, Sábado às 16h e 21h
Sessões para escolas: Quartas às 11h e 14h30
Sessões com linguagem gestual (sob marcação): 7 de Fevereiro às 11h (escolas) e 10 de Fevereiro 21h (Público geral)
Preço bilhetes: 10,00 € a 20,00 € (normal), 5,00 € (menores 30 anos)

Teatro Municipal S. Luiz

Rua António Maria Cardoso, 38
1200-027 Lisboa
Telefone: 213 257 650
Fax: 213 257 631

quarta-feira, janeiro 17, 2007

A favor ou contra...


No próximo dia 11 de Fevereiro vai existir o segundo referendo sobre a despenalização voluntária da gravidez até às dez semanas. A minha posição sobre o assunto é a mesma de há nove anos e será tratada em futuras postas. Antes de mais, antes da discussão sobre o tema em causa existe um outro ponto fundamental que não pode ser ignorado - há nove anos, num referendo sobre uma matéria tão fundamental como esta, onde a diferença entre as duas partes se limitou a cerca de 48.000 votos, a abstenção foi de 68,11%... Mais de dois terços das pessoas achou ser mais importante ficar em casa, ir almoçar fora ou ir à praia naquele quente domingo de Junho do que ir votar. Foi das demonstrações de maior imaturidade e irresponsabilidade politica, social, humana, que o povo português podia ter dado. E nem as tristes desculpas que se costumam utilizar nas eleições para os orgãos de soberania se podem aqui aplicar. Os habituais desabafos infelizes de "eles são todos iguais", "fica tudo na mesma" são ainda mais vazios aqui, se o Sim ganhar a lei muda, se o Não ganhar fica tudo na mesma. Deste referendo, tal como do anterior, saem consequências directas, palpáveis, que nos definem como sociedade e como país, que nos tocam pessoal e directamente, não só em questões práticas, como a possibilidade de sermos confrontados com a escolha de abortar ou não, mas principalmente em questões dos valores éticos, morais e humanos que nos tocam mais profundamente.
Não ir votar é um acto de não-cidadania, é uma mostra de atraso, de um vazio infantil que não merece o menor respeito. Não em questões destas, não num assunto tão primário.
Em Fevereiro vamos perceber que espécie de povo somos realmente...

terça-feira, janeiro 16, 2007

O blog está a internacionalizar-se


Amadeo de Souza Cardoso


A grande retrospectiva Amadeo esteve imenso tempo na Gulbenkian, mas como é óbvio tive que deixar para o fim... Sábado foi feita uma maratona, com as portas da exposição abertas toda a noite ininterruptamente. Pensei que às 2 da manhã entrava sem problemas, mas era mentira, estavam mais duas horas de fila, o que me deixava uma hora demasiado tardia para entrar. A exposição demora em si cerca de uma hora para ser vista e às 5 da matina ninguém tem cabeça para coisa nenhuma. Voltámos no dia seguinte, às dez da manhã estava uma hora de espera, quando saímos ao meio-dia a fila já ultrapassava as 3 horas para entrar.
Fiquei contente por ter ido, a espera não me incomodou, a companhia era fantástica, tudo correu bem. É de assinalar é a tremenda adesão das pessoas a este evento (ouvi cerca de 100 mil visitantes), no meio da histeria generalizada foi um fenómeno de massas que ultrapassa o gosto pela arte. Muitas exposições já foram feitas com figuras de renome e nunca se perdeu a cabeça desta maneira, aliás o museu de Amarante onde estão inúmeras obras do Amadeo não regista, nem nunca registou enchentes. Foi portanto um fenómeno de histeria, de tenho que estar onde todos estão, de exagero, de moda, como o apoiar da selecção, ou pôr lenços brancos por Timor. Seja como for, e apesar de tudo, é de salientar que é a primeira vez que vejo isto acontecer com um facto cultural, pior ainda, com uma exposição. E seja porque motivo for é sempre bom ver as pessoas na rua sem ser pelo futebol...

Musica da Semana

O site onde alojo as músicas está em baixo, e não consigo encontrar um substituto à altura. Vejo-me forçado a limitar-me às musicas disponiveis na net, o que me dá um leque de escolhas reduzido. Sendo assim esta semana fica com a melodia de Coldplay, banda britânica que atingiu sucesso imediato com o seu primeiro CD e que está tão em voga. Ladies and Gentelmans, the soothing sounds of... Fix You...

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Flags of Our Fathers

Clint Eastwood escolheu para o seu projecto de 2006 não um mas dois filmes. Após os fantásticos multi-premiados Mystic River e Million Dollar Baby, Eastwood escolheu dois dramas históricos que se centram na mítica batalha de Iwo Jima na Segunda Guerra Mundial. O primeiro filme Flags of Our Fathers, acompanha três soldados que foram fotografados a erguer uma bandeira, e nos efeitos que essa imagem teve no povo americano. Não é um filme de guerra, é um filme de personagens, de três homens que, sem ter feito nada de especial, são considerados heróis por causa de uma foto, e manipulados pelo exército e pelo governo para angariar mais dinheiro para o esforço de guerra. O segundo filme, Letters From Iwo Jima, reconta essa batalha do ponto de vista dos japoneses.
Este fim de semana assisti ao primeiro, e apesar de já ser lugar comum não me canso de repetir, se Eastwood nunca foi um grande actor, ícone do cinema de acção dos anos 70, como realizador é dos mais maduros e profundos da sua geração. No argumento colaborou de novo com Paul Hagis (argumentista e realizador de Crash e argumentista de Million Dollar Baby e Casino Royale), o que dá à história um cunho de qualidade. Este é um filme clássico em toda a sua construção, um desenvolvimento narrativo primoroso, muito bem filmado, com uma fotografia impecável de uma cor esbatida lindíssima, com momentos de uma tensão imensa em contraste com uma história humana pungente. Com um elenco sem estrelas mas como de costume com actores na verdadeira acepção da palavra, Flags of Our Fathers é um dos grandes filmes do ano. E se os rumores de que Letters From Iwo Jima é ainda melhor forem verdade, então estamos perante uma dupla absolutamente extraordinária.
Imperdível...

sexta-feira, janeiro 12, 2007


A segunda aula de casting acabou por ser a primeira depois do desperdício de segunda-feira. Aquecimento inicial sem o relaxamento a que estamos habituados (isso viria mais tarde), mas professores diferentes têm, como é óbvio, técnicas diferentes. Em seguida massagem, juntámo-nos a pares e gastámos o nosso tempo a explorar o corpo do outro. Seja em que situação for, massagens é sempre algo que aprovo, gosto de as fazer e ainda mais de as receber, o que, para alem do propósito de relaxamento e desinibição em relação ao corpo alheio, me dá sempre imenso gozo. Em seguida trabalho sobre o texto escolhido. A Sofia queria dar dicas individuais, mas cometeu quanto a mim dois erros, primeiro foi esquecer-se que somos para cima de 20 alunos o que torna ineficaz querer ler os textos de todos e falar com todos, se gastar 5 minutos com cada um está uma hora e quarenta só a ler e dar dicas. O segundo foi querer dar imagens suas, se o trabalho do Método é utilizar experiências pessoais, as experiências alheias são obviamente inutilizáveis. Não tanto que falasse da sua vida, mas do seu universo. Dizer a um colega para pensar num quadro que lhe diga muito é pressupor que ele tem na pintura um universo próximo, quando pode não ser verdade (e não era), para ele pode funcionar o cinema, a música, o teatro ou outra coisa qualquer. Quanto a mim já tinha um universo sensorial escolhido para este trabalho, um local e uma pessoa por onde explorar. A questão é que escolhi um texto que fala de um tema que me é próximo. A utilização da pessoa que escolhi como referência para este trabalho teve consequências inesperadas, tendo a Sofia que intervir duas vezes para que eu conseguisse acalmar e regressar a um estado de menor tensão. O primeiro passo que é o da libertação das emoções começa a ser dado. É preciso agora controlá-las.
Próxima segunda outro capítulo...

quinta-feira, janeiro 11, 2007


Por motivos que me são alheios hoje vim para o escritório por cima de terra. Desta vez sentei-me à janela e olhei para Lisboa pela manhã, coisa que já não vazia há algum tempo. Não sei bem porquê mas estava estranhamente calmo, indiferente ao trânsito ou aos insultos esporádicos que se ouviam à greve do Metro, ao percurso dos autocarros alternativos, ou à celeridade dos motoristas. Entrei no Rossio, rapidamente me vi nos Restauradores. Após a visita não anunciada de uma chuva indesejada, o céu regressou ao seu azul habitual, banhando Lisboa com uma luz plácida em tons de caramelo. Liberdade acima, os enfeites de Natal descansavam de um árduo labor, espraiando-se junto às bandeiras amarelas do Dakar, que anunciavam uma festa já partida. Por entre o dourado das folhas caducas o verdejante das palmeiras contrastava, ao lado dos picos nus de árvores despidas. Chegado à Rotunda o Marquês olhava imponente a Avenida, com um leão a ladeá-lo. Uma gaivota pousou insolente na sua cabeça, indiferente à fera que estava a seu lado. (Linha amarela, Campo Grande, quem vai para o Sr. Roubado?) fechei os olhos... Hoje está um dia de praia, de Guincho, de Sintra, de errar pelos jardins da Regaleira, de sentir a areia nos pés, de cheirar o verde místico da serra. Hoje não é dia para estar aqui, olhos arregalados, em frente de um ecrã demasiado pequeno, a ver o dia esvair-se lá fora...

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Isto é realidade não é ficção!


A cena a seguir descrita passou-se numa insuspeita repartição de finanças, onde um conhecido meu se dirigiu para abrir actividade como profissional liberal e trazer a sua caderneta de recibos verdes. Após longa e habitual espera foi atendido...


  • Boa tarde

  • Boa tarde faça favor

  • Eu sou escultor e queria abrir actividade, pensando já na hipótese de poder vir a dar aulas.

  • Escultor hein?

  • Sim

  • Ora deixe cá ver... Então o senhor compra materiais, transforma materiais e vende materiais certo?

  • Bem... nunca tinha visto isto dessa forma... mas sim, é mais ou menos isso...

  • Ora deixe cá ver... (folheia incessantemente um monte de papel)... ora que isto... (o tempo passa)... pois bem... hum... olhe que isto está complicado!

  • Pois...

  • Portanto... AH! Encontrei. O senhor vai ser... Comerciante retalhista de artigos para o lar!

  • Vou quê?

  • Então o senhor compra materiais, transforma materiais, vende materiais...

  • Sim sim, mas e se for uma escultura pública? Arte de rua?

  • Eh lá... Pois isto assim complica-se... Hum... (volta a folhear o mesmo maço que anteriormente)

  • Oh minha senhora...

  • Um momento, um momento... Lá está, encontrei, desta é que é... Comerciante retalhista... no geral!

  • Mas minha senhora, eu sei que existe uma categoria que se chama escultor, existe essa profissão nos vossos livros.

  • Sim, mas perceba, você compra materiais, transforma materias, vende materiais...

  • Sim, mas e escultor?

  • Espere um segundo que vou falar com o meu chefe. (Levantou-se. O chefe à distância fazia um ar circunspecto enquanto ouvia a explicação da sua subalterna. Apoiando a o queixo na mão acenava com a cabeça, trocando umas palavras breves e desaparecendo em seguida para eviar confusões. Retorna a senhora). Pois...

  • Sim?

  • O meu chefe concorda comigo, comerciante de retalho no geral, você compra materiais...

  • Sim já percebi, pronto deixe lá isso obrigado.

E assim saiu um escultor, com obra feita e exposta, de uma repartição de finanças catalogado como comerciante de retalho no geral. A minha questão é... e para escultor quem se qualifica?

terça-feira, janeiro 09, 2007

Regresso


Ao fim de duas semanas voltei ao Chapitô. O Bruno está a ensaiar a peça Frozen que vai estrear no D. Maria a 17 de Janeiro e portanto estas primeiras duas semanas ficaram a cargo da Sofia Gonçalves. Em quatro sessões vamos fazer um pequeno workshop sobre casting e ontem foi a primeira aula.

Começámos com o pé errado.

Em primeiro lugar gastamos uma aula em apresentações. Percebo que a professora não nos conhece, mas queimar uma aula em quatro é notoriamente exagerado. Principalmente quando a última aula vai ser a simulação do casting, portanto de 4 sobram 2 aulas para treinar.

Em segundo lugar é daquelas pessoas que criam em mim uma antipatia natural, o sorriso falso e o riso forçado sempre me deixaram com comichões.

Depois não esquecer que uma atitude agressiva (mas desimulada) não é a abordagem mais apropriada. Ela pode achar que O Método é brilhante, mas o facto de alguem ter objecções a alguns pontos não merece as respostas rispidas e duras que teve.

Alguns comentários foram completamente despropositados, como dizer numa aula que tem dois terços de alunos de primeiro ano que é "absolutamente contra a castração a que os alunos de terceiro ano são forçados por terem uma turma tão inexperiente!". A senhora sente-se revoltada com a castração, mas é a única, nunca vi nenhum aluno de terceiro ano queixar-se - muito pelo contrário - nem o Bruno (professor desta aula) considera este um passo errado, para além de atacar sem propósito os alunos de primeiro ano que estão lá apenas para aprender.

Por último a forma como lidou com o Fábio, aluno com mongolismo da turma, foi arrepiante. Pura e simplesmente ignorou-o quando ele quis intervir pela terceira vez. Eu sei que ele se repete, que ele pode ser inconveniente, mas não se vira costas a ninguem enquanto esta fala, muito menos a alguem assim...

Mas pode ser só embirração minha, como diz um colega meu: não negues à partida uma ciência que desconheces.

Musica da Semana

Se o ano começou muito bem com R.E.M. achei que a seguir era preciso levá-lo para outro nivel.
Janis Joplin é dos elementos mais marcantes da musica americana dos anos 60, personificando o espírito rebelde da época. Live fast die young é um lema que se pode ligar a muitos dos icones da época, e Joplin não foi excepção. Morreu aos 27 com uma overdose de heroina a meio da gravação de um album. A sua voz rouca e potente, a sua musica, a sua aura aventureira perdura até hoje.
De uma grande senhora:Kozmic Blues

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Babel

"Vinde, desçamos e confundamos ali a sua linguagem, para que um não entenda a linguagem de outro... o SENHOR os dispersou dali pela superfície da terra..."
O último filme de Alejandro González Iñárritu, autor de 21 Gramas e Amores Perros, é mais uma pequena gema saida da mente deste realizador mexicano. 4 histórias em 3 continentes, uma família marroquina, um casal americano, uma mulher mexicana e uma rapariga japonesa, todas interligadas por um ponto comum, mas que partilham mais do que essa simples ligação. Este não é um filme de história, nem de actores, este é um filme de realizador, de autor, e principalmente de emoções. A dificuldade de falar de comunicar, de entender o outro é o tema central que leva inexoravelmente ao isolamento, à solidão, seja esse isolamento físico (como na familia marroquina), emocional (como no casal americano), social (mexicana) ou humano (no caso da japonesa e da sua absoluta necessidade de afecto). Isolamento, dor, sexualidade, perda e redenção são as linhas mestras de uma história que atravessa dialectos.

Brad Pitt, Cate Blanchett, Gael García Bernal são as vedetas que, apesar de terem bons papeis, não são a chave nem o motor de um conto tenso, terno e humano.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

A emissão prossegue dentro de momentos

arg me maty

komo?

lol, pois esquece
dislexia
ou tentativa falhada de falar á pirata
ou
tristes devaneios de bicho maluco
ou
comi algo estragado ontem ao jantar (será dos olhos verdes?)
ou
é a última vez que marro contra uma porta

fds à porta!!!

que queres dizer?
tens duas hipóteses
ou estás a fazer a exclamação comum a todos os tugueses neste momento fim de semana à porta e aí digo: inda bem valha-nos deus
ou então
dizes
foda-se a porta sendo solidária com a minha pobre cabecinha ao que respondo obrigado

lolololololol

qual é qual é? qual éééééééé?????
não perca mais um episódio de : antes tu que eu!

bateste mesmo em algum lado

hein? hein? quê? vai de onde? ah olá bom dia... que tal essas férias? muita praia e sol? muito atum em lata? muita cerveja morna com torresmos?

calma, calma, fica aí onde estás, que eu ja ligo pra te irem buscar

onde estou? onde estou???? quem? quem vem lá? quem és tu???? isso é a tua cara ou estás de pernas para o ar? tens um bacio na cabeça ou és apenas feio? onde vais? que se passa??? AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHH!!!!!!!!!! filho do demo... AAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!! cornudo trombudo... AAAAAAHHHHH!!! AAAAAAAHHHHHH!!!! as dores as dores... ai lindinha olhós malmequeres!

lolololololol

ufff pronto, pronto, já estou mais calmo, já tirei o algodão da boca, já respiro pelo cano como dantes, ai as tertúlias a morrer, quem te viu e quem te vê, sinopse curta da minha vida: nunca esteve onde era chamado... quem eu? não eu não tu! ah sim, assim sim, já concordo, quem vem lá que venha por bem, e senão apague a luz e tire a roupa que o resto é com as galinhas

cruzes credo

hoje se vieres faço fondue, mas tou sem gás no fogão portanto esquece lá a sardinha assada, não tem mal que também não toco violino, antes fosse que mal sinto os dedos, ai os dedos os dedos, essas cartas tão maradas, do avesso ninguém sabe quais são... ai os dedos os dedos...
senhoras e senhores retomamos a emissão dentro de momentos....

The Queen

Antes de mais é preciso sublinhar a coragem que implica fazer um filme sobre figuras públicas que, não só estão vivas, como se encontram nos mesmo papeis em que se encontravam na altura. Aliás, falar de eventos recentes, sem ter um distanciamento histórico é sempre complicado, corre-se o risco de ser tendencioso, agressivo, ou exactamente o oposto, abordando os temas com demasiado cuidado, tornando-se distante, frio, inócuo.
The Queen (A Rainha) é o último filme de Stephen Frears, cineasta inglês responsável por filmes premiados como Mrs Henderson Presents, Dirty Pretty Things (Estranhos de Passagem), High Fidelity (Alta Fidelidade) ou Dangerous Liaisons (Ligações Perigosas). O filme centra-se nos eventos que ocorreram logo após a morte da princesa Diana, quando Tony Blair tinha acabado de ser eleito primeiro-ministro e a família real parecia ter demonstrado o maior desprezo pelo luto nacional, sendo vítima de enorme contestação. Frears propõe-se contar o que se passou nesses dias, algo que o público nunca viu.
É um filme completamente british, na sua história e personagens obviamente, mas também no seu tom contido, na sua belíssima fotografia, na discreta nobreza que o rodeia.
Se contar esta história é arriscado (afinal Tony Blair ainda é primeiro ministro, a Rainha Isabel II ainda é soberana do país e a morte da princesa algo muito recente), mais arriscado ainda é interpretar o seu papel principal. A árdua tarefa recaiu sobre Helen Mirren (Gosford Park) que a desempenha de forma soberba. Não só replica a pose, gestos e majestade de tão conhecida figura, como lhe institui um carácter humano, uma profundidade de sentimentos sempre sob a pele, nunca explícitos, que fazem desta uma performance digna de aplauso.
The Queen é um grande filme, sem a parafernália do espectáculo visual americano, nem grandes tiradas operáticas, mas que tem uma suave beleza que o prespassa.
Sem dúvida nenhuma um dos grandes candidatos aos Óscares deste ano.