sexta-feira, janeiro 26, 2007

Para desanuviar...

Alguns tornam-se clássicos instantâneos...

diz lá?

"... pois, eu vou votar Não porque se o Sim ganha o Sócrates fica com mais força!"

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Improviso

Quando este blog foi criado chamava-se Sopros D'Improviso, o Improviso saiu do Sopros, mas não da minha vida. Ontem na aula de teatro foi um dos temas centrais. O relaxamento inicial foi invulgarmente longo, durando mais de vinte minutos. A seguir trabalho sensorial físico, um barco, ondas, sensação no corpo de tempestade, não a representação de tempestade, mas a sensação de tempestade, interior, nas pernas, no tronco, no corpo, na cabeça, no enjoo.

A seguir, e durante a maior parte da aula, improviso. O Bruno escolheu quatro alunos. Deu instruções a cada um deles sem que mais ninguem ouvisse quais eram. Deu-lhes um objectivo a cumprir nessa improvisação. Em seguida foram entrando um por um outros alunos, cada um com o seu objectivo específico. A confusão instalou-se com resultados mais ou menos cómicos. O exercício repetiu-se três vezes com três grupos de alunos diferentes. O que parecia ser uma balbúrdia informe serviu para nos ensinar três coisas:


  1. é fácil perdermos noção dos colegas, temos que estar atentos a quem nos rodeia, sem isso não existe contracenação apenas monólogo;
  2. é fácil perdermos o nosso objectivo como personagem, isso é o mais importante, sabermos quem somos em cena e porque é que ali estamos, manter o foco;
  3. em comédia não vale a pena sublinhar o óbvio, o humor existe se nos mantivermos atentos aquilo que estamos a fazer, o resto é ruído e excesso que perturba o aquilo que queremos transmitir.

No fim em círculo, tivemos que olhar uns para os outros até nos fixarmos numa pessoa, mesmo que ela não estivesse a olhar para nós. Em seguida, ao som de uma música, imaginar um local, uma situação e uma cena. Colocar essa pessoa como personagem nessa cena e construir uma pequena história, de olhos fechados, durante o relaxamento final. Essa história escrita vai ser usada quarta-feira que vem. Estou curioso quanto ao resultado.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Às quartas... porque sim!


O referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez até às dez semanas a pedido da mulher é no próximo domingo dia 11 de Fevereiro. Quarta-feira passada fiz um post em que falava da importância deste referendo e da obrigação moral que cada um de nós tem em ir expressar a sua opinião. A partir de hoje, todas as quartas feiras, vou expor um motivo pelo qual vou votar SIM nesse referendo nacional.
São três os motivos pelos quais vou votar SIM. Hoje apresento o primeiro:

SÁUDE PÚBLICA: O aborto ilegal é um problema global de saúde pública. Por ano cerca de 10.000 mulheres entram nos hospitais com problemas resultantes de abortos ilegais, feitos nas circunstâncias mais sub-humanas que se pode imaginar. Os danos são muitas vezes permanentes, impossibilitando a mulher de voltar a engravidar (o que no caso dos adolescentes é algo particularmente grave) e até levar à morte.

A ilegalidade e a perspectiva de aborto clandestino leva a que a decisão sobre abortar seja muitas vezes adiada, levando a que sejam feitos em fases mais avançadas da gravidez, tornando-os mais penosos e arriscados.

Existe toda uma indústria ilegal que sobrevive destes abortos, cobrando preços exorbitantes. Quem os não pode pagar, nem ir ao estrangeiro, acaba por tentar fazer abortos caseiros, ainda mais perigosos, com químicos, mezinhas ou pura e simplesmente força bruta, tesouras, agulhas, quedas forçadas, todo o tipo de atrocidades feitas a si mesma no meio do desespero.
Em termos psicológicos, as sequelas de um aborto podem ser graves, sem dúvida, mas são imensamente agravadas pela forma como o aborto é efectuado. Sem acompanhamento médico, em sítios que descem muitas vezes abaixo dos níveis mínimos da dignidade humana, a mulher está sozinha e completamente desamparada.
Se o SIM ganhar os abortos passarão a ser efectuados em hospitais e clínicas públicas, com todo o apoio médico necessário, o que significa que terão consultas de genecologia, garantindo a segurança e saúde da paciente. Se o planeamento familiar e a divulgação são fundamentais, não é com o aborto clandestino que são conseguidas. É através do apoio nos locais certos às pessoas que se encontram na posição de querer abortar, é fazendo consultas com as mulheres que decidam ir para a frente, de forma a poder chegar até elas, sem censuras nem recriminações, e educá-las na sua sexualidade e nos métodos contraceptivos disponíveis, para que não sejam casos recorrentes.
Em todos os países europeus em que a despenalização existe, o número de abortos legais cresceu exponencialmente no ano da sua legalização, para depois decrescer gradualmente de ano para ano, mostrando que é levando as mulheres aos centros médicos e clínicos que se faz a educação e prevenção nos grupos de risco.
Olhando mesmo para os argumentos economicistas do NÃO, que diz não querer financiar as clínicas de aborto com os impostos, porque não dizer que os custos de tratar as mulheres que precisam ser tratadas depois dos abortos ilegais é enorme?
O NÃO está no poder desde sempre e o problema persiste, já se provou que não funciona a nenhum nível. Está na altura de mudar e votar SIM.

Oscar oscar....

E lá veio a lista dos nomeados para os prémios da Academia, cuja cerimónia se realiza no dia 25 de Fevereiro, Domingo como de costume, infelizmente para aqueles que, como eu, sofrem para se manter acordado madrugada fora.
E o que é que se viu... Mais ou menos o esperado. Um dos grandes perdedores logo à partida foi Dreamgirls, vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme Musical/Comédia e que nem nomeado para o Óscar de Melhor Filme foi, United 93, teve a nomeação para Melhor Realização, mas não Melhor Filme, uma distinção que parece premiar mais o tema do filme, do que os seus méritos. Babbel, tal como nos Globos de Ouro, foi o filme com mais nomeações, sete no total, mas este, tudo indica, será o ano de Scorsese. The Departed com 5 nomeações, deve ser o vencedor na categoria de Melhor Filme, ou pelo menos Melhor Realizador, prémio há muito merecido. Eastowood, carrasco de Scorsese em edições anteriores, conseguiu 4 nomeações com Letters From Iwo Jima, mas tendo já adquirido diversas estatuetas com Million Dollar Baby e Unforgiven (para além das nomeações para Mystic River), não parece provável que volte a vencer este ano.
No capitulo da representação os prémios principais parecem já estar atribuidos. Forrest Whitaker com The Last King of Scotland, um filme sobre Idi Amin, cruel ditador do Uganda, tem a estatueta practicamente assegurada. Ao lado de um rei uma rainha, Helen Mirren, com The Queen, no seu papel como rainha Isabel II, é também uma vencedora antecipada, apesar do fabuloso papel de Meryl Streep em The Devil Wears Prada, que lhe valeu a sua décima quarta nomeação, tendo vencido por duas vezes. Little Miss Sunshine é o outsider cujas nomeações, quatro no total, premeiam não só o filme, mas a nova vaga de cinema independente americano e Pan’s Labyrinth (El Labirinto del Fauno), novo filme de Guillermo del Toro, a história poderosa de uma menina que vive num mundo imaginado durante a Espanha de Franco, é a grande surpresa (6 nomeações) e parece ser o maior candidato ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. Podem ver a lista completa de nomeados aqui.
Um grande número de filmes nomeados ainda não estrearam em Portugal, portanto estejam atentos nas próximas semanas a:

  • Blood Diamond
  • Dreamgirls
  • The Good German
  • The Good Sheperd
  • Half Nelson
  • The Last King of Scotland
  • Letters From Iwo Jima
  • Little Children
  • Notes on a Scandal
  • Pan's Labyrinth
  • The Persuit of Happyness
  • Venus

Para lém destes vale a pena ter atenção a filmes não nomeados como o recém estreado Scoop, ou The Wicker Man e Stranger Than Fiction.Muito e bom cinema. Dia 25 de fevereiro o tira teimas final

And so it is...

Aperto de mão, sorrisos, acordo final, só falta assinar por baixo...

E rumo a novas paragens, uma nova vida no aniversário de um outro passo dado...

Maio...

terça-feira, janeiro 23, 2007

Brilhante!


Ontem o Bruno regressou às aulas, que é como quem diz, ontem voltámos a ter aulas de teatro. Antes de mais um anúncio, no início de Junho (ainda não tenho data certa), vou subir a palco pela primeira vez com a peça anual do curso. A ver vamos como sai.
A aula começou com um aquecimento ao som de música, o Bruno quer analisar a nossa resposta física ao estímulo musical, não propriamente dança, mas a plasticidade do corpo ao som da música, seguindo-a ou libertando-se do ritmo imposto. O som foi portanto, e como de costume, uma constante. Trabalho com o sol, sensorial, físico, instalar uma sensação de bem-estar, perceber como o sol se manifesta no corpo, o molda e altera. Em seguida colocar no espaço alguém que tenhamos desiludido, trabalhar com ela, e por fim transferir essa pessoa para um colega, trabalhar com ele como se fosse outro.
Intervalo...
Aqui a aula ganha uma outra dimensão. Um poema (olhos, boca, sangue...)que serve de mote (sangue que mata...) ao exercício seguinte (lua...), texto, música, expressão física profunda e um limite, uma barreira invisível transposta, o corpo, o nosso corpo, o corpo dos outros, o libertar de sensações e pulsões que não são tratadas no dia-a-dia, calor, erotismo, morte, sem medos, uma explosão de emoções, sozinhos, com outros, por momentos não éramos nós, por momentos não estávamos ali, homem, mulher, animal, a linha tornou-se ténue, do apocalíptico ao etéreo, passámos por diversos estados, mas sempre, sempre em contacto com algo... primário e sempre a desafiar os limites.
Foi um romper importante, cheguei eléctrico a casa, ainda contagiado por toda aquele energia, foi uma das melhores aulas que alguma vez tive...

Musica da Semana

Então e Leonard Cohen? Sem grandes apresentações, cantor, escritor, poeta, um dos grandes nomes do panorama musical dos anos 70 e 80, nem sempre amado, nem sempre brilhante, mas sempre único, com a sua voz profunda, quase falado, como se fugisse das melodias, como se brincasse com as melodias, como se fosse um poema em movimento...
Para esta semana, uma das suas obras mais emblemáticas... Suzanne...

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Breaking and Entering

Anthony Minghella, realizador de O Paciente Inglês e Cold Mountain, voltou à cadeira de realizador com este projecto, que ele próprio escreveu, Breaking and Entering (Assalto e Intromissão). É um filme sobre o afastamento, sobre o isolamento que se cria, a distância que existe entre nós e a pessoa que está ao nosso lado. Jude Law é um arquitecto com um projecto ambicioso e um atelier novo numa zona pobre de Londres. A sua carreira vai de vento em popa, mas a sua relação com a namorada (Robin Whright Penn) está com problemas, principalmente por causa da filha autista. O atelier é recorrentemente assaltado pelo filho de uma emigrante bósnia (Juliette Binoche) que luta para sobreviver acumulando diversos empregos e educando sozinha o rapaz, depois do pai ter sido morto na guerra.
A procura de paz, amor, afecto, ternura, é o tema que sublinha todo o filme, mas que é apenas atingido através de rupturas, de crises, é preciso forçar para tocar o outro, e é aqui que o título do filme ganha um segundo sentido: assalto e intromissão como designação jurídica dos assaltos que põem a história em movimento, mas tambem como metáfora das barreiras de vidro que colocamos à nossa volta e que são apenas destruidas quando alguém força a entrada.
É, como habitual em Minghella, uma história bem contada, com momentos dramáticos e emotivos. No entanto está longe de ser perfeito, principalmente por alguns buracos no argumento (a cena final de tribunal não faz sentido), alguma pressa no desenvolvimento das relações e personagens subaproveitadas (Vera Farmiga por exemplo, que faz de uma prostituta sui-generis, a qual acaba por desaparecer sem nada acrescentar à história).
É mais um drama urbano, a fazer lembrar Closer que, sem atingir o nível deste último, merece mesmo assim uma visita, nem que seja para ver bons actores numa história que é, a espaços, comovente.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Casting

Quarta-feira passada acabou o workshop com Sofia Gonçalves, que substituiu o Schiappa durante duas semanas, e que visava preparar-nos para um casting. O culminar foi uma simulação de um casting verdadeiro, onde o texto apresentado foi escolha nossa. Por falta de tempo e até de conhecimento, voltei a usar um texto da peça Sax que já tinha utilizado no workshop que fiz com o Thiago Justino.
Tinha faltado à aula de segunda, não por escolha mas porque não me despachei a horas do trabalho, e portanto tive que preparar o texto completamente sozinho. Esta aula não tinha consequências, o casting era apenas uma simulação e caso fosse um fracasso absoluto as aulas continuariam na segunda-feira, como se nada acontecesse. Não havia motivo portanto para estar nervoso, mas a verdade é que estava. Li o texto, decorei-o, trabalhei o meu personagem, fiz o trabalho sensorial, preparei-me, escolhi o guarda-roupa, fui rua a cima a murmurar o meu texto "in character", cheguei lá tenso, mas rapidamente voltei ao que sempre fui, brincalhão, descontraído. Quando chegou a minha vez entrei, disse o nome e idade, sorri de frente e de perfil, mostrei as mãos, acabei de me vestir e comecei... Correu bem. Correu muito bem. Ficou tudo gravado. O meu problema é não ter termos de comparação. Eu sinto que correu bem mas... será que correu? Sem ter passado no palco, televisão ou cinema não tenho como comparar. Estou ansioso para ver o filme e saber se afinal sempre tenho ou não jeito para isto...

FYI


Nova peça com o meu professor Bruno Schiappa. Desta vez no D. Maria II. Segue em baixo a informação.

"Rhona era uma criança de apenas dez anos quando desapareceu da casa dos pais. Encarregue pela mãe de ir visitar a avó, nunca chegaria ao seu destino…
Nancy, a mãe, espera durante 20 anos que a filha regresse, sempre esperançada de que ela está viva. Até ao dia em que a polícia apanha um pedófilo a tentar raptar mais uma criança.
Nancy tem de confrontar-se com a dura realidade: Rhona morreu e é preciso agora cuidar da família que lhe resta. Um marido que já não aguenta mais, uma outra filha que ela negligencia.
Agnetha é uma especialista na mente de assassinos em série, que está a estudar o caso de Ralph. Tenta entrar-lhe dentro da cabeça, perceber o que está por detrás de comportamentos como o dele. Nancy vem procurá-la e pede-lhe uma entrevista com Ralph. Precisa, ela também, de compreender, para poder esquecer. Precisa, talvez, de perdoar ao homem que lhe roubou a vida, porque só assim conseguirá andar para a frente."


Frozen - Presos no Gelo
Teatro Nacional D.Maria II
Interpretação: Lídia Franco, Suzana Borges, Bruno Schiappa
Encenação: Marcia Haufrechtt
Texto: Bryony Lavery
17 de Janeiro a 4 de Março
Terça a Sábado ás 21h45, Domingo 16h15
Preço bilhetes: 10,00 € (existem diversos descontos, perguntar na bilheteira)



Teatro Nacional . Maria II

Praça D. Pedro IV
1100-201 Lisboa
Telefone: 213 250835
reservas@teatro-dmaria.pt

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Moby Dick

Moby Dick é um romance de Herman Melville escrito no século XIX, considerado uma das maiores obras americanas. Carregado de metáforas e simbolismos profundos, segue as desventuras da tripulação do navio Pequod e do seu capitão Ahab, na busca insana por uma grande baleia branca, um monstro chamado Moby Dick. Adaptar esta obra ao teatro não é tarefa fácil, mas sob a batuta de António Pires sob hoje a palco a peça Moby Dick no S.Luiz. O resultado não é famoso.
Visualmente a peça é interessante, a máquina de cena é boa, e o trabalho de luz primoroso, a utilização do som é normalmente bem conseguido. Os problemas começam com o elenco, recheado de estrelas sem dúvida, mas com erros de escolha. Se Maria Rueff não começa bem mas também não acaba mal, Miguel Guilherme dá uma interpretação completamente ao lado. É invulgar no caso dele, mas aconteceu. O Capitão Ahab é um personagem mítico, perturbado, obsessivo, maior que a vida, uma alma perdida, irrequieta, gigante, torturada. Nada ali existe, cómico por vezes, mas indiferente, inócuo a maioria, não se sente nada, não há alma, nem drama, nem coisa nenhuma, como se o texto fosse apenas repetido sem qualquer emoção. Existem neste espectáculo duas sessões com linguagem gestual. Ontem a ante-estreia tambem tinha, era curioso reparar na expressividade das tradutoras, que muitas vezes faltava em palco. Miguel Borges é... Miguel Borges. Emotivo, fisicamente expressivo, mas quando começa a falar tudo desaba, torna-se desastrado. Ricardo Aibéu não seria uma escolha óbvia para o primeiro imediato de tal navio, mas aguenta bem o papel, José Airosa é completamente subaproveitado e o resto do elenco não compromete. Graciano Dias desembaraça-se bem como Ismael, João Barbosa e Milton Lopes fazem (o pouco) que lhes é pedido.
A peça arrasta-se ao longo de mais de duas horas, não se percebe, por exemplo, o tempo gasto com Ismael e Queequeg no início do primeiro acto já que, mal embarcam, se misturam com o resto da tripulação não ganhando nenhum relevo especial. Aliás, nada tem um relevo especial. Cenas que deveriam ser pináculos emotivos, como o temperar do arpão de Ahab com o sangue de Queequeg, passam ao de leve num bocejo. Sem chama a peça acaba, com uma baleia gigante que estraga a harmonia cénica sem nada acrescentar. O final trágico não é o da tripulação do Pequod, mas das costas do espectador que já não encontra posição nem lugar.



Moby Dick

Teatro S. Luiz / Ar de Filmes

Interpretação: Maria Rueff, Miguel Guilherme, Ricardo Aibéo, Rui Morisson, Miguel Borges, Graciano Dias, Milton Lopes e João Barbosa
Encenação: António Pires
Texto: Herman Melville
Adaptação: Maria João Cruz
18 de Janeiro a 3 de Março
Quinta e Sexta ás 21h, Sábado às 16h e 21h
Sessões para escolas: Quartas às 11h e 14h30
Sessões com linguagem gestual (sob marcação): 7 de Fevereiro às 11h (escolas) e 10 de Fevereiro 21h (Público geral)
Preço bilhetes: 10,00 € a 20,00 € (normal), 5,00 € (menores 30 anos)

Teatro Municipal S. Luiz

Rua António Maria Cardoso, 38
1200-027 Lisboa
Telefone: 213 257 650
Fax: 213 257 631

quarta-feira, janeiro 17, 2007

A favor ou contra...


No próximo dia 11 de Fevereiro vai existir o segundo referendo sobre a despenalização voluntária da gravidez até às dez semanas. A minha posição sobre o assunto é a mesma de há nove anos e será tratada em futuras postas. Antes de mais, antes da discussão sobre o tema em causa existe um outro ponto fundamental que não pode ser ignorado - há nove anos, num referendo sobre uma matéria tão fundamental como esta, onde a diferença entre as duas partes se limitou a cerca de 48.000 votos, a abstenção foi de 68,11%... Mais de dois terços das pessoas achou ser mais importante ficar em casa, ir almoçar fora ou ir à praia naquele quente domingo de Junho do que ir votar. Foi das demonstrações de maior imaturidade e irresponsabilidade politica, social, humana, que o povo português podia ter dado. E nem as tristes desculpas que se costumam utilizar nas eleições para os orgãos de soberania se podem aqui aplicar. Os habituais desabafos infelizes de "eles são todos iguais", "fica tudo na mesma" são ainda mais vazios aqui, se o Sim ganhar a lei muda, se o Não ganhar fica tudo na mesma. Deste referendo, tal como do anterior, saem consequências directas, palpáveis, que nos definem como sociedade e como país, que nos tocam pessoal e directamente, não só em questões práticas, como a possibilidade de sermos confrontados com a escolha de abortar ou não, mas principalmente em questões dos valores éticos, morais e humanos que nos tocam mais profundamente.
Não ir votar é um acto de não-cidadania, é uma mostra de atraso, de um vazio infantil que não merece o menor respeito. Não em questões destas, não num assunto tão primário.
Em Fevereiro vamos perceber que espécie de povo somos realmente...

terça-feira, janeiro 16, 2007

O blog está a internacionalizar-se


Amadeo de Souza Cardoso


A grande retrospectiva Amadeo esteve imenso tempo na Gulbenkian, mas como é óbvio tive que deixar para o fim... Sábado foi feita uma maratona, com as portas da exposição abertas toda a noite ininterruptamente. Pensei que às 2 da manhã entrava sem problemas, mas era mentira, estavam mais duas horas de fila, o que me deixava uma hora demasiado tardia para entrar. A exposição demora em si cerca de uma hora para ser vista e às 5 da matina ninguém tem cabeça para coisa nenhuma. Voltámos no dia seguinte, às dez da manhã estava uma hora de espera, quando saímos ao meio-dia a fila já ultrapassava as 3 horas para entrar.
Fiquei contente por ter ido, a espera não me incomodou, a companhia era fantástica, tudo correu bem. É de assinalar é a tremenda adesão das pessoas a este evento (ouvi cerca de 100 mil visitantes), no meio da histeria generalizada foi um fenómeno de massas que ultrapassa o gosto pela arte. Muitas exposições já foram feitas com figuras de renome e nunca se perdeu a cabeça desta maneira, aliás o museu de Amarante onde estão inúmeras obras do Amadeo não regista, nem nunca registou enchentes. Foi portanto um fenómeno de histeria, de tenho que estar onde todos estão, de exagero, de moda, como o apoiar da selecção, ou pôr lenços brancos por Timor. Seja como for, e apesar de tudo, é de salientar que é a primeira vez que vejo isto acontecer com um facto cultural, pior ainda, com uma exposição. E seja porque motivo for é sempre bom ver as pessoas na rua sem ser pelo futebol...