terça-feira, fevereiro 13, 2007

Ao fim de duas semanas!

Duas semanas depois voltei a ter uma aula decente no chapitô, com as voltas e reviravoltas, surpresas e outros carnavais em fevereiro nem uma mão cheia de aulas temos. Mas vou um regresso, e pelo menos esta semana as coisas parecem bem encaminhadas. Trabalho sensorial, encontrar um espaço imaginado onde nos sentissemos bem (porque raio me veio uma biblioteca por cima de um teatro com varanda para o jardim?) e muito trabalho sobre música, fox trot, charleston. Mais corpo, mais movimento (afinal às segundas é aula física), vestir roupa ao som de música, sem naturalismo, sem realismo, só com a criação e movimento plástico dos corpos, mas sempre com o trabalho sensorial (peço, formas, tecidos).
Acabou com o mesmo trabalho de há duas semanas para se escrever o texto. Serviu para quem tinha faltado.
Tudo normal, excepto o facto de aparecer um novo aluno... outro novo aluno, passados cinco meses de trabalho. O tamanho da turma não ajuda (somos quase trinta), o tempo decorrido devia desanconselha-lo, mas a mensalidade fala mais alta, mais uns trocos e mais uma pessoa que aterra ali no meio... Não faz muito sentido...

Disney?

E porque não? Em puto adorava estes filmes... na verdade ainda adoro! Dos tempos aureos da Disney (ou vá do segundo periodo de grandes filmes de animação) quando os desenhos ainda eram feitos à mão, e as dobragens em brasieliro.
Portanto, para uma semana bem disposta... aqui no mar... aqui no mar...

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Cristina Branco

Pelos vinte anos da morte de Zeca Afonso, Cristina Branco apresenta um espectáculo no jardim de Inverno do S. Luiz, todas as sextas e sábados até 24 de Fevereiro, à meia noite.
É um ambiente intimista, como todos os concertos do jardim de Inverno, sentados à volta de uma mesa, como se fosse um piano bar. A noite promete. Zeca Afonso é bom cantado seja quase por toda a gente, e Cristina Branco intrepreta brilhantemente seja quase quem for. Juntar os dois só podia dar bom resultado. Cristina de vermelho, pequena, nervosa, com uma voz maior que o seu corpo e que a sala que a acolhe. À sua volta, quatro músicos, quatro sonoridades que se misturam e influenciam, dando corpo a todo o concerto. Surpresa... jazz. Foi essa a abordagem à música de José Afonso, jazz, e curiosamente funciona, bem, muito bem. A noite passa, voa, e quando olhamos para o relógio é uma e meia da manhã, Cristina sai de palco passando pelo meio de nós e fica por ali, a conversar, como se fosse mais um espectador, como se fosse apenas beber um copo numa noite de sexta feira.
Eu fui para casa com a alma cheia, de música, de voz, de talento, de sons e ritmos, de Zeca e Cristina, vinte anos depois ele vive no coração e na voz de todos nós.

"O meu menino d'oiro é d'oiro fino, não façam caso que é pequenino..."



Cristina Branco canta Zeca Afonso
Teatro S. Luiz / Uguru

Voz: Cristina Branco
Piano e Acordeon: Ricardo Dias
Guitarra eléctrica e acústica: Mário Delgado
Bateria: Alexandre Frazão
Contrabaixo: Bernardo Moreira

2 a 24 de Fevereiro
Sexta e Sábado 24h00
Preço bilhetes: 15€

Teatro Municipal S. Luiz
Rua António Maria Cardoso, 38
1200-027 Lisboa
Telefone: 213 257 650
Fax: 213 257 631


domingo, fevereiro 11, 2007

59,25%

... foi esta a percentagem de eleitores que foi dizer SIM à mudança de uma lei injusta, retrógrada, que perseguia as mulheres que abortavam e que alimentava o aborto clandestino. Foi uma diferença de quase 19% (59,25% pelo SIM e 40,75% pelo NÃO), uma maioria esmagadora que não deixa dúvidas quanto ao caminho a seguir. Olhando para o retrado do país, o SIM ganhou nos distritos do Sul e nos distritos urbanos, tendo sido derrotado no Norte, no Interior e nos distritos onde a Igreja Católica tem uma maior implementação, bem como nos distritos mais conservadores. Um dos grandes factores de viragem foi o Porto, que passou de votar ao lado do Norte, para passar a ter uma escolha mais urbana.
Foi o fim do referendo, mas é apenas o início da batalha, pela protecção da mulher, pela concretização da Lei, pela regulamentação de um Lei justa e equilibrada, pelo apoio à mulher e às familias, pela educação sexual e pela divulgação dos meios contraceptivos. É um longo caminho que começa em cada casa, em cada um de nós, e se estende pelas escolas, hospitais, e por toda a sociedade. Não é um caminho que se percorra com atitudes como a de uma plataforma do NÃO que defendia que se pagasse às mulheres que não recorrem à IVG o valor equivalente que é gasto com as mulheres que o fazem. Esta questão não é economicista. Abordá-la deste prisma é ridícula.
E as pessoas que adoecem por causa do tabagismo? E os toxicodependentes? E os seropositivos? E os sem-abrigo? Também se vai contabilizar o dinheiro gasto a ajudar estas pessoas e distribuir por todos os que não precisam da ajuda? É que se assim for eu reformo-me já... Pensando bem, eu não tenho cancro, nem diabetes, nem gota, nem asma, se receber algum por todos eles... fico rico! E porque não dar às mulheres que recorrem à IVG o equivalente gasto pelo Estado com todas as mulheres que têm filhos? Isso é que era uma festa! Vamos ficar todos ricos! Só se lixa a terceira idade!
Mas seja... deve ter sido uma declaração impensada feita no calor do momento... Adiante.

O primeito passo foi dado, não podemos parar por aqui. há muito trabalho a fazer. Agora sim!

SIM!

60% dos eleitores que hoje se dirigiram às urnas votaram SIM, segundo as projecções que foram anunciadas há minutos. São apenas projecções, mas com um margem de 20% sobre o NÃO parece-me improvável que o resultado seja muito diferente. Houve mais um milhão de eleitores que há nove anos, o que deu a vitória ao SIM. Os resultados oficiais neste momento apontam para os 54% para o SIM e 46% para o NÃO. Visto que estas são as freguesias mais pequenas, normalmente do Norte Interior, onde o NÃO tem mais defensores, tudo parece bem encaminhado... Ao menos isso. O dever cívico não prevaleceu, mas ao menos o sentido de voto dá uma mudança civilizacional importante.

Primeiros números

As primeiras indicações já sairam. 56 a 60% de abstenção, num referendo, numa matéria tão importante como esta. Seja qual for o resultado final começo a perceber o tipo de país em que vivo...

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Pursuit of Happyness

A caça aos Óscares continua, apesar de, dado o número de estreias, sentir que estou cada vez mais a perder terreno. O último filme que vi foi The Pursuit of Happyness, com Will Smith nomeado para o Óscar de Melhor Actor Principal.
O filme conta a história verídica de um homem que sem emprego, sem casa, dinheiro ou mulher e com um filho nos braços, consegue dar a volta e vencer na vida.
Não é um grande filme... na verdade é bastante mediano (o trailer é mais forte que a fita em si), passava bem por aqueles casos da vida da TVI, com valores de produção um pouco acima da média. Só há duas coisas que fazem com que se mereça uma ida ao cinema, Will Smith, que dá mostras de classe como actor dramático e o seu filho que se estreia como actor. Will Smith já não é surpresa, com Ali mostrou ter talento, apesar de aqui ter um desafio menos condizente com a sua persona pública e com o seu físico, interpretar um homem de meia idade caído em desgraça. Quanto ao seu filho Jaden Smith, costuma-se dizer que filho de peixe sabe nadar e com dois pais actores está bem encaminhado. O miúdo é uma delicia. Pouco mais há a destacar, da história já se conhece o fim antes de começar e o tempo passa sem sobressaltos de maior - salvo os azares consecutivos de que é vítima o nosso heroi - e acaba feliz. Típico filme de domingo à tarde se se quiser apenas passar o tempo.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007


Foi no Domingo à tarde sem aviso, tinha discutido com a namorada e saiu. Numa curva, num repente, sem alcóol no sangue, sem sequer segurar nas suas mãos o volante, foi ceifado por uma mota que literalmente rasgou o carro onde seguia em dois. Tinha 22 anos e o último olhar que deitou à namorada foi de raiva.
Era do meu grupo de teatro, mal dei por ele enquanto vivia, um bom dia, um aperto de mão, um abraço, pouco mais. Um colega dizia que se lembrava da última coisa que lhe tinha ouvido, nada que merecesse ser recordado, qualquer trivialidade sobre cabelo. Mas foi a última coisa que lhe ficou na memória. A mim nada. Nem uma frase me lembro, nem o tom de voz, nada, quanto muito o sorriso e os traços do rosto que rapidamente apagaria.
Ontem estava lá, deitado num caixote de madeira, rodeado de familia e amigos. A mãe e a namorada não paravam de lhe tocar, de lhe dar festas, de o beijar no rosto. Os olhos não fechavam completamente, e um risco de branco deixava-se adivinhar. Apeteceu-me dizer-lhe que parasse, que se levantasse e fosse para a aula, que fizesse as pazes com a rapariga que esvaia a alma em lágrimas. Mas ele, teimosamente não se mexeu.
Hoje é o funeral e a cremação.
Tudo o que foi e tudo o que poderia ter sido vai ser reduzido a uma urna de cinzas. Quanto aos pais e amigos fica apenas o vazio, e à namorada a memória torturante das últimas palavras, das acusações mútuas, o ruído de um bater de porta.

Quanto a mim... nada... a ténue memória de quem passou por mim e eu nem vi.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Às quartas... porque sim!


Chega hoje ao fim a minha rubrica às quartas...porque sim!, onde explico porque é que vou votar SIM no referendo do próximo dia 11. Falei dos motivos de saúde pública, legais, mas creio a base de tudo se resume a um ponto. Vida.
Mas antes de mais vamos definir Vida: estado de actividade de animais e plantas; existência; espaço de tempo decorrido entre o nascimento e a morte; modo de viver; profissão; emprego; conjunto de coisas necessárias à subsistência; biografia; movimento; calor; animação; expressão animada; subsistência; sustentáculo; origem.
Nem esta definição, por mais extensa que seja, consegue chegar a um consenso, se é verdade que o embrião, o feto, existe, está em estado de actividade, também é verdade que não está no espaço de tempo entre o nascimento e a morte. Se calhar precisamos de mais uma ou outra definição. Homem: animal mamífero, bípede, bímano, racional e sociável que, pela sua inteligência e pelo dom da palavra, entre outros aspectos, se distingue dos outros seres organizados; pessoa adulta do sexo masculino; varão. Pessoa: ser ou criatura da espécie humana; ser moral ou jurídico; personagem; individualidade.
Assim pelo menos já sabemos do que estamos a falar. Acho que se pode dizer sem erro que a Vida, no sentido mais lato que existe, é algo que aparece no momento da concepção, é criado um código genético único e as células começam um processo de desenvolvimento e reprodução que irá culminar, se tudo correr bem, num ser humano, numa pessoa. A grande questão aqui é, pode um embrião ser equiparado a uma pessoa, a um ser humano, nascido, vivo? Não de um ponto de vista pessoal (como muitas vezes os partidários do Não advogam, que uma mãe já sente o seu filho como uma pessoa antes de ele nascer) mas sim do ponto de vista legal, ou seja de uma perspectiva geral. A minha resposta é não, um embrião e uma pessoa não são equivalentes. Um embrião não é um ser racional e sociável, não tem inteligência nem dom da palavra, não é um ser moral nem jurídico. Um embrião é algo que vai gerar uma pessoa e não uma pessoa em si.
Vou fazer uma comparação que pode chocar alguns, mas que creio ajuda a tirar o lado mais emocional da questão, mais pessoal. Um fruto, uma maçã por exemplo, tem em si tudo o que é preciso para gerar uma macieira. No entanto ninguém confunde comer uma maçã, colher uma maçã com abater uma árvore. Para a maçã gerar uma macieira precisa de estar na terra, de ter nutrientes e diversas condições climatéricas que lhe proporcionem o desenvolvimento. Para um embrião gerar um ser humano precisa de estar no útero materno, que lhe dêem nutrientes e diversas condições para singrar.
Não quero desta forma dizer que a vida intra-uterina não vale nada, ou não precisa de protecção, estou a afirmar que é diferente impedir o desenvolvimento de um embrião ou matar uma criança nascida, viva. Mas isto não é novo. A Lei actual defende o mesmo. Daí a pena máxima de prisão para uma mulher que aborte ser de 3 anos e a pena máxima para um homicídio ser de 25 anos de prisão. Daí a Lei permitir o aborto em caso de violação e não permitir a morte de um filho de um violador. Abortar não é matar crianças.

Há quem discorde, há quem acredite que é exactamente a mesma coisa afogar um bebé recém nascido ou fazer um aborto. Se for esse o caso, a única hipótese é votar Não, e lutar com toda a sua força para que a actual lei seja alterada, para que o aborto não seja possível em nenhum caso, ou que o risco de vida para a mãe seja a única circunstância em que o aborto seja possível.

Ou então pode-se achar que a vida intra-uterina algo a proteger, mas não é o valor mais alto de uma sociedade, que existem circunstâncias, várias circunstâncias, que fazem com que a vida, a saúde física, psíquica, familiar, emocional da mãe se sobreponham a um embrião. Que existem males que não temos condições de avaliar se os não vivermos, e que as pessoas que tomam essa difícil decisão devem ser protegidas e não perseguidas, devem ser apoiadas no seu percurso.

No próximo Domingo, pelos motivos que enunciei e por todos os motivos íntimos, privados de todas as mulheres, de todas as famílias que se vêm forçadas a tomar esta decisão, voto SIM.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

A pólvora!


Senhoras e senhores, meninos e meninas, aproximem-se, venham descobrir a mais fabulosa invenção do século: a pólvora! Sim meninas e meninos foi inventada a pólvora, mas a pólvora seca, faz o mesmo barulho que a outra, tem o mesmo aspecto que a outra, mas não tem efeito nenhum. Seja como for, entretém e ilude a multidão. Tenho o prazer de vos apresentar: o crime sem castigo! SIM! ou melhor NÃO! O crime sem castigo é a grande invenção Não. Ora bem, a grande ideia agora é votar NÃO no referendo que depois os partidários do NÃO prometem fazer passar uma lei onde a mulher não é julgada. Mas o aborto é crime? Sim! Posso fazer? Pode! E o que me acontece? Nada! (Isto faz-me lembrar um programa de comédia... o que será?)
O Não já não consegue defender a penalização das mulheres, sabe que toda a gente acha isto um absurdo, à excepção daqueles que são também contra a lei actual, e que pelo menos são coerentes. Então agora inventam o NIM! Vota Não que parece Sim! Ou seja, fica tudo na mesma, mas a lei muda para que as mulheres não sejam julgadas, é a suspensão provisória do processo.
Banha da cobra!
Qual é o problema desta nova invenção, tão badalada no Prós e Contras de ontem? Em primeiro lugar mantém o estatuto de crime, a mulher continua a ser considerada uma criminosa e tem que cumprir certas regras, certas sanções. Ora como mulheres na cadeia já não existem não percebo a diferença para o estado actual. Em segundo lugar todos os outros intrevenientes (médicos, parteiras, enfermeiros, etc) são criminosos e julgados como tal, ou seja, nada de aborto em hospitais e clínicas, vamos é manter o aborto clanestino, vamos manter as mulheres em fuga, a recorrer a sítios onde se pagam balúrdios e com condições duvidosas, vamos manter esta vergonha nacional, mas fazendo de conta que se muda, fazendo de conta que se não persegue a mulher, como se a prisão fosse a única coisa que está mal neste momento! E ainda por cima é uma proposta que nem sequer pode ser posta em práctica, como o Dr. Rui Pereira (jurista) explicou: não é possivel haver uma suspensão provisória do processo obrigatória! Se há crime, tem que haver castigo, pode em certas circunstãncias ser suspenso mas não existe tal coisa na lei como suspensão obrigatória!
É antes de mais cobarde! É querer enganar as pessoas que são a favor da despenalização (e não a favor do aborto, é bem diferente!) dizendo-lhes que o Não é afinal... SIM!

Ontem o Prós e Contras era motivo para rir! O Filipe Anacoreta Correia que diz que o referendo não é uma questão moral! Ai não??? Então o que são questões morais??? Vamos lá ao dicionário - Moral: conjunto de costumes e opiniões que um indivíduo ou um grupo de indivíduos possuem relativamente ao comportamento; conjunto de regras de comportamento consideradas como universalmente válidas; parte da filosofia que trata dos costumes e dos deveres do homem para com o seu semelhante e para consigo; ética; teoria ou tratado sobre o bem e o mal.
Toda a Lei é moral! É a definição de certo e errado de bem e de mal, não existe questão mais moral que esta!

Ou o argumento do Dr Manuel Antunes que afirma "Nós não sabemos o amanhã!" - como motivo para não mudar a lei. Ora o desconhecimento do futuro serve para não mudar NADA!

Ou o escândalo quando se disse que a protecção da vida intra-uterina não se faz pelo direito penal, que existem outras formas que não penais, que não criminais!

Enfim... à meia noite resolvi ir dormir. Há posições de tal maneira contraditórias e ilógicas que mais vale ir para a cama...

É triste ver que o Gato Fedorento passou da comédia para um argumento defendido na realidade por uma das partes...

Rufus Wainwright

É o meu novo sabor musical do momento, este americano-canadiano com a sua voz inconfundivel, chamou-me a atenção com o misto de pop, musical e rock independente. Esta canção, Cigarettes ans Chocolate Milk é do seu segundo album Poses, e não me sai da cabeça. Não sei porquê mas visualizo-a como o início perfeito para a versão cinematográfica de Frozen...

Bem... seja como for... é a música da semana.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007


Eu sei que não é quarta mas não podia deixar de partilhar este texto. Vale a pena lêr para perceber que se calhar nem todos na Igreja têm o pensamento fechado e retrógrado que lhe é atríbuido.

texto retirado daqui.

Amador

Amador é a nova peça dos Artistas Unidos, que estreou dia 1 de Fevereiro no Convento das Mónicas. Um crítico de teatro chega a casa vindo de mais uma peça. Está farto, jura para nunca mais ir ao teatro, diz que o drama existe em todo o lado menos no palco, está furioso, ao mesmo tempo o drama que se desenrola em sua casa é-lhe invisivel.
Amador é uma peça com uma ideia, o problema é que não tem mais do que isso: uma ideia. O crítico entra em casa e repete o mesmo texto ao longo de toda a peça, está farto, diz que está farto, que basta ligar a televisão ou lêr o jornal para se ver o drama da vida real e que no palco só existe vazio, a Arte como uma manifestação pseudo-intelectual das frustrações dos artistas, enormes egos vazios. Mas não sai dali... repete inclusivé linhas inteiras de texto três, quatro, cinco vezes, Gerardjan Rijnders (o autor da peça) não sabe o que fazer com este personagem, então transforma-o num disco riscado. Mas nem sequer o que diz é sobejamente interessante, não faz sequer uma crítica com pés e cabeça ao teatro, repete frases ocas que se esgotam nos primeiros cinco minutos. À sua volta o drama da vida real desenrola-se e ele é cego, surdo e mudo. Não vê a sua mulher bêbeda, o seu filho toxicodependente que se masturba em frente a ele, que destroi a casa, que viola e mata a própria mãe.
A peça acaba como começa, o crítico está farto, diz que o drama está em toda a parte e não vê o drama ao seu lado. Mas isso já se tinha percebido há uma hora atrás. Os actores fazem o que podem, mas não têm muito que fazer, os personagens são estáticos, não evoluem, não têm acção, não mudam emocionalmente. Como diz o Amador: no palco... nada.


Amador
Artistas Unidos

De: Gerardjan Rijnders
Tradução: Lut Caenen
Interpretação: António Filipe, Elsa Galvão, Sérgio Conceição
Cenário e Figurinos: Rita Lopes Alves

De 1 de Fevereiro a 3 de Março de 2007
Quarta, Quinta e Sexta - 21h30, Sábado - 18h30 e 21h30


Artistas Unidos
Convento das Mónicas
Travessa das Mónicas
Telefone: 961 960 281/707 234 234
www.artistasunidos.pt
info@artistasunidos.com

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Blood Diamond

Chega a época dos Óscares e o número de estreias de filmes que merecem a pena triplica. Entre a semana passada e esta semana estrearam meia dúzia de longas-metragens e a corrida contra o tempo começou. Ontem foi a vez de Blood Diamond, último filme de Edward Zwick (Glory, The Last Samurai), nomeado para 5 Óscares, dos quais se destacam as nomeações para Leonardo DiCaprio e Djimon Hounsou, os dois actores à volta dos quais todo o filme revolve.

Em 1999 na Sierra Leoa, as guerrilhas revolucionárias espalham o terror, numa guerra contra o governo, patrocinadas pelos diamantes que conseguem através de trabalhoi escravo em minas ilegais. DiCaprio é Danny Archer, um traficante de diamantes que perdeu o seu último carregamento, Djimon Hounsou é um homem que perdeu a sua família e foi forçado a trabalhar numa mina de diamantes. Um diamante de cem quilates que este encontrou é o motivo da cobiça de muita gente, entre os quais de DiCaprio que, para o obter, lhe promete ajudar a reencontrar a família.

Blood Diamond é um filme interessante, aborda temáticas conhecidas mas quase sempre ignoradas, dos dramas violentos que ocorrem em África. Mas é antes de mais uma história de personagens, uma história humana de procura, perda e até de redenção. Se Zwick não é nenhum génio, é pelo menos um realizador capaz de contar uma história, sabendo guiá-la e perceber os seus altos e baixos, conduzindo-nos através de uma viagem com tom épico, momentos ternos, tensos e com o seu toque de acção. A fotografia é lindissima e a cargo do nosso Eduardo Serra.

Não sendo inovador é no entanto merecedor de uma visita muito atenta.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Pena...

Na última quarta feira o último exercício da aula de teatro foi fixar o olhar num colega e, ao som de música, colocá-lo num espaço, para depois o transformar num personagem e imaginar uma história. Ficámos de a escrever para ontem trabalharmos sobre ela. Segunda-feira não pude ir à aula (caso raro) e portanto ontem fui com ânimo redobrado. O Bruno atrasou-se e pediu a uma colega para começar o relaxamento inical. Passado meia hora já estavamos todos mais que relaxados e ele sem aparecer. A Patricia (a tal colega) tentou que começássemos um exercício sensorial baseado na história, enquanto esperávamos. Alguns fizemos, outros não, mas sem perturbar. Às 20h30 soubemos que o Bruno não vinha... o resto do tempo passou entre conversas, despedidas e pouco mais. Afinal de contas não houve aula... Para mim faz a semana inteira... É incrivel como fico com comichões quando isto acontece, a falta que me faz este trabalho é impressionante. Bem, segunda começa-se de novo. Fica só a referência para a Patricia, que sem preparação, nem aviso, conseguiu durante quase hora e meia manter a turma a funcionar, a fazer qualquer coisa de minimamente util e sem se dispersar. Não é fácil, principalmente para uma aluna, obrigado pelo esforço.