quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Peça!


O trabalho na peça de fim de ano começou ontem. O Bruno tinha esquematizado uma série de exercícicos sensoriais e conforme os realizávamos ele ia escolhendo pessoas. A seguir, com o trabalho desses exercicios (e algum outro em certos casos), montou pequenos quadros com os alunos, ao som de música. Não necessáriamente quadros narrativos, ou cenas, mas quadros emotivos, estéticos, bases de trabalho, numa peça que se quer multidisciplinar. A melhor comparação que arranjo é com o último trabalho do Meridional, mosaicos de gente e não histórias - pondo obviamente de lado todo o mérito técnico e artístico da peça Por Detrás dos Montes, com a qual o nosso pequeno bando amador não pode nem deve nunca ser comparado.
Ainda não tenho a certeza do rumo final que tudo isto vai tomar, até porque com as faltas cíclicas de alguns colegas é complicado perceber quem fica e quem sai, mas ontem foi dado o primeiro passo, a ver vamos como corre.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Scoop

Há daqueles realizadores que pela obra que já deixaram são já considerados mestres no seu ofício. Woody Allen é um deles. E se filmes como Small Time Crooks ou The Curse of The Jade Scorpion não são marcos de referência, o seu último título Match Point foi um dos grandes filmes do ano passado.

Scoop é o regresso do realizador à light-comedy, sem grandes pretensões nem grandes mensagens, apenas um piscar de olho aqui e ali ao espectador mais atento, e hora e meia de boa disposição. Nada de mal com este intuito, não fosse o exagero dos personagens. A estupidez bimba do personagem de Woody Allen que não larga o seu baralho de cartas e truques baratos, a falta de gosto atabalhoada de Scarlett Johansson, com a sua estudante de jornalismo eléctrica, e o vazio absoluto do personagem de Hugh Jackman que sorri, mostra o corpo e pouco mais.
Scoop é um filme pobrezinho, a trama é linear, os personagens irritantes, a comédia batida, salvando-se os 30 segundos de Johansson em fato de banho, para os fãs mais acérrimos da actriz. Woody Allen falha por completo, não vale a pena o tempo nem o dinheiro gasto. O melhor, para os mais curiosos, é esperar pelo DVD.

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Contigo

Quatro dias... quatro dias apenas está João Paulo Santos no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém e hoje, terça-feira de Carnaval, às 16 horas é a sua última actuação. Mastro chinês... novo circo, dança, performance, não sei como definir os 40 minutos de pura magia a que tive o privilégio de assistir. Um mastro, uma cadeira, um lenço, uma pedra, um homem, cinco elementos em confronto, a levar ao extremo os limites do corpo, do físico, da Fisica, da dança. A plasticidade do corpo, em dança com os elementos, consigo mesmo, com o seu esforço e a sua leveza, a sua harmonia. Contigo é um espectáculo multi-disciplinar, que vai além da perfeição técnica, que tem uma componente artisitica, plástica, expressiva profunda. João Paulo Santos foi convidado pelo Cirque de Soleil e recusou para prosseguir uma via menos restritiva. Por este espectáculo segue no bom caminho, apetece acompanhá-lo por onde for...


Contigo

CCB- O Espaço do Tempo; O Último Momento; SACD Compositeurs Dramatiques; Festival D'Avignon

Concepção e Direcção Artística: Rui Horta; João Paulo Santos
Coreografia: Rui Horta
Interpretação: João Paulo Santos
Figurinos Pedro Pereira dos Santos
Música Tiago Cerqueira, Vitor Joaquim
Desenho de Luz: Rui Horta
17 a 20 de Fevereiro
dias 17 e 19 - 21h; dias 18 e 20 - 16h
Preço: 15€

Centro Cultural de Belém
Praça do Império
1449 - 003 Lisboa
Telefone: 21 361 24 00
Fax: 21 361 25 00
www.ccb.pt

Música da Semana

Desde 2002 que os Coldfinger não lançam nenhum album,e com o início da carreira a solo da sua vocalista Margarida Pinto, é possivel que o não façam brevemente.
Em 2000 lançaram Lefthand, uma belissima colecção de canções, maioritáriamente em inglês. Não sei definir a sonoridade, indie, electrónica, li algures trip-hop, mas a verdade é que Margarida Pinto me toca quer a solo quer na banda que a lançou. Aqui fica um pequeno sopro, The Tree And the Bird, cuja letra simples sobre amor e perda, muito me tocou... É por vezes dificil perceber o nosso papel numa relação e admitir que entre um pássaro e uma árvore o amor torna-se... impossivel.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Little Children

Numa comunidade suburbana o Verão decorre pacatamente. Na vida de cada pessoa um desepero calado insinua-se, até que a busca de uma saída, de uma alternativa, de felicidade faz explodir a rotina do dia-a-dia.

Todd Field não tem um grande passado como realizador, mas pode-se dizer que das poucas vezes que tenta acerta. O seu último filme, o multi-premiado In the Bedroom, era um drama tenso que foi talvez ofuscado pelo genial La Stanza del Figlio, que abordava temáticas similares. Cinco anos volvidos chega-nos este Little Children, um mosaico de dor e esperança, de humor e lágrimas, que segue uma mão cheia de personagens que lutam para sobreviver ao isolamento emocional que governa as suas vidas. E nesse ponto é brilhante, com uma construção lenta, pontuada, vamo-nos embrenhando na vida destas pessoas e descobrindo as linhas com que tecem as suas vidas e relações.
Temos realizador, mas temos também argumento, cada personagem é densa, definida, física, palpável, e surpreendente. Surpreendente nas suas revelações, mas também no rumo que tomam, escolhem e que ultimamente as define.
Se temos personagens, felizmente temos actores... e que actores, Kate Winslet recebe a sua quinta nomeação para o Oscar (a mais jovem actriz a conseguir este feito), Patrick Wilson prossegue uma escolha de projectos muito interessante (vide Hard Candy) e Jackie Earle Haley tem um papel de uma força, uma contenção, um desepero inacreditáveis.
Pecados Intimos (o título em português) está nomeado para 3 Oscares, não vai ganhar nenhum e merecia estar nomeado para muitos mais.

Um filme a ver, saborear, deixar que nos leve, nos toque e fique connosco por muito tempo...

Cuidado vilões!


Eu hoje vi um superheroi a entrar no Público... tinha capa e tudo e metia os pés para dentro...

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Mas então?

Por causa da peça de fim de ano do Chapitô pus-me a lêr o Drácula de Bram Stoker. Conhecia bem o imaginário, tinha visto diversos filmes, desde o Nosferatu do Murnau ao Drácula de Bram Stoker do Coppola, mas nunca tinha lido o livro. Nestas coisas não há como ir à fonte.

Eu sei que o nível das coisas que tenho tido a sorte de ler tem sido bastante bom, e que portanto o livro tinha que valer qualquer coisa para se equiparar a Mário de Carvalho, Steinbeck, Cardoso Pires ou mesmo às fabulosas peças de Edward Albee ou Martin McDonagh, mas a obra de Stoker tornou-se quase mitológica, sobreviveu à passagem do tempo e reproduziu-se através do imaginário colectivo.

Desilusão... GRANDE! Narrativa linear, personagens estanques, todo o fascínio que tenho pela história (o encanto do vampiro, o poder, o amor eterno, o tormento, a pulsão sexual) são prácticamente inexistentes, Drácula é um monstro e apenas isso, nem sequer é especialmente inteligente apesar dos séculos de existência, não se percebe porque é que faz o que faz, porque é que escolheu Londres ou aquelas pessoas, e está de tal maneira limitado que nem sequer é grande adversário (não se pode mover sobre água? um ramo de roseira brava impede-o de sair do caixão? tem medo de hóstia? mas que raio?). É triste descobrir, mas a verdade é que o mito de Drácula foi construído depois de Bram Stoker, por milhares de histórias de vampiros, por livros, por jogos, por peças, por filmes que expandiram e aprofundaram a lenda.
É daqueles casos para dizer gostaste do livro? Vê antes o filme!

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Na tua cara


"A lua banhava as pedras soltas da calçada com uma luz azul fria. Nada mexia nas sombras da rua, nos recantos escondidos onde alma alguma se aventurava. A ruína crescia como um punho fechado em torno do pico escarpado de uma montanha perdida numa cordilheira distante. Apenas o som do vento se aventurava a rumar àquelas paragens, fazendo um concerto surdo ao qual se sobrepunha o leve rumorejar das folhas secas. Em baixo da enorme escadaria que contornava aquilo que foi em tempos um imponente castelo, uma sombra contorceu-se. Uma mão espalmada como uma estrela de cinco pontas ficou visível ao luar. Catarina levantou-se a custo. O corpo coberto de chagas, as roupas esfarrapadas, o cabelo revolto, restos de sangue seco espalhados pela cara como se de uma pintura tribal se tratasse. Pé ante pé ela foi subindo, o rosto num esgar, um misto de dor e raiva, numa mão tinha presa uma adaga, e Catarina agarrava-se a ela como se disso dependesse a sua vida. Não parava, nem pelo cansaço, nem pela dor, nem pela luz que lhe destapava as sombras, sabia estar sozinha, sabia o que tinha que fazer. No topo daquele lugar maldito estava uma mesa de mármore, um imponente altar que se mantinha orgulhoso no meio dos escombros. Deitado nele, perdido no seu sono, um homem com uma armadura gasta e uma capa rasgada pelo tempo e pela espada, repousava. Apesar do aspecto cansado, das roupas gastas, adivinhava-se nele uma nobreza, um certo ar etéreo, uma beleza fascinante que sobrevivia ao tempo e à fadiga. Era um homem duro, mas ainda assim angelical. Catarina aproximou-se e parou por um momento a observá-lo. Num movimento brusco e com o rosto inexpressivo cortou-lhe a garganta. Ele abriu os olhos com a dor e olhou-a incrédulo, como se visse alguém para alem da tumba. Catarina fitou-o quieta enquanto ele morria. Deixou cair a adaga e com o último suspiro do moribundo afastou-se olhando o mundo à sua volta. Até onde a vista alcançava estendiam-se picos escarpados de montanhas, um sem fim de cinzento sem vida, de rocha aguçada e perpétuos abismos. Catarina caiu no chão desamparada, como se o peso de uma vida se abatesse de súbito sobre ela. Agarrando os joelhos chorou convulsivamente. A sua vingança estava consumada, aquele homem estava morto, aquele homem que a abandonou aos bichos, que a deixou inanimada, cortada, ferida, que a tentou destruir, aquele homem não existia mais. E com ele desaparecia o único amor da sua vida, a quem dedicara mais que corpo, mais que alma, esperança e futuro. A única coisa que lhe restava era aquele abismo escarpado, aquele mundo de pedra vazia e nada mais."

Há duas semanas tivemos um exercício em que, no final da aula, ao som de música, tinhamos que olhar para os colegas, escolher um e a partir dele criar um personagem. Fechar os olhos, e desenhar uma pequena narrativa com esse personagem (e não com o colega). Ontem foi feito o trabalho sobre essa historia. Uma cópia entregue ao Bruno (quiçá se não servirão de base para a peça final) e depois trabalho sensorial. Recriação física do espaço e do personagem, para culminar numa improvisação, guiada pelo Bruno, em que tivemos que integrar outros colegas no nosso espaço, no nosso mundo, sem nunca o impormos, interagir, adaptar, reagir, contracenar no fundo, sem sermos autistas, sem nos virarmos para nós próprios, e estando sempre atentos ao outro, sem nunca perdermos o nosso próprio personagem...

Sem dúvida que prefiro as aulas de quarta feira, apesar de, pelo tamanho da turma, nunca se conseguir fazer um exercicio muito longo, para dar tempo a todos.
Pausa nas aulas para o Carnaval e daqui a sete dias há mais...

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Emoções

Sábado fui ver a anunciada última performance do Lisboa Ballet Contemporâneo, que vai fechar as portas devido a falta de fundos para manter uma produção constante, remetendo-se apenas para reposições do reportório. Após o Ballet Gulbenkian é mais um, tristemente que fecha as portas, empobrecendo o panorama cultural do país.

O espectáculo insere-se no ciclo Canto e Dança que dura até 24 de fevereiro e é uma coreografia de Benvindo Fonseca. Callas é um espectáculo de homenagem a Maria Callas, uma mistura de som, imagem, música e dança que me deixou, uma vez mais, de alma cheia.

Eu não sou um entendido em dança. O meu passado familiar, cultural, profissional e até de formação está ligado ao cinema e ao teatro. É por isso para mim estranho que, últimamente, de cada vez que olho para um palco nacional, me sinta mais emocionado, mais embrenhado, apaixonado, enebriado até pela dança do que pelo teatro. O que é incrivel é que o teatro tem, em princípio, mais armas que a dança para nos prender. Tem a palavra, narrativa, o drama, os personagens, pode-nos comover com o texto ou com a situação representada, enquanto que a dança depende apenas dos corpos e da música. E no entanto, eis que me vejo de olhos em lágrimas no Teatro Camões, e a bocejar noutras paragens. Não em todas claro, fiquei deslumbrado no Meridional, mas uma vez mais a linguagem era mais abstracta, mais perto do bailado que do teatro em si.
É estranho que aconteça, acho até preocupante que o teatro em Portugal esteja tão nu, tão vazio de ideias, de capacidade, de emoções.
Mas eu, hei-de continuar apaixonadamente a frequentar as salas de espectáculo,à espera de mais uma peça, mais uma noite que viva para sempre gravada na memória.

14 de Fevereiro



A todas as pessoas que dão afecto às horas certas, que fazem birra por não ter prenda, que confundem jantar com amar, que sorriem plasticamente e fingem ainda sentir alguma coisa, que vão na manada consumista como carneiros a caminho do pasto, que são cegos e surdos em relação a quem está ao vosso lado 364 dias por ano, que sacodem a poeira dos fatos como quem reanima uma vida, que se arranjam, vestem, pintam, mascaram sem sentido a toque de corneta... FELIZ DIA DOS NAMORADOS! Aqui fica um coração. Enjoy.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Ao fim de duas semanas!

Duas semanas depois voltei a ter uma aula decente no chapitô, com as voltas e reviravoltas, surpresas e outros carnavais em fevereiro nem uma mão cheia de aulas temos. Mas vou um regresso, e pelo menos esta semana as coisas parecem bem encaminhadas. Trabalho sensorial, encontrar um espaço imaginado onde nos sentissemos bem (porque raio me veio uma biblioteca por cima de um teatro com varanda para o jardim?) e muito trabalho sobre música, fox trot, charleston. Mais corpo, mais movimento (afinal às segundas é aula física), vestir roupa ao som de música, sem naturalismo, sem realismo, só com a criação e movimento plástico dos corpos, mas sempre com o trabalho sensorial (peço, formas, tecidos).
Acabou com o mesmo trabalho de há duas semanas para se escrever o texto. Serviu para quem tinha faltado.
Tudo normal, excepto o facto de aparecer um novo aluno... outro novo aluno, passados cinco meses de trabalho. O tamanho da turma não ajuda (somos quase trinta), o tempo decorrido devia desanconselha-lo, mas a mensalidade fala mais alta, mais uns trocos e mais uma pessoa que aterra ali no meio... Não faz muito sentido...

Disney?

E porque não? Em puto adorava estes filmes... na verdade ainda adoro! Dos tempos aureos da Disney (ou vá do segundo periodo de grandes filmes de animação) quando os desenhos ainda eram feitos à mão, e as dobragens em brasieliro.
Portanto, para uma semana bem disposta... aqui no mar... aqui no mar...

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Cristina Branco

Pelos vinte anos da morte de Zeca Afonso, Cristina Branco apresenta um espectáculo no jardim de Inverno do S. Luiz, todas as sextas e sábados até 24 de Fevereiro, à meia noite.
É um ambiente intimista, como todos os concertos do jardim de Inverno, sentados à volta de uma mesa, como se fosse um piano bar. A noite promete. Zeca Afonso é bom cantado seja quase por toda a gente, e Cristina Branco intrepreta brilhantemente seja quase quem for. Juntar os dois só podia dar bom resultado. Cristina de vermelho, pequena, nervosa, com uma voz maior que o seu corpo e que a sala que a acolhe. À sua volta, quatro músicos, quatro sonoridades que se misturam e influenciam, dando corpo a todo o concerto. Surpresa... jazz. Foi essa a abordagem à música de José Afonso, jazz, e curiosamente funciona, bem, muito bem. A noite passa, voa, e quando olhamos para o relógio é uma e meia da manhã, Cristina sai de palco passando pelo meio de nós e fica por ali, a conversar, como se fosse mais um espectador, como se fosse apenas beber um copo numa noite de sexta feira.
Eu fui para casa com a alma cheia, de música, de voz, de talento, de sons e ritmos, de Zeca e Cristina, vinte anos depois ele vive no coração e na voz de todos nós.

"O meu menino d'oiro é d'oiro fino, não façam caso que é pequenino..."



Cristina Branco canta Zeca Afonso
Teatro S. Luiz / Uguru

Voz: Cristina Branco
Piano e Acordeon: Ricardo Dias
Guitarra eléctrica e acústica: Mário Delgado
Bateria: Alexandre Frazão
Contrabaixo: Bernardo Moreira

2 a 24 de Fevereiro
Sexta e Sábado 24h00
Preço bilhetes: 15€

Teatro Municipal S. Luiz
Rua António Maria Cardoso, 38
1200-027 Lisboa
Telefone: 213 257 650
Fax: 213 257 631


domingo, fevereiro 11, 2007

59,25%

... foi esta a percentagem de eleitores que foi dizer SIM à mudança de uma lei injusta, retrógrada, que perseguia as mulheres que abortavam e que alimentava o aborto clandestino. Foi uma diferença de quase 19% (59,25% pelo SIM e 40,75% pelo NÃO), uma maioria esmagadora que não deixa dúvidas quanto ao caminho a seguir. Olhando para o retrado do país, o SIM ganhou nos distritos do Sul e nos distritos urbanos, tendo sido derrotado no Norte, no Interior e nos distritos onde a Igreja Católica tem uma maior implementação, bem como nos distritos mais conservadores. Um dos grandes factores de viragem foi o Porto, que passou de votar ao lado do Norte, para passar a ter uma escolha mais urbana.
Foi o fim do referendo, mas é apenas o início da batalha, pela protecção da mulher, pela concretização da Lei, pela regulamentação de um Lei justa e equilibrada, pelo apoio à mulher e às familias, pela educação sexual e pela divulgação dos meios contraceptivos. É um longo caminho que começa em cada casa, em cada um de nós, e se estende pelas escolas, hospitais, e por toda a sociedade. Não é um caminho que se percorra com atitudes como a de uma plataforma do NÃO que defendia que se pagasse às mulheres que não recorrem à IVG o valor equivalente que é gasto com as mulheres que o fazem. Esta questão não é economicista. Abordá-la deste prisma é ridícula.
E as pessoas que adoecem por causa do tabagismo? E os toxicodependentes? E os seropositivos? E os sem-abrigo? Também se vai contabilizar o dinheiro gasto a ajudar estas pessoas e distribuir por todos os que não precisam da ajuda? É que se assim for eu reformo-me já... Pensando bem, eu não tenho cancro, nem diabetes, nem gota, nem asma, se receber algum por todos eles... fico rico! E porque não dar às mulheres que recorrem à IVG o equivalente gasto pelo Estado com todas as mulheres que têm filhos? Isso é que era uma festa! Vamos ficar todos ricos! Só se lixa a terceira idade!
Mas seja... deve ter sido uma declaração impensada feita no calor do momento... Adiante.

O primeito passo foi dado, não podemos parar por aqui. há muito trabalho a fazer. Agora sim!

SIM!

60% dos eleitores que hoje se dirigiram às urnas votaram SIM, segundo as projecções que foram anunciadas há minutos. São apenas projecções, mas com um margem de 20% sobre o NÃO parece-me improvável que o resultado seja muito diferente. Houve mais um milhão de eleitores que há nove anos, o que deu a vitória ao SIM. Os resultados oficiais neste momento apontam para os 54% para o SIM e 46% para o NÃO. Visto que estas são as freguesias mais pequenas, normalmente do Norte Interior, onde o NÃO tem mais defensores, tudo parece bem encaminhado... Ao menos isso. O dever cívico não prevaleceu, mas ao menos o sentido de voto dá uma mudança civilizacional importante.