domingo, fevereiro 25, 2007

Favoritos e Preferidos - Melhor Actriz Principal

Aqui não há dúvida, Helen Mirren brilhante como rainha Isabel em The Queen leva o Oscar para casa, ganhou tudo o que havia para ganhar este ano e eu concordo plenamente.

Favoritos e Preferidos - Melhor Actor Secundário

O prémio aqui deve recaír de novo sobre Dreamgirls, desta vez para Eddie Murphy, que levou já para casa o Globo de Ouro e o Screen Actors Guild Award. Pessoalmente votaria em Jackie Earle Haley que tem um desempenho de cortar a respiração como um pedófilo em Little Children.

Favoritos e preferidos - Melhor Actriz Secundária

Este ano das cinco nomeadas o Oscar deve ir para Jennifer Hudson de Dreamgirls, que para além de diversos prémios da crítica levou para casa um Globo de Ouro, um BAFTA (os Óscares ingleses) e o prémio do Screen Actors Guild (sindicato dos actores). Pessoalmente gostaria que fosse para Rinko Kikuchi pelo seu soberbo desempenho como uma surda à procura de amor em Babel.

A noite mais longa...

É hoje, à uma da manhã hora de Portugal começa a 79ª edição dos Óscares, mais uma noite sem dormir. A tensão acumula, prinicipalmente quando se têm favoritos, para saber se este ano a Academia acerta. E foram diversas as vezes em que não acertou. Basta ver que no ano de The Elephant Man de David Lynch, de Tess de Roman Polansky ou de Ranging Bull de Scorsese, o vencedor foi um esquecido Ordinary People de Robert Redford. No ano de Taxi Driver, o vencedor foi Rocky, ou que no ano de Cleopatra venceu Tom Jones, ou que nomes como Alfred Hitchcock nunca venceram nenhum Oscar. Nos últimos anos então a mediocridade tem predominado, filmes como Shakespeare In Love ou Beautiful Mind foram multi-premiados, filmes esses que são, no máximo, interessantes, mas não são de todo os melhores filmes de ano, nem aparecerão em nenhuma História do Cinema. Seja como for, os Oscares são o reflexo de como a indústria se vê a si mesma, e aquilo que ela valoriza ou quer destacar. Ninguem pode negar por exemplo, as questões étnicas por detrás das vitórias de Denzel Washington e Halle Barry nas categorias principais de representação em 2002.
Esta noite celebra-se o cinema, bem ou mal, a mais importante indústria cinematográfica do mundo homenageia hoje os seus, e o mundo escuta...

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Frases que não queres ouvir...

... da tua professora: vem ao quadro.
... da tua mãe: fazes o favor de chegar aqui!
... da rapariga por quem te apaixonaste: gosto de ti mas como amigo.
... da namorada: estou atrasada uns dias...
... da mulher: estão aqui os papeis para assinares.
... do padre: dez pais nossos e dez ave marias!
... do policia: então 1,2 hein?!
... do IRS: auditoria!
... de um funcinário público: primeiro tem que comprar o impresso 14, preenchê-lo, trazer as fotocopias que lhe disse e voltar para aqui...
... do filho: aconteceu uma coisa ao carro...
... do juiz: culpado!
... do locutor de rádio: trânsito lento...
... do parceiro de acrobacia: ups!
... do médico: sinto muito...

Mas acima de tudo NÃO QUERES OUVIR do teu mecânico: sabe, aquele carro que veio para a inspecção e que fazia uns barulhinhos, afinal vai ter que levar uma embraiagem nova e o preço total do arranjo vai ser igual ao rendimento que tem disponivel para o mês inteiro!!!!

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Peça!


O trabalho na peça de fim de ano começou ontem. O Bruno tinha esquematizado uma série de exercícicos sensoriais e conforme os realizávamos ele ia escolhendo pessoas. A seguir, com o trabalho desses exercicios (e algum outro em certos casos), montou pequenos quadros com os alunos, ao som de música. Não necessáriamente quadros narrativos, ou cenas, mas quadros emotivos, estéticos, bases de trabalho, numa peça que se quer multidisciplinar. A melhor comparação que arranjo é com o último trabalho do Meridional, mosaicos de gente e não histórias - pondo obviamente de lado todo o mérito técnico e artístico da peça Por Detrás dos Montes, com a qual o nosso pequeno bando amador não pode nem deve nunca ser comparado.
Ainda não tenho a certeza do rumo final que tudo isto vai tomar, até porque com as faltas cíclicas de alguns colegas é complicado perceber quem fica e quem sai, mas ontem foi dado o primeiro passo, a ver vamos como corre.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Scoop

Há daqueles realizadores que pela obra que já deixaram são já considerados mestres no seu ofício. Woody Allen é um deles. E se filmes como Small Time Crooks ou The Curse of The Jade Scorpion não são marcos de referência, o seu último título Match Point foi um dos grandes filmes do ano passado.

Scoop é o regresso do realizador à light-comedy, sem grandes pretensões nem grandes mensagens, apenas um piscar de olho aqui e ali ao espectador mais atento, e hora e meia de boa disposição. Nada de mal com este intuito, não fosse o exagero dos personagens. A estupidez bimba do personagem de Woody Allen que não larga o seu baralho de cartas e truques baratos, a falta de gosto atabalhoada de Scarlett Johansson, com a sua estudante de jornalismo eléctrica, e o vazio absoluto do personagem de Hugh Jackman que sorri, mostra o corpo e pouco mais.
Scoop é um filme pobrezinho, a trama é linear, os personagens irritantes, a comédia batida, salvando-se os 30 segundos de Johansson em fato de banho, para os fãs mais acérrimos da actriz. Woody Allen falha por completo, não vale a pena o tempo nem o dinheiro gasto. O melhor, para os mais curiosos, é esperar pelo DVD.

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Contigo

Quatro dias... quatro dias apenas está João Paulo Santos no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém e hoje, terça-feira de Carnaval, às 16 horas é a sua última actuação. Mastro chinês... novo circo, dança, performance, não sei como definir os 40 minutos de pura magia a que tive o privilégio de assistir. Um mastro, uma cadeira, um lenço, uma pedra, um homem, cinco elementos em confronto, a levar ao extremo os limites do corpo, do físico, da Fisica, da dança. A plasticidade do corpo, em dança com os elementos, consigo mesmo, com o seu esforço e a sua leveza, a sua harmonia. Contigo é um espectáculo multi-disciplinar, que vai além da perfeição técnica, que tem uma componente artisitica, plástica, expressiva profunda. João Paulo Santos foi convidado pelo Cirque de Soleil e recusou para prosseguir uma via menos restritiva. Por este espectáculo segue no bom caminho, apetece acompanhá-lo por onde for...


Contigo

CCB- O Espaço do Tempo; O Último Momento; SACD Compositeurs Dramatiques; Festival D'Avignon

Concepção e Direcção Artística: Rui Horta; João Paulo Santos
Coreografia: Rui Horta
Interpretação: João Paulo Santos
Figurinos Pedro Pereira dos Santos
Música Tiago Cerqueira, Vitor Joaquim
Desenho de Luz: Rui Horta
17 a 20 de Fevereiro
dias 17 e 19 - 21h; dias 18 e 20 - 16h
Preço: 15€

Centro Cultural de Belém
Praça do Império
1449 - 003 Lisboa
Telefone: 21 361 24 00
Fax: 21 361 25 00
www.ccb.pt

Música da Semana

Desde 2002 que os Coldfinger não lançam nenhum album,e com o início da carreira a solo da sua vocalista Margarida Pinto, é possivel que o não façam brevemente.
Em 2000 lançaram Lefthand, uma belissima colecção de canções, maioritáriamente em inglês. Não sei definir a sonoridade, indie, electrónica, li algures trip-hop, mas a verdade é que Margarida Pinto me toca quer a solo quer na banda que a lançou. Aqui fica um pequeno sopro, The Tree And the Bird, cuja letra simples sobre amor e perda, muito me tocou... É por vezes dificil perceber o nosso papel numa relação e admitir que entre um pássaro e uma árvore o amor torna-se... impossivel.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Little Children

Numa comunidade suburbana o Verão decorre pacatamente. Na vida de cada pessoa um desepero calado insinua-se, até que a busca de uma saída, de uma alternativa, de felicidade faz explodir a rotina do dia-a-dia.

Todd Field não tem um grande passado como realizador, mas pode-se dizer que das poucas vezes que tenta acerta. O seu último filme, o multi-premiado In the Bedroom, era um drama tenso que foi talvez ofuscado pelo genial La Stanza del Figlio, que abordava temáticas similares. Cinco anos volvidos chega-nos este Little Children, um mosaico de dor e esperança, de humor e lágrimas, que segue uma mão cheia de personagens que lutam para sobreviver ao isolamento emocional que governa as suas vidas. E nesse ponto é brilhante, com uma construção lenta, pontuada, vamo-nos embrenhando na vida destas pessoas e descobrindo as linhas com que tecem as suas vidas e relações.
Temos realizador, mas temos também argumento, cada personagem é densa, definida, física, palpável, e surpreendente. Surpreendente nas suas revelações, mas também no rumo que tomam, escolhem e que ultimamente as define.
Se temos personagens, felizmente temos actores... e que actores, Kate Winslet recebe a sua quinta nomeação para o Oscar (a mais jovem actriz a conseguir este feito), Patrick Wilson prossegue uma escolha de projectos muito interessante (vide Hard Candy) e Jackie Earle Haley tem um papel de uma força, uma contenção, um desepero inacreditáveis.
Pecados Intimos (o título em português) está nomeado para 3 Oscares, não vai ganhar nenhum e merecia estar nomeado para muitos mais.

Um filme a ver, saborear, deixar que nos leve, nos toque e fique connosco por muito tempo...

Cuidado vilões!


Eu hoje vi um superheroi a entrar no Público... tinha capa e tudo e metia os pés para dentro...

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Mas então?

Por causa da peça de fim de ano do Chapitô pus-me a lêr o Drácula de Bram Stoker. Conhecia bem o imaginário, tinha visto diversos filmes, desde o Nosferatu do Murnau ao Drácula de Bram Stoker do Coppola, mas nunca tinha lido o livro. Nestas coisas não há como ir à fonte.

Eu sei que o nível das coisas que tenho tido a sorte de ler tem sido bastante bom, e que portanto o livro tinha que valer qualquer coisa para se equiparar a Mário de Carvalho, Steinbeck, Cardoso Pires ou mesmo às fabulosas peças de Edward Albee ou Martin McDonagh, mas a obra de Stoker tornou-se quase mitológica, sobreviveu à passagem do tempo e reproduziu-se através do imaginário colectivo.

Desilusão... GRANDE! Narrativa linear, personagens estanques, todo o fascínio que tenho pela história (o encanto do vampiro, o poder, o amor eterno, o tormento, a pulsão sexual) são prácticamente inexistentes, Drácula é um monstro e apenas isso, nem sequer é especialmente inteligente apesar dos séculos de existência, não se percebe porque é que faz o que faz, porque é que escolheu Londres ou aquelas pessoas, e está de tal maneira limitado que nem sequer é grande adversário (não se pode mover sobre água? um ramo de roseira brava impede-o de sair do caixão? tem medo de hóstia? mas que raio?). É triste descobrir, mas a verdade é que o mito de Drácula foi construído depois de Bram Stoker, por milhares de histórias de vampiros, por livros, por jogos, por peças, por filmes que expandiram e aprofundaram a lenda.
É daqueles casos para dizer gostaste do livro? Vê antes o filme!

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Na tua cara


"A lua banhava as pedras soltas da calçada com uma luz azul fria. Nada mexia nas sombras da rua, nos recantos escondidos onde alma alguma se aventurava. A ruína crescia como um punho fechado em torno do pico escarpado de uma montanha perdida numa cordilheira distante. Apenas o som do vento se aventurava a rumar àquelas paragens, fazendo um concerto surdo ao qual se sobrepunha o leve rumorejar das folhas secas. Em baixo da enorme escadaria que contornava aquilo que foi em tempos um imponente castelo, uma sombra contorceu-se. Uma mão espalmada como uma estrela de cinco pontas ficou visível ao luar. Catarina levantou-se a custo. O corpo coberto de chagas, as roupas esfarrapadas, o cabelo revolto, restos de sangue seco espalhados pela cara como se de uma pintura tribal se tratasse. Pé ante pé ela foi subindo, o rosto num esgar, um misto de dor e raiva, numa mão tinha presa uma adaga, e Catarina agarrava-se a ela como se disso dependesse a sua vida. Não parava, nem pelo cansaço, nem pela dor, nem pela luz que lhe destapava as sombras, sabia estar sozinha, sabia o que tinha que fazer. No topo daquele lugar maldito estava uma mesa de mármore, um imponente altar que se mantinha orgulhoso no meio dos escombros. Deitado nele, perdido no seu sono, um homem com uma armadura gasta e uma capa rasgada pelo tempo e pela espada, repousava. Apesar do aspecto cansado, das roupas gastas, adivinhava-se nele uma nobreza, um certo ar etéreo, uma beleza fascinante que sobrevivia ao tempo e à fadiga. Era um homem duro, mas ainda assim angelical. Catarina aproximou-se e parou por um momento a observá-lo. Num movimento brusco e com o rosto inexpressivo cortou-lhe a garganta. Ele abriu os olhos com a dor e olhou-a incrédulo, como se visse alguém para alem da tumba. Catarina fitou-o quieta enquanto ele morria. Deixou cair a adaga e com o último suspiro do moribundo afastou-se olhando o mundo à sua volta. Até onde a vista alcançava estendiam-se picos escarpados de montanhas, um sem fim de cinzento sem vida, de rocha aguçada e perpétuos abismos. Catarina caiu no chão desamparada, como se o peso de uma vida se abatesse de súbito sobre ela. Agarrando os joelhos chorou convulsivamente. A sua vingança estava consumada, aquele homem estava morto, aquele homem que a abandonou aos bichos, que a deixou inanimada, cortada, ferida, que a tentou destruir, aquele homem não existia mais. E com ele desaparecia o único amor da sua vida, a quem dedicara mais que corpo, mais que alma, esperança e futuro. A única coisa que lhe restava era aquele abismo escarpado, aquele mundo de pedra vazia e nada mais."

Há duas semanas tivemos um exercício em que, no final da aula, ao som de música, tinhamos que olhar para os colegas, escolher um e a partir dele criar um personagem. Fechar os olhos, e desenhar uma pequena narrativa com esse personagem (e não com o colega). Ontem foi feito o trabalho sobre essa historia. Uma cópia entregue ao Bruno (quiçá se não servirão de base para a peça final) e depois trabalho sensorial. Recriação física do espaço e do personagem, para culminar numa improvisação, guiada pelo Bruno, em que tivemos que integrar outros colegas no nosso espaço, no nosso mundo, sem nunca o impormos, interagir, adaptar, reagir, contracenar no fundo, sem sermos autistas, sem nos virarmos para nós próprios, e estando sempre atentos ao outro, sem nunca perdermos o nosso próprio personagem...

Sem dúvida que prefiro as aulas de quarta feira, apesar de, pelo tamanho da turma, nunca se conseguir fazer um exercicio muito longo, para dar tempo a todos.
Pausa nas aulas para o Carnaval e daqui a sete dias há mais...

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Emoções

Sábado fui ver a anunciada última performance do Lisboa Ballet Contemporâneo, que vai fechar as portas devido a falta de fundos para manter uma produção constante, remetendo-se apenas para reposições do reportório. Após o Ballet Gulbenkian é mais um, tristemente que fecha as portas, empobrecendo o panorama cultural do país.

O espectáculo insere-se no ciclo Canto e Dança que dura até 24 de fevereiro e é uma coreografia de Benvindo Fonseca. Callas é um espectáculo de homenagem a Maria Callas, uma mistura de som, imagem, música e dança que me deixou, uma vez mais, de alma cheia.

Eu não sou um entendido em dança. O meu passado familiar, cultural, profissional e até de formação está ligado ao cinema e ao teatro. É por isso para mim estranho que, últimamente, de cada vez que olho para um palco nacional, me sinta mais emocionado, mais embrenhado, apaixonado, enebriado até pela dança do que pelo teatro. O que é incrivel é que o teatro tem, em princípio, mais armas que a dança para nos prender. Tem a palavra, narrativa, o drama, os personagens, pode-nos comover com o texto ou com a situação representada, enquanto que a dança depende apenas dos corpos e da música. E no entanto, eis que me vejo de olhos em lágrimas no Teatro Camões, e a bocejar noutras paragens. Não em todas claro, fiquei deslumbrado no Meridional, mas uma vez mais a linguagem era mais abstracta, mais perto do bailado que do teatro em si.
É estranho que aconteça, acho até preocupante que o teatro em Portugal esteja tão nu, tão vazio de ideias, de capacidade, de emoções.
Mas eu, hei-de continuar apaixonadamente a frequentar as salas de espectáculo,à espera de mais uma peça, mais uma noite que viva para sempre gravada na memória.

14 de Fevereiro



A todas as pessoas que dão afecto às horas certas, que fazem birra por não ter prenda, que confundem jantar com amar, que sorriem plasticamente e fingem ainda sentir alguma coisa, que vão na manada consumista como carneiros a caminho do pasto, que são cegos e surdos em relação a quem está ao vosso lado 364 dias por ano, que sacodem a poeira dos fatos como quem reanima uma vida, que se arranjam, vestem, pintam, mascaram sem sentido a toque de corneta... FELIZ DIA DOS NAMORADOS! Aqui fica um coração. Enjoy.