Diz que é uma espécie de ensaio
Por causa da sua turma do Cartaxo, o Bruno não pode estar no nosso ensaio de quarta feira. Ficámos entregues a nós mesmos. Ao saber isto metade do elenco não apareceu, o que é fantástico a 6 dias da estreia. A outra metade deixou-se levar pela galhofa completa, com uma total falta de seriedade e concentração. Alunos entravam no lugar daqueles que tinham faltado com risos e piadas à mistura, em vez de deixar ensaiar apenas quem lá esteve dando as falas dos outros quando necessário. Foi geral e é das coisas que mais me irrita. O pior foi ter deixado que o ambiente me afectasse. Não me concentrei, não fiz mais do que passar pelos quadros mecânicamente, repetindo gestos e deixas como se fosse um autómato. Ainda mais grave, numa dada altura, no final da cena das cerejas, deixei-me envolver e atirei duas ou três piadas em voz baixa, tendo posto em cheque a concentração da pessoa que entrou naquele momento. Fiz aquilo que detesto que aconteça e que detesto que me façam. No final pouco se aproveitou. Ficou a sensação que apenas vamos conseguir apresentar alguma coisa terça-feira porque o Bruno, embora por vezes injustamente, grita e intimida as pessoas durante os ensaios quando elas falham, quando se desconcentram.
Parece que precisamos mesmo de andar debaixo de chicote.





