sexta-feira, junho 01, 2007

Diz que é uma espécie de ensaio

Por causa da sua turma do Cartaxo, o Bruno não pode estar no nosso ensaio de quarta feira. Ficámos entregues a nós mesmos. Ao saber isto metade do elenco não apareceu, o que é fantástico a 6 dias da estreia. A outra metade deixou-se levar pela galhofa completa, com uma total falta de seriedade e concentração. Alunos entravam no lugar daqueles que tinham faltado com risos e piadas à mistura, em vez de deixar ensaiar apenas quem lá esteve dando as falas dos outros quando necessário. Foi geral e é das coisas que mais me irrita. O pior foi ter deixado que o ambiente me afectasse. Não me concentrei, não fiz mais do que passar pelos quadros mecânicamente, repetindo gestos e deixas como se fosse um autómato. Ainda mais grave, numa dada altura, no final da cena das cerejas, deixei-me envolver e atirei duas ou três piadas em voz baixa, tendo posto em cheque a concentração da pessoa que entrou naquele momento. Fiz aquilo que detesto que aconteça e que detesto que me façam. No final pouco se aproveitou. Ficou a sensação que apenas vamos conseguir apresentar alguma coisa terça-feira porque o Bruno, embora por vezes injustamente, grita e intimida as pessoas durante os ensaios quando elas falham, quando se desconcentram.
Parece que precisamos mesmo de andar debaixo de chicote.

quinta-feira, maio 31, 2007

Snow Cake

Só para ver Alan Rickman, com o seu ar muito british e olhar de enfado perante o mundo, já vale a pena comprar bilhete para quase qualquer filme. Se juntarmos Sigourney Weaver e Carrie-Anne Moss numa história de culpa e redenção filmada num tom intimista então a margem de erro é diminuta. Snow Cake é um pequeno filme inglês distribuido pela mesma companhia que produziu Shortbus, e realizado por Marc Evans, que pouco mais tinha feito até ao momento que thrillers de pouco interesse.

Um homem solitário de meia idade viaja de carro pelo Canadá. Aceita dar boleia a uma rapariga extravagante. Os dois têm um acidente de viação e ela morre. Sentindo-se culpado pelo sucedido, ele resolve procurar a mãe da rapariga para lhe dar as condolências e pedir desculpa, apenas para descobrir que esta é autista. Acaba por criar uma relação com ela e com uma vizinha, descobrindo um novo fôlego para a sua vida.

Snow Cake é um filme divertido, terno, não particularmente inteligente ou surpreendente, mas afectivo, emocinal e bastante simples. Vive do trabalho dos seus três actores principais e é estranhamente aí que tem o seu maior defeito. Sigourney Weaver, durante grande parte do filme, parece uma actriz a fazer de autista e não uma autista. Parece estar a esforçar-se demasiado e isso nota-se, criando um ligeiro distanciamento.

Seja como for é uma fita simpática que nos deixa com uma lágrima no canto do olho.

quarta-feira, maio 30, 2007

De rastos


Estamos a 6 dias de apresentar a público o nosso trabalho de fim de curso "Fúria". Segunda-feira fizemos a primeira adaptação ao palco, ao espaço onde a vamos representar. Resultado? Após as normais duas horas de trabalho ficámos outras duas no Chapitô. Cheguei a casa quase às 23h30 da noite, sem jantar, em ensaios desde as 19h. Isto após um dia normal de trabalho. Fiquei absolutamente de rastos. Fisicamente já se esperava, o meu dia foi de 14 horas, e 4 horas de ensaios são o suficiente para deitar abaixo qualquer um. Mas um dos grandes problemas foi o desgaste emocional. Fizemos a peça 3 vezes de uma ponta à outra. Completa. É curta, e o tempo em cena de cada um (somos 28) é reduzido como é óbvio. Mas, em cada momento, em cada acção, procuro ter um envolvimento emocional (por mais disperso que o texto seja), criar uma ligação, estar realmente em cena. É impressionante como isso desgasta uma pessoa. Em qualquer outra aula nunca fizemos mais que um ensaio completo, sendo o resto do tempo passado com exercícios de relaxamento, físicos, EMDR ou o que seja. Desta vez foram 3. A carga psicológica que envolve, mesmo neste nível mais básico, mais simples, é enorme. Confesso que quando ouvia actores a dizer que durante os ensaios ficavam extenuados, alterados, esgotados, nunca percebi bem porquê. Afinal, o trabalho normal de ensaios não é as 8 horas diárias de qualquer trabalhador. Estou a descobrir que não pode. Se fizermos o que é suposto, se encararmos cada ensaio com a entrega devida, não pode. É demasiado para o corpo e para a alma.

terça-feira, maio 29, 2007

Música da Semana

Jorge Palma já cá esteve, mas o regresso de bons cantores é sempre importante. Na semana de 28 de Maio, neste dia que tirei para passear, na verdade não podia ter aqui outra música.

No tempo dos assassinos... Acorda Menina Linda.

Psst... menina... esta é para ti...

segunda-feira, maio 28, 2007

pssst... pssst...

menina...

parabéns...

Carmina Burana

O Castelo de S. Jorge é um espaço sub-aproveitado na cidade de Lisboa. A sua localização e envolvência natural fazem deste um local por excelência para os mais diversos eventos. No sábado passado foi lá levado a palco Carmina Burana de Carl Orff.
O tempo ameaçava, mas a chuva manteve-se longe, sendo o único problema o frio. A entrada do coro, encenada como a entrada de guerreiros medievais deu o tom para toda a noite. Um trabalho de luz interessante, com o castelo como cenário, apoiava visualmente a cantata, que foi sempre acompanhada por um grupo de artistas de novo circo, com uma prestação bastante interessante em termos de dança e, principalmente ginástica. O fogo de artifício na ponte 25 de Abril serviu de distração momentânea da actuação, mas não durou mais de 5 minutos. Musicalmente sem falhas, com um sistema de som impecável espalhado pelo recinto, a música em latim era acompanhada por tradução simultânea em televisores da Samsung, o que possibilitava a compreensão daquilo que era cantado. Especial destaque para a solista, Raquel Alão, com um desempenho e uma voz dignos de registo.
É uma pena que o espectáculo só tenha estado em palco durante um dia. Espero que o castelo seja cada vez mais um local para este tipo de eventos.

sexta-feira, maio 25, 2007

A não perder


É muito bem...

... tão bem, tão bem, tão distinta, tão high-society, que proibiu o filho que está na primária de ir a uma festa de anos de uma colega porque ela "chama-se Sónia, o meu filho não ia a uma festa de alguém chamado... Sónia".
Tão bem, tão bem, tão distinta que não deixa o filho ser amigo de um miudo amoroso, porque o miudo é mulato.
Tão bem, tão bem, que disse à educadora para por o filho numa turma "onde haja muita gente com apelidos de qualquer coisa ou e qualquer coisa".
Tão bem, tão bem, que devia levar com uma lambada nas trombas.
Agora digam-me que esta mulher deve ter a custódia do filho...

ah pois é!

"Eh pá, eu já lhes disse, deviam fazer só numa cor, assim não havia duas!"

Baixa, 9 da manhã

quinta-feira, maio 24, 2007

E chove?

Hoje começa a chuva. Até Domingo não se pode esperar outra coisa senão gotas irritantes de água por todo o lado, sendo que o apogeu está previsto para amanhã. Daqui só se pode tirar uma conclusão. Deus não gosta de ler. Pois que se resolve brindar a abertura da Feira do Livro com esta recepção, só pode ter algum problema grave com a leitura. Ou isso ou não gosta de livros a preço de desconto. Outra hipótese é que se irrite com a estreia da terceira instalação dos Piratas das Caraíbas, mas não percebo bem porquê. Se ele não quiser não veja. A não ser que... a não ser que esta história de ser omnipresente o obrigue a ver. Deve ser isso, Deus é obrigado a ver e não quer.
Será que o verdadeiro motivo é por saber que as carreiras na função pública ficaram congeladas durante (ainda) mais tempo, até 2009? Ou é reacção à candidatura de Carmona Rodrigues à CML (sete candidatos de uma só vez, grande pândega!)?
Uma coisa é certa, Deus não está feliz. Agora percebo quando Telmo Correia disse à TSF que queria que o PP aumentasse após as eleições que em número de vereadores quer em devotos (ele pode ter dito de votos, a dúvida mantém-se). Mais devotos sempre dão uma ajudinha a fazer lobby lá em cima...

quarta-feira, maio 23, 2007

Zodiac

Nos anos 70 um assassino que se auto-intitulava Zodiac, cometeu 4 homicídios e disse ser responsável por muitos mais. Numa época em que os serial-killer abundavam, tornados quase moda pelos media (vide Ted Bundy, Charles Mason, Dave Berkowitz aka Son of Sam), o que o Zodiac teve de especial foi a manipulação que fez dessa comunicação social, com séries de diversas cartas e códigos enviados a jornais, e o facto de nunca ter sido apanhado.

David Fincher realiza este filme baseado num livro escrito por um cartoonista que investigou o caso. Zodiac não é um filme sobre um homicida, é um filme sobre a obsessão em torno desse homicida. Este é um dos três temas centrais que atravessão a obra de Fincher, obsessão, familia, e a ameaça que se esconde nas sombras, pronta para nos apanhar. Desde Alien3, passando por Se7en, O Jogo, Clube de Combate e Sala de Pânico, todas as fitas crescem em torno destes pilares. Zodiac não escapa à linha do realizador, que para além de mais é um habilidoso story-teller, perito na arte de criar tensão, na utilização do que não se vê, da sombra, do som, numa atmosfera de medo, mesmo quando a ameaça não é evidente. O Mal, no entanto, aqui vai além de uma ameça externa, o Mal consome quem com ele se cruza, destruindo vidas, familias, até a própria sanidade. A obsessão de que falava é algo que destroi os personagens por dentro. Uma vez mais é um regresso a uma temática recorrente em Fincher, a ameaça que vem de nós mesmos foi amplamente explorada em Alien3, Se7en, O Jogo e, expoente máximo, Clube de Combate.

Zodiac não é o melhor filme de Fincher, mas é mais um passo na confirmação de um autor, que ainda não voltou a atingir os niveis de Se7en, mas que se afirma cada vez mais como alguém a ser seguido com muita atenção.

terça-feira, maio 22, 2007

Melhor?

Ontem no final da aula o Bruno fez algumas criticas e correcções a determinados aspectos do exercicio que vamos apresentar daqui a duas semanas. Quando acabou, sem ter dito nada acerca de um quadro específico, um colega meu perguntou se nesse momento já estavamos bem. Respondeu o Bruno: er... estão melhores.
Acho que, na verdade, é aquilo a que podemos aspirar. Estar melhor do que no dia anterior, creio que ninguem tem grandes ilusões quanto ao que vai ser visto, mas se de dia para dia conseguirmos melhorar, então a apresentação final já tem algum mérito.

Música da Semana

Se filho de peixe sabe nadar, então a filha de Elis Regina só podia ser uma grande cantora. Maria Rita estreou-se com um album homónimo em 2003. Voz clara, melodia que fica no ouvido e estilo dançante, foi uma estreia prometedora de uma das novas caras da música brasileira.
Aqui fica, Cara Valente.

segunda-feira, maio 21, 2007

SG Live!

Ontem foi o último da série de cinco espectáculos que Sérgio Godinho fez no Maria Matos, na apresentação do seu último trabalho Ligação Directa. Fantástico! Um misto perfeito de novos temas e revisitas a velhos clássicos, com uma energia, uma força, um encadeamento incrivel. Luz, cor, som, tudo funciona na perfeição, como um relógio, mas com uma fluidez criativa imparável. Quanto mais o tempo passa, mais ele refina. Uma grande actuação aplaudida em pé durante imenso tempo, de onde saí cansado, suado, feliz e gingão... com um brilhozinho nos olhos...

sexta-feira, maio 18, 2007

Breach

Em 2001 foi preso o agente do FBI Robert Hanssen, acusado de vender segredos de Estado aos soviéticos ao longo de mais de 20 anos, sendo o responsável pela maior quebra de segurança da História dos EUA. Pouco mais foi que uma punição, visto que estava a poucos dias de se retirar, e incapaz de continuar a vender seja o que for. No entanto, devido à extensão enorme dos danos que causou, esta foi uma prisão de extrema importância.
Quebra de Confiança é o filme que conta os dois meses que precederam a detenção. Realizado por Billy Ray, que tinha anteriormente feito Shattered Glass e escrito o thriller com Jodie Foster Flightplan - Pânico a Bordo.
Curiosamente não é o típico thriller, não se baseia em conspirações, tiroteios, nem grandes cenas de acção, é antes um estudo sobre a relação que se cria entre um jovem iniciado no FBI, que tem como missão servir e espiar Hanssen e esse agente, um homem maduro, muito inteligente, profundamente religioso, controlador, mas ao mesmo tempo perturbado. A presa acaba por fascinar o seu caçador, sem saber que está a ser caçada. É um filme de actores, sem grandes vedetas. Chris Cooper, conhecido por papeis secundários (venceu o Óscar nessa categoria em 2003 por Adaptation) faz um Hanssen tenso, mas carregado de nuances, de entoações, de pequenas subtilezas. Já Ryan Phillippe, sempre com a carinha bonita de rapazote, aguenta-se bem, sem brilhar, como tem feito habitualmente.

Hábil, bem filmado, inteligente, merece a visita por quem seja fã do género.