terça-feira, junho 12, 2007

Música da Semana

Esta semana a música vem de um dos grandes icones da musica mundial, David Bowie, que ao longo de mais de 40 anos se tem constantemente reiventando. Não o conheço bem, mas tenho tido uma crescente curiosidade. Esta é a primeira música de uma sessão dupla que termina na semana que vem.
Do seu quarto album, Hunky Dory aqui fica Life on Mars.

segunda-feira, junho 11, 2007

Virei eu a ser... hipócrita?

... hoje à noite talvez descubra...

10 Items or Less

Brad Silberling não é um realizador memorável (Lemony Snocket's Series Of Unfortunate Events; City of Angels) nem conhecido por pequenos projectos pessoais e independentes. É portanto inesperado este Máximo Dez Unidades, escrito e realizado por Silberling, mas transformado num projecto pessoal pelo seu actor principal e produtor executivo Morgan Freeman.
Um actor que não trabalha há quatro anos pondera fazer um pequeno filme independente. Como pesquisa para o seu papel vai para um supermercado nos arrabaldes hispânicos, pobres, de Los Angeles. É aí que encontra uma empregada que opera na caixa de 10 unidades máximo. Atraente, enérgica, inteligente, é ela que toma conta do mercado, perante a perguiça do sua colega que dorme com o gerente. Ela acha que a sua vida não passará daquilo, ele procura nova inspiração e força. Ela mostra-lhe o seu mundo, ele encoraja-a a atingir novas metas, num dia único.
O filme é bastante inteligente. Tocante e carregado de sentido de humor, Morgan Freeman e Paz Vega carregam o filme às costas, mas com uma leveza, uma simplicidade, um à-vontade que faz com que representar pareça fácil.
Não é uma obra-de-arte, não é um filme memorável, mas é uma fita que condensa muito do que de bom se faz em cinema. Um feel-good movie, mas com coração e com cabeça.

(em baixo em vez de um trailer estão 10 razões para fazer o download do filme, ehehe)

sexta-feira, junho 08, 2007

A ressaca...


As luzes apagaram-se, o público saíu e hoje ninguém me espera do lado de lá da cortina. Já foi? Já aconteceu? Já... foi e passou. O que me fica gravado na memória desta semana é aquele espaço. O medo da estreia, o escuro antes de entrada, o cheiro das pessoas, os sons, os abraços fortes e sentidos, os beijos e brincadeiras, o risco nos olhos, o batom vermelho, a base, os aplausos, aquela primeira entrada em cena, o esforço do trecho da Callas e as cerejas. As críticas foram duras mas justas, o apoio foi imenso, o carinho autêntico. Foi um marco, existe um antes e um depois do palco. Agora sobra a ressaca... Acordei para um sorriso um pouco mais triste, uma pequena nostalgia. Todos ganharam um espaço gravado em mim, cada um dos alunos/actores que me acompanharam nesta pequena epopeia imperfeita, o Bruno claro, que nos guiou durante este ano e construiu o espectáculo de raiz, todos são a fonte de um momento inesquecível.


O bicho de palco mordeu-me... agora resta descobrir o que me reserva o amanhã.

quinta-feira, junho 07, 2007

Eu tenho um pozinho secreto para pôr na cara com dedicatória que me dá poderes mágicos...

Bigados miga...

quarta-feira, junho 06, 2007

Vida depois da estreia


Uma gota de suor caiu ruidosamente no palco. Percebi a minha própria respiração pesada. À minha volta uma sala lotada - quantos são? 100, 120, 140? - pela primeira vez vejo que está ali gente, a meio passo de mim. Um segundo apenas. Volto para a peça - já falta pouco - tudo passa vertiginosamente. Por detrás da cortina sente-se o nervo. Cada pessoa que regressa exibe em si a felicidade e o orgulho de ter estado, peito aberto, debaixo das luzes. Sorrisos nervosos? Agora já não, agora não há mais nervo, apenas tensão, apenas atenção - é a tua deixa, a tempo, pela primeira vez a tempo - corpo, gesto, palavra. Fade. A luz apaga-se. Meio segundo de silêncio. Depois como uma onda, um enorme surto de aplauso atravessa o público. De pé, aplauso, grito, assobio. Acabou. - Já? Sim, já - Agradecimentos, volta de honra. Todo o meu corpo está alerta, suado, escorria. - Já acabou?

Passo fora, saio de cena. Um grito de alegria irrompe das gargantas. Beijos, abraços, felizes. Já foi? Já aconteceu? Já. Foi só uma apresentação? Foi um baptismo. Foi perfeito? Não. Sim. Não. Longe disso. Muito mais que isso. - mais? - Foi uma nova pele.

Hoje e amanhã, às 22h no Chapitô. Ainda há vida depois da estreia.

terça-feira, junho 05, 2007

O Santo Sacrifício do Teatro


Para quem quiser ir hoje à noite ou nos próximos dois dias, aqui ficam os dez mandamentos que o saudoso Mário Viegas nos deixou. Um beijinhos de agradecimento para a Mary Lamb que mos relembrou recentemente.


10 Mandamentos para 1 espectador de Teatro

1 - NÃO CHEGARÁS ATRASADO, incomodando a concentração daqueles que estão a representar e dos outros (que chegaram religiosamente a horas) que estão a assistir ao Santo Sacrifício do Teatro.

2 – NÃO FALARÁS BAIXINHO com o ou a acompanhante, incomodando com a tua inclinação de cabeça o Espectador de trás, e distraindo os actores celebrantes do Santo Sacrifício do Teatro.

3 – NÃO ADORMECERÁS NEM RESSONARÁS, dando marradas para a frente ou para trás, ou pondo a mão nos olhos para os outros pensarem que estás muito concentrado no Santo Sacrifício do Teatro.

4 – NÃO TOSSIRÁS NEM TE ASSOARÁS com grande ruído, escolhendo as melhores pausas dos celebrantes do Santo Sacrifício do Teatro.

5 – NÃO TE ABANARÁS constantemente com o programa, distraindo os que estão, religiosamente ao teu lado, e irritando os que estão no palco a celebrar o Santo Sacrifício do Teatro.

6 – NÃO COMERÁS rebuçados, pipocas, caramelos, chocolates, pastilhas, comprimidos, tirando-os muito devagarinho, fazendo com o papel e as pratinhas o mais diabólico, satânico e herético ruído numa sala de espectáculos em que se celebra o Santo Sacrifício do Teatro.

7 – NÃO LEVARÁS relógios com pipis electrónicos, telemóveis e sacos de plástico que andarás constantemente a pôr, ora entre as pernas, ora ao colo, perturbando os que celebram o Santo Sacrifício do Teatro.

8 – NÃO LERÁS OU FOLHEARÁS o programa durante a celebração do Santo Sacrifício do Teatro pata tentar saber qual é o nome de determinado actor, ou para tentar perceber a sequência do Santo Sacrifício do Teatro.

9 – NÃO PEDIRÁS borlas ou insistirás em descontos a que não tens direito para assistir à celebração do Santo Sacrifício do Teatro.

10 – NÃO OLHARÁS "com umas grandes ventas" para o vizinho do lado, que achou religiosamente Graça ao que tu não achaste, ou que, piamente cheio de Fé, se levantou logo para aplaudir enquanto tu bates palmas por frete e já a pensar ir a correr para tirar a porcaria do teu carrinho, ou a porcaria do teu sobretudo do bengaleiro, mais cedo do que os outros.

ASSIM SUBIRÁS PURO AOS CÉUS OU ASSIM PODERÁS IR A 13 DE MAIO À COVA DA IRIA OU ASSIM PODERÁS IR E COMUNGAR NO CASAMENTO REAL de Sua Magestade Sereníssima Dom Duarte Pio João Miguel Gabriel Rafael de Bragança, Chefe da Sereníssima Casa de Bragança, Duque de Bragança, de Guimarães e de Barcelos, Marquês de Vila Viçosa, Conde de Arraiolos, de Ourém, de Barcelos, de Faria, de Neiva e de Guimarães, e de Sua Augusta Noiva Isabel Inês de Castro Corvello de Herédia.

IDE E ESPALHAI A BOA NOVA !!

Abraão Viegas

Música da estreia


É apenas uma apresentação de fim de curso. São apenas 45 minutos, entrada à borla, entre familia e amigos de uns e outros, entre pares e abraços. É apenas um pequeno ponto sem grande consequência, mas carregado de sabor. É hoje, às 22h. Na pequena tenda do Chapitô vou provar pela primeira vez o "pó do palco". Hoje não e a estreia da "Fúria" do Bruno Schiappa, hoje é a minha estreia. Pequena, falhada, imperfeita. Mas estou lá, sem escudo, nem armadura, nem pano, nem distância que me separe do público.
Nervoso? Sempre, uma pilha. Acordei com dores, tonto, indisposto. Tremo, ainda agora, apesar de faltarem quase 12 horas.
Hoje, esta semana, não podia ter outra música que não fosse um dos pontos finais da peça. The Doors, que acompanha a representação de uma ponta a outra, The Crystal Ship.
É apenas uma apresentação de fim de ano... não paro de repetir em surdina...
Hoje, amanhã e depois lá estarei, à hora certa, a dar o melhor e o pior de mim.

segunda-feira, junho 04, 2007

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nervoso?

Spider-Man 3

Lá teve que ser. Na verdade a curiosidade não me deixa resistir à grande maioria dos filmes high-profile, e no caso do trio de trilogias Homem-Aranha 3, Piratas das Caraíbas 3 e Shrek 3 o mais provável é que acabe por vê-los a todos. Esta última instalação de um dos franchises mais rentáveis da história do cinema (este título fez até à altura 844 milhões de dólares mundialmente tendo a trilogia rendido só no cinema mais de 2500 milhões de dólares) vinha com o selo de fracasso, a crítica em geral e as poucas pessoas que conheço que foram ver não me deixaram com uma impressão demasiado elogiosa. As minhas expectativas eram por isso baixas.

Desta vez o heroi aracnídeo começa o filme com a vida a correr bem. A relação com a namorada está no auge, é amado pelo povo, o emprego é regular e a faculdade vai de vento em popa. As coisas, óbviamente não se vão manter assim por muito tempo. Como é o terceiro filme da série porque não lutar contra 3 vilões ao mesmo tempo? O duende verde regressa, aparece o homem de areia e ainda uma estranha criatura que se transforma no fato negro do homem aranha, e que faz realçar o seu "lado negro".
A principal crítica que ouvi ao filme é que tenta demasido ser demasiadas coisas. Ele é os problemas com a namorada, as questões com o amigo Harry Osbourne, o emprego, a concorrência do novo fotógrafo, o fato, o lado negro, o duende e o "areias", a miuda nova e ainda a renda para pagar. É verdade, o filme tem demasiados aspectos e falha em desenvolver muitos deles. No entanto, a linha principal é uma linha moral e emocional. O filme fala de escolhas, da dualidade em cada um de nós (que se estende aos diversos vilões) e das relações pessoais, ou seja o foco é o trio Parker-Osbourne-Watson (heroi-amigo-namorada). Acaba por ser interessante nesse aspecto e relativamente bem conseguido.
O destaque vai para os efeitos-especiais. O Sandman principalmente é absolutamente incrivel (Thomas Haden Church em forma) especialmente na primeira cena em que ele começa a dominar o seu poder.

No fim de contas é um capítulo válido para a série. Quanto a mim, no meio do drama, da comédia e da acção, acabou por ser o filme que mais me divertiu dos três (achei o Homem-Aranha 2 uma estopada).
Sem grandes pretensões e um ou outro buraco no argumento é um filme-pipoca propício a esta silly-season que agora começa.

sexta-feira, junho 01, 2007

Diz que é uma espécie de ensaio

Por causa da sua turma do Cartaxo, o Bruno não pode estar no nosso ensaio de quarta feira. Ficámos entregues a nós mesmos. Ao saber isto metade do elenco não apareceu, o que é fantástico a 6 dias da estreia. A outra metade deixou-se levar pela galhofa completa, com uma total falta de seriedade e concentração. Alunos entravam no lugar daqueles que tinham faltado com risos e piadas à mistura, em vez de deixar ensaiar apenas quem lá esteve dando as falas dos outros quando necessário. Foi geral e é das coisas que mais me irrita. O pior foi ter deixado que o ambiente me afectasse. Não me concentrei, não fiz mais do que passar pelos quadros mecânicamente, repetindo gestos e deixas como se fosse um autómato. Ainda mais grave, numa dada altura, no final da cena das cerejas, deixei-me envolver e atirei duas ou três piadas em voz baixa, tendo posto em cheque a concentração da pessoa que entrou naquele momento. Fiz aquilo que detesto que aconteça e que detesto que me façam. No final pouco se aproveitou. Ficou a sensação que apenas vamos conseguir apresentar alguma coisa terça-feira porque o Bruno, embora por vezes injustamente, grita e intimida as pessoas durante os ensaios quando elas falham, quando se desconcentram.
Parece que precisamos mesmo de andar debaixo de chicote.

quinta-feira, maio 31, 2007

Snow Cake

Só para ver Alan Rickman, com o seu ar muito british e olhar de enfado perante o mundo, já vale a pena comprar bilhete para quase qualquer filme. Se juntarmos Sigourney Weaver e Carrie-Anne Moss numa história de culpa e redenção filmada num tom intimista então a margem de erro é diminuta. Snow Cake é um pequeno filme inglês distribuido pela mesma companhia que produziu Shortbus, e realizado por Marc Evans, que pouco mais tinha feito até ao momento que thrillers de pouco interesse.

Um homem solitário de meia idade viaja de carro pelo Canadá. Aceita dar boleia a uma rapariga extravagante. Os dois têm um acidente de viação e ela morre. Sentindo-se culpado pelo sucedido, ele resolve procurar a mãe da rapariga para lhe dar as condolências e pedir desculpa, apenas para descobrir que esta é autista. Acaba por criar uma relação com ela e com uma vizinha, descobrindo um novo fôlego para a sua vida.

Snow Cake é um filme divertido, terno, não particularmente inteligente ou surpreendente, mas afectivo, emocinal e bastante simples. Vive do trabalho dos seus três actores principais e é estranhamente aí que tem o seu maior defeito. Sigourney Weaver, durante grande parte do filme, parece uma actriz a fazer de autista e não uma autista. Parece estar a esforçar-se demasiado e isso nota-se, criando um ligeiro distanciamento.

Seja como for é uma fita simpática que nos deixa com uma lágrima no canto do olho.

quarta-feira, maio 30, 2007

De rastos


Estamos a 6 dias de apresentar a público o nosso trabalho de fim de curso "Fúria". Segunda-feira fizemos a primeira adaptação ao palco, ao espaço onde a vamos representar. Resultado? Após as normais duas horas de trabalho ficámos outras duas no Chapitô. Cheguei a casa quase às 23h30 da noite, sem jantar, em ensaios desde as 19h. Isto após um dia normal de trabalho. Fiquei absolutamente de rastos. Fisicamente já se esperava, o meu dia foi de 14 horas, e 4 horas de ensaios são o suficiente para deitar abaixo qualquer um. Mas um dos grandes problemas foi o desgaste emocional. Fizemos a peça 3 vezes de uma ponta à outra. Completa. É curta, e o tempo em cena de cada um (somos 28) é reduzido como é óbvio. Mas, em cada momento, em cada acção, procuro ter um envolvimento emocional (por mais disperso que o texto seja), criar uma ligação, estar realmente em cena. É impressionante como isso desgasta uma pessoa. Em qualquer outra aula nunca fizemos mais que um ensaio completo, sendo o resto do tempo passado com exercícios de relaxamento, físicos, EMDR ou o que seja. Desta vez foram 3. A carga psicológica que envolve, mesmo neste nível mais básico, mais simples, é enorme. Confesso que quando ouvia actores a dizer que durante os ensaios ficavam extenuados, alterados, esgotados, nunca percebi bem porquê. Afinal, o trabalho normal de ensaios não é as 8 horas diárias de qualquer trabalhador. Estou a descobrir que não pode. Se fizermos o que é suposto, se encararmos cada ensaio com a entrega devida, não pode. É demasiado para o corpo e para a alma.

terça-feira, maio 29, 2007

Música da Semana

Jorge Palma já cá esteve, mas o regresso de bons cantores é sempre importante. Na semana de 28 de Maio, neste dia que tirei para passear, na verdade não podia ter aqui outra música.

No tempo dos assassinos... Acorda Menina Linda.

Psst... menina... esta é para ti...

segunda-feira, maio 28, 2007

pssst... pssst...

menina...

parabéns...