segunda-feira, junho 25, 2007

A Gaivota

Quando entrei na Cornucópia sexta feira passada para ver A Gaivota de Tchekov, ia com expectativas altas. O texto é considerado uma das quatros maiores peças do famoso escritor russo e a abordagem da Cornucópia foi amplamente elogiada.
Segue a história de um conjunto de pessoas na Rússia no final do século XIX, cada uma descontente, em busca, procurando algo que não tem, desiludida consigo próprio e perseguindo um amor que lhes foge. Medviedenko que ama Masha, que ama Konstantin, que ama Nina, que ama Trigorin que é possuído por Arkadina. Por sua vez Pauline, mulher de Shamrayef, ama Dorn que não ama ninguém.
Três horas e meia de peça não é fácil, principalmente a uma sexta à noite, mas não é por aí que a porca torce o rabo. Na Cornucópia peças maiores foram feitas sem que adviesse mal ao mundo. A encenação era muito boa e a cenografia impecável. O problema é que dos dez personagens principais existiam quatro que sobressaiam, o que deixava sobre os ombros desses actores carregar a peça inteira. Rita Loureiro funciona muito bem como Arkadina, uma actriz de meia idade mas que mantém o ar de uma mulher de 30, com laivos de vedetismo e forretice extrema. O problema vem dos outros três. Ricardo Aibéo, para começar pelo menos mau dos três, é igual a si mesmo. Monocórdico, incapaz da mais pequena emoção (se bem que o personagem não foge muito disto) é um dos responsáveis pela pasmaceira do segundo acto. Rita Durão não sabe fazer senão de Rita Durão. Há uma década que faz de menina, com aquele ar de menina, a cara de menina, a a voz de menina, os gestos de menina e sempre que tenta não ser muito menina lá lhe foge o corpo para a menina. É tão querida, tão ingénua, tão ai jesus, que fica presa a um único registo a peça (e a carreira) inteira. Agora a precisar de algumas aulas de teatro está Duarte Guimarães. Incapaz de carregar com a dimensão do papel que lhe foi atribuido, refugia-se em gritos e esgares, em excessos e cabotinices para aguentar as penosas três horas e trinta minutos.
Contra isto de nada serve o talento de Luis Miguel Cintra, o charme de Lima Barreto ou a graça de Márcia Breia.
A Gaivota é um espectáculo que, graças principalmente a erros de casting, se arrasta e demora. O que é pena, porque tinha todas as condições para ser uma grande peça.

sexta-feira, junho 22, 2007

Shrek The Third

Quando apareceu em 2001, Shrek revolucionou o mundo da animação. Irreverente, louco, inesperado, virou do avesso os contos clássicos com que todos crescemos. Em 2004, Shrek2 tinha perdido a surpresa, mas manteve o espírito audaz e cresceu, ganhou em números e novas personagens que conquistaram um lugar no panteão deste universo hilariante.

Ontem estreou em Portugal a terceira incursão da saga.

Quando o Rei morre, Shrek é o herdeiro do trono, cargo que não deseja. Parte então com os seus amigos do costume em busca de Artur para o substituir. No entanto, o Principe Encantado tem outras ideias.

Shrek o Terceiro é um filme que vive dos dois que o precederam. A reunião com os estranhos seres que nos encantaram é sempre bem-vinda, mas não tem mais do que isso. Um ou dois momentos de humor que merecem a pena, mas na maior parte do tempo é oco, sem chama, sem ideias, sem a irreverência mordaz que é sua imagem de marca. A animação é muito boa, mas hoje em dia esse factor já não impressiona.

Para os fãs... mas uma pequena desilusão...

quinta-feira, junho 21, 2007

Sobre as sete planas feliz, suspensa sob os telhados da capital com um sorriso que te rasga o rosto. Esculpes o ar com o corpo, tensa mas ágil, graciosa na multidão. Os olhos do mundo sobre ti, sem te ver, enquanto a relva se aproxima, o toque no chão que termina a aventura - mais, quero mais. Hoje não, missão cumprida bailarina-trapezista, sorri de volta para casa...

Ai começa hoje o Verão? Pois... sim.. nota-se...

quarta-feira, junho 20, 2007

Pelo canto do olho

Ontem na Sic Noticias juntaram-se pela primeira vez os sete candidatos à Câmara Municipal de Lisboa com possibilidade de eleger um vereador. Caso inédito esta corrida, quando há bem pouco tempo as forças políticas de monta na capital se cifravam em apenas 3.
Tinha companhia para jantar, e não pude acompanhar com toda a atenção o debate, que me pareceu civilizado, se bem que um pouco morno.
Deu para perceber que António Costa é coerente como é seu apanágio, que Negrão pouco tem a perder e tende a esquecer-se que o partido que governou a CML nos últimos seis anos é o seu, que Ruben de Carvalho é inteligente e sem papas na língua, atacando sempre que possivel o seu adversário do PS, que Helena Roseta traz uma abordagem diferente, mais pessoal, humanista se bem que dificilmente exequível, que Carmona Rodrigues está num limbo em que não consegue defender os evidentes erros das administrações de que fez parte (sim ele esteve lá com o Santana lembram-se?) e o buraco financeiro da autarquia, que Telmo Correia esforça-se mas teme nem sequer ser eleito para vereador e que José Sá Fernandes é mais cordeiro do que o lobo que aparenta.
Propostas concretas comme d'habitude foram escassas, mas percebeu-se uma diferença básica de rumo entre a esquerda e a direita partidária. Enquanto que Negrão e Correia defendem a venda de património para sanear as contas de Lisboa, Carvalho e Costa defendem uma contenção da despesa para reequilibrar o orçamento.
Começou mais a sério a campanha, esperam-se os próximos capítulos.

terça-feira, junho 19, 2007

Fantastic Four: Rise of the Silver Surfer

Pois... No dia em que vi O Astronauta de que falei ontem vi também este Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado, a tal sessão dupla que não fazia já há algum tempo.
O mundo está à beira da extinção. O Surfista Prateado, "batedor" de um ser que devora mundos, vem aí e a Terra não tem mais de uma semana de vida. Quem o pode parar? Pois o Quarteto Fantástico quem mais?
Confesso, últimamente tenho-me deixado seduzir pelo fogo de artifício, a fanfarra que precede os blockbusters americanos, e tenho-os engolido a quase todos. Como ao fim ao cabo até me tenho divertido as coisas têm continuado neste ritmo. Até agora.
Vazio, absolutamente vazio esta nova instalação das aventuras do Quarteto, personagens medíocres, história inexistente e um argumento que nem uma criança de 3 anos com atraso mental era capaz de engolir, o filme - uso esta palavra com reservas - não é mais que um amontoado de cenas de efeitos especiais uma em cima da outra, sem muito que as una, ou que faça grande diferença. Sim, o Surfista Prateado tem estilo, mas para isso basta ver o trailer. Digamos que para quem vai ver dois filmes de seguida, a escolha não podia ter sido mais errada.

Música da Semana

Em 2004 o irreverente Wes Anderson realizou a brilhante comédia aquática The Life Aquatic with Steve Zissou. Dos momentos mais hilariantes da fita é a aparição de Seu Jorge, que faz pausas musicais in loco, tocando versões de músicas clássicas de David Bowie. Uma das músicas que está presente é este Life On Mars, que esta semana completa a sessão dupla, a seguir a ter estado sete dias o original a tocar.

segunda-feira, junho 18, 2007

The Astronaut Farmer

Ao ver-me com tempo para queimar resolvi fazer uma sessão dupla de cinema, algo que não fazia há muito tempo. O filme que escolhi ver em primeiro lugar, para mal dos meus pecados, foi este O Astronauta com Billy Bob Thornton e Virginia Madsen.
Um ex-astronauta sonha viajar no espaço e resolve construir um foguetão na sua quinta para o conseguir.
O que há para dizer sobre esta catástofre cinematográfica. Para começar, por incrivel que pareça, não é uma comédia. É um drama do mais básico, mais piroso, mais ai-gosto-tanto-de-ti-segue-os-teus-sonhos-por-mais-imbecis-que-sejam! É tudo tão previsivel, tão caso da vida, tão reles que até doi. A história é do mais idiota que pode haver. Um homem de 40 anos, sem ajuda e com meia dúzia de tostões (qualquer coisa como 500 mil euros, não dá sequer para um T3 com garagem no Chiado) consegue mesmo construir um foguetão só com sucata. Consegue o combustível necessário, ir ao espaço e voltar. Quem tem o homem para equipa de terra? O filho de 15 anos! Pronto já está. A NASA gasta anos de trabalho, tem centenas de pessoas, milhões de dólares de orçamento, engenheiros, físicos, cientistas, matemáticos, os astronautas com um treino intensivo, tudo isso, só para chatear. Qualquer Zé Manel das Couves consegue construir um foguetão no quintal em meia dúzia de meses.
O que dizer? É tão atrasado mental que nem merece atenção. Eu adormeci a meio e só não me fui embora por causa da minha teimosia em querer sempre saber como acabam os filmes.

Ele há coisas na vida...

Sim senhor... sabe aquele carro que há mais de quatro anos deu em troca para comprar aquele boguinhas pequenino e sem cilindrada nenhuma mas que anda e até não é mau de todo para a cidade que gasta relativamente pouco estaciona-se bem e está parado a semana toda por causa do metro?
Sim...
Pois esse carro diz que ainda está em seu nome e portanto ou paga os impostos em atraso ou cai-lhe uma execução fiscal em cima do lombo!
Ah... mas que bem...

sexta-feira, junho 15, 2007

Pirates of the Caribbean: At World's End

A terceira parte da história que começou em 2003 com Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl, chegou agora às salas de cinema. Com Gore Verbinski ao leme e sob a batuta do produtor Jerry Bruckheimer, marca o regresso de Johnny Depp, Orlando Bloom, Keira Knightley e sus muchachos, numa das séries mais rentáveis de sempre, que se transformou numa gigantesca cash-cow para a Disney.
Desta vez os piratas juntam-se todos contra a poderosa Companhia das Indias e o temivel navio do "polvo" Davy Jones, com feitiços, traições e deusas à mistura. Para tal é preciso resgatar o famoso Jack Sparrow das garras da morte.
A primeira coisa que salta à vista são os incriveis valores de produção, o cheque de 300 milhões de dólares foi bem gasto, numa fita de três horas carregada de efeitos especiais que, coisa rara, ainda conseguem espantar. A parafernália de cenários, fatos e efeitos visuais são realmente impressionantes.
A pandilha está de volta, e quem tenha visto os outros dois filmes vai-se sentir em casa. No entanto a história nem sempre faz grande sentido, reinando uma sensação de tanto-faz que pode por vezes tornar-se um pouco irritante. Mortos, vivos, mortos-vivos, deuses e feitiços misturam-se numa salgalhada sem grande ponta por onde se lhe pegue.
A grande vantagem é que, ao fim ao cabo, ainda diverte. Tem momentos de humor bem conseguidos, as cenas de acção são entusiasmantes e realmente acabamos por querer saber o que acontece áquela gente.
Melhor que o segundo título terrivelmente desapontante, Piratas das Caraíbas - No Fim do Mundo não chega no entanto aos calcanhares do primeiro filme. Os fãs da série não darão seja como for o tempo por mal empregue.

Último fôlego

Segunda feira voltámos às aulas no Chapitô. A primeira após a peça. Teve um sabor estranho. Estava apenas metade da turma, o que dá um certo tom de afastamento. Sei que no último dia vamos lá estar todos, mas mesmo assim é estranho passar de uma algazarra de quase 30 pessoas para cerca de uma dúzia. Depois foi a primeira vez em meses que não se tocou na peça, nem uma marcação, nem uma linha, nem um ensaio, quase como se não tivesse existido. Por outro lado foi bastante calma, relaxante, um retorno aos primeiros dias.
Em junho o curso tem o seu último fôlego. Já começo a ter saudades...

quinta-feira, junho 14, 2007

Ocean's 13

Ora bem, George Clooney, Brad Pitt & Ca. voltam ao ataque sob a batuta do maestro Steven Soderbergh, desta vez sem a companhia de Julia Roberts ou Catherine Zeta-Jones, mas com um novo inimigo Al Pacino, assistido por Ellen Barkin, que compõem o já habitual ramalhete de estrelas.
É a quarta trilogia que aparece este ano nos EUA, atrás dos mega-blockbusters Homem-Aranha, Piratas das Caraíbas e Shrek, dando o ar que Hollywood está sem ideias novas, apostando em reembalar velhar fórmulas.
Depois da desilusão de Ocean's Twelve, fiquei com dúvidas se seria boa ideia lançar uma nova instalação desta série. Traz alguma coisa de novo? Não. Neste caso ainda bem.
Após Willie Bank (Al Pacino) ter enganado Reuben Tishkoff (Elliott Gould) um dos elementos séniors do gang de Ocean, e quase o enviado para a tumba com o desgosto, o grupo volta a juntar-se para o vingar. E que melhor maneira de o fazer do que roubar o novo hotel-casino de Pacino, destruindo-lhe o negócio, reputação e com um pequeno toque de luxo?
Ocean's Thirteen retoma o espírito e o estilo do primeiro filme. Rápido, inteligente, divertido, com um ar cool a toda a linha, é um deleite para os ouvidos e para os olhos. Com valores de produção impecáveis (vide todo o cenário do hotel) e um grupo de actores que parece fazer aquilo com um pé às costas mas a adorar cada passo do caminho, Ocean's Thirteen é uma escolha sólida para divertimento este verão.

Para quem viu os dois anteriores não traz novidade, mas traz o sabor reconfortante de quem revisita velhos amigos e passa a noite em excelente companhia.

quarta-feira, junho 13, 2007

Santo António já se acabou...

Mais uns santinhos populares, mais uma sardinha inflaccionada, passeio pela rua, bailarico e muita sangria. Milhares e milhares de pessoas em festa e a nu de novo as incriveis deficiências dos transportes em Lisboa. Ir para os santos a pé é muito bom, mas só para os poucos de nós que vivem dentro das comemorações.
Infelizmente fazer parte do cenário do Sto. António tem desvantagens, devia haver uma lei a indemnizar os desgraçados que ficam com o cheiro a sardinha entranhado dentro de casa. Por mais que se esfregue, por mais incenso que se queime, a dita teima em não sair... Para o ano há mais.

terça-feira, junho 12, 2007

Depois do Chapitô...

Os Hipócritas são uma associação recreativa e cultural de malta nova que tem desenvolvido a sua actividade principalmente na vertente do teatro amador. Cometeram o incrivel erro de me aceitar como actor, e parece que a partir de Julho é ali que vou dar mais um passo neste trilho. O caminho do palco continua...

Música da Semana

Esta semana a música vem de um dos grandes icones da musica mundial, David Bowie, que ao longo de mais de 40 anos se tem constantemente reiventando. Não o conheço bem, mas tenho tido uma crescente curiosidade. Esta é a primeira música de uma sessão dupla que termina na semana que vem.
Do seu quarto album, Hunky Dory aqui fica Life on Mars.