quinta-feira, junho 28, 2007

Só precisamos de amigos para sermos felizes?

E depois do adeus?

Voltas no ano que vem? - Não... - Porquê - Arranjei um sítio onde fazer teatro - Aqui também se faz teatro - Eu sei. - Fica! Tens que ficar, és das pessoas mais importantes do grupo...


No meio da jantarada, em clima de festa, com muito alcóol à mistura, a sensação começou a instalar-se, é um adeus. Ontem foi o último dia do Chapitô, jantar, saída, muitas fotos, muita sangria, muitos abraços, discurso, brinde, música e depois...

Já vais? Não podes, fica mais cinco minutos, só mais cinco prometo, vá lá, não podes ir agora...

Posso... tenho que ir, é tarde. Mas a saudade é grande, vou sentir falta daquele grupo. No dia do fim senti-me mais acarinhado do que podia imaginar. Dancei, cantei, gritei...

Abraços, abraços, abraços, beijos... - que cara é essa? Então, sorri... - vens-nos visitar para o ano? - Sim - Vens ver a nossa peça - Sim - Promete - Prometo.

Telefonas? Não te esqueças, tens o meu número, olha que prometeste...

Prometi, prometemos... De 30 sobram quantos depois do adeus? Dez? três? Um?

Sobram todos... ali... assim com um sorriso na cara e uma lágrima ao canto do olho.

quarta-feira, junho 27, 2007

Godot nos Infernos


Dia 16 de Julho começam os ensaios da nova peça d'Os Hipócritas o grupo de teatro onde vou começar uma nova etapa da minha aprendizagem de palco. Com base na peça À Espera de Godot de Beckett e À Huis-Clos de Sartre vamos apresentar Godot nos Infernos:


"Ok. Nem Deus nem o Diabo atendem. Então, quem me vem buscar?
Inês, Estelle e Garcin estão no inferno. Mas não há fogo eterno nem demónios nem tridentes. Não há, sequer, outros condenados. O espaço não é vermelho nem quente, mas vazio. Há três canapés e uma estátua do Super-Homem. Nenhum espelho. A única coincidência com o imaginário colectivo é talvez o Criado, que poderia ser Caronte. Vladimir e Estragon estão no mundo, parece. Mas não há casas nem árvores nem carros nem portas nem janelas nem outras pessoas. Apenas uma árvore de natal. Artificial. Depois, vêm Pozzo e Lucky, mas sabem tanto ou tão pouco do mundo como Didi ou Gogo. Por duas vezes, aparece e desaparece um menino, um menino que, poderia jurar, é igualzinho ao Criado. Nada mais. Existir é isto, dum lado e doutro da vida. A menos que alguém venha."

terça-feira, junho 26, 2007

E largar tudo?

Após uma semana em que não consegui ir ao Chapitô regressei ontem. Foi o dia em que vimos dois videos. O primeiro foi a gravação de uma simulação de casting que tinhamos feito no início deste ano. O segundo foi o video que o chapitô fez da peça.

Foi a primeira vez que me vi a representar. Antes de mais, uma palavra para resumir o meu trabalho em ambos os casos: canastrão. Até à ponta dos pés.

Para começar, o casting. É verdade que a gravação é péssima, e que a minha cara é apenas um borrão, mas fui um cepo, um autêntico tronco de árvore... morto. Rígido até mais não, inexpressivo, li o texto com uma emoção que soou a falso com um trabalho sobre a voz muito pobrezinho.

Já a peça. Bem, o camaramen não gostou de mim. De cada vez que eu aparecia ele desviava-se para outro lado qualquer. Falhou quase todas as minhas entradas e até conseguiu, na cena das cerejas, mal me filmar. O que consegui ver de mim foi embaraçoso. Mau, mau, mau, mau, incoerente, inconsistente, sem emotividade, nem fibra, nem nervo, nem nada. Um tipo a fazer macacadas. Do pior possivel. Ainda por cima, mas aí admito poder ser um problema meu, não consegui ali ver mais do que... eu mesmo. É horrivel. Era suposto ser um personagem, mas não... apenas o MPR a mexer-se em palco.

Deu para dúvidar se tenho algum, por muito pouco que seja, jeitinho para a coisa. Deu vontade de desistir. Não fosse o facto de ter gostado tanto destes dois anos de formação, de me ter deslumbrado com o que sinto em cena, e teria deitado a toalha ao chão.
Em julho começo ensaios com Os Hipócritas... muito muito trabalho tenho pela frente...

Um pequeno anotamento. Quer no casting, quer na peça, digam lá o que disserem, houve uma pessoa que se destacou. Alguém que eu posso, sim, chamar actor e dizer: porra... quem me dera... Esse tipo é o Tiago. Rapaz, descobri que para além de actor és escritor, que performance. Em palco vi-te pela primeira vez à distância e como diz uma amiga "less is more". Parabéns... tens presença, emoção, sem dúvida, tens futuro na arte.

Música da Semana

Ok não se nota mas é Verão. A música desta semana é apenas um reflexo disso, por debaixo das nuvens, do vento fresco, do tempo quanto muito primaveril, esconde-se o espírito de veraneio. Esta semana, em honra desse espírito: All I Wanna Do - Sheryl Crow

segunda-feira, junho 25, 2007

A Gaivota

Quando entrei na Cornucópia sexta feira passada para ver A Gaivota de Tchekov, ia com expectativas altas. O texto é considerado uma das quatros maiores peças do famoso escritor russo e a abordagem da Cornucópia foi amplamente elogiada.
Segue a história de um conjunto de pessoas na Rússia no final do século XIX, cada uma descontente, em busca, procurando algo que não tem, desiludida consigo próprio e perseguindo um amor que lhes foge. Medviedenko que ama Masha, que ama Konstantin, que ama Nina, que ama Trigorin que é possuído por Arkadina. Por sua vez Pauline, mulher de Shamrayef, ama Dorn que não ama ninguém.
Três horas e meia de peça não é fácil, principalmente a uma sexta à noite, mas não é por aí que a porca torce o rabo. Na Cornucópia peças maiores foram feitas sem que adviesse mal ao mundo. A encenação era muito boa e a cenografia impecável. O problema é que dos dez personagens principais existiam quatro que sobressaiam, o que deixava sobre os ombros desses actores carregar a peça inteira. Rita Loureiro funciona muito bem como Arkadina, uma actriz de meia idade mas que mantém o ar de uma mulher de 30, com laivos de vedetismo e forretice extrema. O problema vem dos outros três. Ricardo Aibéo, para começar pelo menos mau dos três, é igual a si mesmo. Monocórdico, incapaz da mais pequena emoção (se bem que o personagem não foge muito disto) é um dos responsáveis pela pasmaceira do segundo acto. Rita Durão não sabe fazer senão de Rita Durão. Há uma década que faz de menina, com aquele ar de menina, a cara de menina, a a voz de menina, os gestos de menina e sempre que tenta não ser muito menina lá lhe foge o corpo para a menina. É tão querida, tão ingénua, tão ai jesus, que fica presa a um único registo a peça (e a carreira) inteira. Agora a precisar de algumas aulas de teatro está Duarte Guimarães. Incapaz de carregar com a dimensão do papel que lhe foi atribuido, refugia-se em gritos e esgares, em excessos e cabotinices para aguentar as penosas três horas e trinta minutos.
Contra isto de nada serve o talento de Luis Miguel Cintra, o charme de Lima Barreto ou a graça de Márcia Breia.
A Gaivota é um espectáculo que, graças principalmente a erros de casting, se arrasta e demora. O que é pena, porque tinha todas as condições para ser uma grande peça.

sexta-feira, junho 22, 2007

Shrek The Third

Quando apareceu em 2001, Shrek revolucionou o mundo da animação. Irreverente, louco, inesperado, virou do avesso os contos clássicos com que todos crescemos. Em 2004, Shrek2 tinha perdido a surpresa, mas manteve o espírito audaz e cresceu, ganhou em números e novas personagens que conquistaram um lugar no panteão deste universo hilariante.

Ontem estreou em Portugal a terceira incursão da saga.

Quando o Rei morre, Shrek é o herdeiro do trono, cargo que não deseja. Parte então com os seus amigos do costume em busca de Artur para o substituir. No entanto, o Principe Encantado tem outras ideias.

Shrek o Terceiro é um filme que vive dos dois que o precederam. A reunião com os estranhos seres que nos encantaram é sempre bem-vinda, mas não tem mais do que isso. Um ou dois momentos de humor que merecem a pena, mas na maior parte do tempo é oco, sem chama, sem ideias, sem a irreverência mordaz que é sua imagem de marca. A animação é muito boa, mas hoje em dia esse factor já não impressiona.

Para os fãs... mas uma pequena desilusão...

quinta-feira, junho 21, 2007

Sobre as sete planas feliz, suspensa sob os telhados da capital com um sorriso que te rasga o rosto. Esculpes o ar com o corpo, tensa mas ágil, graciosa na multidão. Os olhos do mundo sobre ti, sem te ver, enquanto a relva se aproxima, o toque no chão que termina a aventura - mais, quero mais. Hoje não, missão cumprida bailarina-trapezista, sorri de volta para casa...

Ai começa hoje o Verão? Pois... sim.. nota-se...

quarta-feira, junho 20, 2007

Pelo canto do olho

Ontem na Sic Noticias juntaram-se pela primeira vez os sete candidatos à Câmara Municipal de Lisboa com possibilidade de eleger um vereador. Caso inédito esta corrida, quando há bem pouco tempo as forças políticas de monta na capital se cifravam em apenas 3.
Tinha companhia para jantar, e não pude acompanhar com toda a atenção o debate, que me pareceu civilizado, se bem que um pouco morno.
Deu para perceber que António Costa é coerente como é seu apanágio, que Negrão pouco tem a perder e tende a esquecer-se que o partido que governou a CML nos últimos seis anos é o seu, que Ruben de Carvalho é inteligente e sem papas na língua, atacando sempre que possivel o seu adversário do PS, que Helena Roseta traz uma abordagem diferente, mais pessoal, humanista se bem que dificilmente exequível, que Carmona Rodrigues está num limbo em que não consegue defender os evidentes erros das administrações de que fez parte (sim ele esteve lá com o Santana lembram-se?) e o buraco financeiro da autarquia, que Telmo Correia esforça-se mas teme nem sequer ser eleito para vereador e que José Sá Fernandes é mais cordeiro do que o lobo que aparenta.
Propostas concretas comme d'habitude foram escassas, mas percebeu-se uma diferença básica de rumo entre a esquerda e a direita partidária. Enquanto que Negrão e Correia defendem a venda de património para sanear as contas de Lisboa, Carvalho e Costa defendem uma contenção da despesa para reequilibrar o orçamento.
Começou mais a sério a campanha, esperam-se os próximos capítulos.

terça-feira, junho 19, 2007

Fantastic Four: Rise of the Silver Surfer

Pois... No dia em que vi O Astronauta de que falei ontem vi também este Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado, a tal sessão dupla que não fazia já há algum tempo.
O mundo está à beira da extinção. O Surfista Prateado, "batedor" de um ser que devora mundos, vem aí e a Terra não tem mais de uma semana de vida. Quem o pode parar? Pois o Quarteto Fantástico quem mais?
Confesso, últimamente tenho-me deixado seduzir pelo fogo de artifício, a fanfarra que precede os blockbusters americanos, e tenho-os engolido a quase todos. Como ao fim ao cabo até me tenho divertido as coisas têm continuado neste ritmo. Até agora.
Vazio, absolutamente vazio esta nova instalação das aventuras do Quarteto, personagens medíocres, história inexistente e um argumento que nem uma criança de 3 anos com atraso mental era capaz de engolir, o filme - uso esta palavra com reservas - não é mais que um amontoado de cenas de efeitos especiais uma em cima da outra, sem muito que as una, ou que faça grande diferença. Sim, o Surfista Prateado tem estilo, mas para isso basta ver o trailer. Digamos que para quem vai ver dois filmes de seguida, a escolha não podia ter sido mais errada.

Música da Semana

Em 2004 o irreverente Wes Anderson realizou a brilhante comédia aquática The Life Aquatic with Steve Zissou. Dos momentos mais hilariantes da fita é a aparição de Seu Jorge, que faz pausas musicais in loco, tocando versões de músicas clássicas de David Bowie. Uma das músicas que está presente é este Life On Mars, que esta semana completa a sessão dupla, a seguir a ter estado sete dias o original a tocar.

segunda-feira, junho 18, 2007

The Astronaut Farmer

Ao ver-me com tempo para queimar resolvi fazer uma sessão dupla de cinema, algo que não fazia há muito tempo. O filme que escolhi ver em primeiro lugar, para mal dos meus pecados, foi este O Astronauta com Billy Bob Thornton e Virginia Madsen.
Um ex-astronauta sonha viajar no espaço e resolve construir um foguetão na sua quinta para o conseguir.
O que há para dizer sobre esta catástofre cinematográfica. Para começar, por incrivel que pareça, não é uma comédia. É um drama do mais básico, mais piroso, mais ai-gosto-tanto-de-ti-segue-os-teus-sonhos-por-mais-imbecis-que-sejam! É tudo tão previsivel, tão caso da vida, tão reles que até doi. A história é do mais idiota que pode haver. Um homem de 40 anos, sem ajuda e com meia dúzia de tostões (qualquer coisa como 500 mil euros, não dá sequer para um T3 com garagem no Chiado) consegue mesmo construir um foguetão só com sucata. Consegue o combustível necessário, ir ao espaço e voltar. Quem tem o homem para equipa de terra? O filho de 15 anos! Pronto já está. A NASA gasta anos de trabalho, tem centenas de pessoas, milhões de dólares de orçamento, engenheiros, físicos, cientistas, matemáticos, os astronautas com um treino intensivo, tudo isso, só para chatear. Qualquer Zé Manel das Couves consegue construir um foguetão no quintal em meia dúzia de meses.
O que dizer? É tão atrasado mental que nem merece atenção. Eu adormeci a meio e só não me fui embora por causa da minha teimosia em querer sempre saber como acabam os filmes.

Ele há coisas na vida...

Sim senhor... sabe aquele carro que há mais de quatro anos deu em troca para comprar aquele boguinhas pequenino e sem cilindrada nenhuma mas que anda e até não é mau de todo para a cidade que gasta relativamente pouco estaciona-se bem e está parado a semana toda por causa do metro?
Sim...
Pois esse carro diz que ainda está em seu nome e portanto ou paga os impostos em atraso ou cai-lhe uma execução fiscal em cima do lombo!
Ah... mas que bem...

sexta-feira, junho 15, 2007

Pirates of the Caribbean: At World's End

A terceira parte da história que começou em 2003 com Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl, chegou agora às salas de cinema. Com Gore Verbinski ao leme e sob a batuta do produtor Jerry Bruckheimer, marca o regresso de Johnny Depp, Orlando Bloom, Keira Knightley e sus muchachos, numa das séries mais rentáveis de sempre, que se transformou numa gigantesca cash-cow para a Disney.
Desta vez os piratas juntam-se todos contra a poderosa Companhia das Indias e o temivel navio do "polvo" Davy Jones, com feitiços, traições e deusas à mistura. Para tal é preciso resgatar o famoso Jack Sparrow das garras da morte.
A primeira coisa que salta à vista são os incriveis valores de produção, o cheque de 300 milhões de dólares foi bem gasto, numa fita de três horas carregada de efeitos especiais que, coisa rara, ainda conseguem espantar. A parafernália de cenários, fatos e efeitos visuais são realmente impressionantes.
A pandilha está de volta, e quem tenha visto os outros dois filmes vai-se sentir em casa. No entanto a história nem sempre faz grande sentido, reinando uma sensação de tanto-faz que pode por vezes tornar-se um pouco irritante. Mortos, vivos, mortos-vivos, deuses e feitiços misturam-se numa salgalhada sem grande ponta por onde se lhe pegue.
A grande vantagem é que, ao fim ao cabo, ainda diverte. Tem momentos de humor bem conseguidos, as cenas de acção são entusiasmantes e realmente acabamos por querer saber o que acontece áquela gente.
Melhor que o segundo título terrivelmente desapontante, Piratas das Caraíbas - No Fim do Mundo não chega no entanto aos calcanhares do primeiro filme. Os fãs da série não darão seja como for o tempo por mal empregue.