Após uma semana em que não consegui ir ao Chapitô regressei ontem. Foi o dia em que vimos dois videos. O primeiro foi a gravação de uma simulação de casting que tinhamos feito no início deste ano. O segundo foi o video que o chapitô fez da peça.
Foi a primeira vez que me vi a representar. Antes de mais, uma palavra para resumir o meu trabalho em ambos os casos: canastrão. Até à ponta dos pés.
Para começar, o casting. É verdade que a gravação é péssima, e que a minha cara é apenas um borrão, mas fui um cepo, um autêntico tronco de árvore... morto. Rígido até mais não, inexpressivo, li o texto com uma emoção que soou a falso com um trabalho sobre a voz muito pobrezinho.
Já a peça. Bem, o camaramen não gostou de mim. De cada vez que eu aparecia ele desviava-se para outro lado qualquer. Falhou quase todas as minhas entradas e até conseguiu, na cena das cerejas, mal me filmar. O que consegui ver de mim foi embaraçoso. Mau, mau, mau, mau, incoerente, inconsistente, sem emotividade, nem fibra, nem nervo, nem nada. Um tipo a fazer macacadas. Do pior possivel. Ainda por cima, mas aí admito poder ser um problema meu, não consegui ali ver mais do que... eu mesmo. É horrivel. Era suposto ser um personagem, mas não... apenas o MPR a mexer-se em palco.
Deu para dúvidar se tenho algum, por muito pouco que seja, jeitinho para a coisa. Deu vontade de desistir. Não fosse o facto de ter gostado tanto destes dois anos de formação, de me ter deslumbrado com o que sinto em cena, e teria deitado a toalha ao chão.
Em julho começo ensaios com Os Hipócritas... muito muito trabalho tenho pela frente...
Um pequeno anotamento. Quer no casting, quer na peça, digam lá o que disserem, houve uma pessoa que se destacou. Alguém que eu posso, sim, chamar actor e dizer: porra... quem me dera... Esse tipo é o Tiago. Rapaz, descobri que para além de actor és escritor, que performance. Em palco vi-te pela primeira vez à distância e como diz uma amiga "less is more". Parabéns... tens presença, emoção, sem dúvida, tens futuro na arte.