segunda-feira, julho 30, 2007

1918-2007


Ingmar Bergaman jogou hoje a sua última partida de xadrez. Para sempre, a memória eterna do cinema.

Harry Potter and the Order of the Phoenix

Seguindo a histeria que rodeou o lançamento do sétimo e último(?) livro da saga de Harry Potter, chegou às salas de cinema o quinto filme, Harry Potter e a Ordem da Fénix.
Nunca fui fã da série, vi o primeiro por curiosidade, bocejei o filme inteiro, o segundo passei. Com Alfonso Cuaron ao leme de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, o terceiro filme, pensei que pudesse ganhar um novo fôlego, enganei-me. Deixei o quarto filme passar ao largo. Neste quinto foi o trailer que me cativou.
Por cada Harry Potter que vejo deixo um por ver, deve-se à desilusão com que sempre saio da sala de cinema. Este não foge à regra.
Não que seja particularmente chato, ou que tenha falhas de maior. Os cenários e efeitos especiais são impressionantes, e tem um elenco de peso, se pensarmos nos adultos. No entanto fico sempre com uma sensação de tanto-faz, que as acções são inconsequentes, que no meio de monstros e feiticeiros, baralha e volta a dar e fica tudo na mesma.
Para os fãs será sem dúvida uma delicia, está a ser um êxito colossal como os demais, mas para os outros pouco mais fica que duas horas e meia protegidos do calor numa sala com ar condicionado.

domingo, julho 29, 2007

Dormir muito, comer bem, sem horários e a cor diversos graus mais escura, chego a Lisboa com 37 graus às oito da noite. O Verão chegou, com vingança, e as minhas férias ainda nem sequer começaram...

terça-feira, julho 24, 2007

Música da Semana

São só meia dúzia de dias, mas a pausa é necessária. Descanso e Sol com um ou dois mergulhos se o tempo o permitir são a receita para o resto da semana. Volto na segunda. Até lá, não vejo melhor companhia que Vinicius e Toquinho, Tarde em Itapoã...

segunda-feira, julho 23, 2007

Death Proof

Quentin Tarantino e Robert Rodriguez juntaram-se para fazer Grindhouse, dois filmes que para serem exibidos em sessão dupla, com apresentações falsas pelo meio, de forma a replicar as sessões de exploitation movies comuns nos anos 70. O projecto avançou assim nos EUA, mas para a Europa, por motivos comerciais, dividiram os filmes para os exibir separadamente. Death Proof é a parte de Tarantino neste projecto, que nos chega com mais 25 minutos do que a versão americana.

Este projecto está em linha com a obra de Tarantino, ninguém como ele se apropria de géneros pop e os reformula, os reinventa, de filmes de terror, a manga, cinema de artes marciais, westerns e agora os filmes série B ao género dos produzidos por Roger Corman.

Ninguém pode negar a mestria de Quentin Tarantino, o seu talento para a escrita, a capacidade de construir diálogos e dotar os seus filmes de garra e estilo. Death Proof não foge à regra. Divertido, rápido, carregado de referências cinematográficas é uma viagem a que já nos habituámos. A questão é se chega. Se um exercício de estilo é o suficiente para fazer um grande filme. Quanto a mim, não. Personagens vazios, uma história inexistente, tudo se reduz à vertigem em que Tarantino embriaga o espectador. Para mim é pouco, muito pouco.


sexta-feira, julho 20, 2007

À Manhã


À Manhã é a última produção do Teatro Meridional, estreado no S.Luiz e agora reposto na sala de origem da companhia.
Com o mundo rural Alentejano como fundo, José Luis Peixoto escreveu esta peça, que se enquadra que nem uma luva nos projectos recentes da companhia, como por exemplo Por Detrás dos Montes.
Cinco personagens encontram-se numa aldeia envelhecida, têm o peso dos anos em si, o passar moroso do tempo pelas veias. "A gente tem-se uns aos outros e mais nada", dizem entretanto, resumindo uma vivência feita de solidão, isolamento, num local que fica progressivamente mais deserto. À Manhã é uma história de afectos, de sentimentos e da procura do outro, de si próprio, de um passado que não existe senão nas pregas da memória, que o embeleza e constroi, deixando na boca o amargo da memória. O que o Meridional nos traz é também o encontro com uma região esquecida, na verdade nós somos os outros, aqueles que deixaram as aldeias para não voltar, em palco estão os nossos pais e avós. Uma das marcas do Alentejo é o seu léxico, como de todas as regiões do país, e aí a peça é primorosa, recuperando o Verbo falado e apresentando-o em palco, numa marca que se está lentamente a esquecer.
Erguer este projecto sem uma grande equipa de actores é impossivel. Carla Galvão, Tânia Guerreiro, Pedro Diogo e Romeu Costa são exemplares, transfigurando-se nas velhas figuras que deambulam nos espaços à nossa frente, mas o destaque tem que ir para Carla Maciel. Deslumbrante. Aquela pequena mulher, intriguista, irritante, mas cómica, solitária, é das construções teatrais mais memoráveis que alguma vez vi.
Um espaço cénico eficaz, com uma utilização acertada de luz e som para criar ambientes, À Manhã é um espectáculo soberbo.
O Teatro Meridional está lentamente a firmar-se como uma das melhores companhias de teatro de Lisboa. Pessoalmente é já a minha favorita.



À Manhã

Teatro Meridional

Encenação: Natália Luiza e Miguel Seabra
Dramaturgia: Natália Luíza
Interpretação: Carla Galvão, Carla Maciel, Tânia Guerreiro, Pedro Diogo, Romeu Costa
Espaço Cénico: Rui Francisco
Adaptação ao Espaço Cénico e Figurinos: Marta Carreiras
Música Original: Fernando Mota

11 a 29 de Julho de 2007

Quarta a Domingo 22h

Preço: 12€ (existem diversos descontos, perguntar na bilheteira)


Teatro Meridional
Rua do Açucar, 64
1950-009 Lisboa
Telefone: 218 689 245
Fax: 218 689 247
www.teatromeridional.net
teatromeridional@teatromeridional
.net

quinta-feira, julho 19, 2007

"Testa" nova

Cá está ela, há muito que queria dar um toque pessoal ao blog, que o identificasse mais comigo, com quem sou e o que quero aqui dizer. Chegou agora, está lá em cima, em cinzento, comigo a olhar directamente para cada um de vós. Se este é um projecto meu, quem melhor para fazer o design deste banner do que uma certa menina trapezista que deu o salto sem rede de partilhar a vida comigo?
Obrigado, é mesmo o que queria, simples, pessoal, único.

Um sorriso...

quarta-feira, julho 18, 2007

In the Land of Women

Lawrence Kasdan é um realizador capaz do melhor e do pior. Tentou sem grande sucesso dois westerns, Wyatt Earp era um bocejo, já Silverado era, pelo menos, divertido, arriscou-se nas comédias com banais I Love You to Death e French Kiss, mas foi nos invulgares Grand Canyon e Accidental Tourist, dramas de sabor agri-doce, que se revelou mais eficaz. O seu filho Jon Kasdan, estreia-se nas lides do pai com este In the Land of Women, uma história de afectos e relações, construída sob a égide da simplicidade, mas que tem um fundo mais complexo e interessante do que à primeira vista aparenta.
Um jovem argumentista de filmes soft-core é abandonado pela namorada, resolvendo ir passar uns tempos com a avó para por a cabeça em ordem e quiçá começar a escrever um projecto que há muito tem em mente. No caminho cruza-se com a familia disfuncional que vive em frente à sua avó (senil).
No Mundo das Mulheres é o filme ideal para se ver num fim de semana à tarde, leve, bem intencionado, capaz de abordar temas dificeis sem clichés, mas também sem os aprofundar demasiado. Num mundo de abandonos e falta de afectos, dá um toque de esperança, uma hipótese de reencontro e final feliz (dentro do possivel).
É uma estreia promissora, capaz, competente, mostra um realizador que pode ter futuro, se não se perder no mundo das comédias românticas sem sentido. A ver, com um sorriso, e espirito leve...

terça-feira, julho 17, 2007

Música da Semana

Ora a onda de música de Verão vai continuar aqui no Sopros, é a maneira que tenho de dar um pequeno ar de férias a umas semanas mais complicadas. Mika tem uma musiquinha simpática que anda a passar na rádio chamada Grace Kelly. Ele, libanês de nascença e britânico de origem, tem uma abordagem de glam pop à sua música e à sua persona. O clip faz-me lembrar um Shortbus com roupas, a ouvir com um sorriso...

segunda-feira, julho 16, 2007

O Outro Lado

Foi pensado como uma prenda para os amigos, pela ocasião do seu quadragésimo aniversário, este espectáculo de Pedro Branco, música e poesia da autoria do filho de José Mário Branco. Na Sociedade Guilherme Cossoul foi levado a palco O Outro Lado ao longo de cinco dias. Um cenário que mostra um quarto, com Pedro Branco sentado fora de palco e Nani (creio não me ter enganado no nome), rapariga de vinte e pouco anos, vestida à Floribela, em palco a "declamar" os poemas.
Se como graça de um professor, artista amador, para um grupo de convivas, o espectáculo poderia ter a sua piada, como evento pagante para público, roça o desastroso. A "diseur" é catastrófica, lê como qualquer miudo do nono ano leria um texto poético, com a agravante de, por vezes, tentar dar-lhe emoção, olhando para o vazio, ou estendo-se mui pirosa na cama com ares de inocência forçada. Um zero redondo que fez da experiência algo deveras penoso. O espaço cénico existe sem o mínimo de aproveitamento, distrai e nada mais. A rapariga mexe-se da cama para a secretária e da secretária para a cama, sem propósito, apenas porque sim. Muda de roupa quatro vezes sem motivo e, apesar de o fazer em cena, fá-lo visivelmente envergonhada.
A música é monótona, repetitiva, com raizes na música popular portuguesa e em algumas coisas do pai do cantor, mas a milhas de distância do mesmo.
A poesia é elementar, por vezes com piada, outras demasiado infantil, segue um esquema fixo A/B/A/B, mas verdade seja dita, quando sai da boca de Nani, torna-se quase imperceptível. Como cantor Pedro Branco é afinado, mas com uma aplitude vocal nula, sempre que tenta um agudo sai-lhe esganiçado.
É um erro olhar para o que se passou na Guilherme Cossoul como um espectáculo. É algo para amigos e nunca devia ter sido mais que isso. Fica provado, o talento não é hereditário.

sexta-feira, julho 13, 2007

Donna Maria


Foi no Bar do Rio, entre conhecidos e amigos, com o fumo no ar e o sono no canto do olho que fiquei a conhecer uma banda que me apanhou de surpresa. Xl Femme é o nome de uma banda de covers criada em 2000 composta por Miguel Ângelo Majer, Ricardo Santos e Marisa Pinto, que em 2003 dá origem aos Donna Maria, banda de originais com os mesmos membros, que lançam em 2004 o se primeiro album "Tudo é para sempre".
Das músicas originais ouvi apenas uma, achei interessante, mas pouco para formar uma opinião sólida sobre o grupo. Mas o trabalho que fizeram musicalmente foi surpreendente. A forma como se apoderaram de músicas dão diversas, de Lena DÁgua a Moby, de Beatles a Pedro Abrunhosa, dando-lhes um cunho próprio e, mais do que isso, uma identidade no espectáculo, como se fossem escritas de propósito por eles e para eles.
A grande vida da banda é Marisa Pinto. Uma voz impressionante, forte, vibrante, aliada a uma postura em palco descontraída, divertida, de uma performer que está constantemente a namorar com o público, num flirt aberto e sedutor, onde brinca, puxa, dança, encanta e agradece, como se tudo lhe fosse natural de nascença.
Um grupo que fiquei com vontade de descobrir...

quinta-feira, julho 12, 2007

The Dead Girl

Segundo filme da realizadora Karen Moncrieff, The Dead Girl conta a história de cinco mulheres que estão de alguma forma relacionadas com uma rapariga morta, assassinada, que é descoberta numa quinta.
Este não é mais um filme ao estilo Magnólia, não é mais um mosaico de gente que por alguma coincidência incrível vê as suas vidas entrecruzarem-se num registo tragi-cómico. São cinco pequenos episódios estanques, cinco mulheres que vivem momentos de angústia, desilusão, dor, separação, tendo como fundo esta morte que paira sobre elas. Moncrieff mostra ter tudo para ser uma grande realizadora no futuro, uma grande autora de filmes, ponhamos assim. Tem aqui uma obra de um cuidado, uma inteligência na escrita, nas personagens que introduz, e na forma como nos guia na descoberta de cada um. Magistral a utilização da luz e da sombra, da composição da imagem e como, com um retrato, um gesto ou uma fala, desvenda toda uma situação, um personagem, o seu passado, temores e sonhos. É preciso dar especial destaque ao conjunto de actrizes que servem esta fita. Sem nenhuma vedeta, apenas segundas linhas do cinema americano, mas todas escolhas perfeitas e com performances dignas de aplauso.
Um filme intenso, provavelmente o melhor que está neste momento em cartaz em Lisboa.

quarta-feira, julho 11, 2007

SENSAZIONE

As companhias Laika e Time Circus da Bélgica juntaram-se para trazer um espectáculo itenerante verdadeiramente único à Praça do Museu do Centro Cultural de Belém.

Um espectáculo de novo circo, uma feira de diversões, um espaço de lazer, um local de exercício e algumas emoções fortes, Sensazione é uma experiência onde a quebra de barreiras e a interacção com o público são o local onde vive a verdadeira arte de entreter. Visualmente estimulante, com diversões que só existem pelo esforço do público - preparem as pernas para andar, correr e pedalar, sem isso os carroceis, rodas gigantes e outras engenhocas não funcionam - este é também um local de teatro vivo, imediato, intenso. Ouvem-se histórias, participa-se nelas, lutas, amores, tragédias, entre o riso e o deslumbre da descoberta. Verdadeiramente para todas as idades (delírio das crianças enquanto pedalam num fio a 6 metros de altura), tem uma dinâmica louca nos seis espaços que compõem esta sensação de festa.

Está por pouco tempo, apenas sobra hoje e amanhã, com o preço convidativo de 5 euros, é um excelente serão.

terça-feira, julho 10, 2007

Angels In America

Baseado nas peças de Tony Kushner, que lhe valeram diversos prémios entre os quais o Pulitzer, com Mike Nichols (Closer) a realizar, Angels in America é dos melhores produtos de ficção que alguma vez visitaram o pequeno ecrã. Passado no final dos anos 80, quando a SIDA atingia proporções de epidemia, é um conto fantástico sobre vida, religião, doença, amor, morte, pautado com um sentido de humor refinado. Com um elenco absolutamente de luxo (Al Pacino, Meryl Streep, Emma Thompson), é nos seus actores menos conhecidos que tem o suporte para ser realmente extraordinário (salvé Justin Kirk).

Está em DVD há já algum tempo, mas só agora tive oportunidade de ver. Imperdível (tenho mesmo que ler as peças...)

Música da Semana

Hoje é terça, dia de mudar a música da semana. Nos quinze dias passados comecei com uma procura de Verão, músicas leves, bem-dispostas. A verdade é que o imeem onde alojava os ficheiros me cortava as canções e apenas tocava 30 segundos, foi um Verão manco, tal como tem sido até agora em termos de meterologia. Graças à ajuda Shyznogoud arranjei outro sitio. Agora é de vez, a música já não tem autoplay (sim puligare eu sei que é bom), mas está completa. Para esta semana, Semisonic: Chemistry!