segunda-feira, setembro 24, 2007

Quando a luz dos olhos...


Quem diria que esta menina já deu uma volta inteira ao Sol...

sexta-feira, setembro 21, 2007

O Mil e Duzentos


Vamos para o mil e duzentos... é desta.
E a luz?
E o mil e cem?
E o dinheiro?
E a vista?
E a côr?
E a venda?
E o risco?
E a História? - e a nossa?
E...


O espaço.
O jardim.
O páteo.
O closet.
O local.
O futuro.
A escolha.
A bivó...
Os artistas - sorriso.
O mil e duzentos... até já.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Dois fora...


Ontem o ensaio devia ter começado às 21h. Às 21h30 ainda não tinha chegado toda a gente. Quando aconteceu, más notícias: a partir de ontem contamos com menos duas actrizes. Falta de motivação, de tempo, na verdade a impressão que ficou foi que uma delas saiu por não gostar do personagem. É um hobby, sim, mas num grupo de teatro ou se está disponível ou não. Se não se está então avisa-se de início, recuar por não se gostar de um personagem é que não é possivel, pelo menos não é possivel esperar que na próxima produção se tenha um papel, um actor num grupo faz parte do grupo, se quer sair, sai do grupo. Mas essa decisão não é minha.
A segunda desistiu por não conseguir conciliar horários no emprego. O trabalho por turnos tem essas desvantagens. Com outros dois sem ter a certeza se têm horário para ficar, arriscamo-nos a ter uma situação complicada. Tinhamos uma peça com oito personagens e dez actores, agora temos entre 5 a 7 actores para os mesmo oito personagens. Espero que a produção não fique comprometida e se consiga resolver a questão.
Às 22h30 começámos o ensaio. A leitura correu bem, foi a peça corrida de uma ponta à outra. Segunda voltamos à carga...

quarta-feira, setembro 19, 2007

2 Days in Paris

Julie Delpy ficou mais conhecida entre nós depois de fazer dupla com Ethan Hawke em Antes do Amanhecer, e mais recentemente Antes do Anoitecer (continuação do primeiro uma década depois).
Este 2 Dias em Paris é o seu segundo filme como realizadora e é o seu bébé, ela escreve, realiza, produz, monta, compõe músicas, canta e é a actriz principal desta comédia\drama romântica.
Um designer americano hipocondríaco e uma fotógrafa francesa histérica passam dois dias em Paris depois de terem tirado dez dias de férias em Veneza, antes de regressarem a casa, em Nova Iorque.
As influências de Woody Allen são mais que óbvias, Adam Goldberg tem os tiques todos de Allen e Delpy faz de Diane Keaton do início ao fim. Óbvia também é a influência dos dois filmes que referenciei no início, com o casal a falar sobre a vida, amor e sexo.
O problema é que Delpy não tem nada a dizer a não ser que os franceses são um povo sem o mínimo de sensibilidade nem maneiras, que falam de sexo como quem discute o tempo, sem pudor nem noção do privado. Toda a gente que está numa relação sofre horrores, mas antes sofrer a maior parte parte do tempo do que estar sozinha. E pronto.
Tudo o mais é inconsequente, tanto faz, é uma sucessão de banalidades mais ou menos imbecis, que pouco ou nada interessam, num arrastar penoso do tempo até ao happy ending despropositado.
Se Delpy só é capaz disto, deve manter-se como actriz...

terça-feira, setembro 18, 2007

Joseph Garcin, o indefinido

Está definido. Vou mesmo ficar com o papel de Joseph Garcin no Godot nos Infernos, a peça que vamos estrear no Instituto Franco-Português a 10 de Janeiro.
Ontem foi a distribuição de papeis e primeiro mini-ensaio "a sério".
O Alexandre é muito intreventivo como encenador, tem uma noção precisa do que quer dos personagens em cada momento, corrigindo os actores e explicando o que pretende.
Da minha parte, para primeira abordagem, fui do mais desastroso que se pode imaginar, cabotino, péssimo. Felizmente temos muito tempo para melhorar, espero estar a par com o papel...

Música da Semana

João Aguardela (Sitiados) e Luis Varatojo (Peste & Sida), depois de alguns anos em projectos de sucesso considerável, resolveram-se juntar e formar A Naifa, banda com voz de Maria Antónia Mendes, e que reutiliza o fado em formatos a que este não está habituado, misturando com sons pop, rock, jazz e electrónico.
O seu primeiro albúm Canções Subterrâneas captou-me a atenção há dois ou três anos, apesar deste 3 Minutos Antes da Maré Encher, o seu último trabalho, me soar a mais do mesmo.
Para esta semana, fica Rapaz a Arder, do primeiro disco, música que me serve de pano de fundo a uma cena imaginada de um argumento ainda não escrito...

segunda-feira, setembro 17, 2007

Improv, the end.


Sexta-feira foi a última aula do workshop, toda inteiramente dedicada a improvisação em bablação. O cenário era o seguinte um dos alunos era um conferencista importante que só fala a lingua blablabla. O outro era o tradutor para português, sendo a restante turma a audiência. Dois a dois fomos subindo a cena. O conferencista tinha que se fazer entender numa lingua que não existe, mas sem recorrer a mímica, apenas sublinhando com gestos, pose, tom, aquilo que dizia. O tradutor tinha, em sintonia, que compreender e desenvolver o que estava a ser dito, era uma verdadeira contracena, trabalho de equipa.
O exercício durou a aula toda, serviu para treinar a nossa atenção, a leitura que fazemos do outro, capacidade de improviso, de manter o fluxo da cena perante o imprevisto e até o absurdo, foi uma excelente aula. No fim de cada improviso havia uma crítica dos nossos colegas e do professor. O que é que correu bem, e mal, o que podia ter sido desenvolvido, e porquê?
No fim da aula uma pequena avaliação do curso. Um tiro como o Pablo lhe chama, que ele deu a cada aluno, pelo que conseguiu observar em apenas 4 dias. Depois o reverso da medalha, cada um de nós avaliou professor e curso.
Da minha parte achei, pelo curto tempo que tive, que foi dos melhores professores de teatro que conheci. Sempre objectivo, claro, com caminho definido, profissional, com capacidade técnica mas também criativa, crítico mas não censor, gostava de poder ter trabalhado mais tempo com ele.
Quem sabe no futuro...

sexta-feira, setembro 14, 2007

Voz...

Então e falar com esforço físico? Quando fazemos força esticamos os músculos, fazemos esgares, suamos e a voz sai arrastada, arranhada, impreceptivel. Em palco, mesmo em situações de limite físico, a voz tem que sair clara, perceptível, colocada. Ontem fizemos exercícios de equilibrio, sustentação do outro, força, tensão, mas sempre com o texto a ter que sair limpo, claro, como se estivessemos sentados numa cadeira.

A partir daí a voz ficou como o centro da aula, colocação, pronuncia, trabalho sobre as diversas caixas de ressonãncia do corpo, na boca, nariz, testa, nuca.
Terminámos a aula com mais um pequeno momento de bablação.
Amanhã é o último dia. Acabou demasiado depressa, ainda tenho tanto para aprender...

quinta-feira, setembro 13, 2007

Não passa nada


Segunda aula do workshop de Voz e Acção Dramática. Desta vez, para além dos exercícios de respiração iniciais começámos a cantar o atirei o pau ao gato... Ok... Todos juntos, mesmo ritmo, até que o Pablo estala os dedos e todos nos calamos. Até ele estalar de novo e retomarmos a cantiga mais à frente, e todos no mesmo ponto. Ritmo interior, perceber e manter o ritmo e passo, masmo sem falar, sem exteriorizar.
Segundo passo, jogos com as mãos, como os miudos, com as cantilenas. Em pares, começámos ao ritmo do Pablo cantado por ele. Stop! Primeira regra: a responsabilidade de manter o ritmo do espectáculo é de todos os actores, não é de um só. Todos têm de cantar. Recomeçámos. Stop! Olhos nos olhos, concentração, sem olhar para as mãos, não podemos em palco fixar o olhar nos gestos à procura de certezas de movimento. Novo começo. Stop! Sem risos, nem sorrisos, nem caretas quando erramos, encolher de ombros, revirar de olhos, ou seja o que for. Cara séria, neutra, normal. Lidar com o erro, aprender a lidar com isso, sem desmanchar. "Não passa nada..." foi a frase que mais se ouviu. Erros em palco todos cometem, todos os actores falham texto, marcações, entradas e o espectáculo tem que continuar. Um esgar, um olhar, um movimento corporal denuncia, acentua o erro, quebra o ritmo e fluxo do espectáculo.
Continuámos com um jogo de samurais, para desenvolver a atenção, a resposta e a concentração com diversos estímulos e distracções presentes.
Postura, controlo, atenção, concentração, o espectáculo tem que continuar, sempre.
No fundo profissionalismo, trabalhado através de pequenos jogos, canções e lenga-lengas populares.
O workshop segue hoje.

quarta-feira, setembro 12, 2007

Na voz colérica do megafone, ainda vibram lagartos mutilados!

É daquelas frases que não se espera ouvir a não ser num ambiente de teatro...

Carlos Drummond de Andrade escreveu uma ode a Chaplin onde se pode ler:

"Ficaste apenas um operário
comandado pela voz colérica do megafone.
És parafuso, gesto, esgar.
Recolho teus pedaços: ainda vibram,
lagarto mutilado."


Palavra mutilada, juntam-se pedacinhos para criar uma rotina na primeira aula de Voz e Acção Dramática no Évoe com Pablo Fernando.
São apenas quatro dias, parte da minha tentativa de formação contínua em teatro, para colmatar as imensas falhas que tenho. Na verdade ainda mal comecei o meu caminho.
Foi uma boa primeira aula. Seis alunos, o suficiente para trabalhar mas sem se perder o contacto individual. Uma hora quase só com exercícios de respiração. Depois voz. Criação e imitação de vozes específicas, bem como perceber os passos para o fazer e o trabalho físico que envolve. Passámos para uma improvisação em bablação, língua(s) inventada(s) em que se desassocia a palavra da comunicação.
Acabámos a aula a apresentarmo-nos, em vez de ser no início.
Hoje segunda aula e depois ensaio com Os Hipócritas.

terça-feira, setembro 11, 2007

Tempo...

Ontem novo ensaio. Seria o último de leitura, onde iríamos discutir o texto e definir os personagens. Ensaio para as dez, como sempre. Quando nos sentámos para falar eram um quarto para as onze, às onze e cinquenta estávamos a ir para casa. Fiquei lixado. Uma noite inteira gasta para ficar uma hora a olhar para o vazio e ter pouco mais de outra hora de trabalho. Bem sei que não devia, que foi um dia especial porque um amigo do Alexandre esteve a ensaiar uma prova para o conservatório ali com ele e a coisa se atrasou, que eu próprio vou estar num workshop e chegar atrasado na próxima quarta, mas a verdade é que me deixou irritado. O cumprimento de horários não parece ser um forte do grupo, nunca começámos nenhum ensaio às dez, como previsto.
É algo que vai requerer alguma adaptação da minha parte, vou ter que aprender a lidar com os ritmos e timings do grupo.

Hoje começo no Évoe um workshop de quatro dia de Voz e Acção Dramática e outro para a semana de Leitura Dramatúrgica, isto enquanto que os ensaios arrancam a sério. É uma reentrada boa no ano.

Música da Semana

CAKE (em maiúsculas) é uma banda norte-americana de indie rock. Cada música, mais que uma melodia fenomenal, é uma pequena história contada, quase falada, que vamos descobrindo. Do seu quarto album, Comfort Eagle, o maior êxito foi Short Skirt/Long Jacket, mas para esta semana escolhi a história de um nobre austríaco que encomenda uma sinfonia em dó - Commissioning a Symphony in C.

segunda-feira, setembro 10, 2007

I Now Pronounce You Chuck and Larry

Sexta feira, vi-me em direcção ao cinema sozinho, a querer evitar muitos dos filmes interessantes que estão em cartaz, para os poder ver com a minha mulher.

Fui ao Alvaláxia, fazer render o cartão mensal, a pensar fazer uma sessão dupla, ou mesmo tripla de cinema.
Filmes de terror. Um género de que sou fã confesso, e que raramente arranjo companhia. Resolvi ver um. Infelizmente os horários jogaram contra mim. Sem problemas, escolho outra coisa qualquer, deixo o medo para a noite. Um pouco ao acaso fui ver o Declaro-vos Marido e... Marido.
Dois heterossexuais resolvem casar para ter benefícios na reforma, mas as investigações feitas a suspeitas de fraude fazem com que tenham que fingir ter uma relação a sério.
Comédia imbecil para estupidificar. Seja. Avancemos de peito aberto.
O filme começa por ser misógeno. Apresenta as mulheres como seres plásticos para serem usados e deitados fora, semi nuas o tempo todo, com piadas sexuais q.b. Em seguida passa a ser um filme homofóbico, piadas sobre homossexuais ao pontapé, com todos os clichés do género que se possa imaginar. Em seguida muda de rumo, torna-se politicamente correcto até ao nível do enjoo, tiradas de "abaixo a descriminação", "todos diferentes todos iguais", do mais básico e piroso que pode haver.

Saí do filme com um sorriso amarelo. Fui directo para casa, perdi a vontade de ver seja lá que filme fosse a seguir.

sexta-feira, setembro 07, 2007

Personagens III

A passo apressado pelas ruas da Baixa, quase choco com um homem de muletas, o peso dos anos marcado por toda a parte, cabelo ralo, olhos suplicantes, trazia na mão uma pomada e sentia-se desespero na voz trémula.
Cambaleante dirigiu-se a mim. Sem abrandar o passo desviei-me e continuei caminho, como faço de costume quando me abordam na rua a oferecer papeis, jornais, sorteios, inquéritos, droga, contrabando ou seja lá o que for.
Ele não queria de certeza oferecer, queria pedir. Ajuda.
Quando me sentei no Metro, quando parei, ficou-me aquela imagem na cabeça.

Personagens II

Na esquina da Rua dos Fanqueiros com a do Comércio, a dois passos da minha casa, assentou arraiais uma mulher, com sacos, cobertores e todas as magras posses que tem no mundo.
São poucos os sem-abrigo da zona, uma mão cheia deles que já conheço de vista. Esta nunca a tinha conhecido.
Tem uma particularidade, de noite, não sei se se transforma, não lha distingo os contornos da face, nem as rugas do corpo, mas uiva à lua como se fosse uma loba, gritando e ganindo pela madrugada...