sábado, setembro 29, 2007
sexta-feira, setembro 28, 2007
quinta-feira, setembro 27, 2007
O existencialismo...
Ontem ensaio, depois de uma segunda-feira em que não nos reunimos. Foi só a equipa do Sartre a ensaiar, quando ainda estamos em dúvida em relação aos actores que vão fazer a peça. Tivemos uma introdução muito interessante do Alexandre quanto à obra do filósofo e ao existencialismo, pano de fundo para esta metade da peça. Foi interessante e deu-nos uma perspectiva diferente daquilo que fazemos em palco.
A seguir leitura completa, apenas da nossa parte, que acho ter sido a melhor até hoje. Gosto bastante das duas actrizes que contracenam directamente comigo, e tenho confiança que este trio consiga levar aguentar-se muito bem.
Pessoalmente sofro um pouco de parte do complexo do Garcin, o meu personagem. Enquanto que ele precisa que lhe digam que ele não é cobarde, que é um homem de coragem, eu preciso que me digam que consigo fazer este papel, que tenho alguma capacidade como actor. Espero que as dúvidas se dissipem com o andar do tempo.
Gosto bastante deste projecto...
quarta-feira, setembro 26, 2007
Hairspray
"Good morning Baltimore!"
Em 1988 John Waters escreveu e realizou a sua estravagancia musical Hairspray. Quase duas décadas volvidas ela volta ao ecrã.
Um musical com humor, Hairspray tem a vantagem de nunca se levar a sério. Cai, ou melhor, atira-se de cabeça para todos os clichés do género, incorporando-os e brincando com eles, divertindo o público e os próprios autores no processo.
A crítica social é herança de Waters, mas não deixa de ser inesperada num filme deste género, abordando, mesmo que de forma superficial, temas como o racismo, o papel da mulher e o direito à diferença, numa sociedade obcecada pelo corpo.
A música fica no ouvido, a reconstrução de época é eficaz, fatinhos e cabelos no ponto, produção irrepreensivel, mas o que toda a gente paga para ver é o papel de John Travolta, mãe gorda e tímida da nossa heroina. Há que dar a mão à palmatória, Travolta não é o melhor actor do mundo, tem diversas deficiências mas tem coragem e fez escolhas de carreira inesperadas. Se foi Tarantino que o relançou com Pulp Fiction (se bem que o êxito da tripla Olha Quem Fala não lhe tenha feito muito mal), Travolta soube nos últimos 13 anos manter-se no topo graças a uma versatilidade e uma capacidade de arriscar louváveis.
Hairspray é um feel-good movie que nos deixa com um sorriso na cara e uma canção no ouvido.
terça-feira, setembro 25, 2007
Factory Girl
Os anos 60 foram abundantes em personagens iconográficos e Andy Warhol foi um deles. Se é verdade que o seu trabalho foi inovador, serviu-se da cultura popular como objecto de crítica e como punchline, acabando por ser uma parte integrante dessa pop-culture, a pop-art foi engolida pelo mainstream. Pessoalmente Warhol era um personagem bizarro, uma figura andrógina, incapaz de lidar com o seu passado familiar, intimidado pelo dinheiro e pela high-society, era um menino mimado, egoísta, auto-centrado, cobarde, fascinado pelas celebridades em que, em última análise, ele próprio se tornou. Era também um génio.
Música da Semana
É terça-feira, dia de mais uma canção semanal.
Quando vi a Ópera do Malandro em Lisboa (há 3 ou 4 anos talvez?) houve uma canção que me ficou na cabeça. Contava a história de uma prostituta (naquele caso dava a entender prostituto) que, apesar de repudiada pela vila, se vê em situação de salvar o povoado do ataque de um guerreiro estrangeiro. Se há uma coisa que gosto nos textos é que me transmitam imagens através de processos simples ou inesperados. É o que acontece aqui, com a descrição inicial da vida da mulher e também no final da noite "ela se virou de lado, e tentou até sorrir." É uma descriçaõ directa até, mas cria-me na cabeça a imagem de um corpo tortuado, o pequeno alívio de se mover e o esforço tremendo que é o sorriso, mas ao mesmo tempo, é esse sorriso que mostra como ela se sente depois de tudo ter acabado. Eu sei que é simples, mas este tipo de escrita diz-me muito. É um conto de ingratidão e de sofrimento, com uma bela letra (e música) de Chico Buarque, que aqui vos deixo na versão original dos anos 70, cantada pelo próprio Buarque: Geni e o Zepelim.
segunda-feira, setembro 24, 2007
sexta-feira, setembro 21, 2007
O Mil e Duzentos
quinta-feira, setembro 20, 2007
Dois fora...
A segunda desistiu por não conseguir conciliar horários no emprego. O trabalho por turnos tem essas desvantagens. Com outros dois sem ter a certeza se têm horário para ficar, arriscamo-nos a ter uma situação complicada. Tinhamos uma peça com oito personagens e dez actores, agora temos entre 5 a 7 actores para os mesmo oito personagens. Espero que a produção não fique comprometida e se consiga resolver a questão.
Às 22h30 começámos o ensaio. A leitura correu bem, foi a peça corrida de uma ponta à outra. Segunda voltamos à carga...
quarta-feira, setembro 19, 2007
2 Days in Paris
Julie Delpy ficou mais conhecida entre nós depois de fazer dupla com Ethan Hawke em Antes do Amanhecer, e mais recentemente Antes do Anoitecer (continuação do primeiro uma década depois).
Este 2 Dias em Paris é o seu segundo filme como realizadora e é o seu bébé, ela escreve, realiza, produz, monta, compõe músicas, canta e é a actriz principal desta comédia\drama romântica.
Um designer americano hipocondríaco e uma fotógrafa francesa histérica passam dois dias em Paris depois de terem tirado dez dias de férias em Veneza, antes de regressarem a casa, em Nova Iorque.
As influências de Woody Allen são mais que óbvias, Adam Goldberg tem os tiques todos de Allen e Delpy faz de Diane Keaton do início ao fim. Óbvia também é a influência dos dois filmes que referenciei no início, com o casal a falar sobre a vida, amor e sexo.
O problema é que Delpy não tem nada a dizer a não ser que os franceses são um povo sem o mínimo de sensibilidade nem maneiras, que falam de sexo como quem discute o tempo, sem pudor nem noção do privado. Toda a gente que está numa relação sofre horrores, mas antes sofrer a maior parte parte do tempo do que estar sozinha. E pronto.
Tudo o mais é inconsequente, tanto faz, é uma sucessão de banalidades mais ou menos imbecis, que pouco ou nada interessam, num arrastar penoso do tempo até ao happy ending despropositado.
Se Delpy só é capaz disto, deve manter-se como actriz...
terça-feira, setembro 18, 2007
Joseph Garcin, o indefinido
Está definido. Vou mesmo ficar com o papel de Joseph Garcin no Godot nos Infernos, a peça que vamos estrear no Instituto Franco-Português a 10 de Janeiro.
Ontem foi a distribuição de papeis e primeiro mini-ensaio "a sério".
O Alexandre é muito intreventivo como encenador, tem uma noção precisa do que quer dos personagens em cada momento, corrigindo os actores e explicando o que pretende.
Da minha parte, para primeira abordagem, fui do mais desastroso que se pode imaginar, cabotino, péssimo. Felizmente temos muito tempo para melhorar, espero estar a par com o papel...
Música da Semana
João Aguardela (Sitiados) e Luis Varatojo (Peste & Sida), depois de alguns anos em projectos de sucesso considerável, resolveram-se juntar e formar A Naifa, banda com voz de Maria Antónia Mendes, e que reutiliza o fado em formatos a que este não está habituado, misturando com sons pop, rock, jazz e electrónico.
O seu primeiro albúm Canções Subterrâneas captou-me a atenção há dois ou três anos, apesar deste 3 Minutos Antes da Maré Encher, o seu último trabalho, me soar a mais do mesmo.
Para esta semana, fica Rapaz a Arder, do primeiro disco, música que me serve de pano de fundo a uma cena imaginada de um argumento ainda não escrito...






