segunda-feira, outubro 01, 2007

China, China & Tian bian yi duo yun

O Sabor da Melancia e China, China fazem dupla no King. O primeiro é um deprimente drama musical antecedido pela curta de João Pedro Rodrigues. Comecemos pelo filme português. Não é mau, mas também não é bom. É o chamado filme morno, não incomoda nem entusiasma. Conta a história de uma chinesa que vive em Portugal, mãe infeliz com a sua vida, rotina diária com uma reviravolta final esperada. Pouco acontece, pouco hás a dizer, mas o tempo passa.
Já o filme de Tsai Ming-liang é exactamente o tipo de coisa para que tenho andado a perder a paciência. Um actor porno reencontra uma mulher que vive no andar de baixo da casa onde ele filma e "apaixona-se". Ela não sabe a profissão dele, até ao fim do filme. É um filme contemplativo, parado, lento, que se arrasta demoradamente de plano para plano. Depressivo, cinzento, até que, subitamente, são introduzidos números musicais extravagantes, cómicos levados ao absurdo, para cortar o clima. Do primeiro ao último minuto está repleto de cenas de sexo, de sexualidade, não de sensualidade - longe disso - o mais metafórica e auto-destrutiva que pode haver. Tudo sumado o filme é uma masturbação mental do realizador, sem nada para dizer, nem história para contar, nem sequer imagens particularmente diferentes ou perturbantes, apenas uma tentativa de chocar, de ser oh-tão-intelectual, oh-tão-profundo, oh-tão-à-frente, limitando-se a ser oh-tão-chato. Parafraseando uma amiga, como pode um filme com tanto sexo ser tão monótono?

Há melhores maneiras de gastar duas horas de vida...


sábado, setembro 29, 2007

sexta-feira, setembro 28, 2007

Avisam-se os senhores passageiros que é "puribido" fumar em toda a rede do metro.


É bom saber...

quinta-feira, setembro 27, 2007

Vista... curta! (passo a publicidade)



O existencialismo...

Ontem ensaio, depois de uma segunda-feira em que não nos reunimos. Foi só a equipa do Sartre a ensaiar, quando ainda estamos em dúvida em relação aos actores que vão fazer a peça. Tivemos uma introdução muito interessante do Alexandre quanto à obra do filósofo e ao existencialismo, pano de fundo para esta metade da peça. Foi interessante e deu-nos uma perspectiva diferente daquilo que fazemos em palco.
A seguir leitura completa, apenas da nossa parte, que acho ter sido a melhor até hoje. Gosto bastante das duas actrizes que contracenam directamente comigo, e tenho confiança que este trio consiga levar aguentar-se muito bem.
Pessoalmente sofro um pouco de parte do complexo do Garcin, o meu personagem. Enquanto que ele precisa que lhe digam que ele não é cobarde, que é um homem de coragem, eu preciso que me digam que consigo fazer este papel, que tenho alguma capacidade como actor. Espero que as dúvidas se dissipem com o andar do tempo.

Gosto bastante deste projecto...

quarta-feira, setembro 26, 2007

Hairspray

"Good morning Baltimore!"
Em 1988 John Waters escreveu e realizou a sua estravagancia musical Hairspray. Quase duas décadas volvidas ela volta ao ecrã.
Um musical com humor, Hairspray tem a vantagem de nunca se levar a sério. Cai, ou melhor, atira-se de cabeça para todos os clichés do género, incorporando-os e brincando com eles, divertindo o público e os próprios autores no processo.
A crítica social é herança de Waters, mas não deixa de ser inesperada num filme deste género, abordando, mesmo que de forma superficial, temas como o racismo, o papel da mulher e o direito à diferença, numa sociedade obcecada pelo corpo.
A música fica no ouvido, a reconstrução de época é eficaz, fatinhos e cabelos no ponto, produção irrepreensivel, mas o que toda a gente paga para ver é o papel de John Travolta, mãe gorda e tímida da nossa heroina. Há que dar a mão à palmatória, Travolta não é o melhor actor do mundo, tem diversas deficiências mas tem coragem e fez escolhas de carreira inesperadas. Se foi Tarantino que o relançou com Pulp Fiction (se bem que o êxito da tripla Olha Quem Fala não lhe tenha feito muito mal), Travolta soube nos últimos 13 anos manter-se no topo graças a uma versatilidade e uma capacidade de arriscar louváveis.
Hairspray é um feel-good movie que nos deixa com um sorriso na cara e uma canção no ouvido.

terça-feira, setembro 25, 2007

Factory Girl

Os anos 60 foram abundantes em personagens iconográficos e Andy Warhol foi um deles. Se é verdade que o seu trabalho foi inovador, serviu-se da cultura popular como objecto de crítica e como punchline, acabando por ser uma parte integrante dessa pop-culture, a pop-art foi engolida pelo mainstream. Pessoalmente Warhol era um personagem bizarro, uma figura andrógina, incapaz de lidar com o seu passado familiar, intimidado pelo dinheiro e pela high-society, era um menino mimado, egoísta, auto-centrado, cobarde, fascinado pelas celebridades em que, em última análise, ele próprio se tornou. Era também um génio.

Factory Girl - Quando Edie Conheceu Warhol, é a história de Edie Sedgwick, socielite que se fascinou e deixou fascinar por Warhol e pelo mundo da arte, fama, festas e drogas em que se movia.
Para quem se sente atraído pelos anos 60 e pelos personagens que nele habitaram, este é um filme bastante interessante. Mais do que a descida ao sub-mundo das drogas de uma menina rica fascinante (bom papel de Sienna Miller, apesar de não ter o ar inocente e arrebatador da original), é um inside look à The Factory, local onde Warhol e o seu gang criavam, viviam, num clima de liberdade, mas sustentado sempre por familias endinheiradas. Eram sanguesugas. Mas será possivel atingir niveis de criatividade e inovação artística sem experimentação? Será possivel criar estando sempre dependende do dinheiro? Quantas escolhas não são feitas apenas com base na necessidade de por comida na mesa?
Guy Pearce merece uma menção especial pela sua prestação como Andy, tendo Hayden Christensen a arrumar o elenco, um Dylan não-assumido.

Factory Girl é um filme interessante, sem nunca atingir níveis de exepção. A ver...

Música da Semana

É terça-feira, dia de mais uma canção semanal.
Quando vi a Ópera do Malandro em Lisboa (há 3 ou 4 anos talvez?) houve uma canção que me ficou na cabeça. Contava a história de uma prostituta (naquele caso dava a entender prostituto) que, apesar de repudiada pela vila, se vê em situação de salvar o povoado do ataque de um guerreiro estrangeiro. Se há uma coisa que gosto nos textos é que me transmitam imagens através de processos simples ou inesperados. É o que acontece aqui, com a descrição inicial da vida da mulher e também no final da noite "ela se virou de lado, e tentou até sorrir." É uma descriçaõ directa até, mas cria-me na cabeça a imagem de um corpo tortuado, o pequeno alívio de se mover e o esforço tremendo que é o sorriso, mas ao mesmo tempo, é esse sorriso que mostra como ela se sente depois de tudo ter acabado. Eu sei que é simples, mas este tipo de escrita diz-me muito. É um conto de ingratidão e de sofrimento, com uma bela letra (e música) de Chico Buarque, que aqui vos deixo na versão original dos anos 70, cantada pelo próprio Buarque: Geni e o Zepelim.

segunda-feira, setembro 24, 2007

1923-2007

Agora foi a vez de Marcel Marceau nos deixar... no silêncio.

Quando a luz dos olhos...


Quem diria que esta menina já deu uma volta inteira ao Sol...

sexta-feira, setembro 21, 2007

O Mil e Duzentos


Vamos para o mil e duzentos... é desta.
E a luz?
E o mil e cem?
E o dinheiro?
E a vista?
E a côr?
E a venda?
E o risco?
E a História? - e a nossa?
E...


O espaço.
O jardim.
O páteo.
O closet.
O local.
O futuro.
A escolha.
A bivó...
Os artistas - sorriso.
O mil e duzentos... até já.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Dois fora...


Ontem o ensaio devia ter começado às 21h. Às 21h30 ainda não tinha chegado toda a gente. Quando aconteceu, más notícias: a partir de ontem contamos com menos duas actrizes. Falta de motivação, de tempo, na verdade a impressão que ficou foi que uma delas saiu por não gostar do personagem. É um hobby, sim, mas num grupo de teatro ou se está disponível ou não. Se não se está então avisa-se de início, recuar por não se gostar de um personagem é que não é possivel, pelo menos não é possivel esperar que na próxima produção se tenha um papel, um actor num grupo faz parte do grupo, se quer sair, sai do grupo. Mas essa decisão não é minha.
A segunda desistiu por não conseguir conciliar horários no emprego. O trabalho por turnos tem essas desvantagens. Com outros dois sem ter a certeza se têm horário para ficar, arriscamo-nos a ter uma situação complicada. Tinhamos uma peça com oito personagens e dez actores, agora temos entre 5 a 7 actores para os mesmo oito personagens. Espero que a produção não fique comprometida e se consiga resolver a questão.
Às 22h30 começámos o ensaio. A leitura correu bem, foi a peça corrida de uma ponta à outra. Segunda voltamos à carga...

quarta-feira, setembro 19, 2007

2 Days in Paris

Julie Delpy ficou mais conhecida entre nós depois de fazer dupla com Ethan Hawke em Antes do Amanhecer, e mais recentemente Antes do Anoitecer (continuação do primeiro uma década depois).
Este 2 Dias em Paris é o seu segundo filme como realizadora e é o seu bébé, ela escreve, realiza, produz, monta, compõe músicas, canta e é a actriz principal desta comédia\drama romântica.
Um designer americano hipocondríaco e uma fotógrafa francesa histérica passam dois dias em Paris depois de terem tirado dez dias de férias em Veneza, antes de regressarem a casa, em Nova Iorque.
As influências de Woody Allen são mais que óbvias, Adam Goldberg tem os tiques todos de Allen e Delpy faz de Diane Keaton do início ao fim. Óbvia também é a influência dos dois filmes que referenciei no início, com o casal a falar sobre a vida, amor e sexo.
O problema é que Delpy não tem nada a dizer a não ser que os franceses são um povo sem o mínimo de sensibilidade nem maneiras, que falam de sexo como quem discute o tempo, sem pudor nem noção do privado. Toda a gente que está numa relação sofre horrores, mas antes sofrer a maior parte parte do tempo do que estar sozinha. E pronto.
Tudo o mais é inconsequente, tanto faz, é uma sucessão de banalidades mais ou menos imbecis, que pouco ou nada interessam, num arrastar penoso do tempo até ao happy ending despropositado.
Se Delpy só é capaz disto, deve manter-se como actriz...

terça-feira, setembro 18, 2007

Joseph Garcin, o indefinido

Está definido. Vou mesmo ficar com o papel de Joseph Garcin no Godot nos Infernos, a peça que vamos estrear no Instituto Franco-Português a 10 de Janeiro.
Ontem foi a distribuição de papeis e primeiro mini-ensaio "a sério".
O Alexandre é muito intreventivo como encenador, tem uma noção precisa do que quer dos personagens em cada momento, corrigindo os actores e explicando o que pretende.
Da minha parte, para primeira abordagem, fui do mais desastroso que se pode imaginar, cabotino, péssimo. Felizmente temos muito tempo para melhorar, espero estar a par com o papel...

Música da Semana

João Aguardela (Sitiados) e Luis Varatojo (Peste & Sida), depois de alguns anos em projectos de sucesso considerável, resolveram-se juntar e formar A Naifa, banda com voz de Maria Antónia Mendes, e que reutiliza o fado em formatos a que este não está habituado, misturando com sons pop, rock, jazz e electrónico.
O seu primeiro albúm Canções Subterrâneas captou-me a atenção há dois ou três anos, apesar deste 3 Minutos Antes da Maré Encher, o seu último trabalho, me soar a mais do mesmo.
Para esta semana, fica Rapaz a Arder, do primeiro disco, música que me serve de pano de fundo a uma cena imaginada de um argumento ainda não escrito...