Contos em Viagem - Cabo Verde
Teatro Meridional
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Foi ontem no Frágil o lançamento destes Contos de Algibeira, uma edição Casa Verde, que reune textos de dezenas de autores portugueses e brasileiros, numa aventura conjunta de gente que nunca antes tinha trabalhado junto, nem sequer se conhecia. Tratam-se de micro-ficções, com o máximo de 500 caracteres, alguns a ocupar apenas duas ou três linhas. Pequenas histórias, normalmente carregadas de humor, pequenas reflexões do quotidiano.
Ontem, no Frágil, tivemos apenas meia dúzia de conhecidos e desconhecidos, para ouvir o Jorge Silva Melo divagar um pouco sobre esta colecção de textos. É daquelas pessoas que vale sempre a pena ouvir falar, seja sobre literatura seja sobre o que for, foi bom revê-lo e dar-lhe um abraço.
Quanto ao livro é interessante, os textos são inteligentes, surpreendentes até, para além do facto que o Alexandre Borges, nosso ilustre encenador, é um dos autores.
No final, três das actrizes d'Os Hipócritas (o meu grupo de teatro), leram de forma descontraida e informal, uma selecção de textos. Uma noite bem passada.
Contos de Algibeira. Nas lojas...

Até segunda-feira ficam as marcações da peça feita. Falta um mês para a estreia, parece imenso tempo, mas na verdade com a paragem durante o Natal, sobram apenas duas semanasem Dezembro. Três ensaios por semana, duas horas por ensaio. É pouco, muito pouco... Sinto o tempo a escorrer-me por entre as mãos, felizmente tenho tido mais facilidade do que pensei em decorar texto. Não para a frente, mas o texto marcado é mais facilmente memorizado, suponho que é lógico, mas sendo esta a primeira peça a sério que faço, todas as pequenas conclusões óbvias a que chego são para mim quase que revelações...
10 de janeiro... tão perto...
Robert Zemeckis depois de ter realizado o filme Polar Express, animação que utilizava uma técnica de motion capture para reproduzir os gestos e expressões dos actores em cena, com um realismo considerável, apaixonou-se por esta nova tecnologia. Avançou então para este novo projecto, baseado numa lenda britânica, um poema épico escrito há mais de mil anos. A grande inovação é a utilização do 3D, uma técnica recente que foge dos óculos tradicionais azul e vermelhos, para um efeito mais fiel e sem as habituais consequências do método anterior (dores de cabeça, etc).
Se é de técnica que se fala, então Beowulf é um filme notável, a animação é primorosa e o 3D perfeito, principalmente com a noção de profundidade que é imensa. Não saem coisas do ecrã em direcção ao público, não nos esquivamos de setas (nesse aspecto a Disney está anos à frente), mas continua a ser impressionante. Só por essa experiência merece a visita.
Como filme é fraco, uma história demasiado linear, demasiado focada nas cenas de acção, preocupada com o aspecto visual em deterimento do desenvolvimento do argumento. É uma pequena desilusão, Angelina Jolie tem mais sensualidade ao vivo de t-shirt sem maquilhagem, do que em todo o filme, como ser sedutor, irresistivel.
Monstros, dragões, batalhas, tudo se foca exclusivamente nesse ponto, onde o abuso de técnicas a lembrar Bruce Lee, ou mesmo Matrix, tornam essas mesmas sequências demasiado inacreditáveis.
Enfim, é um filme pipoca, com uma lógica de parque de diversões.
Confesso que a minha relação com Arcade Fire não tem sido fácil. Quando os conheci pela primeira vez foi por mero acaso, numa Virgin, em que os pus a tocar à sorte. Não me convenceram. Quando vieram a Portugal tive diversos amigos em pulgas para os ver, e todos me disseram maravilhas do espectáculo. Dei-lhes uma segunda oportunidade. Continuaram sem me convencer. Há pouco tempo pus o Funeral a tocar no carro, um pouco por falta de alternativas. Pouco a pouco fui mudando de opinião, até chegar ao ponto de ouvir uma música em repeat. Essa canção é Rebellion (Lies), e é a minha escolha para música da semana.
Enjoy...
Aki Kaurismäki é um cineasta que, por minha falha, não conhecia. Finlandês multi-premiado com longa carreira, tem agora o seu último trabalho em exibição em Portugal: Luzes no Crepúsculo.
Um homem solitário vê-se envolvido num crime quando é seduzido por uma mulher fatal.
Fraude e génio, já ouvi dizer de tudo sobre este autor, o que vi não me seduziu mas também não me deixou indiferente. Kaurismäki filma com uma distância tremenda dos seus personagens, com uma frieza, um afastamento que se reflecte numa estética pouco naturalista, forçada, como se pintasse frios quadros de uma paisagem árida, crua, feia até. Não existe grande amor, ódio ou remorso, apenas gestos quase mecânicos, sentimentos que afloram apenas a pele e escorrem demoradamente para o chão.
Não existe uma beleza interior, nem paisagens idílicas, mas uma certa angústia apática, como se aceitasse tudo o que acontece com pálida indiferença.
É pelo menos curioso, merece mais do que apenas 3 pessoas numa sala.
Ao ver o Across the Universe fiquei com uma vontade enorme de voltar a Beatles. Não esperei, fui à Fnac comprar o Sgt. Peppers Lonely Heart's Club Band. É o album mais marcante de uma época, de uma geração, e das peças de música mais influentes de sempre. Quebrou barreiras como nunca ninguem e poucos depois o fizeram, com a introdução de revoluções em termos estruturais, melódicos, temáticos, e até de produção num dos mais imitados e emblemáticos trabalhos que conheço.
Aqui fica a genial canção de encerramento, A Day in the Life...
Chega a altura do Natal e os filmes com o target familiar começam a brotar por todos os lados. Apesar de ser um terreno tradicionalmente dominado pela Disney, estes últimos anos tem-se assistido ao surgimento de diversos filmes de outras casas a atacar este target. A Walden Media é uma das concorrentes com pretensões no mercado.
Julie Taylor, realizadora de Frida, teve uma ideia, fazer um filme que tivesse como base a música dos Beatles. Assim nasceu o musical Across the Universe, que segue a história de um rapaz inglês que parte para os EUA à procura do pai, acabando por criar amizade com um grupo de americanos, no meio do turbilhão dos anos 60.
Across the Universe é um filme visualmente cativante, vivo, cheio de cor, um pouco alucinado até. Conta com um grupo de actores fantástico, de onde Evan Rachel Wood e Jim Sturgess
se destacam. Gosto de ver performances onde tudo é natural, onde ninguem parece estar a representar, e as coisas fluem naturalmente. A música, essa então dispensa apresentações, rodeia-nos, seduz-nos, faz viver o filme.
... dias uteis por semana. Agora são três ensaios semanais. O tempo começa a escassear, mês e meio não é muito, e o trabalho pela frente é ainda intenso. Mas a peça começa a tomar forma. Aos soluços, tropeções, a crescer lentamente, mas com um rumo que começa a parecer cada vez mais definido. Quando a mim, sinto-me mais à vontade no personagem, começo a saber, até mais instintivamente, as reacções do Garcin, o que pensa, o que sente.
10 de Janeiro, cada vez mais perto...