O fim de semana da estreia
Sexta-feira, 11 de Janeiro, 21h30. As portas abertas, o público ocupa os seus lugares. À espera de entrar eu tentava dominar os nervos. Fútil esforço. De repente um pensamento assolou-me: as cadeiras. As cadeiras, que têm um papel central na peça, não estavam no sítio. E agora? O pano está aberto! Avisar alguém, seja quem for, rápido! A tensão aumentou, a desconcentração também. Quando a peça começa eu estava um caco. Ninguém me ouvia, tropeçava, tremia (e respirar como me lembrou depois a Sofia?) falhei texto. Uma deixa pendurada, e agora foram-se as palavras, embrulhei texto, saltei falas, escorreguei periclitante à beira do percipício. Para recuperar, para me equilibrar virei-me para o exagero. Tenho uma tendência natural para o over-acting, neste caso foi catastrófico.












