terça-feira, janeiro 22, 2008
segunda-feira, janeiro 21, 2008
Equilibrio
sexta-feira, janeiro 18, 2008
Tinha que ser agora não tinha?
quinta-feira, janeiro 17, 2008
Pela Estrada Fora
A ler o On The Road do Jack Kerouac, estou nas grandes planícies de Ford e Hawks, nos road movies dos anos 60 e 70, um James Dean, um Easy Rider, com jazz nos ouvidos, Miles Davis, Dizzy Gillespie, uma gaita de beiços no cair da tarde, um country-western no ar, o banjo a ressoar no pelo céu púrpura, ou até mesmo, mais recente, Shawn Mullins em Twins Rock, Oregon. Comboios de carga cruzam o horizonte, os cheiros mudam, uma ponta de tensão enquanto subo a bordo.
Ao de leve, uma brisa quente toca-me no rosto.
Até que levanto a cabeça, ouço um terrivel chiar nos ouvidos. Na estação do Marquês empurro-me por entre a turba para chegar a uma nova carruagem, pés rápidos apressados, colónia de formigas, pontos negros do qual sou apenas mais um.
E por um momento, apenas um segundo, senti-me ridículo.
quarta-feira, janeiro 16, 2008
Charlie Wilson's War
Pois é verdade. Em 2007 os liberais americanos levantaram-se contra a guerra no Iraque, seja com reflexões políticas como em Lions for Lambs, denúncias pesadas como em Redacted ou nesta farsa baseada em factos verídicos de Mike Nichols, Jogos de Poder.
Segue a história do senador Charlie Wilson que, practicamente sozinho, armou os Mujahedin afegãos para expulsar os Russos (que invadiram o Afeganistão nos anos 80), contribuindo de forma decisiva para a queda do império soviético e do bloco comunista. Resta dizer que eu sei que tudo isto é mentira. Sei que foi o Rambo que sozinho deu cabo dos vermelhos, que eu até vi o Rambo III em 1988, na altura os bons e os maus eram outros, mas adiante.
Nichols constroi uma farsa muito inteligente, onde divaga sobre os bastidores do poder, a ligação entre a política, o dinheiro, os media, sobre a forma absolutamente surpreendente como se lida com as grandes questões mundias da actualidade, numa teia de favores, contactos e até bastante inguenuídade.
Carregado de nomes sonantes, Tom Hanks irrepreensível, Julia Roberts e mais um grande papel de Philip Seymour Hoffman, Jogos de Poder avança por uma linha onde o espanto e o sorriso andam de mão dada, num tecer com mestria de uma história, de um ciclo, de gargalhada até, sempre sublinhada pela tragédia subjacente: foram os mesmos mujahedin, armados e treinados pela CIA, que se viraram contra os EUA e são hoje desenhados como o demónio aos olhos do mundo.
A mensagem não é nova, mas o filme é belíssimo, divertido, contagiante. A não perder.
terça-feira, janeiro 15, 2008
Eu já cá desconfiava... (tão gay ser homofóbico!)
E não é que a teoria do Duarte estava certa?
Encontrei via Devaneios Desintéricos...
Música da Semana
Terça-feira, dia de mudar a música da semana. É com tristeza que digo adeus ao Carlos Gardel (nesta versão de Piazzola), a música ficou comigo durante muito tempo.
Mas, terça é terça, portanto...
Saltar sim, sair da peça? Já é mais dificil. Pelo menos por enquanto. Portanto a música desta semana está também na "banda sonora" deste Godot nos Infernos.
Aqui fica Sympathy for the Devil dos Rolling Stones...
Sing it Inês...
Foto: Sofia Maul
segunda-feira, janeiro 14, 2008
O fim de semana da estreia
Sexta-feira, 11 de Janeiro, 21h30. As portas abertas, o público ocupa os seus lugares. À espera de entrar eu tentava dominar os nervos. Fútil esforço. De repente um pensamento assolou-me: as cadeiras. As cadeiras, que têm um papel central na peça, não estavam no sítio. E agora? O pano está aberto! Avisar alguém, seja quem for, rápido! A tensão aumentou, a desconcentração também. Quando a peça começa eu estava um caco. Ninguém me ouvia, tropeçava, tremia (e respirar como me lembrou depois a Sofia?) falhei texto. Uma deixa pendurada, e agora foram-se as palavras, embrulhei texto, saltei falas, escorreguei periclitante à beira do percipício. Para recuperar, para me equilibrar virei-me para o exagero. Tenho uma tendência natural para o over-acting, neste caso foi catastrófico.
sexta-feira, janeiro 11, 2008
Ensaio com público
Mais de 50 pessoas??? Isso não é bem um ensaio, é quase uma ante-estreia... Ontem tivemos o último ensaio que, devido à assistência inesperadamente grande, foi transformada num espectáculo a sério. Ainda sem video. Esse vai ser uma surpresa para a estreia, para o público e, principalmente, para nós. A ver vamos, vai ser uma "estreia" na estreia...
O meu fato está assombrado. Ante-ontem manchei o joelho. Levaram o fato para o limpar. A limpeza borrou o fato (mas disfarçadamente). Ontem, no mesmo sitio, voltei a sujar o fato. Ninguem faz a mínima ideia (eu incluído) onde carga de água é que me sujo, nem porquê no joelho... É mistério... Eu descofio que existem pequenos duendes com latas de tinta que se divertem a pintar-me quando eu estou em palco. Para quem for à peça... procurem-nos e avisem-me!
Hoje às 16h30 Hipócritas no Curto-Circuito na Sic Radical, para quem quiser ver.
Hoje às 21h30 Hipócritas no Franco-Portugais. A estreia...
quinta-feira, janeiro 10, 2008
Ensaio Geral
quarta-feira, janeiro 09, 2008
Palco
terça-feira, janeiro 08, 2008
Música da Semana - Godot nos Infernos
Esta semana não podia ter aqui outra música. Carlos Gardel compôs na década de 30 este tango, que ouvi pela primeira vez no filme Perfume de Mulher em versão instrumental, tal como a apresento aqui.
É um tango magnífico, particularmente forte e tocante, sem voz então acho-o mesmo soberbo.
É o pano de fundo de uma das cenas mais fortes da peça que estreio no franco-português na sexta-feira: Godot nos Infernos.
O texto por si só é agonizante, mas ao som de Gardel ganha um novo corpo e força. Assim sendo aqui fica Por Una Cabeza. E sexta ali tão perto...
Sopro do género Aprender Palco, O som da ventania
Soprado por MPR às 08:07
segunda-feira, janeiro 07, 2008
National Treasure: Book of Secrets
Para abrir o ano é costume ir ao cinema. Ter um cartão de filmes tem imensas vantagens, nomeadamente o facto de se poder ir ao cinema as vezes que se quiser por um preço muito acessivel. Por outro lado, acaba por limitar as salas de cinema a que se tem acesso e, consequentemente, os filmes que se pode ver. A escolha de dia 1 acabou por recair em O Tesouro: Livro dos Segredos. Grande êxito nos EUA, que também não se está a portar mal no resto do mundo.
sexta-feira, janeiro 04, 2008
Godot nos Infernos
Aqui está ela. A peça que me tem marcado os últimos meses. Agora é a sério. Bem o mal, estreia dia 11. Para quem estiver interessado, aqui fica, o melhor que consigo dar.
"
Ok. Nem Deus nem o Diabo atendem.
Então, quem me vem buscar?
Inês, Estelle e Garcin estão no inferno. Mas não há fogo eterno nem demónios nem tridentes. Não há, sequer, outros condenados. O espaço não é vermelho nem quente, mas vazio. Há três canapés e uma estátua do Super-Homem. Nenhum espelho. A única coincidência com o imaginário colectivo é talvez o Criado, que poderia ser Caronte. Vladimir e Estragon estão no mundo, parece. Mas não há casas nem árvores nem carros nem portas nem janelas nem outras pessoas. Apenas uma árvore de natal. Artificial. Depois, vêm Pozzo e Lucky, mas sabem tanto ou tão pouco do mundo como Didi ou Gogo. Nada mais. Existir é isto, dum lado e doutro da vida. A menos que alguém venha. "
Instituto Franco-Portugais
Sextas e Sábados 21h30 (dia 18 de Janeiro não há espectáculo)
Domingos 17h00 ( apenas dias 20 de Janeiro e 10 de Fevereiro)
Texto, Adaptação e Encenação: Alexandre Borges
Elenco: Ana Chambel l Filipa Pais de Sousa l Manuel Barbosa l Miguel Pires Ramos l Selma Totta l Sara Totta l Sheila Totta l Sofia Ribeiro l Ricardo Lérias
Cenografia: Filipa Ribeiro da Silva
Caracterização: Sílvia Soares
Fotografia de Cena: Sofia Maul
Minha?
Ensaios diários agora que a estreia está a uma semana de distância. Já desde dia 2 com fim-de-semana incluido.
Ontem o ensaio começou com uma conversa. O que estava bem, o que estava mal, no geral e com cada um de nós.
Começou por mim. Descobri que a abordagem que estava a fazer ao personagem estava completamente errada. Pior, descobri que de ensaio para ensaio tenho performances oscilantes e que por vezes trago nas costas a culpa do arrastar do espectáculo.
A uma semana da estreia esta crítica caiu em cima de mim como uma bomba. Pensei, é desta, não consigo mesmo fazer isto e a peça inteira vai ser arrastada para o buraco por mim.
Depois continuou a conversa. Mais de uma hora com todos.
Subimos.
Os nervos à flor da pele, concentração, mudei em absoluto a abordagem, exsplorei, tentei novos caminhos.
No fim a reacção foi positiva. Ao que parece é por aqui mesmo.
Mas a tensão não desaparece... Consigo dar a volta a este Garcin?







