JC
Foi uma questão de última hora, não tinha pensado em máscara de carnaval. Com a barba já a pedir tesoura pensei que só podia escolher um de dois personagens, ou ia de Che ou de Cristo. Escolhi o segundo, mais facilmente reconhecivel, mais interessante de representar talvez, e definitivamente mais a ver com a época.
Túnica, cabeleira comprida, corda, coroa de espinhos, sem maquilhagem, pose serena, in charachter durante 4 horas a noite inteira.
O que eu não tinha previsto era a reacção das pessoas. No carnaval no Bairro é normal que as pessoas se metam, o clima é de festa, as máscaras ajudam e o alcóol solta as línguas e os espíritos. Mas há certas personagens que tocam uma nota emocional maior que outros, e dê lá por onde der, Jesus Cristo é a figura central da sociedade ocidental. Era o único Cristo na rua, o que ajudou, no meio de trinta diabos, muitos travestis, palhaços, zorros, piratas e outros que tais, os comentários eram a rodos. A noite toda me pediam a benção, salvação, cada padre me chamava chefe, toda a gente brincava, falava, metia-se, pediam fotos, trocavam piropos. 4 horas em personagem. Foi divertido, há realmente coisas com que toda a gente se identifica.








