segunda-feira, maio 12, 2008

Iron Man

Os últimos anos têm sido abundantes em adaptações de livros de super-herois ao cinema. O desenvolvimento dos efeitos especiais digitais permitiram que estes filmes fossem mais fieis às bd's originais, dando asas verdadeiras ao Super-Homem, permitindo todas as acrobacias ao Homem-Aranha e dando aos X-Men, Quarteto Fantástico, Batman e companhia, força para destruir metade do mundo.
Eis que chega o Homem de Ferro, a mais recente adaptação da Marvel ao grande ecrã, um dos seus nomes menos amados, mas que entrou com uma força que não se via desde o Homem-Aranha. 177 milhões de dólares em dois fins-de-semana, só no mercado americano, outro tanto no resto do mundo, faz deste filme um êxito colossal, abrindo caminho para pelo menos mais duas sequelas, está prevista a primeira já para 2010.
Jon Favreau, actor cómico que já realizou um punhado de filmes, toma o leme deste Homem de Ferro, fazendo de uma forma mecânica aquilo que todos os outros filmes já tinham feito. Uma pitada de humor, acção q.b., efeitos especiais em barda e o sucesso garantido. Todo flui sem surpresas nem sobressaltos, não entusiasma nem compromete, é morno, pensado para encher o olho, mas sem muito por baixo.
Para desligar o cérebro e acompanhar sonolento.

sexta-feira, maio 09, 2008

We Own The Night

James Gray não é um realizador que tenha um passado por aí além e não é com Nós Controlamos a Noite que passará a ser.

Um velho comandante de policia tem dois filhos. Um seguiu as pegadas do pai, o outro é gestor de um bar e trabalha para uma familia russa com ligações à Máfia Russa. Quando a policia resolve montar um ataque ao crime organizado, nomeadamente o russo, os dois irmãos vão estar de lados opostos da barricada.
Nós Controlamos a Noite começa de forma prometedora, uma cena de coito interrompido forte, o ritmo da fita era elevada, Eva Mendes escorria sensualidade e Joaquin Phoenix mantinha o nivel. O confronto entre os dois lados não era óbvio, as dúvidas morais e principalmente de lealdade apareciam em cada esquina. Quem é a tua familia, a de sangue ou aquela com quem crias laços, de quem dependes e te apoia?
O problema é que, um pouco à laia de Dia de Treino, às páginas tantas o filme precisa de tomar um partido, transforma as zonas cinzentas em preto e branco, bem e mal, destruindo todo o suporte do argumento. Passam a ser os bons contra os maus, passa a ser banal, trivial, desinteressante.

quarta-feira, maio 07, 2008

Indie Report - Curtas



Foi vergonhoso, este ano o Indie passou-me ao lado. Fui à sessão de abertura vi o My Blueberry Nights e depois fui apenas a duas sessões, de curtas, do Indie Junior.
É sempre refrescante ver estes pequenos grandes filmes, que contam com a imaginação acima de todas as coisas, havendo espaço para surpresas e até para pequenas pérolas non-sense como o KJFG Nº 5, ou curtas ternas como OKTAPODI, ou deprimentes como o trágico suicídio em AZUL.
Passou o Indie e eu, sem arranjar tempo para olhar para ele com olhos de gente.
Para o ano...

terça-feira, maio 06, 2008

Música da Semana

Está a caminho, chega a 22 de Maio, basta ouvir a música e fico a saber que não há como perder este filme. Pode ser uma desilusão, pode ser um autêntico cataclismo, mas não importa, quando o Indy chegar eu vou estar lá para ver...
Aqui fica o tema (sem ser uma versão brilhante)...

segunda-feira, maio 05, 2008

George A. Romero's Diary of The Dead

Romero deu os seus primeiros passos no cinema com uma obra que se transformaria rápidamente num cult classic, A Noite dos Mortos Vivos. Este filme não só inauguraria uma carreira, e daria o mote para uma série épica de filmes de zombies, que se transformaram na imagem de marca de Romero, fazendo esquecer por completo que não só de mortos-vivos se fez a filmografia deste homem.
O que difere Romero de muitos outros realizadores de filmes de terror é que, por detrás da carne putrefacta e dos membros desfeitos, se esconde, timidamente primeiro, mais vigorosamente depois, uma intensa crítica social.
Cinco filmes, com um sexto previsto para o ano, sem nenhuma ordem cronológica específica, mudando, evoluíndo, adaptando-se a uma realidade em constante evolução.
No seu último filme, O Diário dos Mortos, Romero leva a sua saga dos mortos a um terreno que Blair Witch Project popularizou, apesar de aqui se ver mais a mão de Redacted do que dessa mal fadada caça às bruxas. O tema já não é tanto a praga zombie, nem sequer os sustos que aqui já escasseiam, mas sim o uso da imagem, um olhar sobre a tal democratização que as câmaras digitais, os telemoveis capazes de gravar filmes, o youtube, os blogs e toda a internet supostamente trouxeram ao mundo. O perigo não jaz apenas no "outro" jaz em cada um de nós.
O problema é que, ao contrário de A Terra dos Mortos, aqui Romero preocupa-se tanto com passar a sua mensagem, a sua crítica, que se esquece do aspecto mais importante, está ali a fazer um filme, que conta uma história, que tem que estabelecer uma ligação com o espectador. Aqui não o faz. Há momentos interessantes, mas a maior parte do tempo passa sem que nada se sinta, nem medo, nem revolta, nem dor.
Talvez por isso A Terra dos Mortos tenha feito em 2005 mais de 46 milhões de dólares e este Diário dos Mortos nem consiga chegar aos 3.

sexta-feira, maio 02, 2008

Coeurs

Alain Resnais não é o cineasta mais produtivo do mundo, basta dizer que o autor da dupla Smoling/No Smoking, fez desde 1993 apenas três filmes.
Corações é o seu último trabalho, realizado já em 2006, mas que só agora encontrou o seu caminho até às salas portuguesas.
Tendo a peça de Alan Ayckbourn, Private Fears in Public Places como base, segue seis personagens nas suas desventuras amorosas, o filme foi destinguido com o prémio de melhor realização em Veneza.
Num registo tragi-cómico que lhe é habitual, Resnais tece uma rede de relações e encontros delicada, sempre no fio da navalha entre o humor leve e o peso daquelas vidas cuja identidade comum é, no fundo, a solidão.
Para tal tem um elenco talentoso, dos nomes maiores do cinema francês, aquele grau de actor que faz parecer tudo tão fácil, tão simples.
Numa nota mais pessoal, isto apesar de não conseguir realmente encontrar nada de errado com o filme, não sei se foi do dia ou da disposição, mas Corações não me tocou, passei algo indiferente por toda a experiência, e a verdade é que não sei explicar porquê. Há sempre algo de inconsciente nestas coisas e o meu não estava para aí virado.

quarta-feira, abril 30, 2008

Onde Vamos Morar


Há textos que nos conseguem seduzir logo desde as primeiras linhas.
Confesso que quando vou ver os Artistas Unidos, vou munido de uma desconfiança alimentada por algumas experiências recentes menos conseguidas. Injusto talvez, que não vi todas as peças do grupo (Stabat Mater foi uma das falhas maiores) e já por outras vezes fui agradavelmente surpreendido. Quando resolvi ir ver Onde Vamos Morar fui motivado por apenas uma coisa, o regresso de Sérgio Godinho aos palcos.
Logo de início, este texto fragmentado de José Maria Veira Mendes é sedutor. Faz um jogo inteligente com as palavras, as emoções e expectativas, em diálogos, quase monólogos, de gente perdida - Tenho de comprar um mapa de jeito. Pensava que me lembrava das ruas, mas nada. Esta cidade engana. - desalentada, triste, mas com um humor, um sentido de ironia que nos faz encarar aquelas vidas com um misto de surpresa, sorriso e angústia.
Sérgio Godinho tem sido, como seria de esperar, o centro da comunicação mediática da peça. Acaba por se revelar algo injusto, numa peça que tem tanto mais. A sua performance é sólida, terna até, um homem perdido na solidão da idade, mas ele não é a vedeta, é um elemento mais num elenco coeso (como deve ser). O elenco é soberbo (com raras excepções) com um enorme aplauso para um trio de Pedros, Pedro Carmo que abre a peça e destroi qualquer desconfiança que eu pudesse levar, Pedro Lacerda, num tom de tragi-comédia excelente, e Pedro Gil que fecha com chave de ouro este trio. Quem passa despercebida, mas tem um sorriso e uma presença que ilumina o palco, é Cecília Henriques, que merece olhar atento. O elenco funciona como um todo, sem que se note a presença ou o destaque excessivo deste ou daquele elemento, dando espaço e tempo para todos terem o(s) seu(s) momento(s).
No final, coisa que não fazia há muito naquele espaço, aplaudi de pé.
A não perder.



Onde Vamos Morar
Artistas Unidos

De: José Maria Vieira Mendes
Encenação: Jorge Silva Melo
Interpretação: Andreia Bento, Cecília Henriques, Pedro Carmo, Pedro Gil, Pedro Lacerda, Sérgio Godinho e Sílvia Filipe
Cenário e Figurinos: Rita Lopes Alves

Até 11 de Maio 2007
Quarta a Sábado - 21h30, Domingo - 17h

Artistas Unidos
Convento das Mónicas

Travessa das Mónicas
Telefone: 961 960 281
http://www.artistasunidos.pt/
info@artistasunidos.com

terça-feira, abril 29, 2008

Música da Semana

Faz parte da banda sonora de My Blueberry Nights, e foi a música que me fez descobrir que Paul Giamatti para além de ser um actor gigante (vénia, vénia) também sabe cantar (em Duets).
Aqui fica a versão ao vivo de Otis Reading - Try a Little Tenderness...

segunda-feira, abril 28, 2008

Indie Report - My Blueberry Nights

Abertura do Indie deste ano. O tempo disponivel para visitar o festival é reduzido, mas mesmo sem grande assiduidade, há um ou dois dias que não queria deixar passar. A ver vamos.
Cerimónia de abertura com cocktail incluído. Da recepção inicial pouco há a dizer, uísque e cerveja, ponto final.
O filme escolhido para abrir as hostilidades foi o último de Wonk Kar Wai, My Blueberry Nights, o autor de 2046 e Dísponivel Para Amar, dá assim o seu primeiro passo em direcção ao ocidente, com actores ingleses, num filme co-produzido por franceses, passado nos EUA.
Nem cinco minutos são precisos para reconhecermos o toque do cineasta chinês, o uso da côr, os enquadramentos expressivos, a fotografia soberba, uma mise-en-scéne fabulosa, se bem com o uso excessivo da câmara lenta. Em termos de actores, My Blueberry Nights excede-se, Jude Law, Natalie Portman e Rachel Weisz são brilhantes como de costume, mas o destaque vai mesmo para o personagem de David Strathairn, um polícia alcoólico de antologia. É aqui que Norah Jones, no papel principal, se revela um erro de casting. Inexpressiva, morna, sonsa, fica a milhas do resto do elenco.
O problema é que o filme, apesar das suas forças, não consegue construir uma narrativa coerente. Parece uma montagem de 3 curtas, interessantes, mas inconsequentes. No final fica um sabor a pouco, My Blueberry Nights é uma promessa que o argumento nunca concretiza. Bonito, bem representado, mas inócuo em última instância.

Irrita-me ler alguns posts que escrevi e perceber como estão escritos com os pés. Feitos em dois minutos, sem revisão, sem sequer ter o mínimo cuidado com a ortografia, quando lá volto, dias depois, só me apetece morder-me. É como o último post... que coisa!!!!!!

quinta-feira, abril 24, 2008

The Bucket List

Rob Reiner não é um génio, mas é conhecido por fazer o tipo de filmes que são a base da indústria, entertenimento puro, sem ser brilhante, mas sem comprometer.
Nunca é Tarde Demais é o seu último filme, junta dois monstros do cinema actual numa história que se adivinhava previsível. No entanto, só para ver Nicholson e Freeman a actuar já vale o preço do bilhete.
Ao ver o trailer do filme fica-se a conhecer toda a história, de uma ponta à outra, sem surpresas nem sobressaltos, pode-se dizer que Nunca é Tarde Demais é um trailer de hora e meia. Os dois actores fazem aquilo que sempre fizeram, relativamente bem, mas em modo de piloto automático, Nicholson no seu over-actin caraterístico e Freeman no seu under-acting habitual. Nada de mal até aqui. O problema é que lá por um filme ser leve, divertido e sem despretensioso, não significa que seja banal ou desinteressante. Este filme usa todos os lugares comuns imagináveis, arrasta-se sem um pingo de imaginação ou criatividade, sem uma surpresa por mais pequena que seja, sem nada que não seja o expectável, feito de forma igual a milhares de outros filmes ao longo dos últimos cem anos. Não chateia, é verdade, e puxa à habitual lagriminha no final, mas para lição de vida é apenas mediana e sonolenta... Quer o realizador, quer qualquer um dos actores, já fez, de longe, filmes comerciais muito mais interessantes...

terça-feira, abril 22, 2008

Música da Semana

Duas semanas emblemáticas, que juntam 25 de Abril e 1 de Maio, datas que simbolizam causas que continuam hoje tão vivas como sempre.
A música que proponho para esta semana é a revisita de um clássico pelos Greenday, banda da "nova" onda punk (que a brincar a brincar já tem mais de uma década).
O original é de John Lennon, a letra tem quase 40 anos, mas ninguém diria:

As soon as your born they make you feel small,
By giving you no time instead of it all,
Till the pain is so big you feel nothing at all,
A working class hero is something to be,
A working class hero is something to be.
They hurt you at home and they hit you at school,
They hate you if you're clever and they despise a fool,
Till you're so fucking crazy you can't follow their rules,
A working class hero is something to be,
A working class hero is something to be.
When they've tortured and scared you for twenty odd years,
Then they expect you to pick a career,
When you can't really function you're so full of fear,
A working class hero is something to be,
A working class hero is something to be.
Keep you doped with religion and sex and TV,
And you think you're so clever and classless and free,
But you're still fucking peasents as far as I can see,
A working class hero is something to be,
A working class hero is something to be.
There's room at the top they are telling you still,
But first you must learn how to smile as you kill,
If you want to be like the folks on the hill,
A working class hero is something to be.
A working class hero is something to be.
If you want to be a hero well just follow me,
If you want to be a hero well just follow me.

segunda-feira, abril 21, 2008

I'm Not There

Finalmente pude ver o muito aguardado biopic sobre Bob Dylan de Todd Haynes, autor de Velvet Goldmine e Far From Heaven. Biopic? Não necessáriamente.

I'm Not There - Não Estou Aí é um filme inspirado pela música e vida de Bob Dylan, dispersa por seis personagens que encarnam seis facetas do cantor, mesmo que não seja possivel balizar de uma forma precisa a que Bob Dylan corresponde cada personagem. Aliás Dylan não está no filme, nenhum dos seis se chama Dylan, nem precisa chamar, é presença perene, corpo e vida. A construção não-linear, do filme de Haynes é uma das suas características mais particulares, saltando entre actores, entre tempos e histórias, constroi um hino à vida do enigmático e emblemático símbolo dos anos 60, que se reiventou tantas vezes, quantas foi adorado e vaiado. É surpreendente e desconcertante a construção de I'm Not There, uma narrativa desviada para segundo plano, onde os actores tomam o palco central, nas suas viagens pessoais únicas. Aqui a destaca está Cate Blanchett, genial na sua composição física, plástica, psiquica, emocional, o melhor dos seis, o mais intenso e coeso Dylan, uma vez mais injustamente preterida para o Óscar, perdeu para Tilda Swinton em Michael Clayton, e tinha perdido para Gwyneth Paltrow em Shakespeare in Love, quando Cate tinha sido genial em Elizabeth.

I'm Not There é dos mais invulgares filmes em cartaz. Merece olhar atento.

sexta-feira, abril 18, 2008

Desabafo

Sexta feira... não é por nada mas tem sido uma semana de trabalho daquelas... safa...

O circo continua...



O povo diverte-se, bate palmas, e o Governo ri-se...