sexta-feira, abril 18, 2008

Desabafo

Sexta feira... não é por nada mas tem sido uma semana de trabalho daquelas... safa...

O circo continua...



O povo diverte-se, bate palmas, e o Governo ri-se...

quinta-feira, abril 17, 2008

Front Line - Nova Criação - Cantata


Domingo passado voltei ao Teatro Camões, ver a última produção da CNB. Uma "tripla" que me faz ter pena de não ter mais disponibilidade para ir à dança de uma forma regular.
Front Line, com coreografia de Henri Oguike, é uma peça acompanhada por quatro músicos em palco. Carregada de força foi uma abertura em grande da tarde.
Em seguida veio Lento para Quarteto de Cordas, de Vasco Wellenkamp, com Ana Lacerda. Dos três momentos foi o mais tocante. Impressionante a incrivel leveza deste bailado, a aparente facilidade e fluidez com que é construído, brilhante.
Após o intervalo foi a vez da Cantata de Mauro Bigonzetti, com base na música popular italiana, tradição oral dos séculos XVIII e XIX. Coreografia de grupo, inusitada pela base musical, muito ritmada, divertida, enérgica, mas sem dúvida a mais irregular e menos conseguida das três.
Mais um passeio ao CNB... mais uma tarde muito bem passada.

terça-feira, abril 15, 2008

Música

Tão só Robert Wyatt, conheci a sua música há bem pouco tempo. De Comic Opera, A.W.O.L.
Enjoy...

Sukkar Banat

Caramel é a primeira fita de Nadine Labaki, actriz libanesa que se estreia aqui por detrás das câmaras.

Em Beirute, um salão de beleza é o epicentro onde se cruzam diversos personagens, nos seus diversos percursos amorosos.
Caramel é uma comédia romântica. Uma das suas particularidades é mostrar-nos Beirute de uma forma pouco usual. Uma cidade - e um país - normalmente associado a episódios de violência, é-nos retradada na sua face mais comum, a do dia-a-dia dos seus habitantes, pessoas simples com esperanças, sonhos, amores e desilusões. A forma como traça essa narrativa é feita com uma leveza, um despretensiosismo extremo, transformando episódios que poderiam a maior parte das vezes caber na mais insuportável telenovela, em pequenos apontamentos de ternura, dor ou alegria.Um elenco coeso, as actrizes apresentam-se com uma performance fluída, carregada de força, mas que, como tudo o resto em Caramel, passa por nós distraídamente, como quem não quer a coisa, como quem conta (e assim devia ser sempre) apenas uma história.

Comovente, inteligente, simples,tocante, eis um filme leve, que recomendo vivamente.

sexta-feira, abril 11, 2008

Precisa-se


Foi ontem a festa Precisa-se no bar Mini-Mercado em Santos, apresentada pelos Hipócritas, onde diversos performers estiveram a animar a noite até às 3 da manhã.
O meu personagem, um poeta apaixonado à procura do amor da sua vida. Foi uma experiência única, com as suas falhas em termos globais de espectáculo, mas que pessoalmente valeu pelo incrivel teste que foi como actor, e pelo enorme gozo que me deu em participar.
Durante toda esta semana estive nervoso a pensar no dia de ontem, nervoso pela falta de ensaio, mas principalmente nervoso pela falta de rede. Afinal foram quase 4 horas, em pé, sem texto, nem uma quarta parede que nos segurasse. A interacção com o público e o improviso fazem com que cada momento seja único, e por muito que tentemos controlar a situação, em qualquer altura tudo pode desmoronar-se. A adicionar a isto, foi-nos dado segunda-feira o nosso personagem e a mecânica base em que desenvolveria, mas tudo o resto, até à mini-performance que entretanto cada um de nós desenvolveu no centro do bar (momento mais fraco da minha noite), era da nossa responsabilidade. 3 dias para desenvolver um personagem coerente, interessante, e que entretesse as pessoas, que me permitisse interagir e defender-me de tudo o que pudesse aparecer. Estava com medo.
Foi bom. Deu-me outras armas, outro jogo de cintura, a possilidade de representar (o que é SEMPRE bom) e a ligação às pessoas dá uma adrenalina imensa.
Venha a próxima...

quinta-feira, abril 10, 2008

Sem comentários

quarta-feira, abril 09, 2008

The Mist

Há um género cinematográfico que tem uma particularidade, existe em si mesmo. Esse género é o terror. Passo a explicar, os filmes são (maioritáriamente) histórias. Uma narrativa, personagens, emoções. O rumo dessa história leva-nos a classificar esse filme num (ou vários) géneros. No entanto um drama não é um filme onde se chora do primeiro ao último minuto, uma comédia não é necessáriamente um filme onde cada cena é pensada para fazer rir. Os filmes de terror são normalmente um caso à parte. A história, quando existe, está lá para criar tensão, os personagens não são desenvolvidos, as cenas são apenas um set-up para o próximo susto. Lembro-me dos comentários de Victor Salva, realizador de Jeepers Creepers (um dos grandes filmes de terror da década), que foi criticado por fãs do género pelos primeiros cinco minutos do filme, onde os dois irmãos (protagonistas da história) conversam no carro antes de encontrarem o ser que os vai perseguir o resto do filme, numa tentativa de desenvolver os personagens e criar ligações entre eles e o espectador.
Eis que chega The Mist - Nevoeiro Misterioso, último filme de Frank Darabont baseado num conto de Stephen King. Para os mais distraídos esta pode ser uma escolha estranha, Darabont realizou Os Condenados de Shawshank e The Majestic, uma temática longe do universo do terror. Mas das quatro longas metragens que realizou até agora, três foram baseadas em contos de Stephen King (entre os quais o referido Shawshank), e a única curta em carteira é também baseada em King. A ligação entre o realizador e o escritor é antiga .

The Mist - Nevoeiro Misterioso conta a história de um grupo de pessoas de uma pequena cidade americana, se vê presa num supermercado local, rodeada por um nevoeiro que traz consigo seres horriveis.
Darabont não é um realizador de filmes de terror, é um realizador de filmes, aliás de dramas emocionais. Aqui faz o mais surpreendente filme de terror em muitos anos. As relações entre os personagens, fechados naquele espaço é muito bem conseguida, as relações de poder, a reacção ao medo, ao fanatismo, à familia, as alianças e rivalidades que se criam. O que acontece às pessoas quando são colocadas em situações extremas? Para isso conta com um grupo de actores coeso, com prestações fortes (intensa Marcia Gay Harden), e um argumento tecido com cuidado. Mas eis que chega a parte do "terror" (é um filme de terror claro), a tensão é criada com uma mestria impar, ao lado dos maiores (vide a cena em que uma mãe sai para o nevoeiro para ir ter com os filhos) deixando o espectador literalmente à beira do assento. O pior são os efeitos especiais, quando os monstros aparecem (e infelizmente aparecem bastante) são feitos em computador, falsos, baratos, e isso estraga por muitas vezes a acção do filme.
Na verdade, The Mist atinge o seu expoente máximo nos últimos vinte minutos, que se destacam de toda a história e de toda a narrativa no universo do horror.
O melhor é acabar com os superlativos, a expectativa demasiado alta estraga o filme, e as opiniões sobre o valor da fita dividem-se. Para mim, encheu-me as medidas.

terça-feira, abril 08, 2008

Porfírio Alves Pires - Pintor



Está na MAC, até ao fim do mês, na Rua de Sol ao Rato.

Música da Semana


Beirut é uma banda improvável. Em Santa Fé no Novo México, EUA, nasceu em 1986, numa sexta-feira 13 Zach Condon, cantor e compositor que edita albúns desde os seus 15 anos. Eclético, a sua música não é aquilo que se esperaria, pop, folk, electrónica, mudou radicalmente quando aos 16 abandonou a escola para viajar pela Europa. Foi muito influenciado pela música cigana e dos balcãs. Em 2006, com uma nova banda chamada Beirut, lança Gulag Orkestar e no ano logo a seguir The Flying Club Cup, onde as influências europeias continuam em alta, nomeadamente da música francesa.

Para esta semana, do seu último albúm, o tocante A Sunday Smile... aumentem o volume, para ouvir com atenção...

segunda-feira, abril 07, 2008

Quinta feira, dez de abril, no MINIMERCADO.

De pessoas que saibam dar, que sintam prazer no grandioso saber de dar antes de poder receber, que saibam dar sem pensar, que gostem do que dão e a quem dão. Precisamos de ti, de mim, do outro e daquele, precisamos de todos sempre e até sempre. Preciso que percas tempo, que olhes para mim, que vás até mim, hoje, ontem e que até possas voltar amanhã, preciso que também tu precises de mim e preciso de poder estar lá para te dar alguma coisa, qualquer coisa, sem pensar o que possa ser.
Vou estar no MINIMERCADO, em Santos - espero que saibas onde fica, senão pede indicações. Certamente alguém te poderá indicar o melhor caminho para lá chegares. Poderá não ser o mais rápido, mas será certamente o certo.
E o dia, será que vai ser um dia em que possas? Será que neste dia te apetece dar alguma coisa a alguém? Achas que dia 10 de ABRIL é cedo demais, que podes ou consegues ver-me nem que seja por uns minutos? Eu sei que também preciso mesmo de lá estar, tentarei não chegar atrasado porque podes entretanto também tu te esquecer das horas. Preciso por isso de lá estar às 23H para te conseguir ver. Se chegares atrasado, eu espero. Só tu não vais esperar, porque eu vou para te poder dar toda a atenção. Dou-te um abraço, uma esmola, um sorriso ou até um simples piscar de olho. O que precisares.
Por agora, eu preciso que penses no teu computador, este onde me estás a ler agora. Quando primes o teclado para poder dar alguma coisa, dar vida a um texto, uma carta, uma conversa e com um simples clique, simples, tão simples clique, que se tu quiseres não tem um fim. Não deixes nunca de o fazer, não custa nada, ou custa tão pouco, não deixes de dar, de saber receber e de poder voltar a dar, clica sem mais demoras, clica e não olhes para onde clicas. Consegues? Eu acredito em ti. Eu sei que consegues e tenho a certeza que não vais querer parar de dar. Nunca mais.

sexta-feira, abril 04, 2008

Horton Hears A Who

Em 2002, a Fox Animation, juntamente com a Blue Sky Studios, entrou para o proveituoso mercado dos filmes de animação, com o êxito Ice Age, que por pouco não foi cancelado.

Desde então lançou o interessante Robots e o segundo Ice Age.
Agora chegou a adaptação do livro do famoso escritor Dr.Seuss, Horton No Mundo dos Quem, as aventuras de um elefante que descobre que existe um mundo de seres microscópicos a viver num ponto de pó. Vai então tentar salvá-los, levando esse novo mundo para um lugar seguro. O problema é que nem toda a gente na selva o vai ajudar.
Horton No Mundo Dos Quem, é mais uma aposta ganha no departamento da animação. Em vez de se basear na excelência técnica, se bem que nada se possa apontar nesse capítulo, tem o seu ponto forte no argumento, um tom cómico acentuado na primeira metade do filme, sem perder o rumo a uma história, em última análise, tocante. A relação entre os dois mundos, o "nosso" gigante, e o ínfimo dos Quem é muito bem conseguida, notóriamente na interacção entre cada um de nós e algo maior que nós (Deus?) traduzida na relação terna entre duas "pessoas" dois seres, onde um depende e confia completamente no outro.
Um trabalho de voz notável no original, Jim Carrey e Steve Carrel impecáveis, a pontuar um texto carregado de referências e um humor inteligente (hilariante a cena da ponte), Horton é uma adição importante aquela que é já a terceira força mais importante em animação digital atrás da soberana Pixar e da Dreamworks.
Um filme a não deixar perder.

quinta-feira, abril 03, 2008

Turismo Infinito

Estreou no Porto, esteve no D.Maria em Lisboa onde o perdi, voltou ao S.João, casa-mãe. De passagem pelo Porto tive a sorte de poder ver este Turismo Infinito e colmatar uma falha pessoal, não tinha até então entrado no Teatro Nacional de S. João.

O S. João por si só vale o bilhete. O pequeno teatro restaurado é um regalo para a vista, dá vontade de lá ver e mais ainda de lá actuar, naquele palco. Tudo o que viesse a seguir era bónus. Foi um bom bónus.
Turismo Infinito é uma peça baseada em textos de Pessoa e Bernardo Soares, Álvaro Campos, e Alberto Caeiro, três dos seus mais conhecidos e marcantes hetrónimos. Três cartas de Ofélia Queiróz marcam também presença no espectáculo.
A primeira coisa que salta à vista é a cenografia, brilhante espaço desenhado por Manuel Aires Mateus, que, em conjunto com um desenho de luz eficaz de Nuno Meira, constroem uma ambiência particular, fria ou intimista, envolta em mistério ou dor, dia e noite, servindo os actores com um espaço amplo, mas ao mesmo tempo claustrofóbico onde actuar.
Começa a peça, José Eduardo Silva é Bernardo Soares, o texto tirado do Livro do Desassossego. Pessoalmente foi fatal para o actor a comparação com o mesmo texto que vi em Do Desassossego na Comuna com Carlos Paulo. Tudo estava correcto, bem dito, bem feito, mas notava-se a preocupação de dizer bem Pessoa e assim foi feito. Na outra peça vi alguém a representar Pessoa, o confronto foi inevitável. Mas essa mal era meu, nada a apontar à performance correcta. Destaque veio pouco depois em João Reis, com um Álvaro Campos intenso. Para mim a grande surpresa foi Emília Silvestre, com momentos a roçar o brilhantismo. De uma forma geral peca o colectivo de actores apenas por um tom algo monocórdico, quase todos encontraram um tom do qual se não desviaram prácticamente a peça inteira.
Ouvir Pessoa vale sempre a pena. Este espectáculo leva os seus textos um pouco mais longe. Vale bem a visita.


Turismo Infinito

De: António Feijó

a partir de textos de: Fernando Pessoa e três cartas de Ofélia Queiróz

Encenação : Ricardo Pais

Interpretação: João Reis, Emília Silvestre, Pedro Almendra, José Eduardo Silva, Luís Araújo

Dispositivo Cénico: Manuel Aires Mateus

Figurinos: Bernardo Monteiro

Desenho de Luz: Nuno Meira

Sonoplastia: Francisco Leal

Até 12 Abril 08

Quarta a Sábado 12h, Domingo 16h


TeatroNacional S. João

Praça da Batalha - Porto

Telefone: 800-10-8675

quarta-feira, abril 02, 2008

Douro


Pausa. Um pequeno descanso que o corpo já pedia, um ponto e vírgula no dia-a-dia. Para Norte, é sempre um refúgio, Porto, passando antes pelo Douro no limite transmontano, o das quintas e do vinho.
Dá pena ver Peso da Régua, uma vila completamente descaracterizada, assassinada pela construção errática de prédios recentes. Contrasta com Lamego, onde o Santuário dos Remédios reina sobre a Sé e o Castelo de um local onde apetece demorar. O rio, esse contínua bonito como sempre, a banhar as colinas das quintas do vinho do Porto - que merecem atenta visita.
Porto, cidade invícta, património mundial. Como é triste ver o Porto a cair, degradado, uma visão que envergonharia a Unesco. É certo, a ribeira e a foz estam bem tratadas, recortadas pelas casas vazias, as lojas tristes e os prédios devolutos que mereciam melhor sorte. Ao passear por aquelas ruas senti que estava numa mini-Barcelona, mas completamente de rastos. Como é possivel que se tenha deixado chegar a baixa do Porto a este ponto?
Regresso a Lisboa, e o bom tempo resolveu aparecer. Depois de uma semana negra de frio e chuva, o céu abre para receber a Primavera.

Bom dia...

terça-feira, abril 01, 2008

Música da Semana

Into the Wild, para além de ser um grande filme, tem uma banda sonora muito interessante. Os sons de Eddie Vedder são perfeitos para o ambiente de Into the Wild, com uma sonoridade crua, onde a voz de Vedder parece transparecer toda a vida e presença trágica de Chris McCandless.
Aqui fica, esta semana, Guaranteed, pela voz do lider dos Pearl Jam.