quarta-feira, agosto 13, 2008

Só porque me deu saudade...


Só porque às vezes se reencontram imagens sem estar à espera.
Só porque há gente cuja falta ainda hoje, se calhar mais do que nunca, se sente.
Só porque me lembro de o ver em cena, sozinho, candidato à presidência ou com gin tónico, a falar, a rir, em riste provocante.
Só porque era absolutamente único, brilhante, com a língua afiada como convém, atento, perspicaz e com um sentido de humor afinadissimo.
Só pelo sorriso, conversa, mais ou menos etilizada, depois do espectáculo.
Só porque tinha 16 anos e não consegui ir vê-lo ali, deitado, desaparecido, mudo. Fiquei sentado no carro à espera que alguém me viesse dizer que aquela brincadeira de primeiro de Abril ia acabar. Espero até hoje...
Só porque sim, só porque me deu saudade, só porque não é Domingo...

terça-feira, agosto 12, 2008

Música da Semana

Nestes dias antes das férias o trabalho tem-me afogado...

I need help...

Eu sei que os textos que escrevo são sempre feitos no meio de 30 outras coisas. As críticas a filmes ou peças de teatro são usualmente muito curtas, simples e pessoais.
No entanto, os posts concisos ou a falta de tempo para os escrever não são desculpa para o facto de muitos deles parecerem ser da autoria de alguém com o vocabulário de um miudo de 3 anos com deslexia.

Foi assim o post da peça Diz-me Como a Chuva que tive agora de ajustar.

Memorando para mim mesmo... nunca, mas nunca mais devo escrever algo sem o reler UMA VEZ QUE SEJA!!!!

segunda-feira, agosto 11, 2008

sexta-feira, agosto 08, 2008

Diz-me Como A Chuva


Há muito tempo que não via a Cucha Carvalheiro em palco. Não podia deixar perder esta oportunidade, na última semana de representação de Diz-me Como a Chuva, em cena até domingo.
Baseado em diversos textos de Tenesse Williams, Diz-me Como a Chuva é uma produção da Escola de Mulheres levada a palco na Comuna, casa que Cucha conhece bem.
Foi um misto de sentimentos.
Ver Cucha Carvalheiro de novo a representar não trouxe desilusão, plástica, inteligente, se bem que por vezes irregular, foi um prazer reencontrar esta actriz.
Como peça no entanto, Diz-me Como a Chuva esteve muito abaixo das espectativas.
Os textos de Tenesse Williams são geniais, mas a junção aparentemente aleatória de vários pedaços transforma a peça numa manta de retalhos incoerente, um jogo de atenção que é de longe mais estimulante para as actrizes do que para o espectador.
A encenação de Marta Lapa tem pormenores interessantes, mas peca por excesso noutros momentos, tornando o que deve ser subtil em movimentação óbvia.
A cenografia é impressiva, tal como o texto final uma manta de retalhos do universo de Williams, estéticamente bem conseguida, se bem que, uma vez mais, demasiado dispersa e com pontos de foco desconexos e desnecessários.

Tudo isto seriam pormenores numa experiência agradável, não fosse a performance de Isabel Medina. Uma prestação absolutamente desastrada, forçada, histérica, para esquecer. Nos momentos em que fez de Blanche DuBois a comparação com Vivien Leigh no filme de Elia Kazan torna-se inevitável, e aí o descalabro toma proporções abissais.

Um acto falhado na Comuna, apenas para fãs, ou quem queira ouvir palavras de Williams.


Diz-me Como a Chuva
textos de: Tenesse Williams
Encenação Marta Lapa
Interpretação: Cucha Carvalheiro e Isabel Medina
Quarta a Sábado - 21h45, domingo - 17h
Até 9 de agosto
Preço: 12,5€ (existem diversos descontos, perguntar na bilheteira)
Comuna Teatro de Pesquisa
Praça de Espanha
1070-024 Lisboa
Bilheteira: 931 619 217

quinta-feira, agosto 07, 2008

The Dark Knight

A saga Batman tem tido no cinema uma carreira atipica. São já seis filmes, mas na verdade é como se fossem três duplas diferentes.
Os primeiros dois foram realizados por Tim Burton, carregando o cavaleiro negro de um universo negro e irreal.
Quando Joel Schumacher pega na série, transforma-a num circo e quase ia destruíndo o franchise com um Batman & Robin desastroso.
Eis que entra Christopher Nolan com Batman: O Início e este O Cavaleiro Negro.

Nolan ignora por completo os outros quatro filmes e constroi um imaginário mais próximo da realidade. É uma abordagem interessante, adaptar um personagem tragi-cómico de BD ao mundo tal como o conhecemos.
O Cavaleiro Negro tem sido um fenómeno, nos EUA não só já bateu todos os recordes possiveis, ultrapassando Homens Aranhas, Piratas das Caraíbas, Shreks e outros que tais, como tem sido levado em ombros pela crítica, falando-se inclusivé à boca cheia de Oscares.
Fui ontem ver o filme e sinceramente não percebi o porquê desta reacção.

Vamos por partes, O Cavaleiro Negro é um filme interessante, a visão de Christopher Nolan é pelo menos inovadora neste imaginário e as duas horas e meia de duração passam sem mossa.
O que não entendo é a histeria em torno da fita, alimentada pela morte de Heath Ledger.

Há falhas, muitas.
O filme quer ser estiloso, tão estiloso que está constantemente em pose, com frases pseudo-profundas de algibeira.
Christian Bale funciona como Bruce Wayne, mas quando põe a máscara faz uma voz de bagaço irritantemente forçada.
Buracos de argumento são mais que muitos (não os vou discutir aqui para não estragar o filme).
Há uma coisa que sempre me deu comichão, o facto de toda a gente (salvo o heroi e o vilão) agir como atrasado mental. A policia aqui, pelo menos, não deve muito à inteligência.

Gotham City é aqui uma cidade normal, prédios normais, ruas normais, ganhou realismo, mas perdeu o charme, perdeu força, mistério, perdeu identidade numa cidade que era, ela própria, mais um personagem.

Eis que chega Heath Ledger. Ele é a alma do filme, uma performance assustadora, que enche o ecrã em cada cena. É ele, e apenas ele, que salva o filme da mediocridade. É claro que Morgan Freeman, Michael Caine, Gary Oldman ou Aaron Eckhart são senhores actores e trazem um toque de charme a cada cena em que aparecem, mas Ledger está noutra dimensão. Os pormenores em cada gesto, cada pose, o cabelo, as mãos, a voz, é um personagem perfeito.

Mais realidade diz Nolan, menos acção, mais questões interiores. Talvez.
A milhas de Tim Burton, noutra galáxia, as dúvidas morais, as questões éticas, as ligações emocionais e humanas, a procura do Eu do Bem e do Mal, Burton tem lá tudo e é magnifico.
Nolan tem a máscara, mas por baixo está pouco.

quarta-feira, agosto 06, 2008

Onde o Sol não entra...


Há um sítio, no centro da cidade, onde o Sol não entra.
Depois da sombra fresca do jardim do Principe Real, em frente do reflexo quente nas pedras da Faculdade de Ciências, há um buraco escuro onde nem luz, nem cor, nem vida existe.
Por fora uma loja simples, grades nas janelas e porta. Quem passe pela nesga aberta para a rua pode ver o revestimento de madeira, prateleiras antigas que cobrem as paredes, mas é ao nariz que se deve prestar atenção. O incauto viajante que lá entre descobre um mundo de bruma onde apenas o pó pode viver.
As vitrines devastadas são sinal que a loja foi assaltada pela calada, puro engano, faz parte do antro de terror. O pó suspenso, próprio dos vestígios de uma demolição, é aqui o único ar que se respira, falta o fôlego, falta a força, enquanto se procura uma saída, de relance os esgares de bonecas mortas, entulho e quilos de papel espalhado pelo chão criam um ambiente fantasmagórico. O horror apodera-se de nós, fugir, correr, algo que nos solte, apenas um forte sentido de missão pode ajudar uma pessoa a ficar de pé, no meu caso, 39 milhões de euros. Aquela é a única casa nas redondezas que está aberta na primeira quinzena de agosto e onde posso fazer o euromilhões.
Com requintes de malvadez, o carrasco, dono da loja, alonga-se até nos atender, olhando demoradamente para um pedaço de papel que foi buscar algures. Sem uma palavra faz o serviço e recolhe o dinheiro sem sequer olhar para mim.
Saio para a rua. Respiro longamente antes de continuar caminho.

Mesmo agora, seguro e salvo, o cheiro não me sai do nariz e se fechar os olhos, aquelas imagens horríficas atormentam-me.

Cuidado turistas incautos, tende atenção, não é um lugar para os fracos de espírito.

terça-feira, agosto 05, 2008

Música da Semana


O gato de Cheshire com o seu sorriso enigmático simboliza bem como me sinto agora que voltei de férias, num misto de sonho e realidade...

Fica como banda sonora desta semana a versão da disney...

segunda-feira, agosto 04, 2008

Ainda com o sal no corpo e a areia na memória, atravesso à ponte em direcção a casa. A nostalgia não se acentua porque a ausência foi curta, e ao ver Lisboa, do lado de lá do rio, com uma luz excessivamente branca trouxe-me um sorriso aos lábios. O fotógrafo de Deus tinha exagerado na exposição, a cidade tinha luminosidade a mais.
Estou de volta...

sexta-feira, julho 25, 2008

é uma semaninha só, mas a pausa sabe tão bem, tem um gosto... azul!

primeiro teste de pausa, vou mas volto, já já...

quinta-feira, julho 24, 2008

Where The Hell Is Matt?


Matt é um moço americano que trabalhava na Austrália a fazer jogos de computador.
Reza a lenda que o moço se fartou do trabalho, agarrou no dinheiro que tinha poupado e resolveu fazer uma viagem pela Àsia. Construiu um site para informar a família das suas andanças.
A dada altura um amigo diz-lhe... ouve lá moço... tu tens uma dança estranha, dança lá um bocadinho para eu filmar e depois pomos isso online. Assim foi.
Reza a lenda que o video começou a circular e a fazer furor. No fim da viagem uma empresa de pastilhas elásticas resolveu patrocinar o moço para ele continuar a viajar e a fazer videos a dançar. Diz o moço que o patrocinio não o obrigou a fazer nada, mas a verdade é que o site do moço (bastante visitado) tem links para a empresa das pastilhas que é mencionada várias vezes.
Então o Matt lá foi, andar pelo mundo, a viajar e dançar, dançar e viajar à conta de não saber dançar...

Vejam o video da última viagem dele... vale a pena...

Inveja... muita muita muita muita muita muita...

quarta-feira, julho 23, 2008

Hancock

Will Smith é uma garantia para qualquer produtor que queira investir dinheiro num filme. Dos seus últimos 8 títulos apenas um não passou a marca dos 300 milhões de dólares, o Bad Boys 2, mas esteve perto 273 milhões, ele que conta com marcas invejáveis no cv, como o filme que na altura mais dinheiro tinha dado na História do Cinema: Dia Da Independência, com 817 milhões de dólares (neste momento já ultrapassado por diversos títulos).

Hancock não foge à regra, com 373 milhões já em caixa e ainda a procissão vai no adro.

A ideia por trás do filme é interessante, um homem bêbado, que vive na rua, desastrado e irritado com o mundo, que tem a particularidade de ser um super-heroi. O problema é que quando tenta salvar as pessoas causa mais estragos que benefícios.

Este premissa tem pano para mangas. O potencial cómico é óbvio. Em termos de acção qualquer filme de super-herois é terreno fértil para os mais incríveis confrontos e o uso dos mais espantosos efeitos especiais. Mas havia espaço para muito mais. Quem é este homem? O que leva um tipo com super-poderes a ser um falhado, que mesmo assim não desiste de tentar ajudar o próximo? Como se sente um homem que, sendo único, acaba por ser odiado por aqueles que o rodeiam?

Mas qual quê... Hancock até não começa mal mas transforma-se rápidamente num conjunto de imbecilidades desconexas e vilões com atitudes atrasadas mentais.

Com Peter Berg ao leme pouco mais se poderia esperar...

terça-feira, julho 22, 2008

Música da Semana

Hum... finalmente vou ter uma pausa, para a semana um pouco de sol. Esta vai ser portanto a música das duas semanas.
E que mais podia ser. Vinicus a embalar-me, acompanhado por Toquinho, a caminho da paz do Verão...

segunda-feira, julho 21, 2008

Casamentos "gay", o debate e a estupidez


... é o título do artigo de opinião de Henrique Monteiro que saíu este fim de semana no Expresso.
Começa Henrique, logo nas primeiras linhas do seu artigo, a precisar de se defender de acusações de homofobia, feitas por "qualquer lobi gay", dizendo que é "no geral, contra qualquer discriminação", acrescentando que é "legítimo e inquestionável, a possibilidade dos casais homossexuais terem mais ou menos os mesmos direitos que os outros casais."
Neste ponto, caro Henrique, estamos conversados, discriminar nunca... a não ser de vez em quando. É bom encontrar alguém com convicções tão firmes.

Mas Henrique explica-se, "há um direito que eu sei que eles não devem ter: o de adoptar crianças".
Ah, ok, percebo... na verdade esses gays tratam mal os miúdos, coisa de maricas, claro. Calma, mas é o próprio Henrique que afirma que jamais dirá que "um casal homossexual, só por o ser, não sabe tratar crianças com amor e com todos os requisitos que elas necessitam."
Hum... agora fiquei confuso então?...
"...o Estado, ou quem guarda as crianças a adoptar, não deve discriminar nenhuma delas entregando-a a um casal que não está dentro da norma" e acrescenta que essa norma é meramente estatística, logo um casal heterosseual. E remata "todos nós ao cimo da terra somos filhos de um pai e de uma mãe e não de dois pais ou duas mães."
Lógica irrepreensível. Não é que um casal homossexual não saiba cuidar dos filhos, é que estatísticamente temos que seguir sempre a norma, vulgo, a maioria.
Agora a sério Henrique e o que é que isso tem a ver com casamentos entre homossexuais?

É que, diz ele, o casamento gay, como ele lhe chama apenas tem uma "agenda escondida, ou seja a adopção de crianças por homossexuais." E remata que "isso seria uma estupidez imperdoável."

Plano diabólico destes gays, que falam de casamento quando querem é falar de adopção.

O que Henrique demonstra aqui, é uma enorme cobardia e desonestidade intelectual. Sim, porque eu não posso acreditar que o Henrique seja estúpido o suficiente para pensar que é a norma estatística que deve guiar a escolha de familías para adoptar crianças. Eu não posso acreditar que o Henrique realmente defenda que as mães ou pais solteiros não possam adoptar. Ou que ache que casais chineses, por exemplo, estatísticamente uma minoria, não devam adoptar só porque são uma minoria.
O Henrique diz que todos nós somos filhos de um pai e uma mãe. Lamento Henrique, mas sabe que isso é mentira. Todos nós somos fruto de um espermatozoide e um óvulo, não de um pai e de uma mãe, pelo menos não no sentido em que a adopção lhe dá. É claro que os filhos adoptados não são biológicamente fruto de quem os adopta. Mas se falamos de pai e mãe, como das pessoas que nos amam e educam, então muita gente tem apenas um pai, uma mãe, ou avós, primos, tios ou vizinhos. O género não é debatido quando uma mãe educa uma criança com a ajuda da avó. O que significa que o problema que o Henrique tem é com as escolhas sexuais dos progenitores, e isso Henrique chama-se homofobia.
E não Henrique, quando se defende o casamento entre pessoas do mesmo sexo não se está a defender a adopção por casais homossexuais. Curiosamente Henrique, há pessoas que dizem o que querem dizer.

Defender o casamento gay, como lhe chama, é defender que duas pessoas, independentemente das suas escolhas sexuais, não podem ser discriminadas, que têm o direito de se casar como qualquer outra pessoa, e viver a sua vida com a pessoa que ama, sem desculpas, sem reticências.
Defender a adopção de crianças por casais homossexuais significa defender que um casal com duas pessoas do mesmo sexo tem todas as capacidades para educar e amar uma criança. Que, tal como as famílias heterossexuais ou monoparentais, uma família homossexual consegue providenciar a uma criança um lar aconchegante, seguro. Que o que a criança tem direito é a não passar a sua vida em instituições do estado.
Henrique, há, por mais estranho que pareça, pessoas que querem casar e não querem adoptar... Há inclusivé, pessoas que querem adoptar, mas não querem casar - estas aliás têm a vida facilitada, basta não dizer que são homossexuais e não ter uma relação com outra pessoa durante o processo de adopção.
Há ainda quem defenda o casamento entre homossexuais e não defenda a adopção.
O que eu nunca tinha visto é alguém que argumente que é um problema estatístico, mas eu recuso-me a acreditar, mesmo, que alguém ache que é apenas uma questão matemática, diga que não Henrique, eu tenho fé...

sexta-feira, julho 18, 2008

Saw - A Epopeia


Sempre fui fã de filmes de terror, o que parece uma contradição pois raramente vejo um filme de terror que valha a pena. É quase um desafio, sempre que me sento a ver um filme deste género estou a dizer-lhe: ok, estou aqui, assusta-me, ou melhor, surpreende-me. De vez em quando isso acontece.

Há quatro anos atrás um pequeno filme de terror realizado por um desconhecido James Wan, preparava-se para ser lançado directamente em DVD. O seu baixo custo, 1,2 milhões de dólares ajudava a essa decisão. No entanto o pessoal da Lionsgate resolveu fazer, como aliás é normal neste mercado profissional, testes com público, que teve resultados impressionantes. Rapidamente mudaram de opinião e lançaram Saw em sala. Na sua vida em cinema facturou mais de 103 milhões de dólares, e pelo menos outro tanto nas suas passagens pelo DVD e televisão.

Saw era um filme de tortura, negro, inteligente apesar de nem sempre muito consistente, sobre um homem que rapta pessoas, coloca-as em elaboradas máquinas de morte das quais apenas conseguem escapar (as poucas que o fazem) após muito sacrificio e dor, principalmente após uma escolha dificil. A base é que Jigsaw (o homem por detrás de tudo) agarra em pessoas que não valorizam a própria vida, as faz passar por esta experiência horrivel para que os poucos sobreviventes possam emergir renascidos, com um novo sentido das coisas.

Vi o filme no cinema, achei interessante mas pouco mais.

O sucesso levou, naturalmente a uma sequela. Saw II foi lançado no ano seguinte, custou 4 milhões de dólares e rendeu, nas salas, quase 148 milhões no mundo inteiro. Estava lançado um franchise.

Todos os anos, no Halloween, desde 2004, sai um novo Saw. O terceiro filme da série custou 10 milhões e rendeu quase 165 nos cinemas. O Saw IV, por sua vez, custou também cerca de 10 milhões e rendeu mais de 139, em sala. Há que acrescer claro, o DVD de aluguer, venda directa, as televisões em canais Premium, em free tv, e todas as passagens que estes filmes terão ao longo dos anos nas diversas televisões do mundo.
Estão já lançados o Saw V e Saw VI, a chegar ao grande ecrã em Outubro de 2008 e 2009 respectivamente.

Só vi o primeiro filme no cinema, a vitalidade e longevidade desta série de filmes sempre me deixou curioso. Afinal até ao 3º o box office esteve sempre a subir, e mesmo o quarto fez 13 vezes o seu custo de produção em sala.

Não é normal, os franchises habitualmente perdem força com o passar do tempo, principalmente nos filmes de terror. Porquê? Porque quanto nos prendemos a um personagem ou uma situação as ideias começam a escassear, os clichés reproduzem-se, os valores de produção caem na busca de maior lucro, e o público começa a fartar-se de ver repetidamente a mesma coisa. Basta olhar para exemplos dos anos 80, o genial Halloween transformado numa imbecilidade com cultos demoníacos, Sexta Feira 13, espalhado por oito sequelas que pouco mais são que linhas de montagem onde adolescentes nuas são decepadas, ou O Pesadelo em Elm Street, ideia assutadora e verdadeiramente original, que virou a certa altura para a comédia. Afinal, são assassinos, matam, que mais se pode fazer do que arranjar diferentes formas de chacina?

É aqui que Saw se torna revolucionário. Não é pela moral de pacotilha, nem pelos jogos de tortura (alguns que precisam de um esforço especial de boa vontade para serem credíveis), nem pelos twists finais, muito menos pelo gore extremo.

O que faz destes filmes um fenómeno de longevidade é o facto de não serem filmes isolados, Saw é, literalmente, uma série, em que cada filme é como se fosse uma temporada. O primeiro filme é o único que não partilha desta lógica, mas a partir do segundo e principalmente do terceiro, torna-se evidente. Não é possível ver Saw IV sem ter visto o Saw III, os personagens passam, as situações, momentos, toda a história, passa de uns filmes para os outros. Seguimos aqueles acontecimentos sempre à espera de descobrir um pouco mais sobre Jigsaw, os seus planos e vida. Até os diversos buracos de argumento e pontas soltas são perdoadas, sabendo que, num filme seguinte, tudo será explicado (e normalmente é, de uma forma mais ou menos convincente).
Assim Saw transforma-se numa epopeia de um homem, onde as vítimas e jogos são apenas acrescentos à verdadeira história, a de Jigsaw.
Nem sempre bem construído, nem sempre plausível, mas viciante, sem dúvida.

Vi os três últimos filmes de seguida em DVD, agora não perco de certeza o quinto no cinema. E enquanto o argumento for a preocupação central (as críticas a Saw IV por parte dos fãs começam a ouvir-se) Saw tem vida e seguidores garantidos. É (com as devidas reticências na comparação) como Lost, vamos avançando, descobrindo, numa história que nunca fecha.

Ainda haverá espaço para surpresas?