sexta-feira, agosto 31, 2007

Filadélfia


Com quase um milhão e meio de habitantes, Filadélfia é uma cidade que se visita a pé. A sua zona turística é diminuta, sendo o restante composto por àreas comerciais e de indústria. Em declínio acentuado, a ex-capital da nação está a debater-se com sérios problemas de pobreza e desertificação. Os pedintes são inúmeros e os prédios abandonados multiplicam-se, alguns dos quais com uma arquitectura bem interessante. É no entanto o berço dos EUA e isso sente-se em todo o lado. Carregada de edifícios emblemáticos e locais de culto, foi lá que se assinou a Declaração da Independência e se redigiu a Constituição Americana.
Para quem quer perceber o que é ser americano, como eles se vêm a si próprios e ao seu lugar na História, Filadélfia é o local a visitar. Em três dias está tudo visto, mas o City Hall, o Liberty Bell Center (onde está o famoso sino rachado), o Independence Hall (onde foi assinada a Declaração de Independência), o National Constitution Center onde há uma excelente exposição sobre a história americana e uma apresentação emocionante sobre o conceito de Liberdade e a expressão "We the People", são paragens fundamentais na descoberta de uma Nação de contradições.
Se juntarmos a isso a imperdível Eastern State Penitentiary, uma prisão em ruínas que ocupa uma manhã inteira a visitar e que é fascinante, e a busca pelos passos do Rocky (ícone presente em toda a cidade), Filadélfia torna-se uma cidade de contrastes que não justifica que se atravesse um oceano para conhecer, mas que é meritória de uma visita se estivermos naquele continente.

quinta-feira, agosto 30, 2007

USA

Na minha piquena viagem aos States vi-me forçado a andar quatro vezes de avião. Das quatro vezes voei com a mesma companhia, a qual não posso mencionar o nome porque a US Airways era capaz de não achar piada. A tal companhia (cujas iniciais são USA) é a mais incompetente na qual alguma vez viajei. A dita (US Airways) em quatro voos conseguiu não cumprir um único horário, tendo os atrasos variados entre hora e meia e doze horas! Para além do mais, e sem mencionar o nome US Airways, fizeram o distinto favor de perder uma mala durante sete dias, numa viagem que demorou dez. O que eu não percebo é como é que uma mala que aterra em Filadélfia (confirmado pela própria US Airways) a 19 de Agosto, se mantém desaparecida até 24.
Passar 26 horas para regressar de Orlando para Lisboa é algo que não desejo a ninguém, principalmente se dessas 26 se passar mais de 12 num aeroporto sem informações, a passar frio, sem sequer ser colocado num hotel até que o avião estivesse disponível.
Mas seja, é apenas um desabafo, uma companhia que conseguiu practicamente arruinar uma viagem inteira e fazer dos voos uma autêntica tortura...

quarta-feira, agosto 29, 2007

Voltei

Cansado, suado, doente, de rastos, mas voltei.
Da próxima vez vou ter que tirar férias que descansem...

sexta-feira, agosto 10, 2007

quinta-feira, agosto 09, 2007

Aniversários


Hoje faço 2 anos de blog. Começou sem propósito definido, numa altura de mudança na minha vida, passou por diversas transformações e é hoje um espaço aberto à opinião, à minha e à dos outros. Dois aninhos. Fica marcada a data. A todos os que me leêm um muito obrigado, cá vamos andando para o terceiro ano...

Devagarinho aproxima-se, com a subtileza de um gato, pé ante pé, avança, a sombra insinuando-se nos recantos mais escondidos... já lhe sinto o cheiro... as férias estão aí!

quarta-feira, agosto 08, 2007

Bug

Antes de mais tenho que deixar algo perfeitamente claro, diga o trailer o que disser, seja este filme vendido de que forma for, Bug não é nem nunca foi um filme de terror.

Baseado numa peça de teatro, Bug conta a história de um homem e uma mulher solitários que julgam ter insectos a viver debaixo da pele.
William Friedkin, movie brat dos anos 70, não teve uma carreira uniforme. Se O Exorcista se tornou uma referência do cinema de terror e Os Incorruptiveis Contra a Droga chegou ao ambicionado Óscar, a verdade é que nos últimos anos não fez nada digno de registo.
Bug não é um filme fácil, nem sequer um filme consensual, mas é um filme a ter em conta. Passado quase todo num quarto de hotel, é uma peça em três actos, a descida á loucura de duas pessoas, numa caminhada lenta, perturbante e, mais assustadoramente, consciente. Se Peter (Michael Shannon) está infectado pela loucura, Agnes (Ashley Judd) deixa-se infectar, começa a acreditar após uma decisão consciente, a solidão é demasiado assustadora, ou acredita ou perde o parceiro, e ela prefere o bicho, a loucura e a morte.
Bug é um filme claustrofóbico, tenso, histérico, uma viagem ao que mais negro existe em nós.

Friedkin regressa, finalmente, com algo polémico.

terça-feira, agosto 07, 2007

Ola Kala

A entrada é forçada contra o ar que nos impede o caminho, lá dentro a escuridão é quebrada apenas por uma fina teia de luz que se eleva poucos metros acima de nós. Uma estrutura gigantesca insinua-se, mas sem nunca deixar adivinhar a sua verdadeira natureza, esqueleto vivo que nos rodeia. O espectáculo começa, som, luz e cor iludem o olho e confundem a mente. Quem é aquela gente, que silhuetas deambulam naquele lugar? Não é gente, são aranhas trepadeira, moscas irrequietas, são lagartos, são gazelas, pequenos demónios voadores que desafiam a gravidade.
Ola Kala é o novo espectáculo da série CCB Fora de Si, produzido pelo grupo francês Les Arts Sauts, é uma performance global, música e corpo, imagem e luz conjugam-se num lugar utópico, numa cúpula onde estes artistas de novo circo nos seduzem e fazem uma demonstração de perícia única.

A não perder às 21 horas, até 26 de Agosto, no Centro Cultural de Belém.


Música da Semana

Bom bom bom... música de Verão...A minha escolha para esta semana não é de Verão, nem de Inverno, é uma ode louca composta por Goran Bregovic, famoso pelas suas colaborações com Emir Kusturica.
Directo de Underground, Kalasnjikov!

segunda-feira, agosto 06, 2007

Segunda sessão de leitura e... férias

Quarta passada tivemos o segundo ensaio de leitura n'Os Hipócritas, ambiente descontraido numa esplanada, esteve a equipa quase toda. Foi a segunda vez que nos juntámos e a última até Setembro. Correu bem, estive mais descontraído, mais à vontade, e lentamente vou-me integrando no grupo. Todos os actores vão ter um papel. Somos dez, dos quais sete são excelentes papeis. Acredito imenso neste projecto, quanto mais não seja porque os textos de origem são muito bons.
Agora férias, em Setembro devo fazer dois workshops de voz e leitura de texto dramático, área que preciso aperfeiçoar.
Estou-lhe a tomar de novo o gosto...

sexta-feira, agosto 03, 2007

The Simpsons Movie

Para quem, como eu, cresceu com uma série que sempre foi pautada pela sua irreverência e humor mordaz, a chegada ao cinema do filme dos Simpsons revestiu-se de enorme expectativa.

Actualmente, os Simpsons já não estão no limiar da provocação, séries como South Park ou American Dad são bastante mais venenosas, mas não deixam de ser descendência de Homer, Bart e companhia.
O problema em fazer um filme deste género é o risco que se corre de se parecer demasiado com um episódio alargado. A solução, mudar tudo o que for possivel, fazer algo consideravelmente maior. Os Simpsons assumem esse risco e não se saem mal de todo.
Devido a uma série imensa de burradas típicas do pai desta familia disfuncional, toda a cidade de Springfield vê-se cercada pelo próprio governo.
Os Simpsons: O Filme não é extraordinário. Tem uma quantidade de gags com piada, dá tudo o que a série sempre deu, sem surpreender, sem inovar, mas sem desiludir a sua enorme legião de fãs. Mordaz, inteligente, é uma animação adulta (como se esperava) e um deleite de hora e meia carregado de irreverência. Os Simpsons: O Filme não é um episódio grande da série, é um prolongamento cinematográfico da mesma, com méritos próprios.
Uma coisa é verdade, ninguém sai do filme sem cantar: "Spider Pig, Spider Pig, does whatever a Spider Pig does, can he swing from a web, no he can't, 'cause he's a pig, LOOK OUT, here come's Spider Pig!"

quinta-feira, agosto 02, 2007

Ao desafio

A Raquel lançou-me o isco, aqui vai então a lista dos 5 últimos livros que li:

  • An Actor Prepares de Constantin Stanislavski, Ed. Routledge
  • Ratos e Homens de John Steinbeck, Bertrand Editores
  • Plays I (Beauty Queen of Leenane, Skull of Connemara, Lonesome West) de Martin McDonagh, Ed. Methuen
  • Um Deus Passeando Pela Brisa da Tarde de Mário de Carvalho, Ed. Caminho
  • Ensaio Sobre a Lucidez de José Saramago, Ed. Caminho

Neste momento estou a ler Plays: Two (True West, Buried Child, Curse of the Starving Class, The Tooth of Crime, La Turista, Tongues, Savage/Love) de Sam Shepard, Ed Faber & Faber.

Como normalmente, as respondo aos desafios mas raramento os contínuo, quem quiser pegue na ideia...

quarta-feira, agosto 01, 2007

Finalmente


Há mais de um mês que não fazia nada relacionado com teatro, os ensaios n'Os Hipócritas têm sido sucessivamente adiados. Na segunda feira juntámo-nos pela primeira vez. O grupo conhece-se há imenso tempo, portanto é natural que esteja ainda um pouco à parte nas conversas e abraços entusiastas. Demorou a começar o trabalho, mas quando começou foi de enfiada. Começámos com uma leitura dos textos, cada um dos dez actores (somos onze no total) leu diversos trechos, para que o Alexandre comece a delinear a quem atribuir os papeis. Dos onze há quatro caras novas, entre os quais eu próprio, aí as leituras ganharam uma importância ainda maior. Acho que existe uma grande diferença entre os novos e os "da casa". Foi apenas uma primeira leitura, mas mesmo assim, o à-vontade, a capacidade de representar é muito maior naqueles que já integravam a companhia. É normal suponho, mas quando há oito papeis para onze actores a escolha natural deve recair sobre as pessoas que, para além de estarem há mais tempo, demonstram maior capacidade.
O texto é fantástico! A base é excelente e o trabalho de adaptação do Alexandre parece-me acertado. É um projecto que gostava mesmo de integrar, mesmo que com um papel marginal.

Hoje é a segunda reunião. Dê lá por onde der é bom voltar a sentir um gostinho de texto, de teatro.