quinta-feira, novembro 27, 2008

quarta-feira, novembro 26, 2008

Righteous Kill

Mas o que é que anda gente deste talento a fazer com as suas carreiras??? Al Pacino, um dos maiores actores do mundo não faz um filme realmente bom desde 1999 quando entrou em O Informador com Russel Crowe, com a honrosa excepção do fabuloso Anjos na América em televisão. Já Robert DeNiro nos obriga a recuar ainda mais, até 1997, até a Manobras na Casa Branca com Dustin Hoffman. E mesmo estes estão longes dos tempos de Touro Enraivecido, Taxi Driver, O Padrinho ou Scarface.
Os dois monstros, símbolos do Método do Actor's Studio, juntam-se pela terceira vez no mesmo filme. Em O Padrinho II nunca se cruzavam (pai e filho em épocas diferentes), em Heat - Corrupção na Cidade eram antagonistas, partilhando duas cenas, agora, em A Dupla Face da Lei são parceiros, uma dupla de polícias verteranos no thriller mais banal, mais morno, mais indiferente que imaginar se pode. Não acontece nada, não existe conflito a não ser no final, num suposto twist imbecil que nada traz a um filme vazio. O melhor de tudo é mesmo o trailer.
Um cartaz com as duas vedetas na capa, e fica o dinheirinho na conta.

terça-feira, novembro 25, 2008

Música da Semana


Acabam esta semana as comemorações dos 120 anos do nascimento de Fernando Pessoa.
Pessoa tinha um lado menos conhecido do grande público, para além do grande poeta, escritor, pensador, era também um inventor. E na lista das suas invenções estão... os matraquilhos. Esta semana, em honra a Fernando Pessoa... os Fúria do Açúcar com o Rei dos Matraquilhos.

quinta-feira, novembro 20, 2008

Entre Les Murs

Professor, escritor, agora argumentista e actor, este é o projecto pessoal de François Bégaudeau. Escreveu o argumento baseado no seu próprio livro e é o actor principal de um filme sobre o desenrolar de um ano lectivo numa turma de uma qualquer escola no centro de Paris.
A Turma é o primeiro filme que conheço sobre professores e alunos que reporta directamente ao mundo real, actual, aquela escola, aqueles alunos, são em Paris, mas os de Lisboa, da Amadora ou de Almada são iguais, se fizermos os respectivos ajustes nacionais, não há alunos do Mali, mas há de Angola, não há marroquinos mão há brasileiros.
O que é fascinante no filme é a forma complexa com que aborda uma realidade que se julga e representa de uma forma quase sempre linear. Longe dos estereótipos típicos dos filmes de escola americanos, não há gangsters nem ameaças de morte, não há bons e maus, ninguém se salva e (quase) ninguém se perde. É a vida numa escola e apenas na escola, com actores amadores, verdadeiros alunos franceses, mas com uma solidez, uma naturalidade performativa notável.
O argumento é soberbamente bem escrito, não que existam reviravoltas inesperadas ou diálogos particularmente inteligentes, mas o correr do dia a dia, aparentemente banal e pouco memorável, traz momentos de teste constante, de confronto, de surpresas e desilusões, para além de conseguir retratar com detalhe (nada fácil com tantos personagens) cada um daqueles miúdos mais importantes e até os diversos professores. Fazendo uma comparação com o outro filme que vi recentemente, há mais angústia na explosão de um docente que entra na sala de professores a vociferar por causa dos alunos, do que com todos a epidemia de O Ensaio Sobre a Cegueira, há mais tensão num concelho disciplinar aqui, do que com a violação em massa no filme de Meirelles.
A Turma levou a Palma de Ouro de Cannes para casa este ano, pela primeira vez desde há muito tempo atribuída a um filme francês. Um filme fundamental para todos os professores, alunos, todos os que queiram realmente saber o que é isso de dar aulas, ou apenas para qualquer pessoa que goste de bom cinema.

quarta-feira, novembro 19, 2008


Não reconheceram o Elvis, mas a Marilyn houve um que já a tinha visto em algum lado.
Foi assim, numa discussão, animada ao que parece, com os alunos.
Reprodução mecânica? Mas assim não vale! Vale claro que vale - as opiniões dividiam-se num mundo nada consensual.
Eu conheço a Marilyn, ela também está no quadro do outro das bolas - não, não é ela mas há uma loira que é parecida, daí a confusão.
Assim se passa uma aula, de Roy Lichtenstein a Andy Warhol, na descoberta da Pop-Art, entre alunos da quarta classe, de 9 aninhos.

E depois admiram-se que eu me apaixone pela professora louca que põe estes pedaços de gente a discutir, a conhecer e a trabalhar animadamente sobre arte moderna e contemporânea.

terça-feira, novembro 18, 2008

Música da Semana

Como as minhas olheiras estão maiores que nunca e a cabeça demasiado pesada vou deixar que a Joan Baez me embale...

segunda-feira, novembro 17, 2008

Blindness

Muito se falou sobre a adaptação ao cinema daquele que é comummente considerado o melhor romance de Saramago, depois de uma tentativa mal sucedida de um outro, Jangada de Pedra.
É verdade que Ensaio Sobre a Cegueira não é um livro simples, a sua visão apocalíptica facilmente descambaria para um filme voyeurista e perverso, sendo que a fábula, moral como todas as fábulas o são, facilmente se perderia na confusão. Fernando Meirelles a tomar o elmo do projecto no entanto apaziguou-me as dúvidas, se havia alguém capaz de o fazer, seria ele. Talvez...
A comparação com o livro é sempre injusta, principalmente com uma obra desta envergadura, mas a verdade é que o livro existe e é a base de tudo o resto, Ensaio Sobre a Cegueira filme fica a milhas de Ensaio Sobre a Cegueira romance. Não será assim com todos? Talvez, com O Padrinho não foi, para dar um exemplo, mas não creio serem casos incomparáveis.
A questão é que as falhas do filme são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Para começar a adaptação erra na escolha daquilo que deve ser cortado, a directiva de reduzir esta história a apenas duas horas foi fatal, momentos fulcrais como o da igreja passam como notas de rodapé.
A busca de algum realismo também pesou contra o filme. Esta história não se passa nos dias de hoje, em Lisboa ou em São Paulo, fazer destes soldados rapazes de 22/23 anos como os que existem hoje, em vez de membros de um regime semi-totalitário, mesmo que disfarçado de democracia, transforma as suas acções em algo ridículo em vez de tenebroso. Aliás tudo o que se passa no sanatório é mal resolvido, a começar pelo personagem de Gael Garcia Bernal, um ser violento, maquiavélico e intimidador no livro, para um rapaz confuso no filme. Toda a história da comida e da arma é muito pouco convincente e tratada de uma forma atabalhoada. O próprio cego verdadeiro é inconsequente, longe do seu papel fulcral na história original.
De uma forma aparentemente contraditória com o seu historial como realizador, Meirelles reduz drasticamente a intensidade de todo o enredo, a banda sonora cómica dá apontamentos de humor onde eles nunca deviam existir, como a marcha das mulheres para a violação, toda a degradação humana, moral e física é minimizada perdendo muito do seu impacto.
O desenvolvimento de personagens é outro local onde o filme peca. À excepção da mulher do médico todos os cegos são razoavelmente indistintos, aparte claro das óbvias diferenças físicas.
Não é que este Ensaio Sobre a Cegueira seja um mau filme, não é, tem momentos bem conseguidos e uma estética interessante, as duas horas passam sem grande mossa, mas com o material de origem disponível exigia-se muito mais.
É difícil adaptar esta obra? Sim claro, mas veja-se o incrível trabalho que O Bando fez ao levar a palco a sua versão de O Ensaio Sobre a Cegueira e veja-se o que aqui está apresentado. As diferenças são colossais.

quinta-feira, novembro 13, 2008

Não quero ser mãe!

Mesmo... aliás porque nem me lembro do meu último período.

É hoje! Na Fnac do Vasco da Gama é feito o lançamento do livro da minha já mui célebre, mui consagrada, mui badalada (até esteve na Revista do Expresso desta semana) amiga, que eu conheci antes de ser famosa, quando era apenas uma pobre coitada a mendigar uns ovitos mexidos na cozinha lá de casa... bons tempos... hum...

Bem, mas agora a moça é célere... célebre... autora publicada...

Ah bom, mas o livro, sim, o livro chama-se Não quero ser mãe! e é o produto de uma série de entrevistas feitas a senhoras que resolveram não ser mães por opção própria mesmo delas sem ninguém as forçar. Os monstros... aberrações...

Bom, mas as pessoas de bem devem ir comprar o livro para perceber melhor a mente desta gente perturbada... sim...

É uma edição Livros de Seda e está a um preço acessível... COMPREM!!!

Link para a editora aqui.

Link para a agenda Fnac aqui.

Link para a autora aqui.

quarta-feira, novembro 12, 2008

Jerusalém


Confesso que não conheço o romance de Gonçalo M. Tavares, mas conheço o trabalho d'O Bando há mais de duas décadas, motivo mais que suficiente para ir ver Jerusalém com expectativas elevadas. O Bando em sala, numa sala de teatro convencional, tem normalmente prestações menos conseguidas, mas neste caso transformou o pequeno auditório do CCB, tornando-o practicamente irreconhecível, apropriando-se do espaço para o seu universo sensorial. Visualmente foi um trabalho notável, plástico, mutável, com o uso de palha (seria?) a revelar-se uma autêntica caixa de surpresas, e com efeitos de luz (onde o texto era projectado) perfeitos para criar uma atmosfera de estranheza. O texto esse é de uma dureza extrema, narrando a trágica história de uma mulher que conseguia ver a alma dos outros.
A maior falha de uma peça que acaba por crescer em nós, é a escolha de Horácio Manuel para o papel de médico. Repetitivo, monocórdico, tira densidade dramática a uma personagem conturbada, obsessiva, maniaca quase, como contra-ponto (?) à mulher, louca.
Não é um marco na história do Bando, mas é uma peça intrigante, tensa e muito bem construída.

terça-feira, novembro 11, 2008

Ufff...musica para descontrair...

Semana de fecho de grelha sem tempo para nada, como se tem notado aqui no Sopros, desde quinta que não escrevo. Hoje é de fugida, só para deixar a mudança de música da praxe. Vai qualquer coisa levezinha para aguentar o resto da semana... Sweet about me...

quinta-feira, novembro 06, 2008

Mudar de Vida

Culturgest, dia de Halloween. Parado numa esquina com um saco de plástico na mão comia à pressa uma sandes comprada na bomba de gasolina em frente. O dia caótico culminava com o concerto de José Mário Branco, Mudar de Vida. Quatro anos depois do último cd volto a encontrá-lo em palco. Para cima de uma dezena de músicos, toda uma parafernália quase sinfónica, com convidados muito especiais, os Gaiteiros de Lisboa.
José Mário Branco está velho, nota-se no corpo e no branco que lhe cobre a face, mas não perdeu nenhuma da vivacidade nem da irreverência que sempre o caracterizou. Inconformado, se bem que por vezes um pouco monotemático, mantém vivo o espírito dos cantores da revolução.
Foi uma grande noite composta maioritariamente de temas mais recentes sempre apimentados pela orquestração e pela energia constante. Mudar de Vida é uma reinvenção do célebre FMI, mas sem a força desesperada nem a imprevisibilidade do original, que tem no entanto uma musicalidade tremenda.
Os Gaiteiro elevaram a noite a um nível superior, emprestando ao espectáculo um ritmo constante.
Faltou-me apenas uma música, impossível pela falta de coro, mas que roda agora aqui no sopros.

quarta-feira, novembro 05, 2008

A New Hope

Barack Obama é o novo Presidente dos EUA, quebrando barreiras que alguns não acreditavam ser possível ultrapassar nos dias que correm. Foi uma eleição histórica contra o preconceito, pela primeira vez nos EUA foi eleito um presidente negro. Venceu com uma maioria confortável e está apoiado por uma liderança democrata no Senado e no Congresso americano. Foi a eleição da mudança, da esperança no futuro, personalizada numa figura carismática, hipnótica quase, que contagiou metade do mundo. Este é o seu momento. Agora não há desculpas, com esta tripla maioria não há como voltar atrás: Obama tem mesmo que "mudar o mundo". É o risco de se apresentar como um cavaleiro andante, as pessoas vão ficar à espera de um conto de fadas. Quanto a mim, eu acredito.

E por cá? Onde está o nosso Obama? Onde está aquele que apregoa mudança, aquele que marque a diferença, onde estão as nossas alternativas? Ou ainda, onde está o nosso McCain? Mesmo sendo de um quadrante político diferente do meu, onde está ele? A escolha é entre o Magalhães e uma múmia petrificada? Então é nós?

terça-feira, novembro 04, 2008

Música da Semana

Esta semana fica entregue a José Mário Branco e a uma das grandes canções da sua carreira, feita em homenagem a, e cantada com, Fausto Bordalo Dias. No concerto que vi na sexta na Culturgest ele não a tocou e fiquei com saudades...


Não sei se foi por me sentar um pouco mais à frente do que costumo no caminho para o emprego, mas esta foi uma viagem de metro de parelhas improváveis. À minha frente um homem novo, loiro, olheireiras carregadas, ouvia no seu mp3 uma canção de heavy metal. Os dedos frenéticos matraqueavam no aparelho ao ritmo da bateria, que até eu conseguia perceber. Eram eles os únicos livres no movimento que todo o corpo anseava realizar, não estivesse ali, no Metropolitano de Lisboa, entre centenas de desconhecidos, no caminho entre a estação da Rotunda (perdão do Marquês de Pombal) e a de Picoas. Atrás de mim um vulto sem forma definida passava pelo mesmo tormento castrador mas desta vez com uma qualquer música techno (ainda é assim que se chama?) que me furava os tímpanos. Cercado por batidas desconexas virei o rosto para a janela e observei os anúncios que passavam nas estações da linha amarela. Os pares improváveis que ali se formavam foram o ponto alto da manhã... Destriplique o Seu Saldo (Sopa intantânea de cogumelos e espargos), Tráfico Humano (Mediação é Solução).
E assim, com as estranhas frases da sabedoria do azar na cabeça, cheguei ao emprego, para mais um dia de filmes e séries...

1006

Só agora abri os olhos e vi... já 1005 posts, sendo este o 1006º... Muita escrita e tão pouca coisa que se aproveite! Avante campeão da inutilidade, soltai as torrentes do banal sobre o mundo! A festa segue dentro de momentos...

segunda-feira, novembro 03, 2008

Fim de semana de aniversário levou a que a garganta se queixasse e se revoltasse contra o dono. Feita a sua vontade, dia inteiro em casa e curar das dores. Amanhã é um novo dia...